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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

É possível trazer remédios para a Austrália? Como fazer?

Essa é outra pergunta que eu recebo de vez em quando, e também é uma dúvida que sempre surge nos grupos de brasileiros no Facebook.

De acordo com o site da imigraçãoaustraliana, os medicamentos podem ser agrupados em 2 grupos:
 
- os que exigem uma licença para serem trazidos (não confundir licença com receita, a licença é uma autorização especial do governo australiano para entrada de certas substancias);

- os que não exigem licença.

“You do not need a permit to bring in most prescription medicines even if they contain a controlled substance, so long as:
  • you are arriving in Australia as a passenger on board a ship or aircraft
  • the medicine is carried in your accompanied baggage
  • you carry a letter or copy of your prescription (written in English) from your Doctor to certify that the medicine has been prescribed to you to treat a medical condition
  • the quantity of the medicine does not exceed three months' supply.
You should leave your medicine in its original packaging.
I.                   Examples
Prescription medicine
II.                Exceptions
Some medicines always require a permit. This includes steroids, products containing DHEA, yohimbine, thalidomide, fenticlor and triparanol. Import permits for these medicines are issued by the Therapeutic Goods Administration.
If you run out of medication, you will need to either see a Doctor in Australia to have the medicine prescribed and supplied in Australia (if it is available in Australia) or you will need to check whether you need to apply for a permit from Therapeutic Goods Administration before you arrange have medicine sent to you.”

No site do governo australiano tem também um vídeo bem explicadinho sobre como trazer medicamentos que diz basicamente que:
 
- medicamentos para colesterol alto, pressão alta, glicose alta e ácido gástrico são permitidos;

- pílula anticoncepcional é permitida;

- antibiótico é permitido;

- medicamentos para medir glicose são permitidos;

- medicamentos para ajudar a dormir (sedativos) são permitidos.

Todos os medicamentos listados acima devem ser para uso pessoal (ou de alguém sob seus cuidados), não podem ser doados ou vendidos para ninguém aqui na Austrália, devem estar na embalagem original (se possível), devem ser em quantidade suficiente para no máximo 3 meses e devem estar acompanhados de receita médica em inglês. Depois desses 3 meses vc deve obrigatoriamente procurar um GP aqui na Austrália para obter receita para mais medicamento, sendo que trazer a receita do Brasil em inglês já é meio caminho andado pra só ter que pedir ao GP aqui para te receitar o medicamento equivalente.

Segundo o site da imigração, só há necessidade de declarar medicamentos se esses forem capazes de causar abuso como esteróides, analgésicos opiáceos, cannabis ou substancias a base de narcóticos. No caso de remédios normais para enjoo, anti-alérgicos, tylenol, luftal, etc, não há necessidade de declarar.

Um parêntesis muito grande tem que ser feito com relação a dipirona. Essa medicamento, apesar de amplamente comercializado e utilizado no Brasil para tratar dores em geral, foi banido de diversos países do mundo por conta de seus efeitos colaterais potencialmente graves, incluindo a Austrália. Tanto que a dipirona se encontra na lista de substanciasproibidas e sujeita a uma licença especial do TGA (órgão australiano) para sertrazida para a Austrália. Então, nada de trazer dipirona/novalgina e afins!  Ah, e me parece que o dorflex também tem dipirona na composição então também não seria permitido. Outros analgésicos como tylenol (vendido aqui como panadol), ibuprufeno (conhecido aqui como nurofen e outros nomes como advil), aspirina (aqui aspirin) são liberados.

Eu sei que essa questão de medicamentos é base pra muita discussão porque muita gente diz que só dipirona cura sua dor de cabeça, só dorflex funciona pra dor x ou y, mas gente, vamos nos conscientizar que se vc está se mudando para um outro país vc terá que se adaptar as regras locais, a comida local e aos remédios locais. É só uma questão de adaptação, de achar um médico da sua confiança aqui e adaptar sua medicação para o que é comercializado aqui. Eu sei que pra quem tá chegando isso parece um bicho de 7 cabeças, mas se vc vier com a mente aberta e disposto a abraçar uma nova cultura, vc não vai ter problema em se adaptar. O que não vale a pena é correr o risco de ser pego e deportado, ou pagar uma multa, porque tentou trazer medicamento ou item de entrada restrita na Austrália. Para uma listagem mais geral de substancias restritas, vide esse site e esse também.

Eu não achei informações específicas sobre homeopatia, o que o site da imigração diz é que tem que se ter cuidado com medicamentos de manipulação porque sua composição pode incluir alguma substancia controlada então tem que conversar com o médico no Brasil para ver se algumas das substancias presentes no medicamento são de entrada restrita na Austrália conforme a lista que consta do link do parágrafo anterior.

Na dúvida, consulte a imigração australiana antes de vir.

Ah, e antes de terminar esse post deixa eu contar uma história engraçada que aconteceu comigo quando cheguei aqui pela primeira vez. Eu trouxe alguns remédios com receita, como pílula, antibiótico, omeprazol, etc. Fiz uma carta em inglês com o nome do remédio, a dosagem e a finalidade e pedi pro meu médico assinar ainda no Brasil. Cheguei aqui com tudo bonitinho mas quando fui preencher o papel da imigração tem a seguinte pergunta:


Como a pergunta não especifica que tipo de “medicine”, e eu não sabia dessas questões que contei aqui no post, fui lá e marquei “YES”. Daí me mandaram pra uma fila especial com os funcionários vestidos com uma roupitcha especial como essa:

 
Imaginem meu desespero! Me senti a própria traficante de drogas (como se traficantes declarassem que estão trazendo drogas…). Quando chegou minha vez o carinha me abordou pra saber 1) se eu estava sozinha; 2) que substancia estava trazendo. Quando eu falei que era remédio de uso normal (já me justificando que tinha receita em inglês e tudo certinho) só faltou o cara rir da minha cara e me mandou passar direto pra saída. haha  Por isso não sigam o meu exemplo: a não ser que vc esteja trazendo alguma substancia proibida, a resposta pra essa pergunta do formulário será sempre “NO”. ;) 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Vacinas – calendário de vacinação infantil na Austrália

Vira e mexe me perguntam sobre como é a vacinação aqui na Austrália, principalmente quem está vindo com crianças.  Quem mora aqui também sempre tem dúvida sobre se precisa vacinar os filhos quando vai visitar a família no Brasil ou não, daí resolvi fazer esse post com as informações que obtive desde que o Lucas nasceu.

Primeiro para quem está vindo morar na Austrália com o(s) filho(s): vc tem que trazer a carteira de vacinação do seu filho e obter a equivalência aqui. Eu aconselho trazer a carteira traduzida, ou traduzir aqui, e levar a um consultório do GP (general practitioner) para que ele possa lançar os dados no sistema nacional de imunização. Toda criança aqui quando nasce recebe um Blue Book (íntegra aqui), que é um livro azul com todas as informações gerais da criança e as datas dos check ups obrigatórios onde será medido crescimento e avaliado o desenvolvimento geral da criança. Aqui na Austrália esses check ups são menos frequentes que no Brasil no primeiro ano da criança, ocorrem apenas nas seguintes idades:

- newborn (recém nascido)

- 1 a 4 semanas de vida

- 6 a 8 semanas de vida

- 6-8 meses de vida

- 1 ano

- 1 ano e meio

- 2 anos

- 3 anos

- 4 anos

Claro que vc não está impedido de levar seu filho no GP ou nos Health Centre (com enfermeiras) entre essas datas, muito pelo contrário, se vc tem qualquer dúvida ou preocupação com relação ao crescimento da criança, não só pode como deve levar com mais frequência. O Lucas, por exemplo, entre os 6 meses e 1 ano teve consultas mais frequentes não só no Health Centre com as enfermeiras como o GP também o encaminhou pra um pediatra porque tinha preocupação com o crescimento dele. Depois de alguns meses de acompanhamento foi constatado que o crescimento dele era normal, só mais lento (baixinho como os pais esse meu filho. rs) e recebemos alta do pediatra continuando apenas no GP.

