segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Atualizações pós férias

Obrigada a todos que comentaram no post anterior sobre o meu desanimo em criar novas postagens. Já estou com várias ideias para novos posts, pelo menos até o fim do ano acho que a atualização do blog está garantida! Daí em 2017 faço novo post pedindo mais dicas. haha

Como eu expliquei pra Jacqueline no outro post, eu não escrevo sobre outras áreas profissionais porque realmente não conheço muito sobre outras áreas, e se tem uma coisa que eu detesto é passar info errada ou na base do achismo, por isso nunca escrevi sobre outras profissões. Postei num grupo que participo no facebook pedindo relato de outras meninas em áreas diversas para que eu possa publicar como guest post, mas só uma me mandou um email.  :(

Como eu já trabalhei de garçonete e babá no ano que cheguei aqui, vou fazer um post sobre as minhas impressões dessas áreas pra quem tá chegando em down under. Vou fazer também um post sobre se tenho faxineira e babá em casa. Vou também fazer um post sobre os outros assuntos que me sugeriram nos comentários do post anterior. Aliás vou tentar fazer tudo hoje e já deixar agendado pra postar senão vou esquecer (impressionante como depois de ter filho minha memória foi pras cucuias…).

Mas hoje vou começar contando como foi o nosso retorno pra Austrália depois de 5 semanas de férias. 

Primeiro queria traçar um paralelo com a viagem que fizemos ano passado pro Brasil, quando o Lucas tinha 5 meses. Aproveitando o finzinho da minha licença maternidade, fiquei 6 semanas no Brasil com o Lucas entre o meio de abril e o início de junho, e o Thiago foi nos encontrar por algumas semanas também. O Lucas ainda era bem pequeno pra aproveitar e interagir com as pessoas, e eu ainda amamentava então não consegui ter muito tempo sozinha deixando ele com a família de babá. Naquela viagem o Lucas foi uma tranquilidade no voo (claro, ele não se locomovia ainda e qualquer brinquedinho bobo o mantinha ocupado), mas o jet lag foi punk! Como ele ainda era muito pequeno, ele trocou o dia pela noite por 1 semana (na ida e na volta) e eu não conseguia dormir de dia porque queria aproveitar com a família, e a noite não conseguia dormir porque o Lucas estava a corda toda. Sério, foi desesperador! Passado o jet lag aproveitamos muito com a família, o clima no Rio estava um espetáculo (amo o inverno carioca de sol e calor ameno) e logo estava na hora de regressarmos pra casa. No retorno, mais uma semana de jet lag dos infernos e pra piorar chegamos em Sydney no início de junho, em pleno inverno rigoroso, eu retornando ao trabalho e com o Lucas começando na creche nova, e consequentemente ficando doente sem parar. Foi trevas! Se tem uma coisa que eu não faço é romantizar a maternidade, e vou te dizer, o segundo semestre de 2015 foi absolutamente horroroso. Foram 4 meses do Lucas e eu doentes praticamente toda semana (até hoje eu pego todos os germes que ele traz da creche, oh sina!), o Lucas precocemente começando a andar (a criança simplesmente não engatinhou, com 7-8 meses já “andava” se segurando nos móveis e com 10 meses andava de forma independente) e com isso todo um estresse porque ele não parava quieto e caía horrores, tudo isso no auge do inverno que sempre me deixa meio depressiva. Quis voltar pro Brasil mil vezes!

Depois as coisas se acalmaram e chegou a hora da nossa viagem desse ano. Uma grande amiga casou em Londres então resolvemos fazer a loucura de passar 1 semana em Londres, 4 dias em Paris e 2 semanas e meia no Rio. Em 5 semanas foram 3 continentes, 65 horas de voo, 5 horas de trem, 3 fuso horários e uma criança hiper ativa. Os ingredientes pra um completo desastre, né? haha

Bom, o jet lag foi infinitamente melhor, porque agora maior o Lucas entrou meio que no mesmo esquema nosso: dormindo cedo e acordando de madrugada. Mas isso foi ok porque nós também estávamos desregulados. Fora que agora que ele dorme 9-10 horas seguidas a noite, ainda conseguíamos ter tempo pra gente.

