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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Atualizações pós férias

Obrigada a todos que comentaram no post anterior sobre o meu desanimo em criar novas postagens. Já estou com várias ideias para novos posts, pelo menos até o fim do ano acho que a atualização do blog está garantida! Daí em 2017 faço novo post pedindo mais dicas. haha

Como eu expliquei pra Jacqueline no outro post, eu não escrevo sobre outras áreas profissionais porque realmente não conheço muito sobre outras áreas, e se tem uma coisa que eu detesto é passar info errada ou na base do achismo, por isso nunca escrevi sobre outras profissões. Postei num grupo que participo no facebook pedindo relato de outras meninas em áreas diversas para que eu possa publicar como guest post, mas só uma me mandou um email.  :(

Como eu já trabalhei de garçonete e babá no ano que cheguei aqui, vou fazer um post sobre as minhas impressões dessas áreas pra quem tá chegando em down under. Vou fazer também um post sobre se tenho faxineira e babá em casa. Vou também fazer um post sobre os outros assuntos que me sugeriram nos comentários do post anterior. Aliás vou tentar fazer tudo hoje e já deixar agendado pra postar senão vou esquecer (impressionante como depois de ter filho minha memória foi pras cucuias…).

Mas hoje vou começar contando como foi o nosso retorno pra Austrália depois de 5 semanas de férias. 

Primeiro queria traçar um paralelo com a viagem que fizemos ano passado pro Brasil, quando o Lucas tinha 5 meses. Aproveitando o finzinho da minha licença maternidade, fiquei 6 semanas no Brasil com o Lucas entre o meio de abril e o início de junho, e o Thiago foi nos encontrar por algumas semanas também. O Lucas ainda era bem pequeno pra aproveitar e interagir com as pessoas, e eu ainda amamentava então não consegui ter muito tempo sozinha deixando ele com a família de babá. Naquela viagem o Lucas foi uma tranquilidade no voo (claro, ele não se locomovia ainda e qualquer brinquedinho bobo o mantinha ocupado), mas o jet lag foi punk! Como ele ainda era muito pequeno, ele trocou o dia pela noite por 1 semana (na ida e na volta) e eu não conseguia dormir de dia porque queria aproveitar com a família, e a noite não conseguia dormir porque o Lucas estava a corda toda. Sério, foi desesperador! Passado o jet lag aproveitamos muito com a família, o clima no Rio estava um espetáculo (amo o inverno carioca de sol e calor ameno) e logo estava na hora de regressarmos pra casa. No retorno, mais uma semana de jet lag dos infernos e pra piorar chegamos em Sydney no início de junho, em pleno inverno rigoroso, eu retornando ao trabalho e com o Lucas começando na creche nova, e consequentemente ficando doente sem parar. Foi trevas! Se tem uma coisa que eu não faço é romantizar a maternidade, e vou te dizer, o segundo semestre de 2015 foi absolutamente horroroso. Foram 4 meses do Lucas e eu doentes praticamente toda semana (até hoje eu pego todos os germes que ele traz da creche, oh sina!), o Lucas precocemente começando a andar (a criança simplesmente não engatinhou, com 7-8 meses já “andava” se segurando nos móveis e com 10 meses andava de forma independente) e com isso todo um estresse porque ele não parava quieto e caía horrores, tudo isso no auge do inverno que sempre me deixa meio depressiva. Quis voltar pro Brasil mil vezes!

Depois as coisas se acalmaram e chegou a hora da nossa viagem desse ano. Uma grande amiga casou em Londres então resolvemos fazer a loucura de passar 1 semana em Londres, 4 dias em Paris e 2 semanas e meia no Rio. Em 5 semanas foram 3 continentes, 65 horas de voo, 5 horas de trem, 3 fuso horários e uma criança hiper ativa. Os ingredientes pra um completo desastre, né? haha

Bom, o jet lag foi infinitamente melhor, porque agora maior o Lucas entrou meio que no mesmo esquema nosso: dormindo cedo e acordando de madrugada. Mas isso foi ok porque nós também estávamos desregulados. Fora que agora que ele dorme 9-10 horas seguidas a noite, ainda conseguíamos ter tempo pra gente.

Já os voos, ah, os voos… Nem vou falar muito pra não desestimular quem quer viajar com criança pequena. Fora que cada criança é diferente e eu conheço vários pais que dizem não ter trabalho algum. Bom, provavelmente esses pais não tem o furacão que eu tenho em casa. haha Digamos apenas que de 65 horas de voo nós tivemos umas 20 absolutamente infernais do tipo: “ABRE ESSA PORTA DE EMERGÊNCIA E DEIXA EU PULAR AGORA!” Mas pensando pelo lado positivo pelo menos 2/3 dos voos foi tranquilo (tá, digamos que 1/3 foi tranquilo e o outro 1/3 tolerável).

Sobrevivemos pra contar história e apesar do Thiago ter ficado meio traumatizado (haha) eu encararia de novo numa boa (sim, sou masoquista). A estadia no Rio esse ano foi ainda mais especial porque o Lucas já estava com 1 ano e 10 meses, começando a falar, mais independente e interagindo com o primo (que é apenas 6 meses mais velho). Foram dias de muita felicidade e merecido descanso pra mim e Thiago, com a família tomando conta da nossa ferinha por dias inteiros pra nos dar uma folga.

Daí chegou a hora de voltar… Eu estava meio apreensiva já lembrando a depressão básica que deu no retorno da viagem ano passado. Mas esse ano foi muito diferente! Primeiro que chegamos aqui em outubro, se não no calor pelo menos com um friozinho mais ameno. Segundo porque estávamos morrendo de saudade da nossa casa e do nosso estilo de vida aqui! Se por um lado com o Lucas maior ele aproveitou mais a família e deu um aperto do coração ter que nos separar de novo, por outro foi muito complicado andar pelo Rio com o Lucas. Se a violência já me incomodava há 5 anos quando eu morava lá, atualmente está insuportável. Fora a instabilidade económica, o jeitinho brasileiro que me irrita, o machismo em níveis estratosféricos, etc. Não tem a mais remota possibilidade de eu cogitar voltar pro Brasil. Por mais que metade do meu coração fique lá, e eu morra de tristeza de ver o Lucas crescer sem a presença da família, mas a qualidade de vida que temos aqui me fazem ter a certeza de que a Austrália é minha nova casa.