A maioria desses check-ups inclui também a vacinação, que, pelo menos em Sydney, é feita pelo GP. Lembrando que a vacinação infantil é obrigatória na Austrália e esse ano o governo instituiu uma nova lei que determina que as crianças que não forem imunizadas não terão direito a diversos benefícios sociais, incluindo o auxílio creche. Além disso a maioria das creches e escolas pede o “immunization record” da criança para que seja feita a matrícula. Há alguns meses eu recebi uma carta do governo dizendo que meu benefício ia ser cortado porque a vacinação do Lucas de 18 meses estava atrasada – não estava, foi um erro do GP que não deu um reforço da vacina de coqueluche que tinha sido recentemente incluído no calendário de vacinação – mas isso mostra como o governo confere mesmo e marca em cima dessa questão porque nos últimos anos tem virado moda a campanha anti-vacinação nos países desenvolvidos, uma ignorância sem tamanho que está fazendo ressurgir doenças já erradicadas como a pólio e colocando em risco a saúde de todas as crianças.

Via de regra a tabela de vacinação no Brasil é mais abrangente que a da Austrália, porque muitas doenças que ainda são endémicas no Brasil já foram erradicadas na Austrália. Então se a criança está com a vacinação em dia no Brasil, muito provavelmente vai estar na Austrália também, é só uma questão de chegar aqui e levar a carteira de vacinação ao GP para ele lançar no sistema da criança (existe um “immunization record” com as informações de cada criança, que os pais podem consultar online pelo app do Medicare e imprimir o comprovante caso precisem apresentar na creche/escola).

O governo australiano tem um site bem completo sobre vacinação, com várias infos interessantes. Fiz um comparativo da tabela do Brasil e da Austrália pra facilitar.
 
 
 

Como vcs podem ver, as diferenças basicamente são:

- BCG não está no calendário de vacinação da Austrália porque a tuberculose não é endémica aqui;

- a vacina contra meningite C só entra no calendário da Austrália aos 12 meses de idade, enquanto que no Brasil começa aos 3 meses;

- a 3ª dose da vacina pneumococcal é dada na Austrália aos 6 meses de idade, enquanto no Brasil é dada com 12 meses;

- o reforço da penta (difteria, tétano, coqueluche) é dado com 15 meses no Brasil e com 18 meses de idade na Austrália;

- na Austrália não tem o reforço da vacina de pólio aos 18 meses, só aos 4 anos de idade;

- a vacina de HPV na Austrália só é dada na adolescência, não aos 15 meses de idade como no Brasil.

Todas as vacinas que estão no calendário oficial de vacinação na Austrália são dadas gratuitamente no sistema público pelos GPs e o valor integral é custeado pelo Medicare. Não sei ao certo se apenas residentes e cidadãos tem direito a essas vacinas de forma gratuita, ou se qualquer visto também dá direito – melhor checar com o GP.

Lembrando também que para entrar na Austrália é solicitado para todas as pessoas provenientes do Brasil o comprovante de vacinação contra febre amarela. Esse assunto já gerou muita discussão nos grupos de brasileiros, mas as infos oficiais e atuais são:

- a vacina contra febre amarela é requerida na imigração mas não é obrigatória (“People who are one year of age or older will be asked to provide an international vaccination certificate if, within six days before arriving in Australia, they have stayed overnight or longer in a yellow fever risk country. People unable to provide a certificate will still be able to enter Australia.”). Claro que se vc tem um visto temporário, ou mesmo na primeira entrada com o visto de residente, não vale a pena correr o risco de vir sem a vacina porque existe uma lei internacional de que qualquer país pode negar a entrada de qualquer pessoa, mesmo que tenha um visto válido, por qualquer motivo. Eu nunca ouvi dizer de alguém que teve a entrada negada na Austrália porque não apresentou o comprovante de vacinação contra febre amarela, mas sei lá, eu não arriscaria. Já se vc já é residente ou cidadão aqui, pode tranquilamente não apresentar – na nossa viagem pro Brasil esse ano eu optei por não dar a vacina no Lucas porque ele ainda é pequeno e estava tomando muita vacina na véspera da viagem, além da febre amarela não ser endémica no Rio de Janeiro onde ficaríamos. No retorno a Austrália, me pediram o comprovante dele, eu disse que não tinha dado a vacina, na imigração não falaram nada e só na alfandega um cara veio encrencar e chamou a supervisora, mas essa na mesma hora disse que a vacina não era obrigatória e ficava a cargo dos pais dar ou não pra criança, e nos liberou sem maiores problemas.

 
- antigamente se dizia que a vacina tinha validade de 10 anos e depois disso tinha que tomar reforço. Agora a OMS já decidiu que uma única dose é suficiente pra toda a vida:

 
- qualquer criança maior de 9 meses de idade pode tomar a vacina:

 
No Brasil vc tem que buscar o posto de saúde da sua cidade que aplique a vacina de febre amarela e de um cartão internacional de vacinação (em português e inglês) da Anvisa atestando a vacinação, que deve ser feita até 10 dias antes da viagem.

 
Para quem vacinou os filhos aqui na Austrália e quer ir ao Brasil, as principais vacinas que a criança não recebeu aqui pelo calendário oficial e no Brasil são obrigatórias são:

- meningite B

- febre amarela

- BCG

Como eu disse acima, as vacinas do calendário oficial são gratuitas e aplicadas por qualquer GP. As vacinas que não estão no calendário oficial também estão disponíveis, mas vc tem que pagar por elas e muitas vezes buscar um local específico que tenha o estoque. Ultimamente tem ocorrido uma busca grande pela vacina contra meningite B, e poucos lugares estão com estoque. Outro exemplo é que no último inverno eu e Thiago optamos por tomar a vacina da gripe, pagamos $20 para tomar no GP, mas não conseguimos dar pro Lucas porque o laboratório não estava enviando vacina da gripe pra crianças.

Nesse caso como fazer? Primeiro vc tem que avaliar seu caso concreto e conversar com seu médico daqui sobre a necessidade de dar essas vacinas. Vou contar o MEU caso, lembrando que sou absolutamente pró vacina.

Quando fomos no Brasil com o Lucas pela primeira vez, conversei com o pediatra dele sobre dar ou não a BCG (na época ele ainda era muito novo pra vacina de febre amarela). Liguei também pro departamento de pulmão do hospital da minha região, que é quem aplica a BCG aqui, e perguntei sobre a necessidade de dar a vacina pro Lucas. O que me disseram foi que, ainda que a tuberculose seja endémica no Brasil, o risco de contágio ocorre quando se passa mais de 3 meses no país, ou com contato direto com o doente. Como nós só vamos ao Brasil no máximo 1x ao ano e por no máximo 1 mês, não havia necessidade de dar a vacina pro Lucas, até porque a eficácia dessa vacina é de apenas 60% e como ela está no calendário oficial do Brasil, a imunização da maioria das crianças protege as não imunizadas.