Já os voos, ah, os voos… Nem vou falar muito pra não desestimular quem quer viajar com criança pequena. Fora que cada criança é diferente e eu conheço vários pais que dizem não ter trabalho algum. Bom, provavelmente esses pais não tem o furacão que eu tenho em casa. haha Digamos apenas que de 65 horas de voo nós tivemos umas 20 absolutamente infernais do tipo: “ABRE ESSA PORTA DE EMERGÊNCIA E DEIXA EU PULAR AGORA!” Mas pensando pelo lado positivo pelo menos 2/3 dos voos foi tranquilo (tá, digamos que 1/3 foi tranquilo e o outro 1/3 tolerável).

Sobrevivemos pra contar história e apesar do Thiago ter ficado meio traumatizado (haha) eu encararia de novo numa boa (sim, sou masoquista). A estadia no Rio esse ano foi ainda mais especial porque o Lucas já estava com 1 ano e 10 meses, começando a falar, mais independente e interagindo com o primo (que é apenas 6 meses mais velho). Foram dias de muita felicidade e merecido descanso pra mim e Thiago, com a família tomando conta da nossa ferinha por dias inteiros pra nos dar uma folga.

Daí chegou a hora de voltar… Eu estava meio apreensiva já lembrando a depressão básica que deu no retorno da viagem ano passado. Mas esse ano foi muito diferente! Primeiro que chegamos aqui em outubro, se não no calor pelo menos com um friozinho mais ameno. Segundo porque estávamos morrendo de saudade da nossa casa e do nosso estilo de vida aqui! Se por um lado com o Lucas maior ele aproveitou mais a família e deu um aperto do coração ter que nos separar de novo, por outro foi muito complicado andar pelo Rio com o Lucas. Se a violência já me incomodava há 5 anos quando eu morava lá, atualmente está insuportável. Fora a instabilidade económica, o jeitinho brasileiro que me irrita, o machismo em níveis estratosféricos, etc. Não tem a mais remota possibilidade de eu cogitar voltar pro Brasil. Por mais que metade do meu coração fique lá, e eu morra de tristeza de ver o Lucas crescer sem a presença da família, mas a qualidade de vida que temos aqui me fazem ter a certeza de que a Austrália é minha nova casa.

Criar um filho longe da família é um desafio e não vou mentir: faz muita falta! Faz falta quando ficamos doentes, quando precisamos de um tempinho como casal, quando estamos estressados e tudo que queremos é um almoço de domingo rodeado de “problemas” familiares pra tirar o foco dos nossos. Faz falta nos aniversários e nos bons momentos quando muitas vezes temos que esperar 12 horas pra contar uma novidade pra família e amigos próximos por causa do fuso. Mas isso tudo vem junto com o pacote de um expatriado. Agora, sabe qual o lado bom? (fora a qualidade de vida que tanto já falei aqui no blog) Fizemos uma nova família aqui! Temos amigos tão, mas tão maravilhosos que preenchem esse buraco no nosso coração. Amigos com quem podemos contar nos momentos difíceis, um grande grupo de famílias com crianças pequenas que formam a nossa “aldeia” e nos ajudam a criar o Lucas. Arrisco dizer que nosso grupo de mães/pais é muito maior e unido do que seria no Brasil. Todos que conheço por lá tem, claro, amigos com filhos, mas não se vêem com a frequência que nos vemos aqui. Claro que ajuda o fato de a maioria das mães aqui não trabalharem integral e todas precisarem de companhia (leia-se ajuda) pra entreter os filhos durante a semana porque senão a gente pira ficando 24horas com essas crianças hiperativas desafiadoras! haha Sabe aquele ditado: “é preciso uma aldeia pra se criar um filho?” Pois é, a nossa aldeia são os amigos e eu não poderia estar mais feliz com os que fiz em terras australianas.  :)