Criar um filho longe da família é um desafio e não vou mentir: faz muita falta! Faz falta quando ficamos doentes, quando precisamos de um tempinho como casal, quando estamos estressados e tudo que queremos é um almoço de domingo rodeado de “problemas” familiares pra tirar o foco dos nossos. Faz falta nos aniversários e nos bons momentos quando muitas vezes temos que esperar 12 horas pra contar uma novidade pra família e amigos próximos por causa do fuso. Mas isso tudo vem junto com o pacote de um expatriado. Agora, sabe qual o lado bom? (fora a qualidade de vida que tanto já falei aqui no blog) Fizemos uma nova família aqui! Temos amigos tão, mas tão maravilhosos que preenchem esse buraco no nosso coração. Amigos com quem podemos contar nos momentos difíceis, um grande grupo de famílias com crianças pequenas que formam a nossa “aldeia” e nos ajudam a criar o Lucas. Arrisco dizer que nosso grupo de mães/pais é muito maior e unido do que seria no Brasil. Todos que conheço por lá tem, claro, amigos com filhos, mas não se vêem com a frequência que nos vemos aqui. Claro que ajuda o fato de a maioria das mães aqui não trabalharem integral e todas precisarem de companhia (leia-se ajuda) pra entreter os filhos durante a semana porque senão a gente pira ficando 24horas com essas crianças hiperativas desafiadoras! haha Sabe aquele ditado: “é preciso uma aldeia pra se criar um filho?” Pois é, a nossa aldeia são os amigos e eu não poderia estar mais feliz com os que fiz em terras australianas.  :)

A Aline me perguntou também como estava o trabalho. Está o mesmo de sempre, ainda estou como paralegal no mesmo escritório de advocacia em que sempre trabalhei aqui. O Thiago na verdade é que teria infos mais interessantes pra passar nesse quesito, já pedi a ele pra escrever textos pro blog, mas tá difícil…

Bom, essas foram as atualizações pós viagem, no próximo post retomo aos assuntos específicos que me sugeriram. Até breve!

terça-feira, 28 de junho de 2016

O lado B + winter is coming

Hoje li um texto excelente que o Jerry escreveu em seu blog Brazil Australia. Ultimamente tenho recebido muitos emails de famílias querendo sair do Brasil e imigrar pra cá. E eu sempre digo a mesma coisa: se imigrar pra um outro país já é difícil sem filhos, com criança então é realmente um desafio.

Pode ser o inverno que sempre me deixa mais depressiva, pode ser o fato de que eu há praticamente 1 ano emendo uma doença na outra e estou sempre cansada, mas a questão é que tem dias que me dá uma exaustão tão grande que dá vontade de largar tudo e voltar pro Brasil. Como diz aquele ditado: “É preciso uma aldeia inteira pra criar um filho”. E é a mais pura verdade! Tem coisas que quando se tem não se valoriza, como aquele almoço de família aos domingos. Vc sempre reclama das picuinhas da família, da obrigatoriedade de “perder” um domingo lá, mas espera chegar o dia em que vc não tem mais essa opção. Aquela semana que vc está doente, seu filho tá doente ou numa fase terrível, e depois de uma semana se arrastando pra conseguir trabalhar/cuidar da casa/cuidar do filho chega o fim de semana e tudo que vc pensa é: ufa, ainda bem que tem aquele almoço de domingo em que pelo menos vou ter ajuda pra cozinhar, pra cuidar da cria, vou ver pessoas que amo e que podem até dar uma olhada na criança enquanto eu descanso. Soou familiar? Pois é, isso não existe aqui. Depois de uma semana do cão, chega o fim de semana e é tudo igual: vc tem que limpar a casa, cozinhar, cuidar do filho 24 hrs por dia. Ou então aquele dia que vc não consegue sair cedo do trabalho, ou que seu filho tá doente na creche, ou uma emergência qualquer, e vc liga pros avós/tios/primos pra pedir uma ajuda emergencial. Isso não existe aqui. Ou o dia em que vc está seriamente doente e precisa ir pro hospital, como no dia em que eu chamei uma ambulância porque estava ardendo em febre sozinha em casa, com uma baita infecção renal, o Thiago no trabalho e o Lucas na creche longe de casa, e a ambulância disse que não viria porque meu caso não era de vida ou morte, e eu tive que, mesmo vomitando, com dor e ardendo em febre, arrumar uma carona pra me levar pra emergência; cheguei lá e me colocaram numa cadeira de rodas e me internaram na hora de tão mal que eu estava, e passei 5 dias internada absolutamente sozinha porque o Thiago tinha que ficar em casa cuidando do Lucas e da casa. Por sorte temos amigos incríveis que nos ajudaram (e ajudam) muito, mas todo mundo tem sua vida e sua própria família (e seus próprios desafios diários a enfrentar), e apesar de numa emergência sempre aparecer gente pra ajudar, nunca vai ser na extensão que é a ajuda da sua família, que vai parar a própria vida pra te fazer companhia ou cuidar de vc. Se vc tem alguém na família que pode vir pra cá por uns meses para ajudar (tenho muitos amigos que os pais/avós vem passar longas temporadas aqui, principalmente enquanto os filhos são pequenos) ótimo! Se não tem, se prepare para anos muito difíceis após o nascimento dos filhos.
Some a isso as dificuldades que o Jerry contou no texto que mencionei no começo do blog, como o alto custo de vida de Sydney: o custo de creche, de aluguel, de serviços como faxineira e babá, etc.

Antes que esse post soe muito depressivo, quero deixar claro que não é a minha intenção desanimar ninguém a vir não! Apesar de todos os momentos difíceis eu não troco minha vida aqui por nada! (juro que os pensamentos de largar tudo e voltar pro Brasil só vem no desespero e logo passam) A Austrália é maravilhosa e a qualidade de vida que tenho aqui é incomparável. Mas acho que todo mundo tem que ser avisado também do lado ruim, dos momentos difíceis, principalmente quando se fica doente. Porque com saúde e energia é bem mais fácil arrumar soluções e ter forças pra encarar os desafios. Mas nos momentos de mais vulnerabilidade (mesmo numa simples gripe que te tira a energia) a vida de imigrante fica bem mais complicada, principalmente quando entram filhos na equação.
Por isso que quando me perguntam se dá pra vir com visto de estudante quando se tem filhos eu digo que NA MINHA OPINIÃO é loucura. Se tem gente que vem? Sim, claro. Se conseguem sobreviver? Provavelmente. E pode ser que tenha gente que encare melhor do que eu os desafios da vida. Mas eu, na minha humilde opinião, não me mudaria pra outro país com família e um visto temporário como o de estudante.