Já a vacina de febre amarela eu ainda não me convenci da necessidade de dar pro Lucas, mas na dúvida vou acabar dando por precaução antes da nossa próxima ida ao Brasil. Quanto a de meningite, está uma luta aqui pra achar, mas pretendo dar assim que eu conseguir.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Home doctor (atendimento médico a domicílio)


Sempre me perguntam sobre o sistema de saúde daqui, que é bem diferente do Brasil. Já fiz vários posts sobre isso (aqui e aqui com link para mais postsantigos) e em um desses posts eu mencionei o home doctor, mas não expliquei melhor do que se trata.
Há alguns meses usamos o serviço pela primeira vez com o Lucas, então vou contar como foi a minha experiencia.

Começando do principio: o home doctor é um serviço de atendimento médico a domicílio em horário não comercial (dia de semana a noite – de 6pm a 8am –, fim de semana e feriados – o dia todo). No site deles tem as cidades atendidas pelo serviço, dentre elas Sydney e Melbourne. O serviço é bulk billed, ou seja, vc não paga a visita pois a cobrança vai direto pro Medicare (pra quem tem) ou pro seguro privado Allianz, Medibank ou Bupa se for estudante internacional (se não se enquadrar nessas hipóteses vc pode pagar com cartão, mas tem que ligar pra eles pra saber o valor). Segundo o site deles, em 80% dos casos o médico chega na sua casa num prazo de 3 horas da ligação solicitando-o.
Funciona assim: vc liga diretamente pra eles (o número é 13 SICK, ou seja, 13 7425) ou faz a solicitação pelo app. Eu fiz pelo app, mas aí em seguida alguém do call center deles me ligou pra pegar mais detalhes e confirmar o agendamento. No meu caso liguei porque era um domingo de tarde e o Lucas estava com umas bolinhas pelo corpo, sendo que 2 dias antes ele tinha tido febre e vomito. Como no dia da febre melhorou em seguida, não cheguei a levar no médico, mas daí domingo apareceram essas bolinhas e eu não queria levar ele pra creche no dia seguinte sem saber se era algo contagioso, mas ao mesmo tempo ele estava bem, não era caso de hospital.

Aliás esse é um detalhe que eles avisam no site: esse serviço é pra casos em que não haja uma emergência séria, ou necessidade de exames, pois nesse caso melhor levar no hospital mesmo. Mas também não é como no Brasil que se vc está com uma dor de garganta aguda no domingo vc vai no hospital, aqui vc pode chamar esse médico em casa ou ir num medical centre que funcione nos fins de semana (nesse dia eu até podia levar o Lucas num medical centre desses, mas estávamos voltando de um longo dia e tudo que eu queria era chegar em casa). Eu nunca tive que ir com o Lucas pro hospital, todas as infecções que ele já teve (incluindo febre alta, otite, amigdalite, eczema, etc) tratamos no GP ou no medical centre ou com esse home doctor.
Voltando a história: fiz a solicitação do serviço e eles me deram uma previsão de 2 horas para a chegada do médico. Quando estava perto dessa previsão vencer, recebi uma ligação do próprio médico avisando que ele estava um pouco atrasado mas chegaria em 30 minutos. Ele chegou, examinou o Lucas (ouvido, garganta, nariz), viu a rash, eu contei dos sintomas que ele teve antes e ele deu o diagnóstico (nada grave, só uma infecção viral). Ainda pedi a ele um certificado constando que o Lucas não poderia ir na creche pro Thiago poder apresentar no trabalho dele pra faltar no dia seguinte (o que acabou não precisando porque a rash sumiu no dia seguinte e o Lucas foi pra creche normalmente). Ah, e no final ele pede o número do cartão do Medicare pra cobrar diretamente deles, eu não tive que pagar nada.

No geral fiquei bem satisfeita com o serviço, o médico (um clínico geral, o GP como chamado aqui) era bem atencioso, examinou o Lucas sem pressa e achei que não ficou devendo nada a uma visita ao meu GP usual. Claro que eu sempre vou preferir o meu GP de confiança (na verdade tenho 2, o usual e outro pra quando o usual não está disponível), mas numa emergência não tão grave vale a pena chamar usar esse serviço.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Exemplo prático de como funciona o plano de saúde privado

No post anterior eu falei sobre como funciona um plano de saúde privado. Hoje vou dar um exemplo prático com valores no caso de gravidez, que é uma pergunta que eu também andei recebendo por email.

Digamos que vc tem a cobertura que englobe a parte obstétrica e já tenha passado seu período de carência para gravidez. Aí o casal descobre a gravidez e a primeira decisão que tem que tomar é: vai ter o bebê pelo sistema público ou pelo privado? Eu escolhi o sistema privado por mil motivos que não vem ao caso pra esse post (mas vcs podem ler mais sobre o assunto na entrevista que dei pro blog Brazil Australia).

Escolhido o sistema privado, o passo a passo é o seguinte: vc escolhe o obstetra, que vai cobrar um valor que varia de $4.000 a 8.000 pra cuidar de toda a gravidez + parto. Além disso vc paga um valor por cada consulta com ele. No caso do meu obstetra essa consulta custava $100, dos quais o Medicare (sistema público do governo) reembolsava uns $70. Lembram que eu falei no outro post que o plano privado só cobre extras e a parte hospitalar? Pois é, via de regra tudo que o Medicare cobre o plano privado não vai cobrir. Então essa diferença vc vai ter que pagar do próprio bolso. Isso inclui esse valor de $4.000 a 8.000 que vc paga pro obstetra – o Medicare só reembolsa uns $450 (ou seja, facada no bolso).

Vc vai na primeira consulta com o obstetra (em torno da 7-8 semana de gravidez), ele faz sua ficha, te pesa, normalmente os obstetras tem uma máquina de ultrassom na sala e ele faz uma ultra simples pra ouvir o coração do bebê. Aí ele te passa um hemograma completo (que é coberto pelo Medicare) e o pedido pra ultra das 12 semanas que faz a checagem de síndrome de down e as primeiras medições do bebê. Essa ultra vc pode escolher onde fazer (não pode ser no consultório do obstetra porque o aparelho deles não é complexo o suficiente além do fato de que quem vai dar o laudo da ultra é um técnico especializado), e o preço varia muito de local pra local. Via de regra o Medicare cobre um valor base (não me lembro mais quanto, mas acho que em torno de $100) e o restante vc paga do próprio bolso. Vc pode ir num laboratório que faça bulk billing (cobre só o valor base do Medicare) ou ir em outro de sua preferência e pagar a diferença. No meu caso, como tive alguns probleminhas acabei optando por um laboratório mais caro porque queria uma precisão maior. Eu pagava em torno de $100 do próprio bolso por cada ultra até a quarta ultra, acho, porque a partir disso o laboratório começou a me cobrar bulk billing porque disseram que eu já tinha pago demais. rs

Aqui o normal no sistema privado são 3 ultras a gravidez toda: 2 diagnósticas com 12 e 20 semanas e outra no último trimestre (muitos médicos podem pular essa última). No meu caso, como eu disse, fiz pelo menos o dobro disso, além de exames de sangue e urina complementares (esses 2 últimos cobertos integralmente pelo Medicare).