A Aline me perguntou também como estava o trabalho. Está o mesmo de sempre, ainda estou como paralegal no mesmo escritório de advocacia em que sempre trabalhei aqui. O Thiago na verdade é que teria infos mais interessantes pra passar nesse quesito, já pedi a ele pra escrever textos pro blog, mas tá difícil…

Bom, essas foram as atualizações pós viagem, no próximo post retomo aos assuntos específicos que me sugeriram. Até breve!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sumiço


Estou bem sumida do blog, confesso. Já voltei de férias tem 1 mês, mas não engrenei num ritmo de postar no blog por absoluta falta de assunto. Sinto que já falei sobre muita coisa, e atualmente minha vida entrou numa rotina que parece que nada mais rende assunto para um post.

Então eu queria encarecidamente pedir aos leitores do blog que ainda me lêem (existe alguém aí? haha) que sugiram assuntos pra esse humilde bloguinho.

Any thoughts?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De férias

Meu filho tem 21 meses e nunca comeu açúcar, come super bem uma dieta balanceada e recheada de legumes, dorme religiosamente as 7:30-8pm, quase não assiste TV, tá sempre limpinho e cheiroso. Bastaram 2 semanas viajando pela Europa, 26 horas de voo (não sei como sobrevivi!), Londres e Paris num calor infernal, hotéis/apto sem nem ventilador, criança em greve de fome e dando piti 24/7 e o balanço da viagem é: criança tomando sorvete, passando dias comendo só croissant, ovo e barrinha de cereal, dormindo as 9 da noite no mínimo (com direito a eu que nem uma louca descalça numa rua em Paris - na tentativa de pegar uma brisa que não rolou -, ninando a criança só de fralda de noite num calor de lascar e os dois suando em bicas - juro que quase recebi esmola de pedestres que passavam nos encarando. haha), assistindo tanto iPad que desandou a falar o dia todo Pocoyo e pato (do desenho Sarah & Duck), criança constantemente imunda de terra e caraca preta nas dobrinhas de pescoço. #firstworldproblems

E que venham mais 2 semanas de férias no Rio de Janeiro! haha

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Motivo do sumiço

O blog está as moscas, eu sei. Mas é que a minha vida está uma correria nos últimos tempos. Estou trabalhando mais do que o normal, cobrindo a secretária da noite no trabalho, o que faz meus dias no escritório somarem 12-16 horas diárias. Fora isso estava tentando mudar o Lucas de creche, pra uma mais perto de onde moramos (e mais barata), o que foi uma novela e só consegui vaga no último minuto do segundo tempo. No meio disso tudo se aproxima a longa viagem que vamos fazer para ir no casamento de uma amiga em Londres, dando uma escapada para a Franca e depois algumas semanas no Rio com a família. Estamos super ansiosos pra rever a família e amigos, mas ao mesmo tempo vai ser uma maratona percorrer 3 países, 65 horas no total de voo e 5hrs de trem com o Lucas.  Eu deveria estar recarregando minha bateria pra viagem, dormindo bem, mas é óbvio que isso é impossível quando se tem uma criança pequena hiper ativa em casa e que tem um timing incrível pra cooperar (#sóquenão) e resolveu acordar zilhoes de vezes a noite. Claro que eu ainda não terminei os preparativos da viagem e apesar da parte maior (voos, hotéis) estar resolvida, faltam pequenas coisas que também são importantes como transfer, pensar na comida que vou levar pro Lucas no avião, etc.

Tem ainda o aniversário de 2 anos do Lucas em alguns meses que eu queria adiantar os preparativos pois vamos perder quase 2 meses com a viagem, jet lag na volta e afins, readaptação dele na creche nova, mas isso já vi que não vai mesmo dar tempo de adiantar.
Então na verdade esse post é só pra dizer que o sumiço vai continuar por mais uns 2 meses, mas eu prometo que volto ao blog assim que puder. Vou continuar acessando o email, então se algum leitor tiver alguma dúvida, é só me escrever.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cidadania australiana

No postanterior eu falei sobre a dupla nacionalidade, e que estamos no meio do processo de cidadania australiana. Na verdade nosso processo já está no finzinho e na próxima sexta será a cerimonia em que nos tornaremos cidadãos australianos. 