Qual o propósito desse post? Sei lá, só desabafar acho. O texto do Jerry me deu vontade de escrever algo parecido aqui e agora não sei bem como terminar esse post. haha Acho que vou terminar mudando de assunto pra dizer que o inverno tardou mais chegou por essas bandas. As temperaturas despencaram e começou a temporada de depressão, germes, preguiça vento gelado e até neve em New South Wales, a menos de 2 horas de Sydney! Deixo vcs com as fotos de Blue Mountains alguns dias atrás:


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O que sentimos falta do Brasil (atualização do post de 2011)


Outro dia eu estava pesquisando algo nesse blog e dei de cara com um post de 2011, que escrevemos antes de vir pra Austrália, com uma lista de coisas que achávamos que iríamos sentir falta do Brasil (ou não) quando nos mudássemos pra cá (esse post aqui). Só que depois disso nunca mais escrevemos sobre o assunto, então eu acho que já estava mais do que na hora de reavaliar essa lista e ver com o que concordamos ainda (ou não).
Pra facilitar vou transcrever abaixo a lista em azul, e em vermelho faço minha atualização. Vou falar por mim, acredito que o Thiago tenha visões diferentes sobre alguns tópicos, mas como ele sumiu desse blog e quem manda agora sou eu, haha, o post vai ter o meu ponto de vista.
Vamos sentir falta da/do...
  1. Família: do natal, do almoço de domingo, das festas de aniversario, do carinho, apoio e segurança que eles nos dão.  Sim, sentimos muita, mas muita falta mesmo. Essa dor da distancia acho que nunca vai ficar menos dolorida…
  2. Amigos: das cervejas no plebeu, das discussões sobre assuntos polemicos, dos encontros, festas e reuniões, dos amigos de verdade que podemos contar a qualquer hora. Em parte. Claro que ainda sentimos muita falta dos amigos que ficaram, mas também fizemos novos e maravilhosos amigos aqui. Acho que nesse ponto o Thiago sente mais falta que eu por não ter encontrado aqui uma turma que se encontre frequentemente como a do Brasil. Eu, por outro lado, tenho os grupos de mães, amigas que tiveram bebe na mesma época que eu, os girls night, então consigo dividir mais.
  3. Comida: feijoada, dos churrascos com carvão e picanha na brasa, das comidas regionais (tapioca, rabada, moqueca, etc.), dos restaurantes de botafogo, da comida bem servida dos botequins. Em parte. Claro que sempre que vou no Brasil me esbaldo com as comidas, mas tem muita coisa que dá pra achar aqui (hoje mesmo comi arroz com feijão, tem churrascaria brasileira, e muitos produtos dá pra comprar online com preço aos olhos da cara). Fora que eu já me acostumei com as comidas daqui, então quando vou pro Brasil é que sinto falta da vegemite. Mentira! haha Não tem como gostar dessa bosta salgada, e continuo com a regra de que essa porcaria não entra na minha casa, apesar do Lucas amar e comer na creche (hunf). Agora falando sério: estou mesmo acostumada com a comida daqui, com a variedade de comida internacional, e nem peco mais pra me trazerem biscoito e chocolate do Brasil! (tá, mentira de novo, eu peço bombom serenata de amor e mate leão em erva pra fazer mate gelado em casa. Mas só!)
  4. Musica: do forro e samba do democráticos, das marchinhas dos blocos de rua, dos shows no circo voador, do chorinho da feiras de domingo, das musicas regionais, mpb em geral, etc. Hum, de novo em parte. Eu sinto falta de dançar forró, da música brasileira, mas acho que o Lucas trouxe um novo ritmo as nossas vidas. Da última vez que fomos no Rio, mesmo tendo a família pra ficar de babá e saindo pra um samba na Lapa ,não é mais a mesma coisa, fico com saudade dele, quero voltar cedo pra dormir cedo e aproveitar o dia com ele, enfim, ele mudou nosso ritmo. E não foi algo forçado ou sofrido como eu achei que seria, foi só algo natural que a presença dele nos trouxe. Pode ser que isso mude daqui a uns anos, quando ele estiver maiorzinho, vamos ver.
  5. Diversas casas de suco natural do Rio. Nem sei dizer se isso faz falta, porque na verdade me acostumei a beber mais água aqui e comer a fruta inteira, que é o que faço com o Lucas e adotei pra mim. Claro que fruta aqui é mais cara e tem menos variedade que no Brasil, mas já me acostumei também e isso se incorporou no nosso orçamento. E fora que do jeito que o Rio está caríssimo, não sei se mesmo com a conversão aqui sai mais caro não…
  6. Mate de latão e do biscoito globo da praia. Sempre, saudades eternas de mate e biscoito globo.
  7. Bares da lapa. Aqui cai no mesmo do item 4. Sinto falta mas ao mesmo tempo estamos em outro ritmo de vida. Fora que a cerveja aqui é infinitamente melhor que no Brasil, isso até o Thiago há de concordar.
  8. Praias do Rio e do Brasil. Sim, isso sinto falta, da água quentinha, do calor que dá pra ir pra praia em qualquer horário, da brisa que quando tem é leve e não esse ciclone gelado daqui (a exagerada). Aqui vou muito menos na praia, porque quando está sol e calor é um maçarico de raio cancerígeno, e no início da manha e no fim da tarde já começa o vento gélido (a exagerada parte II).
  9. Doces com sabor, leite condensado, brigadeiro, requeijão, etc. Bom, pelo tamanho da minha circunferência de cintura isso não deve estar fazendo tanta falta assim… haha Mas sério, já aprendemos a achar doce com sabor aqui (vide esse meu post) e leite condensado tem em qualquer mercado, dá pra fazer brigadeiro em casa.
  10. Carnaval. Não sei do que o Thiago tinha saudade, porque já andávamos de saco cheio da zoeira que fica no Carnaval. Só se for do feriado prolongado que sinto falta…
  11. Calor do povo brasileiro. Sim, faz falta, muita falta. Mas com esse “calor humano” vem o jeitinho, a mania de chegar atrasado, a intromissão na vida alheia. Então fico meio dividida: sinto falta de alguns aspectos, mas de outros quero distancia.
  12. Futebol toda quarta e domingo. Não sei do que o Thiago achava que ele ia sentir falta se ele nunca jogou futebol com essa assiduidade. haha (explanando o marido)
  13. Informalidade do carioca. Igual ao item 11. Sinto falta de alguns aspectos, mas quero distancia de outros.
  14. Língua portuguesa. Sim, faz falta falar a sua língua, não ter que puxar a memória para falar bem inglês (tenta quando vc está sem dormir a noite por causa do bebe), saber todas as gírias e se “integrar” mais facilmente. Mas falamos só português em casa, a maioria das músicas que ouvimos são brasileiras, e temos muitos amigos brasileiros pra matar a saudade.
  15. Almoçar comida nos dias de trabalho. Continuamos fazendo, cozinhamos em casa e levamos. Esse negócio de almoçar sanduíche como os australianos não dá sustança não…
  16. Dançar forró, samba, etc. É impressão minha ou repete o item 4? Ai, Thiago e sua mania de não revisar texto…
  17. Belezas naturais da cidade maravilhosa (montanhas, cachoeiras, animais, natureza em volta da cidade). Até sinto (o Rio é realmente lindo), mas de que vale tanta beleza se é tudo sujo, mal conservado e perigoso? Sydney também é lindíssima e tem ainda mais natureza a disposição (vide o passatempo preferido do Lucas que é perseguir os passarinhos nos parques).
  18. Cinemas alternativos de Botafogo com varias opções de filmes fora do circuito normal, além do festival de cinema do Rio. No início eu sentia muita falta disso, das minhas maratonas no festival de cinema, mas agora não tenho tempo mesmo pra ver filme (a não ser que seja Frozen, o preferido – e único – do Lucas), então é melhor estar longe do que ficar na tentação.
  19. Passeio na Lagoa no domingo. Também não sinto falta, aqui cada semana vamos explorar um parque novo, e são tantas opções lindas e bem cuidadas que colocam a Lagoa no chinelo.
 Não vamos sentir falta da/do...
  1. Corrupção / transgressão das leis. De acordo.
  2. Bagunça urbana das cidades. De acordo.
  3. Jeitinho brasileiro / malandragem do carioca. De acordo.
  4. Gente furando fila. De acordo.
  5. Lixo nas ruas. De acordo.
  6. Aspones. De acordo.
  7. Burocracia do serviço publico. Aqui também tem, apesar de que de um jeito mais “certinho”.
  8. Desperdício da coisa publica. De acordo.
  9. Descaso das autoridades. De acordo.
  10. Concurseiros de plantão doidos pra passar em um concurso publico pra mamar nas tetas do governo e participar da festa do desperdício. De acordo.
  11. Desemprego ou a falta de oportunidade de mudar de ramo, da estabilidade profissional mesmo em áreas privadas. De acordo.
  12. Desigualdade social / pobreza. De acordo. Claro que aqui tem pobreza, mas numa quantidade infinitamente inferior.
  13. Custo de vida no Rio. Aqui também é bem elevado, mas o poder de compra aqui é maior.
  14. Violência. 100% de acordo.
  15. Falta de educação e solidariedade das pessoas. De acordo, ainda que aqui vez ou outra também tenha claro.
  16. Desrespeito com o próximo, com o meio ambiente, com o patrimônio publico, etc. De acordo.
  17. Qualidade dos serviços públicos (saúde, transporte, educação, cultura, etc.). De acordo.
  18. Falta de apoio do governo. De acordo.
  19. Falta de estabilidade, segurança para planejar o futuro sem ter que passar pra um cargo publico. De acordo.
  20. Indicação para se dar bem, QI. Aqui também tem QI, mas não tão forte como no Brasil.