Aí vcs perguntam: onde entra o plano privado que até agora não apareceu? Como eu expliquei no post anterior, o plano privado só vai cobrir a parte hospitalar. Se vc faz o acompanhamento da gravidez pelo sistema privado, vc normalmente tem o bebê num hospital privado (se bem que não sei como funciona se vc optar por um birth centre – chamado no Brasil de “casa de parto”).

Aqui um parêntesis: a maioria das mulheres que tem o bebê pelo sistema privado é porque querem cesária eletiva, já que no sistema público a regra é parto normal. Não foi o meu caso porque eu sempre quis parto normal, eu busquei o sistema privado só por conta da gravidez de risco.

Sendo o parto pelo sistema privado, normalmente no inicio do segundo trimestre de gravidez vc tem que preencher um cadastro no hospital privado que seu obstetra atua com a data prevista do parto. Esse hospital vai ser seu ponto de contato para qualquer emergência na gravidez. No meu caso eu fui 2 vezes no hospital, uma delas com risco de parto prematuro. Nenhuma dessas duas vezes paguei nem um centavo: a conta foi direto pro plano de saúde.

Chega o grande dia e é hora do bebê vir ao mundo. O casal vai pro hospital privado (tem que ligar antes pra avisar, by the way), tem o bebê da forma que for e pode ficar 4 noites (se for parto normal) ou 5 noites (se for cesária) num quarto privado na maior comodidade, sem pagar nada por isso. Os únicos gastos extras no parto são com o anestesista (o Medicare cobre uma parte e o restante vc recebe a conta depois em casa) e o pediatra que visita o bebê nos primeiros dias (again, o Medicare cobre uma parte e o restante vc recebe a conta depois em casa). Esses gastos não são cobertos pelo plano privado, mas todo o resto da internação é. No meu caso não tenho do que reclamar: o hospital onde tive o Lucas foi sensacional! A comida era maravilhosa, as enfermeiras muito prestativas, a consultora de amamentação (que dá uma aula a cada 2 dias na maternidade pros novos pais e ainda vai no seu quarto acompanhar e ver se tá tudo correndo bem) foi muito melhor do que eu esperava. Eu só pedi pra sair um dia antes porque não aguentava mais ficar confinada num quarto e queria ir pra minha casa.


Vale a pena então fazer o acompanhamento de gravidez/parto pelo sistema privado? Depende muito do que o casal quer:

1) Se quiser cesária eletiva: sim, melhor fazer pelo privado.

2) Se for gravidez de risco: pode fazer pelo público, mas eu já ouvi muita história de horror, pois o acompanhamento muitas vezes não é dos melhores nesses casos, então eu faria pelo privado.

3) Se for gravidez sem risco: pode escolher o público se vc quiser o acompanhamento mais caloroso das midwives ou o privado se vc quiser um acompanhamento mais técnico de um obstetra.

Minha opinião pessoal: todas as minhas amigas/conhecidas que tiveram pelo sistema público e tiveram algum tipo de complicação tem histórias de horror pra contar do parto e pós parto. Eu, na minha humilde opinião, acho que se vc tiver condição de pagar, é melhor fazer pelo sistema privado com o acompanhamento de um obstetra. Mas talvez essa minha visão seja também influenciada pela minha situação pessoal, pois a regra aqui costuma ser optar pelo sistema público, mesmo que o casal tenha plano privado.


Alguns detalhes pertinentes a esse assunto:

- No sistema público via de regra o quarto é coletivo, mas se vc tiver plano privado pode obter um upgrade para quarto privado e ter algumas outras opções que não sei muito bem porque não escolhi esse sistema, então é melhor vc consultar o seu plano. Não sei se existem hospitais públicos com quarto privado pra paciente sem plano privado, se alguém souber fique a vontade pra comentar.


- Mesmo vc fazendo o acompanhamento pelo sistema privado não garante que o obstetra que te acompanhou na gravidez será quem fará o parto. Aqui não é que nem no Brasil que os médicos ficam a disposição dos pacientes, dão telefone particular, trocam mensagem pelo whatsapp. Se vc tem uma emergência, liga pra clínica/hospital/maternidade, não pro médico. As enfermeiras da clínica/hospital/maternidade é que vão entrar em contato com o médico e ele pode tanto passar as instruções diretamente pra elas ou te ligar, dependendo do caso. Já no parto se for parto normal o obstetra te avisa que se cair no plantão dele ele faz o acompanhamento, senão ele passa pro obstetra que estará de plantão. No meu caso como foi parto induzido, meu obstetra marcou pro dia que ele estava de plantão então ele fez todo o acompanhamento no hospital. Mas na vez que fui pra emergência antes do parto quem me atendeu foi o obstetra de plantão, que trocava informação por telefone com o meu médico.

Lembrando que isso vale para todos os médicos, inclusive pediatra, pro terror das novas mamães acostumadas com o sistema personalizado do Brasil.


- Como eu já comentei em posts anteriores, via de regra aqui não se pedem tantos exames quanto no Brasil. Mas claro que cada caso é um caso e cada médico é um médico e o seu pode ser mais liberal nos pedidos de exame. O meu obstetra mesmo era super cauteloso e me pediu vários exames extras.


- Aqui um parênteses: nem todos os hospitais fazem parto de risco ou prematuro. Se vc estiver pelo sistema público e a gravidez for de risco (gravidez gemelar, mãe com diabetes, pressão alta, etc), vc vai ter que ir pra um hospital público específico. No privado eles normalmente fazem acompanhamento de gravidez de risco normalmente, mas no caso de parto prematuro só fazem a partir de 32 semanas. Se a mulher entrar em trabalho de parto antes disso, só tem 1 hospital em Sydney (isso mesmo, só 1!!) que faz o parto de 24 a 32 semanas de gravidez, que é o Royal Prince Alfred (RPA). Se não der tempo de ir pra lá e o bebê nascer em outro local, mãe e filho são transferidos para o RPA. Imagina então meu desespero quando baixei no hospital privado com 28 semanas de gravidez e a enfermeira me disse que eu estava entrando em trabalho de parto! Pânico total, mas no fim ela se equivocou e foi só alarme falso.

Agora imagina quem mora em uma cidade menor?? Em caso de parto de risco tem que transferir a grávida de avião pra cidade grande mais próxima. Medo!


Espero que tenha dado pra ter uma ideia mais clara de como funciona o sistema público/privado de saúde na Austrália. É muito diferente do Brasil, e eu até hoje peno um pouco pra me acostumar, mas tenho achado até melhor, sabe? Mais focado na prevenção, sem aquele bombardeio de remédios (pra bebê então, quando eu comparo o que o meu médico já receitou pro Lucas e o que vejo pediatras no Brasil receitando é um abismo de diferença), sem aquela bateria de exames desnecessários. Claro que é difícil de se acostumar em não ter o seu médico de prontidão 24 horas, ou poder buscar um especialista a seu bel prazer, mas isso nem me faz falta mais. Existem vários sistemas de atendimento de emergência sem ser os hospitais (o Triple 0, o home doctor, o Parent Line, e muitos outros), fora os os centros médicos que ficam abertos até mais tarde e nos fins de semana (o meu médico GP mesmo atende aos sábados e sem hora marcada).