Como muitos devem saber, o visto de residência dá direito a, após quatro anos morando na Austrália e se cumpridos alguns requisitos, seja feita a aplicação pra cidadania australiana. No site da imigração tem um teste pra saber se vc é elegível pra aplicar pra cidadania ou não.
Um ponto importante que muita gente não sabe é que o visto de residência tem prazo de validade. Eu sempre achei que, pelo fato de no visto vir dizendo que “holder permitted to remain in Australia indefinetely”, isso significava que o visto não precisava ser renovado. Só que não! O visto de residência, apesar de permitir que vc fique na Austrália indefinidamente, tem um prazo de validade de 5 anospara que seu detentor possa entrar e sair do país. Na prática isso significa que vc pode ficar na Austrália indefinidamente, mas se for viajar pro exterior e quiser retornar pra cá, precisa aplicar para um “Resident Return visa (RRV)” que custa a bagatela de $360. Olhando meu visto com mais calma, realmente tem lá:


Eu achava que esse prazo era só para a primeira entrada no país depois de concedido o visto, mas não, se aplica a qualquer entrada. Detalhe que esse prazo de 5 anos não conta da data da sua primeira entrada na Austrália, mas sim da data que a Grant Letter foi concedida. Como nossa Grand Letter foi concedida em Junho de 2011, nos deram prazo até Junho de 2012 pra entrar pela primeira vez no país e em Junho desse ano nosso visto expirava. Por sorte o Thiago sabia disso porque leu com mais atenção a nossa Grant Letter, que dizia assim:

Já eu não tinha a menor ideia e era bem capaz de sair do país e só quando voltasse descobrir que estava sem visto, como ocorreu com a manager do meu escritório que foi levada a uma sala da imigração no aeroporto e ameaçada de ter sua entrada no país proibida. Claro que no fim eles acabaram dando a ela um visto temporário de 30 dias pra ela entrar no país e regularizar a situação, mas imagina o susto.