Os itens que não vamos sentir falta podiam ser bem mais elaborados, eu sei, mas aí periga vir o pessoal coxinha aqui nos comentários, o “fora dilma”, “PT é a raiz de todo mal”, e eu sinceramente não estou com o saco de entrar nessa discussão. Quem sabe um dia entro de novo nesses assuntos “socialistas” (como já me chamaram, diga-se de passagem, nos comentários do blog).

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Retrospectiva 2015


Tem tempo que eu não faço uma retrospectiva aqui no blog. Aliás acho que a única que eu fiz até hoje foi nesse post aqui, além dessa outra mambembe quando voltei do sumiço.
Como essa semana começa efetivamente 2016, achei que cabia uma retrospectiva oficial e o que espero para esse ano.

2015 foi um ano incrível, mas igualmente difícil. Foi o ano em que sofremos as dores e delícias de se criar um filho, agravado pelo fato de estarmos longe da família. Minha gravidez e o pós parto foram incrivelmente difíceis e desafiadores, depois quando as coisas começaram a entrar na rotina começamos uma onda de doenças no inverno que durou longos e tenebrosos 4 meses. Nesse período chegamos a cogitar seriamente voltar pro Brasil, foi realmente pesado estarmos os 3 doentes e tendo que manter a rotina da casa, trabalhar e cuidar de um bebe sem ajuda da família. Mas se pensar bem eu acho que todo inverno eu entro nessa “depressão” e quero voltar pro Brasil. haha  (#odeioinvernofrio)

Apesar dos momentos difíceis foi uma delícia ver o nosso pequeno crescendo e se desenvolvendo com tanta liberdade. Hoje sinto até falta de ter um bebe em casa, pois já tenho um típico toddler (menino) que corre anda, escala, dança, tagarela (na língua dele, mas tá valendo), faz graça pra nos ver sorrir e a cada dia reclama por mais liberdade (essa semana cismou que quer comer sozinho, quer dizer, com as mãos ele sempre comeu, mas agora quer comer de colher/garfo. Ai, ai…). Quando vejo a liberdade que ele tem aqui, a paz de espírito que é sair com ele para qualquer parque/praia, deixá-lo livre para andar pelo bairro e explorar tudo a sua volta, não tem preço e me faz ter a certeza de que é aqui mesmo o meu lugar.
Foi também o ano que mais viajamos, surpreendentemente, porque eu achei que com a licença maternidade não remunerada (já expliquei sobre isso aqui) iríamos a falência. Mas como já dizia meu pai, quanto mais de gasta mais se ganha. haha  Brincadeira, no nosso caso (em que não ficamos ricos) acho que foi mais uma questão de ajustar prioridades. Abandonamos por hora a pretensão de comprar um apartamento no futuro a curto prazo e optamos por aproveitar mais a vida com viagens. E como em 2014 com a minha gravidez + o nascimento do Lucas praticamente não pudemos viajar, em 2015 fomos a forra: Gold Coast em abril (quando o Lucas tinha 4 meses), Rio de Janeiro em maio (fiquei lá dos 4.5 meses do Lucas até ele fazer 6 meses), Fiji em outubro (o Lucas tinha 10 meses, post aqui) e Nova Zelândia pro Natal e Ano Novo (quando o Lucas já tinha 1 ano – em breve faço um post sobre essa viagem). Ou seja, o pequeno mal fez um ano e já tem 3 viagens internacionais no passaporte. :)
Curioso que cada viagem teve um sabor especial por conta da idade do Lucas na época. As duas primeiras foram mais “fáceis” em termos de comida e voos porque ele sendo menor era basicamente leite, ele dormia mais frequente e qualquer objeto o distraia. Em compensação acordava muito de madrugada e o jet lag dele na viagem pro Brasil foi desesperador. Já Fiji foi o começo do perrengue de se viajar de avião com um bebe móvel que não prende atenção em nada por mais de 10 segundos e que começou a recusar papinha pronta (vou te dizer: um desafio ter um bebe de paladar refinado. haha Mas não posso reclamar porque ele é super bom de boca, só não gosta de comida sem tempero, comida repetida e papinha pronta. :-P), mas ao mesmo tempo que estava começando a explorar e descobrir o mundo e foi uma viagem deliciosa! Nova Zelândia por sua vez foi igualmente deliciosa, com o benefício de ter a mãe e irmã do Thiago por lá pra nos dar uma super ajuda com o Lucas e com isso podermos fazer até esportes radicais! Foi também a transição do Lucas da fase de bebe para um menino, então se por um lado era mais fácil a parte de alimentação (ele come o que a gente come, sem frescura e comida inteira mesmo do nosso prato), sono (ele já tem a rotina de sonecas e dorme a noite toda, apesar de sempre terem noites de recaída), por outro foi mais cansativo entretê-lo e correr atrás dele com ele o dia todo, mas igualmente prazeiroso vê-lo explorando o mundo livremente. Para 2016 eu só desejo que meu pequeno continue com saúde e enchendo a casa de risadas e amor.
Seguimos no mesmo apartamento, que gostamos muito e espero permanecer pelos próximos anos, até porque não aguento mais mudança (já até fiz vários posts no blog sobre isso, aqui e aqui)! Também seguimos nos mesmos empregos, Thiago já há 1.5 anos numa empresa e eu há 3 anos no mesmo escritório de advocacia. Ao mesmo tempo que estamos bem, estabilizados e com reconhecimento profissional, tem rolado em nós dois aquela cosquinha de necessidade de mudar. Mudar pra crescer profissionalmente ainda mais, mudar pra buscar novos desafios, pra respirar outros ares. Mas sinceramente não sei se essa mudança vai acontecer em 2016. Primeiro porque agora temos uma família pra contrabalançar e não é mais tão fácil abrir mão da estabilidade profissional. E ainda tem a questão de que se formos ter outro filho (não pra 2016, mas quem sabe 2017 ou 2018…) precisamos estar num emprego estável pra facilitar essa nova aventura. Eu sinceramente as vezes sinto falta de me focar mais na minha carreira, ainda mais agora que só trabalho 3x por semana. Queria mudar de escritório, quem sabe validar meu diploma aqui e alçar voos ainda maiores. Mas aí esbarro no prazer que tenho de passar 2 dias da semana inteirinhos com o Lucas, no fato de que não quero abrir mão do tempo livre com a minha família pra trabalhar longas horas. Já fiz muito isso nos meus vinte e poucos anos, não me vejo mais fazendo. Acho que a vida é sempre assim, né, um mar de escolhas e cada uma traz suas dores e delícias.