É difícil se acostumar com o sistema daqui e achar um médico de confiança? Com certeza, me custou uns 3 anos, mas hoje já me sinto segura com uma rede de médicos que confio e tem o meu histórico por aqui. Agora acho estranho é quando vou no Brasil e levo o Lucas a um pediatra que o entope de remédio e me dá conselhos absurdos. Quem diria que eu que já tanto reclamei do sistema de saúde daqui agora até me sinta mais segura na terra do canguru. :)

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Sistema de saúde na Austrália

Já falei disso no blog algumas vezes (aqui, aqui, aqui e aqui), mas como sempre recebo emails perguntando sobre esse assunto, resolvi escrever algumas informações adicionais que fui pegando no decorrer dos anos.

Como eu já falei por aqui, o sistema público na Austrália (o Medicare) é muito bom e muita gente mesmo com grana acaba nem fazendo um plano privado. Basicamente o plano privado serve para cobrir serviços que o Medicare não cobre: dentista, acupuntura, quiroprata, naturopata, massagem terapêutica, oftalmologia (o Medicare cobre o exame de vista em si, mas não o óculos/lente), etc. Esses são os chamados “extras cover”, que o plano privado vai cobrir se vc escolher essa opção e dentro dessa opção existem várias possibilidades de cobertura.

Vou colocar aqui a tabela de um dos planos privados (o Medibank) pra vcs terem uma ideia das opções quanto aos “extras cover”:




Além desses extras, vc também pode escolher dentre diversos tipos de cobertura para a parte hospitalar, que pode incluir ou não cirurgias especificas, tratamento de IVF (fertilizacao em vitro), obstetrícia.

Vou colocar aqui a tabela do Medibank pra vcs terem uma ideia das opções quanto aos “hospital cover”:




Outras coisas que se tem que ter em mente na escolha do plano de saúde privado são:


Carência

Todos os planos tem um período de carência chamado de “waiting period”. Essa carência funciona como no Brasil, podendo variar de poucos meses a mais de 2 anos dependendo do serviço a ser prestado. Na foto acima com as coberturas extras do Medibank vc pode ver também a carência para cada item. Então é bom checar isso se vc estiver pensando em fazer o plano pra usar um item especifico no curto prazo.


"Excess"

É tipo uma franquia, o valor anual que vc vai ter que pagar para usar a parte hospitalar do plano. Por exemplo: se vc opta pelo plano com excess de $250, quando vc precisar acionar o plano para a parte hospitalar vc vai ter que pagar esse valor do seu bolso. Essa franquia só é paga uma vez por ano, então se vc usar o hospital digamos em Janeiro, Julho e Dezembro de 2015, vc só vai pagar uma única vez esses $250. Um fato curioso é que apesar do ano fiscal na Australia ser de Julho a Junho, no caso dos planos de saúde o período anual vai de Janeiro a Dezembro.

Claro que quanto menor o excess (que pode ser até zero), mais vc paga mensalmente de plano.


Percentagem de “claim back” para extras

No caso do “extras cover” vc também vai ter que escolher a percentagem que o plano vai te reembolsar, que no caso do Medibank pode ser 55%, 70%, 85% ou 100%.
Exemplo: digamos que vc vá no dentista e a conta fique em $200. Se vc tem o plano de “claim back” 55%, o plano vai te reembolsar $110 e vc vai pagar $90 do próprio bolso. E assim por diante nas demais percentagens.

Aqui, mais uma vez, quanto maior a percentagem de “claim back”, maior o valor pago mensalmente.


“Member’s choice coverage”

São os médicos e hospitais filiados ao plano. A rigor vc pode ir em qualquer médico ou hospital e o plano vai te reembolsar, mas limitado a tabela deles. Se vc vai num dos filiados ao plano, o reembolso é integral pra parte hospitalar. No caso dos extras, os filiados também cobram normalmente um valor menor acordado com o plano, por isso o seu reembolso tende a ser maior.

Eu confesso que nunca fui pesquisar a cobertura dos planos não, pois sempre tive os maiores e mais conhecidos, então imagino que eles tenham a maior cobertura.


Os planos mais famosos são o Bupa e o Medibank, mas existem outros bem conhecidos e o governo disponibiliza um site onde vc pode fazer a comparação entre eles em termos de preço e cobertura.

Eu sinceramente acho eles todos farinha do mesmo saco e os preços são muito parecidos. No meu caso nós fizemos primeiro o Medibank na cobertura básica hospitalar com o mínimo de extra. Depois aumentamos para o “Top hospital cover” quando pensamos em ter filho, pois esse era o único que cobria IVF e obstetrícia, mas mantemos o básico para “extras cover”. Agora recentemente mudamos para o BUPA porque eles tem convénio com a empresa do Thiago e saia mais barato o valor mensal e com cobertura maior de extras.

Quanto ao valor a ser pago mensalmente, vai depender muito do plano que vc escolher, da sua idade, e da sua renda mensal (sim, isso também conta). Se vc for um casal na faixa dos 30 anos, com renda mensal conjunta de uns $90.000-$150.000 por ano, estiver pensando em ter filho e escolher o plano Top Hospital + Extras 55% do Medibank com excess de $250, por exemplo, vai pagar em torno de $300 por mês. Comparado com o valor dos planos no Brasil, eu até acho bem barato.

Ah, e vale dizer que eu uso o Medibank também para seguro de vida e seguro de viagem toda vez que saio do pais (inclusive quando vou pro Brasil, pra não ficar a mercê do SUS caso precise de um tratamento mais caro).

Grande P.S.: Isso tudo que eu falei pode variar para outro estado da Austrália, e só se aplcia pra quem vem com visto de residência. Para outros vistos os tipos de plano de saúde privado são diversos e a cobertura e preço idem.

No próximo post vou dar um exemplo prático de como funciona a cobertura do plano privado.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sistema de saúde e "socialismo"

Seguindo a dica do Paulo no último post, eu fui assistir Sicko – documentário do Michael Moore sobre o sistema de saúde nos EUA.

(detalhe que precisou eu assistir mais da metade do filme pra me dar conta que já o tinha visto, anos atrás. Bem que eu estava achando que eram muitos deja vu nas cenas, mas estupidamente só tive a certeza quando já estava na reta final do filme. Realmente minha memória anda ótima! #sóquenão)

Acho que é de conhecimento geral o quanto o sistema de saúde americano é um dos piores do mundo (senão o pior). Ainda assim não deixa de ser chocante. Mas o que me chamou a atenção e me fez escrever esse post foi a correlação com o sistema de saúde da Austrália e com o brasileiro.

Ainda que o sistema australiano não seja mostrado no filme, ele me parece ser bem semelhante ao francês e canadense mostrados: um sistema público e universal.

Mas aí vc pensa: peraí, mas o sistema brasileiro (o SUS) também é gratuito e universal. Isso só na teoria, claro, pois na prática o sistema brasileiro se parece muito com o americano para a população em geral: um sistema falido e elitista. Com o agravante de que no Brasil tem de quebra o “jeitinho brasileiro” pra furar fila de cirurgias no SUS, conseguir leito em hospitais lotados, etc.

Um outro ponto que achei interessante é o foco na prevenção que países como França, Canadá, Cuba e a Austrália fazem. O acompanhamento básico é feito com o GP (general practice, em alguns países chamado de médico de família), e encaminhamento a um especialista só em caso de extrema necessidade. Não são pedidos exames complexos para qualquer coisinha, como no Brasil. Os profissionais médicos de apoio (como enfermeiros) tem participação essencial e muitas vezes fazem a triagem a acompanhamento básico, sem nem passar pelo médico (o que no Brasil, infelizmente, é vetado fortemente pelo lobby do CFM).