Pois bem, sabendo disso, assim que completamos 4 anos morando aqui demos entrada no processo de cidadania, pois sabíamos que seria longo e burocrático. Tem o passo a passo no site da imigração (https://www.border.gov.au/Trav/Citi/pathways-processes) então não vou repetir aqui, mas o nosso deu um rolo… Um dos formulários que tem que ser preenchido é o de Identity Declaration, ou prova de identidade, que consiste em alguém assinar um documento dizendo que te conhece há mais de 12 meses. Detalhe: essa pessoa tem que ser cidadão australiano e possuir uma das profissões listadas no formulário, que são:
  1. Australian Consular Officer or Australian Diplomatic Officer (within the meaning of the Consular Fees Act 1955)
  2. Bailiff
  3. Bank officer with 5 or more years of continuous service
  4. Building society officer with 5 or more years of continuous service
  5. Chiropractor (licensed or registered)
  6. Clerk of court
  7. Commissioner for Affidavits
  8. Commissioner for Declarations
  9. Credit union officer with 5 or more years of continuous service
  10. Dentist (licensed or registered)
  11. Fellow of the National Tax Accountant's Association
  12. Finance company officer with 5 or more years of continuous service
  13. Judge of a court
  14. Justice of the peace
  15. Legal practitioner (licensed or registered)
  16. Magistrate
  17. Marriage celebrant licensed or registered under Subdivision C of Division 1 of Part IV of the Marriage Act 1961
  18. Master of a court
  19. Medical practitioner (licensed or registered)
  20. Member of Chartered Secretaries Australia
  21. Member of Engineers Australia, other than at the grade of student
  22. Member of the Association of Taxation and Management Accountants
  23. Member of the Australian Defence Force with 5 or more years of continuous service
  24. Member of the Institute of Chartered Accountants in Australia, the Australian Society of Certified Practicing Accountants or the Institute of Public Accountants
  25. Member of the Parliament of the Commonwealth, a State, a Territory Legislature, or a local government authority of a State or Territory
  26. Minister of religion licensed or registered under Subdivision A of Division 1 of Part IV of the Marriage Act 1961
  27. Nurse (licensed or registered)
  28. Optometrist (licensed or registered)
  29. Permanent employee of Commonwealth, State or local government authority with at least 5 or more years of continuous service.
  30. Permanent employee of the Australian Postal Corporation with 5 or more years of continuous service
  31. Pharmacist (licensed or registered)
  32. Physiotherapist (licensed or registered)
  33. Police officer
  34. Psychologist (licensed or registered)
  35. Registrar, or Deputy Registrar, of a court
  36. Sheriff
  37. Teacher employed on a full-time basis at a school or tertiary education institution
  38. Veterinary surgeon (licensed or registered)
Um saco! Por sorte temos um amigo australiano que é advogado e ele assinou pra gente. Demos entrada e demorou umas 2 semanas pra recebermos um email marcando a data do CitizenshipTest pra dali a um mês. Já começamos a ficar tensos porque o teste seria no fim de março, nosso visto vencia em junho e viajamos pro exterior em setembro.
Mas beleza, fomos lá no dia fazer o teste, que é tranquilo e são só umas perguntas que vc estuda antes (eu nunca ouvi dizer de alguém que tenha reprovado nesse teste). Antes do teste foram conferir nosso formulário e a atendente me diz que o Identity Declaration tinha sido preenchido errado pelo nosso amigo e teria que ser refeito. Só que com isso não poderíamos fazer o teste naquele dia e a próxima data disponível era em maio! Certamente não ia dar tempo de concluir o processo a tempo da nossa viagem. Fiquei em pânico! Tentei argumentar com a atendente, que era um absurdo eles não terem me avisado disso antes, tipo, fazia um mês que tinham analisado nossa documentação que foi toda submetida online e esperam o dia do teste pra avisar que tava errado?? A atendente foi super grossa e disse que a não ser que eu conseguisse levar o documento certo lá naquele mesmo dia, não ia ter jeito. Só que isso já eram 4 da tarde e a imigração fechava as 5pm! Saí de lá arrasada e resignada… No trem a caminho do escritório (são 2 estacões daqui) lembrei que eu trabalho num escritório de advocacia, então podia tentar que algum advogado aqui assinasse aqui. O problema é que a maioria dos advogados do escritório que eu trabalho não são australianos e sim americanos, com isso tem apenas uma sócia que teria a capacidade legal de assinar.

Cheguei no escritório as 4:20pm, a sócia em questão estava no telefone, e 5min depois falei com ela. Detalhe que ela teria que assinar o formulário meu e do Thiago + atestar as nossas fotografias. Ela foi nota mil e nem quis ouvir a história toda nem ler os documentos, só assinou onde eu mostrei e disse pra eu preencher no caminho da imigração. Liguei pro Thiago e voltamos correndo pra imigração, de trem! Foi uma cena de filme nós correndo loucamente com os papéis na mão. haha Chegamos lá as 4:50pm e as portas já estavam fechadas porque já tinha acabado o atendimento das pessoas que tinham hora marcada, mas como em teoria ainda era horário de expediente, abriram a porta pra gente. Por sorte a atendente grossa não estava lá - ela até chegou depois e tentou embarreirar, mas dois outros dois caras já tinham nos atendido e liberado pra fazermos o teste. Eu estava tão, mas tão nervosa ainda com a situação toda que me deu um branco absurdo e quase reprovei no teste. haha
Passado o sufoco, nosso pedido de cidadania foi aprovado mas tínhamos que esperar o Council (prefeitura) da nossa região marcar a cerimonia de cidadania, e só depois disso seriamos efetivamente cidadãos. O cara da imigração tinha me dito que o nosso Council marcava rápido e não teríamos problema pra viajar em setembro, mas claro que não foi isso o que aconteceu e mais uma vez passamos sufoco pois a inclusão dos nossos nomes na lista da cerimonia só ocorreu em julho! Cerimonia marcada para 29 de julho, dia em que finalmente nos tornaremos cidadãos australianos!