Em resumo acho que 2015 foi um grande ano, e 2016 tem tudo pra ser ainda melhor. Primeiro que em fevereiro poderemos dar entrada no pedido de cidadania (uhuu), então 2016 já ficará marcado como ano em que viraremos cidadãos australianos (e finalmente poderemos passar na fila rápida do aeroporto, porque ninguém merece a fila da imigração, na viagem pra Fiji ficamos quase 1 hora no retorno! Isso com um bebe faminto a tiracolo, e mesmo com o Lucas se esgoelando de fome não nos deram prioridade.), pra fazer companhia pro nosso canguruzinho que já tem passaporte australiano desde 1 mês de vida. Nossa viagem ao Brasil esse ano provavelmente será em agosto/setembro (o duro vai ser ficar sem viajar até lá...), e vai ser incrível rever a família com o Lucas já independente e falando (dessa vez a nossa língua. haha), além da emoção de ver a primeira filha de uma das minhas melhoras amigas que nasce no meio do ano. Ah, e essa viagem será ainda mais especial pois vamos fazer um pit stop em Londres pro casamento da minha outra melhor amiga. Esse ano promete! Mal posso esperar pelas coisas boas que 2016 nos trará.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Motivo da ausência e 3 anos de Austrália

Nossa, tem mais de 6 meses que não atualizo o blog. Ele anda totalmente as moscas, eu sei, as vezes só lembro dele quando recebo email de alguém com alguma dúvida. Até hoje nunca deixei de responder um email, mesmo que demore a resposta vem, então sejam pacientes. :) Se bem que tem vezes que dá vontade de nem responder, me irrita bastante quando recebo perguntas que uma simples pesquisa no Google resolveria, ou pior, cujas respostas estão no blog mas a pessoa tem preguiça de ler, vê apenas o último post e acha mais fácil me escrever um email do que ler o restante dos posts. Mesmo assim respondo sempre (e juro que não sou grossa. rs), pois é um imenso prazer ajudar outros brasileiros nessa mudança radical de vida. Claro que eu sei que essas pessoas que tem preguiça crônica de ler e pesquisar nunca vão conseguir imigrar. Mudar pra outro país demanda muita pesquisa, muito planejamento, muita perseverança. Por outro lado o blog me trouxe muitos amigos, pessoas que me contactaram ainda do Brasil, vieram pra Austrália, nos encontramos e se tornaram grandes amigos. Isso me motiva a manter o blog ativo.

Quanto ao motivo da ausência, bom, já tinha comentado no último post que ano passado engravidei e em dezembro nasceu nosso maior presente, o Lucas. Fiquei meio off na gravidez e depois que ele nasceu o tempo ficou bem escasso. Agora mesmo tento fazer esse post com ele reclamando aqui no meu colo. rs

Mas o assunto de hoje é outro. Hoje completamos 3 anos de Austrália! Olhando pra trás parece que foram 10 anos, tamanha a quantidade de coisas que aconteceram nesses anos. Acho que nossas vidas nunca mudaram tanto em tão pouco tempo...

Depois de um primeiro ano bem complicado com a busca por emprego, um segundo ano de estabilização e ainda de adaptação, 2014 nos trouxe a vida que sempre quisemos. Nos mudamos para um apartamento que amamos no sul de Sydney, num bairro super agradável e rodeado de parques, Thiago conseguiu um emprego na empresa dos sonhos dele e está trilhando seu projeto de se tornar project manager, eu fui promovida a legal assistant no escritório de advocacia que trabalho e, claro, o fim do ano trouxe nosso tão esperado pacotinho. Além disso fizemos muitas e maravilhosas amizades, como diz minha mãe que veio nos visitar nos últimos meses, não paramos em casa de tantos eventos sociais. haha Ela até que tem razão, mas é que quando se mora do outro lado do mundo os amigos se tornam a sua família, e nós com certeza só temos a agradecer pelas amizades que formamos.

Depois de ter um filho tive ainda mais certeza de que essa cidade é onde quero que meu filho cresça, com muita liberdade e segurança.

Claro que nem tudo são flores, a distância da família ainda é e sempre será muito difícil, e claro que nossa vida não é perfeita. Mas hoje eu estou num ótimo humor (milagre... haha) e resolvi fazer esse post só com as coisas boas. Afinal, de vez em quando é bom parar de reclamar e dar valor a todas as coisas boas que acontecem a nossa volta, né?

Finalizo esse post com uma foto do nosso pequeno:




Ah, antes que eu me esqueça: a Michelle, do maravilhoso blog Brazil Australia, fez uma entrevista comigo sobre a maternidade, onde contei um pouco sobre como é ter um filho na Austrália. Quem tiver curiosidade passa por lá. Super obrigado a Mi, uma grande amiga, aliás conhecer ela e o Jerry foram um dos muitos presentes que a Austrália nos trouxe. :)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Vale a pena se mudar pra Austrália?

Mais um mês sem escrever... Não tenho nem mais desculpas pra tamanho abandono do blog. Podia dizer que é falta de assunto, mas acho que a verdade é que é preguiça mesmo... Fora as mil coisas que aconteceram nos últimos meses (comento algumas no decorrer do post, os fortes que agüentarem ler o testamento que vem por aí saberão! haha).

Hoje estava respondendo um email que recebi, do Dyego, que me pediu opinião sobre se valia a pena largar a vida no Brasil pra tentar a vida na Austrália, principalmente quando já se passou dos 30 anos e o medo de recomeçar de novo vai ficando mais forte.

Achei que seria interessante reproduzir algumas partes da minha resposta aqui.