Como eu já mencionei, os hospitais na Austrália são todos públicos, e vc será atendido da mesma forma independente de ser rico ou pobre, ter plano de saúde privado ou não. Claro que existem problemas, pessoas reclamam, mas é como uma senhora canadense comenta no filme: “todo mundo reclama de tudo”, porém o fato é que o sistema como um todo funciona.

Me chamou muita atenção também a parte em que o Michael Moore questiona a cultura do “eu”. Explico: a mentalidade que predomina nos EUA (e no Brasil) é o foco no indivíduo ao invés da sociedade. Daí a enorme aversão a programas sociais, que é o que eu mais leio em posts de amigos/conhecidos no facebook e comentários de brasileiros em geral – um tal de xingar/criticar duramente o bolsa família e qualquer tipo de auxílio social, sendo que eles existem em qualquer país desenvolvido do mundo! E são até bem maiores em países de primeiro mundo! (eu ia ficar horas escrevendo se fosse listar a quantidade de benefício social que existe na Austrália...) Outro dia li um texto excelente sobre isso nesse blog (aliás, o título do post é fenomenal: “Não penso, logo relincho”), que retrata tudo que eu penso e mais um pouco que eu não fui capaz de elaborar tão brilhantemente. :)

As pessoas tem uma dificuldade enorme em entender que welfare (bem-estar social) é bem diferente de socialismo. O Michael Moore trava um interessante diálogo com um canadense sobre isso. O canadense estava contando que quando esteve nos EUA teve um acidente de golfe e preferiu voltar ao Canadá pra se tratar, pois nos EUA o tratamento custaria $24,000 e no Canadá saiu de graça pelo sistema público de saúde. Transcrevo o resto da conversa literalmente:

MM – So if you'd stayed in the United States, this would have cost you $ 24,000? Instead, you went back to Canada, and Canada paid your total expenses?

Canadian: – Everything.

MM: – Paid for the operation. It cost you?

Canadian: – Nothing.

(...)

MM: – I'm wondering why you expect your fellow Canadians, who don’t have your problem, why should they, through their tax dollars, have to pay for a problem you have?


Canadian: – Because we would do the same for them. It's just the way it's always been and it’s the way we hope it'll always be.


MM: – Right, but if you just had to pay for your problem, and don't pay for everybody else's
problem, just take care of yourself?


Canadian: Well, there are a lot of people who aren't in a position to be able to do that. And somebody has to look after them.


MM: – Are you a member of the Socialist Party?


Canadian: – No. No.

MM: – Green Party?


Canadian: – No. Well, actually, I'm a member of the Conservative Party. Is that bad?


MM: – Well, it's just a little confusing.

Canadian: – Well... It shouldn't be. I think that... Where medical matters are concerned, it wouldn't matter in Canada what party you were affiliated with, if any
.”



Claro que existe também o outro lado, dos brasileiros se indignarem pelo fato de não verem o tamanho de impostos que pagam sendo revertidos em benefícios sociais para todas as classes sociais, em infraestrutura básica, etc. E eu entendo isso! Só que acho que não adianta tentar mudar as coisas sem primeiro entender a lição básica dos países realmente desenvolvidos: a colocação em prática dos conceitos de comunidade, civilidade e bem-estar social, como praticam o Canadá, muitos países da Europa, e a Austrália. É o que o Michael Moore resume magistralmente no final do filme com a seguinte frase:

“They live in a world of we, not me. We will never fix anything until we get that one basic thing right.”

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ir ao médico na Austrália

Já falei disso no blog algumas vezes (aqui, aqui e aqui), mas parece que mesmo pra mim o assunto nunca se esgota. Estou há quase 2 anos aqui e ainda tento me acostumar com o sistema diferente, ainda peno quando tenho que explicar sintomas, ir a um especialista, fazer algum tratamento.

Hoje mesmo estava pensando em ir no médico ver umas manchinhas de sol no rosto que tem aumentado e me incomodado, mas só de lembrar da saga de ir no GP, pedir encaminhamento pra um dermatologista, pagar pela consulta do especialista (e mesmo parte da do GP, uma vez que muitos não são bulk billed, ou seja, cobertos integralmente pelo Medicare), aprender como falar o que me incomoda em ingles, pagar pelo tratamento, ufa! Já me cansa (e doi no bolso) só pensar!

(antes que alguém pergunte, não, as manchas não são perigosas. Já tinha investigado uma – a precursora maldita – ano passado e o meu GP disse que eram “freckles” (sardas), que pioram com o sol. A injustiça é que eu me previno demais da conta, passo protetor solar fator 30 todos os dias, evito ficar exposta ao sol, quando vou a um parque/praia estou sempre de chapéu (tenho uma coleção, virou minha nova mania...rs). E ainda assim essas desgraças aparecem! Maldito sol da Austrália! rs)

Por isso hoje quando esbarrei com esse post achei ele super útil. Fica a dica pra quem quiser um mini dicionário de sintomas e partes do corpo em inglês. :)

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Eye test

Como toda quatro olhos, e depois de muito enrolar, finalmente fui fazer meu exame de vista anual (que nesse caso eu não fazia desde que saí do Brasil).

Aqui na Austrália a coisa funciona um pouco diferente do Brasil, por dois motivos básicos:

1) O exame é feito na loja onde vc compra o óculos, não no consultório médico;
2) O Medicare (plano de saúde do governo) cobre o exame e alguns planos de saúde privados cobrem também os óculos e a lente (até um limite, dependendo do plano escolhido). Lembrando que eu falo da minha perspectiva com o visto de residência, não sei como funciona para outros tipos de visto.

No meu caso marquei no Specsavers, que é uma das lojas de óculos maiores e mais famosas na Austrália, com dezenas de lojas espalhadas por todo o país. A rigor vc pode chegar lá e ser atendido na hora, se tiver um funcionário disponível, mas muitas lojas vivem lotadas, principalmente no fim de semana. Então marquei antecipado, fiz um pré-agendamento no site e em menos de 24 horas me ligaram para confirmar os dados e o dia e horário.

Chegando lá vc termina o cadastro, apresenta o cartão do Medicare e vai pro exame de vista. Como sempre fiz esses exames no Brasil, desde criança, posso dizer que me impressionou como aqui eles são mais meticulosos. Além daquele exame clássico pra avaliar o grau, vc também passa por mais 2 máquinas que avaliam a pressão do olho, a resposta a luz, teste de glaucoma e outras cositas mais que eu não saberia descrever nem em português (nem em inglês). Tinha até um exame pra ver se existe estrabismo, ainda bem que os meus olhos vesgos de criança já se endireitaram... rs

No meu caso, a optometrista que avaliou meus exames disse que tinha uma pequena anormalidade no teste de glaucoma e perguntou se eu tinha histórico dessa doença na família. A imbecil aqui confundiu as doenças em inglês e respondeu que sim, no que ela disse que iria fazer exames mais detalhados (também cobertos pelo Medicare) para avaliar melhor. Logo em seguida eu me dei conta da minha imbecilidade e corrigi a informação, não era histórico de glaucoma, e sim catarata. Mesmo assim ela disse que não custava fazer esse teste mais detalhado e acompanhar no decorrer dos anos pra ver se vai ocorrer alguma variação e se for o caso usar um colírio preventivo. Achei super detalhista e fiquei bem impressionada com a preocupação deles.