Depois disso teremos apenas 1 mes pra dar entrada no passaporte australiano, torcendo pra dar tempo de ficar pronto pra viagem. Mas isso são cenas dos próximos capítulos…

terça-feira, 12 de julho de 2016

Dupla nacionalidade - brasileira X australiana

Eu estava debatendo hoje num grupo no facebook sobre brasileiros com dupla (ou mais) cidadania e o que mais ouço é que o Brasil não faz nenhuma objecção a dupla cidadania, que brasileiros podem ter quantas cidadanias quiserem e tal. Como eu e Thiago estamos no meio do processo de obtenção da nossa cidadania australiana, e eu sou uma pessoa curiosa por natureza e não me conformo com essa coisa de “todo mundo diz então é assim”, fui procurar me informar. E a resposta curta é: não, o Brasil não permite dupla cidadania, a não ser em casos especiais. Vou tentar explicar da forma mais resumida e simples possível.

Primeiro eu quero deixar claro que minha pesquisa se refere apenas a brasileiros natos, ou seja, aqueles nascidos no Brasil ou aqueles nascidos no estrangeiro mas filhos de pai ou mãe brasileiros.

Segundo eu quero fazer a distinção, para os leigos, de nacionalidade originária e derivada. Nacionalidade originária decorre do nascimento ou vínculo sanguíneo, enquanto a derivada decorre de processo de naturalização. Um brasileiro que requeira a nacionalidade australiana, p.ex., em decorrência de seus pais serem australianos estará requerendo uma segunda nacionalidade originária. Já o brasileiro que requeira essa mesma nacionalidade australiana não porque tem laços sanguíneos com o país, mas porque tem um visto de residência que permite conversão em cidadania, estará obtendo uma segunda nacionalidade derivada. Guardem esse ponto pois faz toda diferença mais pra frente.

A primeira coisa que deve ser analisada é se o país cuja nacionalidade vc pretende adquirir permite a cumulação desta com a nacionalidade originária brasileira. Vou tratar só da cidadania australiana porque afinal esse blog é sobre a Austrália e eu não sou advogada de direito internacional pra ficar dando aula sobre dupla nacionalidade de vários países distintos. rs

Pelas leis australianas, seus cidadãos podem ter outra nacionalidade livremente (fonte aqui), só tem que ser observado se o outro país cuja nacionalidade vai ser cumulada com a australiana possui a mesma liberdade. Vários países não permitem essa dupla nacionalidade, eu tenho amigos da China e Índia, por exemplo, que tiveram que abrir mão das suas nacionalidades originárias para que pudessem se tornar cidadãos australianos. E quanto ao Brasil?

Aqui começa a confusão. O Brasil não exige que se abra mão de cara da nacionalidade brasileira, como a China e a Índia exigem. Talvez por isso muita gente pense que então está liberado a dupla nacionalidade para brasileiros. Só que não…

A Constituição Federal em seu artigo 12 diz que:

§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

“I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;

II - adquirir outra nacionalidade por naturalização voluntária.

II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)”

Vcs notaram que o item II foi riscado e ganhou nova redação? Isso porque até essa Emenda de 1994 poderia ser declarada a perda da nacionalidade brasileira mediante qualquer aquisição de uma segunda cidadania. Com essa nova redação do artigo a nacionalidade brasileira será perdida se for adquirida nova nacionalidade (regra) a não ser que: 1) essa segunda nacionalidade for originária; 2) essa segunda nacionalidade for derivada mas se trate de uma imposição ao brasileiro que reside no estrangeiro para que ele possa permanecer no dito país ou exercer seus direitos civis lá.