Pra quem pensa em vir com um visto de estudante com o objetivo de fixar residência definitiva aqui, eu já adianto que EU não faria. Não que não tenha gente que tenha conseguido vencer aqui nessas condições, tem aos montes, mas EU, na época que vim, com mais de 30 anos, uma carreira sólida no Brasil, um ótimo emprego e tal, não largaria tudo por um visto de estudante e um futuro absolutamente incerto. Pra quem quer vir nessas condições, meu conselho é: trace um plano muito bem estruturado de longo prazo para conseguir uma residência. E nisso não se inclui casar com australiano, tá? haha Não que isso não dê residência, ou que não seja a saída de muita gente, mas acho que todos nós temos que trilhar nossos caminhos independentes. Um companheiro acrescenta, e muito, mas não pode ser um objetivo de vida pra se alcançar coisas materiais.

Então planeje estudar algo aqui que esteja na lista de demanda e possa te dar um visto de residência no futuro. Esse ano mesmo a imigração anunciou que entrará na nova lista as profissões de chef (na verdade retornando na lista depois de ter sido retirada há alguns anos), bricklayers e tilers. Claro que essa lista muda todo ano e é difícil saber o que vai ficar ou não, mas dá pra ter uma idéia, o suficiente pra construir um plano de futuro.

Pra quem pensa em vir com visto de sponsor, algumas coisas tem que ser consideradas. O visto de sponsor não dá a estabilidade de um visto de residência. Vc fica vinculado a empresa que te sponsorou e se sair dela tem 30 dias pra arrumar outro sponsor ou sair do país. Também não tem direito a nenhum benefício social do governo, nem mesmo o Medicare, então vc tem que considerar os custos com isso. Realmente ao final de um período vc pode aplicar pra residência, mas não sei como esse processo funciona ou se isso é uma coisa tão “certa” assim. Conheço gente que aplicou, mas também conheço quem não tenha conseguido. Isso tem que ser considerado quando for analisar o salário oferecido. Quando te oferecerem um package (salário anual, incluindo superannuation), vai nesse site pra calcular quanto vc vai receber líquido por mês.

O orçamento mensal varia muito de pessoa pra pessoa, eu publiquei um post sobre isso aqui. Claro que essa é minha opinião pessoal, conheço muita gente que vive com menos e muitas que não conseguem imaginar viver com isso apenas.

Algumas observações sobre salário por essas bandas daqui:

- o salário mínimo aqui na Austrália é de +/- 40k por ano (daqui pra frente, quando eu digo salário de, p.ex., 50k, o "k" significa mil, ou seja 50k = 50.000 dólares por ano. E quando eu digo "package", inclui superannuation – que geralmente é de 9% – mais impostos. O site que eu mencionei acima ajuda a converter o package em valor líquido mensal).

- o salário do australiano médio gira em torno de 60k por ano, package. Acima de 90k é considerado um bom salário.

- quando se fala em salário, varia muuuuiiittoooo de pessoa pra pessoa e de uma área de atuação pra outra. Conheço arquitetos (australianos, by the way) que ganham 60k mesmo com 5 anos de experiência, e acham que o máximo que vão alcançar com 20 anos de experiência será 80k. Enquanto conheço outros que com 5 a 10 anos de experiência já estão ganhando mais de 100k. O mesmo vale para qualquer área: em TI tem muita gente ganhando acima de 100k de salário inicial, mas também tem muita gente com bem menos que isso.

Então cuidado ao comparar salário, tem muitas variantes aí. Tem vários sites na internet com a média de salário por área de atuação, como esse aqui.

Como via geral (ainda que não seja regra), áreas como TI, medicina e advocacia pagam bem mais que as demais. Mas, como eu disse, existe gente muito bem remunerada em outras áreas.


Quem quer vir com qualquer visto que não seja de residência e tiver filhos, tem que considerar também o gasto com educação e saúde, que não é barato. Se mesmo pra residentes as childcares são pagas (e caras), imagina pra quem não tem nenhum benefício do governo.

Minha opinião (super pessoal, o Thiago mesmo discorda, por isso repito: é MINHA opinião): um salário em torno de 55k é bem razoável pra começar a vida por aqui. Se vc for esforçado, um bom profissional, tem muitas chances de em 1 ou 2 anos conseguir um aumento de 50% ou até mesmo 100% (esse último, claro, normalmente trocando de empresa e dependendo da área). Agora, se esse salário for para sustentar o casal, ou filhos, eu já acho que fica bem apertado. Mas - e sempre tem um porém - muita gente consegue sobreviver com isso! E até menos! Então eu repito: isso é muito pessoal.

Outra pergunta do Dyego foi se vale a pena largar um trabalho promissor no Brasil e recomeçar na Austrália. Bom, eu sou suspeita pra falar, pois trabalhava como advogada num escritório, ganhava super bem, tinha uma vida estabilizada, e larguei tudo pra vir pra cá, mesmo sabendo que não ia poder advogar aqui e com isso ganhar um salário equivalente. Ah, e também tinha mais de 30 anos quando vim.

Como comentei nesse post no blog, o primeiro ano foi muito difícil, muito mesmo, principalmente pra mim. Pensei em voltar várias vezes, alguns meses todo dia... rs Mas passados 2 anos e meio acho que foi a melhor decisão que tomei! Estou num emprego ótimo num escritório de advocacia, e se é verdade que não advogo, ganho bem pra trabalhar pouco(e sem estresse!) e poder ter um tempo livre que nunca tive no Brasil. Thiago está no segundo emprego, ganhando mais que o dobro do que quando começou, e no emprego dos sonhos dele. E pra completar estamos esperando nosso primeiro filho (yay!), fizemos muitos amigos (muito mais do que eu esperava), moramos num bairro que amamos, com a vida a dois que sempre sonhamos.

Outra coisa a ser levada em conta é que as coisas aqui acontecem bem mais rápido, o poder de compra é bem maior que no Brasil. Mesmo amigos meus que ainda estão trabalhando como garçom conseguem juntar dinheiro, viajar, comprar um carro. Tem também a vantagem de poder morar num subúrbio mais afastado do centro, economizando com aluguel, e ainda assim ter uma excelente qualidade de vida. Muito diferente de um subúrbio afastado na maioria das capitais brasileiras...

Por fim, uma coisa que eu sempre pensava antes de vir e nos momentos difíceis do começo é: vc sempre vai poder voltar pro Brasil se as coisas não derem certo aqui! Nunca se está velho demais pra recomeçar, apesar da idéia poder soar assustadora. Se vc vier, passar 2 anos trabalhando ainda que remotamente na sua área aqui, e ao final tiver que voltar pro Brasil, vai levar a experiência e a fluência no inglês. Isso com certeza vai te ajudar a se reestruturar e recomeçar.

Dá medo? Sim, muito! É difícil? Sim, muito. Vale a pena? Pra mim valeu e muito. :)

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

"O que o facebook não conta sobre viver no estrangeiro"

Estava eu lendo hoje um artigo no Sydney Morning Herald (na verdade o SMH remeteu a um artigo do The Vine, esse aqui) sobre australianos que vivem em outros países, cujo tema é “What Facebook photos don't tell you about living abroad” (o que o facebook não conta sobre viver no estrangeiro).