Como meu grau não tinha mudado quase nada, ela disse que eu não precisava fazer novos óculos (detalhe: aqui eles chamam o óculos de grau de “spectacles”, apesar de “glasses” também ser usado em menor grau). Só que como o plano de saúde privado cobre $150 anuais em armação e lente, e eu já ando de saco cheio de pagar esse plano privado que não cobre quase nada resolvi usar a cota que tenho.

Fiz um óculos de grau + um de sol com grau também (coincidentemente os dois da seção masculina, não sei porque achei os femininos todos "boring" - se clicar no óculos coloquei o link pras fotos deles.). Tudo, incluindo a armação e lente saiu adivinhem quanto? Zero! O plano cobriu tudo, e olha que tem muitos óculos de marca entre os que vc podem escolher nesse pacote. Tá, pra não dizer que cobriu tudo paguei $37 “out-of-pocket” (por fora) porque escolhi uma lente antireflexo. Mas se quisesse a lente comum saía tudo de graça.

Convenci o Thiago a fazer o exame também, mesmo ele nunca tendo precisado de óculos, afinal é de graça, né? haha Acabou que ele tem um leve grau para perto, a famosa vista cansada mais conhecida como “a velhice chegando”. Infelizmente com esse tipo de grau ele não podia fazer o de sol, então fez 2 óculos de grau também sem pagar nada (esses aqui e aqui).

A título de curiosidade: os graus de correção visual aqui são iguais ao Brasil (negativo para miopia, positivo para hipermetropia, com as variacoes de 0.25, 0.5, 0.75, 1, etc), só muda o nome dos problemas visuais. Os mais comuns são (em inglês, mas coloquei o equivalente em portugues pra facilitar):

I. Short Sight (miopia)
If you can see close objects clearly but have trouble focusing on objects in the distance, you are probably short sighted or have myopia. You may find it difficult to read signs, watch television or recognise people walking down the street towards you.

II. Long Sight (hipermetropia)
When long sighted, your distance vision is good, but you have trouble with closer objects, which appear blurred. Other symptoms include eye fatigue, headaches and aching eyes, especially after reading or working on a computer. Experiencing difficulty seeing characters when texting may also be a sign of hyperopia or long sight.

III. Irregular Shaped Eye (astigmatismo)
Most people don’t have a perfectly shaped cornea. However, when the curve is pronounced, your vision may be blurred and this is known as astigmatism. This is very common and is not a disease.

IV. Age Related Long Sight (vista cansada)
If you’re over 40 years of age and notice that it’s becoming difficult to read the menu in a low lit restaurant, or if you have to extend your arms when reading a book or sending a text, you’re probably suffering from presbyopia. This is a natural part of growing older and occurs when your eyes lose their ability to bring close objects into clear focus.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Ainda sobre o sistema de saúde

Como já tinha dito em outro post, aqui, a minha primeira experiência num hospital em Sydney não havia sido boa. Há algumas semanas, depois de uma queda estúpida que causou uma pequena fratura na costela, me vi tendo que ir novamente na emergência.

Dessa vez optei pelo Prince of Wales, no bairro Randwick. Que diferença! O hospital é enorme, engloba um centro infantil, maternidade, e a emergência para adultos. No quesito atendimento, foi até parecido com o do Royal Prince Alfred: vc chega, vai no balcão, preenche a ficha, informa o número do cartão do Medicare, senta. A enfermeira da triagem chama, faz um rápido exame de glicose, analisa seu caso e vc espera de novo. (no meu caso a enfermeira me passou um sermão porque eu não tinha tomado analgésico em casa, mesmo estando com dor. haha Ela: “como assim vc teve duas quedas feias - a segunda por causa de um desmaio causado pela dor forte -, tá com muita dor e não toma analgésico?” Eu: “ah, a dor está mal mas não insuportável.” Ela: “Mas vc nem está conseguindo respirar direito de dor! Vai tomar analgésico sim!” E me deu logo 4 comprimidos! Tive que tomar, mesmo contrariada... rs). Depois me levaram para o raio-x, mais espera e só depois a médica vem te atender. No total foram umas 2 horas, o que achei bem razoável. A médica era muito novinha, mas sempre consultava o chefe do plantão. Ainda veio uma enfermeira final conversar comigo, fazer mais exames, enfim, dessa vez fiquei bem satisfeita com o hospital.

Detalhe diferente do Brasil: alguns exames que fazem no hospital o resultado não sai na hora, então vc é encaminhado pra ir alguns dias depois no seu GP (o médico geral) pra pegar o resultado e fazer o “follow up” (acompanhamento) que eles chamam. Nem todos os casos precisa disso, mas dessa vez tive que ir pois em suspeita de fratura de costela eles sempre analisam a possibilidade de atingir outro órgão, dar uma infecção, etc. No meu caso não teve nada disso (quer dizer, só a infecção, mas isso eu ando meio desconfiada aqui, toda vez que vou no GP ele diz que tenho infecção e me manda tomar antibiótico, mesmo sem eu estar sentindo nada! Um dia vou começar a me negar a tomar esse troço... rs)

Isso eu ainda sinto um pouco de diferença pro Brasil, aqui vc não tem a mesma facilidade de ir no médico. No meu caso o antiinflamatório que me passaram no hospital me fez muito, mas muito mal, e fiquei meio sem saber a quem recorrer. Por sorte tinha esse acompanhamento com o GP e o consultei sobre trocar o remédio. Troquei, mas como o novo ele falou pra tomar no máximo por 3 dias, no restante das semanas de recuperação a saída foi agüentar a dor mesmo.

E vou parando por aqui antes que os três leitores do blog pensem que eu sou hipocondríaca e só falo de médico. Muito pelo contrário, odeio médico, hospital, não tomo remédio pra nada. Desde que cheguei na Austrália não peguei nem uma gripe, mas devo reconhecer que eu, que nunca quebrei um osso na vida, não ando tendo sorte nesse quesito aqui em down under... :-P

terça-feira, 2 de abril de 2013

Serviço de saúde na Austrália

Eu estava pra escrever esse post há um tempo, mas sempre esquecia.

Uma grande preocupação minha e do Thiago era com o serviço médico aqui na Austrália, sabíamos que era completamente diferente do Brasil e tínhamos receio de como iríamos nos adaptar. Mas vamos por parte.

A Austrália possui um serviço público de saúde (para cidadãos e residentes) chamado Medicare (cujo site agora foi incorporado ao “Departamento de Serviços Humanos” do governo australiano - http://www.humanservices.gov.au), que funciona muito bem e em nada se compara ao serviço público no Brasil. Tanto que muita gente aqui nem faz um plano privado, mesmo podendo pagar por ele. Aproveito aqui pra ressaltar que tudo que falo abaixo se aplica unicamente aos que possuem visto permanente, não sei os detalhes de como funciona praqueles com visto de estudante, work/holiday visa, sponsored visa, etc.

Assim que chegamos na Austrália fomos no Medicare fazer nosso cadastro e em poucos dias eles enviam a carteirinha com seu número pelo correio. Eu e Thiago acabamos fazendo um cadastro só pros dois, recebemos o mesmo número e apenas um dígito verificador que nos diferencia. Com esse número vc já fica apto a usufruir do serviço de saúde.