Ficou confuso? É, a lei brasileira é bem confusa mesmo. Deixa eu explicar com exemplos então:

Exemplo 1: João é brasileiro e neto de italianos, e resolve dar entrada no pedido de cidadania italiana. Nesse caso João é brasileiro nato (nacionalidade originária por ter nascido em território brasileiro e/ou filho de pais brasileiros) e, se cumprir os requisitos da lei italiana, vai receber sua cidadania italiana de forma também originária em razão do vínculo sanguíneo. Nesse caso temos nacionalidade brasileira originária + nacionalidade italiana originária, o que se enquadra na letra “a” transcrita acima. Assim, a dupla cidadania de João, nesse caso, é permitida pela lei brasileira.

Exemplo 2: Maria é brasileira e cumpre os requisitos para requerer a cidadania no país X, não por laço sanguíneo mas por qualquer outro motivo. Nesse caso tem que se indagar: Maria precisa virar cidadã do país X para poder permanecer no país X? Se sim, então a dupla nacionalidade (a brasileira originária e a do país X como derivada) é permitida pela lei brasileira. Se a resposta for não, vem outra pergunta: Maria precisa se naturalizar no país X para exercer algum direito civil? Se sim, então a dupla nacionalidade (a brasileira originária e a do país X como derivada) é permitida pela lei brasileira.

E como fica a situação de brasileiros que requerem a cidadania australiana? Vamos fazer as mesmas perguntas do exemplo 2: 1) precisa virar cidadão australiano para permanecer na Austrália? Não, pois com o visto de residência vc pode permanecer na Austrália com os mesmos direitos de um cidadão australiano, com exceção ao direito a votar e ser votado e ao programa do governo de crédito estudantil. 2) precisa virar cidadão australiano para exercer algum direito civil? Nesse ponto a coisa pega, porque primeiro precisa ser definido o que é direito civil. Alguns entendem que o direito de votar e ser votado é um direito civil, outros dizem que é um direito político e não se confunde com direito civil que se refere apenas a direitos individuais (ir e vir, liberdade de expressão, etc). Eu sinceramente não cheguei a uma conclusão e também não encontrei na internet nenhum texto ou decisão judicial definitivos sobre esse assunto.

De todo modo, é fato que o brasileiro que adotar voluntariamente outra nacionalidade não perderá automaticamente a nacionalidade brasileira, mas poderá ser instaurado procedimento no âmbito do Ministério da Justiça, o qual ensejará a perda da nacionalidade brasileira se não restar comprovado ter ocorrido uma das hipóteses de exceção acima indicadas. Isso ocorre? Não sei… Se ocorresse, um brasileiro também com nacionalidade australiana poderia ser afetado ou conseguiria comprovar uma das hipóteses de exceção? Não sei…
 

O Consulado Brasileiro em Sydney fala sobre essas disposições da Constituição no que toca dupla nacionalidade mas não dá o posicionamento deles quanto ao tema.

Nunca ouvi falar de nenhum brasileiro que tenha perdido a nacionalidade brasileira simplesmente porque adquiriu uma segunda, qualquer que seja ela. Quer dizer, até li um caso assim na internet mas de décadas atrás, quando a lei brasileira não permitia em hipótese alguma a dupla nacionalidade.

Meu intuito com esse post na verdade nem era de dizer aos brasileiros que requerem a cidadania australiana que não o façam, ou que tenham medo de perderem a brasileira não. Eu realmente acredito que não tem problema cumular as duas, tanto que eu vou cumular em breve. Só quis fazer um alerta de que o Brasil não permite esse oba oba de múltiplas nacionalidades não, e que esse assunto é mais complexo do que muita gente faz crer quando proclama aos quatro ventos que tem várias nacionalidades cumuladas sem problema algum.