Curioso ler sobre australianos dizendo do que sentem falta da Austrália. Vou transcrever algumas respostas que achei interessantes e meu comentário em seguida:


“I miss the diversity of the colourful Australian landscape and wildlife. I miss catching up with mates at “Sunday Sessions” at a local watering hole overlooking the most beautiful coastline in the world.
Then there’s the food: I miss a “real” Aussie meat pie. Thankfully, I was home for Christmas and had the chance to stock up on Vegemite, choc-chip muesli bars and “PK” chewing gum
.”

E eu achando que não havia comida típica na Austrália, e que vegemite é desgusting demais pra ser objeto de desejo de alguém. Silly me... rs Bom, gosto é gosto e não se discute, mas eu detesto meat pie e vegemite. E vamos ser francos: desde quando chiclete pode ser objeto de desejo culinário de alguém? haha


“Family and friends and SUN! Also our style of food and eating in general. We eat a lot of fresh food. British food can be very carb heavy and stodgy.
I miss our live music scene. I still think we have some of the best music coming out of Australia.
I miss being able to chuck on some thongs and pop to the shop as opposed to putting on a jumper, coat, socks, boots and gloves just to get some milk.
I miss Australians as well. We're all so open and friendly and honest. Londoners keep to themselves and can be painfully polite which is very dry to me.
I miss the beach and getting a tan. I miss cold beers in hot air. I especially miss how well we are paid
.”

Australianos comem muita comida fresca??? Eles iam ficar loucos com o Brasil então... Eu ainda peno pra achar sucos naturais nos restaurantes e bares...
Concordo com ela quanto ao clima, realmente viver em Londres deve ser um saco nesse aspecto, e bem deprimente também. Pelo menos pra mim, tenho certeza que muita gente deve adorar (será? rs).
Agora, o que achei mais curioso foi ela dizer que os australianos são abertos e amigáveis. Ok, se comparar com ingleses pode ser, mas pros padrões brasileiros a Austrália é uma pedra de gelo social. Sim, eles são simpáticos, mas os relacionamentos são superficiais, pelo menos essa é uma reclamação recorrente que ouço de brasileiros por aqui: é difícil fazer amigos australianos.


“One other thing that has been really tough is coming from earning extremely good wages in Australia to earning barely enough to get by on Canadian minimum wages.”

Jura? Eu sempre achei que era o contrário, que se ganhava mais no Canadá e que na Austrália os salários eram mais medianos (bons, mas medianos). Anyway, acho que isso depende muito da área de atuação, cidade onde se vive, e experiência local.


“A Sunday arvo drink with my mates and family by the beach after swimming all day is what I miss most.”

De novo uma questão de parâmetro de comparação. Ok, claro que o verão australiano é infinitamente melhor que o canadense. Mas eu não consigo nadar na praia aqui, aliás entrar na água já é um suplício! Primeiro que não esquenta o suficiente (desculpem os do sul do Brasil, mas pra carioca abaixo de 30 graus é inverno. haha), segundo que está sempre ventando em Sydney (juro, tem vórtex em cima dessa cidade, só pode! rs), o que dificulta a ida a praia (esse verão não fui nem uma vez ainda...). Ah, como sinto falta do mar quentinho do Nordeste... Prefiro mil vezes me sentir numa canja do que água gelada.


“The surf, my family, tanned Australian girls with good attitudes. New York is very fast-paced, a living breathing organism, so to speak.”

Sejamos francos: comparar Nova Iorque com Perth não é bem uma comparação justa... rs Se ainda fosse NY X Sydney ou NY X Melbourne...


“When the cricket is on! No, but seriously I think the lingo can sometimes get you. I felt a bit daft when I first started work here as they would say all these abbreviated words. I had no idea what any of them were and I was a bit embarrassed to ask. I would go back to my laptop and Google them just so I would know for next time. I also would get a bit of shtick for the way I pronounced my words and had to change the way I said them so I wasn’t mocked (even though it was in jest). The hardest thing, however, is being so far away from your family.”

Viu, não importa se vc fala inglês e vai pra um país também de língua inglesa, ainda assim vão implicar com seu sotaque. :)


Essa é só uma das perguntas, vale a pena ler o artigo todo. Expatriados serão sempre expatriados. :)

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

"Da relação entre limpar seu próprio banheiro e abrir sem medo um Mac Book no ônibus"

Se trocar “Holanda” por “Australia”, esse texto retrata muito do que penso.

Vale a pena ler e refletir: http://www.ducsamsterdam.net/da-relacao-entre-limpar-proprio-banheiro-abrir-sem-medo-mac-book-onibus/.

Há uns dias atrás entrei numa discussão no grupo de brasileiros do facebook por causa de alguns comentários discriminatórios. Eu detesto entrar nessas discussões, em parte porque não tenho a menor paciência para pessoas estúpidas e ignorantes. Muito menos para machistas, misóginos, racistas, homofóbicos e afins.

A discussão em questão começou com um rapaz dizendo que estava prestes a ser mandado embora de seu trabalho de cleaner por conta de um colombiano que lhe sacaneou. Já começou errado ao individualizar a nacionalidade, pois se alguém lhe sacaneou no trabalho não foi porque era colombiano, indiano, argentino, ou a nacionalidade que seja. Tenho horror a essas generalizações. Mas daí vieram os comentários generalizando os colombianos, do tipo: “Nossa...experiência péssima com colombianos também. São uns coitados pq limpar chão é o trabalho da vida deles.” “E isso mesmo, eles pensam pequeno, pra eles trabalho de cleaner e suficiente, acho que isso e o maximo que eles conseguem pra vida deles.” “Pessoas egoístas e gananciosas. Vem muito colombiano papupérrimo que vende as cuecas pra trabalhar de cleaner em Sydney. Não falam nada de ingles e nem querem aprender.” “Nos desconfiamos que ele quer arrumar intrigas pra poder justamente por colombianos pra trabalhar la, e o que voce disse ne panela, eu agora odeio essa raça.” (tudo sic, claro)

Nesse momento algumas pessoas começaram a reclamar do cunho discriminatório dos comentários, inclusive eu, e começou o bate-boca, recheado de muitos erros de português, claro, e frases que sequer se consegue entender. Sim, porque pra algumas pessoas custa entender que se vc não consegue se expressar direito nem em português, fica difícil aprender outro idioma. Eu me policio bastante pra não ficar corrigindo os outros e passar pela chata implicante, mas que me dói a alma ler/ouvir gente assassinando o português, isso me dói...rs

Uma das meninas que comentou foi bem mais incisiva na revolta contra os comentários discriminatórios, e recebeu como resposta um “vc não tem roupa pra lavar em casa, não?” Sim, claro, porque a função da mulher é lavar roupa em casa, e não se meter em discussões ideológicas. Quando eu disse que esse comentário foi machista, claro que foi minha vez de ser atacada e o cidadão ainda escreve “não quis ser machista em momento algum (apesar de umas ai merecerem)”. Quer dizer, mulher que é atacada merece, afinal ela é mulher, esse ser inferior! Não vou nem entrar na questão do machismo na sociedade brasileira, pois isso daria outro post. Mas vale uma lida o texto do Gregorio Duvivier na coluna da Folha dessa semana.