Funciona basicamente assim: se for uma emergência, basta ir num dos hospitais públicos (detalhe que aqui até onde eu sei não existe hospital privado para atendimento emergencial, com plano de saúde ou não vc é atendido num hospital público e usando a carteirinha do Medicare). Eu tive uma experiência nos primeiros seis meses quando torci o dedo e fui checar se não havia fratura. Devo dizer que nesse dia achei a experiência muito ruim, fui no Royal Prince Alfred, que fica no bairro de Newtown, e fiquei 4 horas esperando pra ser atendida, mesmo com a emergência vazia. Pelo que tenho lido os hospitais tem sofrido com a falta de médicos e corte de verbas, e demoras acontecem mesmo. Em alguns hospitais, como o de Bankstown (que foi eleito um dos piores do país), a espera pode chegar a 25 horas!

Claro que isso só aconteceu pois meu caso não era tão emergencial. Assim que vc chega no hospital vc passa por um setor de triagem onde uma enfermeira avalia (por alto, claro) o seu caso e o grau de emergência, e só então vc vai pra sala de espera. Se o caso for mais urgente, vc é atendido mais rápido.

Me lembro que quando cheguei no hospital informei que tinha plano de saúde privado, na esperança de isso fazer eu ser atendida mais rápido. Mas não, isso não muda nada, pois o atendimento emergencial é coberto pelo Medicare. E aqui vai uma diferença gritante pro sistema brasileiro: o plano privado só cobre o que o Medicare não cobre. Se o Medicare cobre, vc não tem a opção de acionar o plano privado.

Agora vamos ao plano privado: eu e Thiago optamos pelo Medibank, que é bem popular por aqui. Nos primeiros meses pagamos uma franquia bem básica, se não me engano custava uns $150 (o casal), e depois quando nós dois conseguimos emprego aumentamos a cobertura e hoje pagamos uns $230 (o casal). Bem mais barato que no Brasil, mas a cobertura é muito diferente. Vamos às diferenças:

- Se vc precisa de um médico, não vai a um especialista, como ocorre no Brasil. Vai no GP (general practitioner), que vai te avaliar e, se ele achar que é o caso, te indicar para um especialista. Só com essa carta de referencia do GP é que vc pode ir no especialista. No meu caso eu fui num GP indicado por um amigo brasileiro e gostei de cara. Ele é um fofo, fala português - apesar de ser australiano ele adora o Brasil e tem um namorado brasileiro, com isso fala português praticamente fluente - o que me ajudou na tradução dos termos médicos. Se bem que tenho descoberto que muitos remédios que já tomei no Brasil tem o mesmo nome aqui, inclusive anticoncepcional (trouxe dezenas de cartelas do Brasil pra descobrir que a marca que tomo existe aqui e com o mesmo nome!), então não tem sido tão difícil quanto eu pensava. Tudo que eu pedi de indicação de especialista ele me deu sem questionar muito, mas não sei se é sempre fácil assim. rs

- Muitos GPs trabalham no esquema “bulk billed”, ou seja, a consulta é integralmente coberta pelo Medicare e vc não precisa pagar o excesso. Outros, como o meu, cobram um pouco acima da tabela do Medicare e vc tem que pagar o excesso, o que no meu caso significou apenas uns $15.

- Com o referral (carta de referencia do GP) na mão, vc pode marcar o especialista (dermatologista, cardiologista, etc). As duas tentativas que fiz, pra continuar um tratamento que fazia no Brasil, me levaram a descobrir que a consulta com o especialista é bem mais cara (no meu caso variou de $250 a $500 a consulta, mas acredito que mude muito dependendo do médico) e apenas algo em torno de $70 é coberto pelo Medicare. Outro ponto que achei um complicador é que não tem tantos especialistas assim pra vc “pesquisar preço”. Meu GP indicou um na carta, tentei achar outros e dermatologista, por exemplo, só encontrei uns 10 na região central de Sydney. Levando em conta que preciso marcar no Centro por causa do trabalho, e num horário muito cedo ou na hora do almoço, minhas opções se reduziram a 2.

Nesse ponto eu pensei: ok, a consulta é cara, mas como tenho plano privado ele vai cobrir a diferença. Ledo engano... Como me explicou um atendente do plano, o sistema de saúde privado na Austrália não é pra esse tipo de cobertura. Eles cobrem o que o Medicare não cobre: dentista, acupuntura, internação em hospital, cirurgias eletivas. O que o Medicare cobre (atendimento emergencial, consultas medicas, exames) vc tem que pagar o excesso, sem escapatória. Confesso que me irritou muito um pouco isso, afinal pago o plano privado pra que se não posso usar? Mas como diz o Thiago, se vc precisar de uma cirurgia não emergencial e não tiver plano privado, vai ter que entrar na longa fila de espera do Medicare. Aqui no trabalho mesmo a manager teve pedra na vesícula e o médico decidiu que extrair a vesícula era a única forma de parar as dores, mas como ela só tem Medicare, a lista de espera pra essa cirurgia era de 6 meses. Aí já me faz repensar a revolta contra o plano privado...rs

- Se o especialista – ou o GP – te passar algum exame, como o de sangue, ultra, etc (o que dizem não é tão simples como eles fazem no Brasil, aqui a cultura é de quanto menos exames melhor) vc vai num dos laboratórios, paga e o Medicare (sempre ele) reembolsa integral ou parcialmente, depende do exame. Exames de sangue, ultra mais basica, raio-x costumam ser reembolsados integralmente.

- Ponto positivo: quando levei um recibo de exame para reembolso, fui atendida no Medicare rápido e em menos de 5 minutos saí de lá com um comprovante de depósito que seria feito na minha conta em 24 horas (e foi). No caso de consulta médica, a própria clinica normalmente faz a solicitação de reembolso e em 24hrs o dinheiro bate na sua conta (previamente cadastrada no Medicare). Tudo rápido, fácil e sem maiores burocracias.

- Tirando a minha revolta inicial com o novo sistema que terei que me adaptar, quando efetivamente recomecei a fazer o tratamento que tinha parado no Brasil o balanço tem sido bem positivo. O especialista me pareceu super experiente, a consulta inicial durou 1 hora, com ele tendo até a paciência de ver meus exames feitos no Brasil (mesmo em português, sem tradução... rs Eu até sugeri que ele visse só as imagens, mas ele foi bem audacioso e se aventurou nos laudos, só parando pra perguntar se “direito” significava “right or left”. haha). Nos exames que fiz os tecnicos foram até mais minuciosos que nos que tinha feito no Brasil, e por enquanto não tive nenhum problema com a tradução de sintomas, remédios, etc, o que era minha preocupação (viva a globalização!).

- Detalhe importante: numa tentativa de desafogar o Medicare, o governo australiano vem tentando estimular as pessoas (principalmente aquelas com condição social melhor) a pagar um plano privado. Assim, foi criada uma taxa para aqueles que não contratam um plano privado antes dos 30 anos, ou no caso de imigrantes que ja passaram dessa idade, ate 1 ano apos a chegada no pais. Como é explicado nesse site (http://privatehealth.com.au/how-you-can-save/lifetime-health-cover/): “Fundamentally, if you join Private Healthcare at a young age you benefit more as the years go by. And if you don’t take out Private Hospital Cover by your 31st birthday, you pay a 2% loading for every year you are aged over 30.”

A parte ruim disso tudo é que, claro, vc acaba sempre pagando algum excesso nas consultas e exames. Em compensação paga muito menos mensalmente pelo plano de saúde e muitos tratamentos são mais baratos que os equivalentes no Brasil. No final eu até mudei de opinião e estou preferindo o sistema daqui.

Quem teve a coragem e paciência de ler até aqui, desculpe o texto imenso, mas o assunto realmente rende bastante.