Claro que a discussão no facebook não levou a lugar nenhum, e eu quase me arrependi de ter entrado nela. Mas as vezes penso que não dá pra ficar calado e se omitindo sempre que vir alguém sendo discriminatório. É pela omissão que o mundo continua tão problemático... Eu que sempre me considerei sem preconceitos, a cada dia abro mais minha mente ao conviver numa sociedade tão heterogenia quanto a australiana.

Voltando ao texto sobre igualdade social, isso é uma coisa que custa a muitos brasileiros entender. Mesmo os que vem pra cá e tem que trabalhar de cleaner, garçom, ajudante de obra, o fazem muitas vezes achando que aquele é um trabalho menor e temporário. Só que essa não é a mentalidade dos australianos. Qualquer trabalho é digno, muitos cleaners (nem vou falar de pedreiro, encanador, pois esses ganham muito melhor do que muito arquiteto, engenheiro, e qualquer outra profissão que demande uma faculdade mais longa) tem uma vida confortável e de classe média. O que sinto aqui é que mesmo os verdadeiramente ricos não esbanjam, é feio socialmente se mostrar superior ao outros. Chamar a sua faxineira de empregada (maid em inglês) é feio por denotar uma subserviência, e portanto inaceitável! Seu chefe dificilmente vai te dar uma ordem, ele sempre vai dizer: “vc pode por favor fazer tal coisa?”, mesmo que seja sua obrigação aquela tarefa e vc não esteja fazendo nenhum favor a ele.

Não estou dizendo com isso que a Austrália seja o paraíso e que aqui não exista machismo, discriminação e exploração. Claro que existe! O ser humano pode ser cruel e mesquinho, independente de sua nacionalidade ou raça. Mas aqui isso não é considerado natural, não é aceitável e quem comete tais atos é visto como a exceção a ser condenada social e legalmente, e não como a regra que já está tão entranhada na sociedade brasileira que chega a ser vista como normalidade.

Como eu já escrevi nesse blog mais de uma vez, o Brasil infelizmente não vai mudar enquanto os brasileiros não compreenderem o conceito básico de welfare e igualdade social.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Civilidade

Nas minhas leituras do curso de community services, uma coisa sempre me chama a atenção: o foco na igualdade e acessibilidade dos serviços a todos, independente de gênero, raça, condição social, religião, etc. Além do enorme senso de civilidade e bem estar social.

Isso é uma coisa que sempre me chamou atenção na Austrália. Não é que não haja preconceito, exclusão, serviços públicos de baixa qualidade, etc, mas esse não é a orientação do governo, e nem publicamente tolerado. A regra geral é a tolerância, a civilidade, o bem estar social se sobrepondo ao individual.

Existem vários centros comunitários nos bairros, as informações sobre eles, sobre serviços disponíveis a um determinado grupo e, conquentemente o acesso de uma forma geral, são publicamente divulgados.

Esse senso de comunidade, que tanto falta no Brasil, aqui se vê em pequenas coisas. Seguem alguns exemplos:

- Ao pegar o trem pra casa, salto na estação de Sutherland, que é uma das mais movimentadas na região sul de Sydney. Em frente a estação tem uma rua pela qual todos os passageiros tem que atravessar. Pois bem, nessa rua não tem sinal de transito, mas sim a placa abaixo, que significa que quando o pedestre se aproxima da faixa os carros tem que obrigatoriamente parar e ceder a vez. Agora imagina isso no horário de pico, onde o movimento de entra e sai da estação é enorme. Resultado: as 6 da tarde forma-se diariamente uma fila quilométrica de carros, que não demoram séculos transpor essa faixa de pedestres e mesmo assim esperam pacientemente. Não se ouve buzina, motorista xingando pedestre, burlando a faixa, nada! Uma paz e civilidade que causam espanto a qualquer brasileiro.

- Ainda no trem, aqui existe uma regra não dita: se vc for embarcar no trem, não pode fazê-lo antes que todos os outros passageiros desembarquem. Agora imagina isso na hora de pico, em que tem as vezes dezenas de pessoas pra desembarcar/embarcar no mesmo vagão. Pensa que dá confusão? Empurra-empurra, briga, gritaria, gente caindo no vão entre o trem e a plataforma (e muitos outros percalços de quem anda de trem/metro em qualquer grande cidade brasileira)? Claro que não! Nem uma única vez vi um acidente no trem causado por empurra-empurra, tampouco me preocupo de estar no meio do vagão e minha estação se aproximando, pois tenho certeza que sempre vou conseguir desembarcar com calma, não importa quão cheio o trem esteja. E isso não significa atraso no trem, muito pelo contrário, acho até que fica mais rápido com toda essa civilidade.

- Tenho recebido recentemente várias cartas-comunicado do governo sobre obras de melhoria que estão sendo feitas no meu bairro. Há algumas semanas foi um comunicado de que a estação de trem estaria passando por obras e ia gerar algum transtorno, como trens substituídos por ônibus no fim de semana. A outra ontem mesmo informando sobre uma obra que seria feita de madrugada para troca do asfalto de uma rua próxima. Em todas as cartas havia uma explicação detalhada do que seria feito, um canal (telefone, email) para reclamações/sugestões e um pedido de desculpas pelo eventual inconveniente.

Eu que sempre fui uma pessoa mega irritada e impaciente, aqui tenho aprendido a exercitar a calma nas pequenas coisas do dia a dia, andando mais devagar, esperando pacientemente na fila, etc. Não que eu não fosse educada no Brasil, muito pelo contrario, sempre me revoltei com a falta de civilidade do brasileiro, mas confesso que no Brasil vivia estressada no dia a dia e irritada com tudo e todos ao meu redor. Aqui sinto muito mais calma e tranqüilidade, o que melhora consideravelmente a qualidade de vida.

Não estou dizendo com isso que a Austrália seja o paraíso, que não hajam problemas, pois sim existem – hoje mesmo estava uma discussão aqui no trabalho sobre a péssima qualidade dos hospitais (se bem que péssima pra eles é paraíso pra nós brasileiros...rs), a falta de empatia de muitos enfermeiros e médicos, as longas esperas por atendimento. A grande diferença é que aqui padecem disso todos igualmente, do pobre ao rico, pois o sistema de saúde é público e igual pra todos.

Também não digo que não existe preconceito, racismo, mas quando há é normalmente velado e indireto, pois não é moral e socialmente aceito discriminar o imigrante. Estou há um tempo pra escrever um post sobre racismo, preconceito ao imigrante, mas fico sempre adiando pois não sinto que tenho material suficiente pra isso, em parte porque nunca me senti discriminada... Quem sabe um dia. :)