Em tempo: a todos que possuem dupla nacionalidade vale lembrar que, como bem ressaltado pelo Consulado Brasileiro em Sydney, “dupla nacionalidade pode implicar limitações na reivindicação de certos direitos, como nos casos de pedido de assistência consular dentro de um país onde também é considerado como nacional. A título de exemplo: um indivíduo com dupla cidadania, brasileira e alemã, sempre que se encontrar dentro do território alemão será tratado, pelas autoridades locais, exclusivamente como cidadão alemão, e nunca como estrangeiro, ainda que apresente documentos brasileiros e alegue essa condição. Inversamente, no Brasil sempre será tratado como cidadão brasileiro, mesmo que possua outras nacionalidades.”

Vale também lembrar que se vc possui cidadania brasileira e australiana tem que, obrigatoriamente, sair e entrar da Austrália com passaporte australiano e entrar e sair do Brasil com passaporte brasileiro. Não dá pra, como já ouvi gente dizer, achar que pelo fato do seu passaporte brasileiro ter vencido vc pode entrar no Brasil com o passaporte australiano, e vice-versa.
 
Por fim, é também de suma importância ter em mente que com dupla nacionalidade vc possui direitos e deveres inerentes ao país no qual se naturalizou e tem que cumprir com seus deveres sociais, políticos e civis. Então, por exemplo, como no Brasil e na Austrália o voto é obrigatório para cidadãos, se vc tiver dupla nacionalidade desses 2 países vc terá sempre que votar nas eleições de ambos, ou justificar sua ausência.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O lado B + winter is coming

Hoje li um texto excelente que o Jerry escreveu em seu blog Brazil Australia. Ultimamente tenho recebido muitos emails de famílias querendo sair do Brasil e imigrar pra cá. E eu sempre digo a mesma coisa: se imigrar pra um outro país já é difícil sem filhos, com criança então é realmente um desafio.

Pode ser o inverno que sempre me deixa mais depressiva, pode ser o fato de que eu há praticamente 1 ano emendo uma doença na outra e estou sempre cansada, mas a questão é que tem dias que me dá uma exaustão tão grande que dá vontade de largar tudo e voltar pro Brasil. Como diz aquele ditado: “É preciso uma aldeia inteira pra criar um filho”. E é a mais pura verdade! Tem coisas que quando se tem não se valoriza, como aquele almoço de família aos domingos. Vc sempre reclama das picuinhas da família, da obrigatoriedade de “perder” um domingo lá, mas espera chegar o dia em que vc não tem mais essa opção. Aquela semana que vc está doente, seu filho tá doente ou numa fase terrível, e depois de uma semana se arrastando pra conseguir trabalhar/cuidar da casa/cuidar do filho chega o fim de semana e tudo que vc pensa é: ufa, ainda bem que tem aquele almoço de domingo em que pelo menos vou ter ajuda pra cozinhar, pra cuidar da cria, vou ver pessoas que amo e que podem até dar uma olhada na criança enquanto eu descanso. Soou familiar? Pois é, isso não existe aqui. Depois de uma semana do cão, chega o fim de semana e é tudo igual: vc tem que limpar a casa, cozinhar, cuidar do filho 24 hrs por dia. Ou então aquele dia que vc não consegue sair cedo do trabalho, ou que seu filho tá doente na creche, ou uma emergência qualquer, e vc liga pros avós/tios/primos pra pedir uma ajuda emergencial. Isso não existe aqui. Ou o dia em que vc está seriamente doente e precisa ir pro hospital, como no dia em que eu chamei uma ambulância porque estava ardendo em febre sozinha em casa, com uma baita infecção renal, o Thiago no trabalho e o Lucas na creche longe de casa, e a ambulância disse que não viria porque meu caso não era de vida ou morte, e eu tive que, mesmo vomitando, com dor e ardendo em febre, arrumar uma carona pra me levar pra emergência; cheguei lá e me colocaram numa cadeira de rodas e me internaram na hora de tão mal que eu estava, e passei 5 dias internada absolutamente sozinha porque o Thiago tinha que ficar em casa cuidando do Lucas e da casa. Por sorte temos amigos incríveis que nos ajudaram (e ajudam) muito, mas todo mundo tem sua vida e sua própria família (e seus próprios desafios diários a enfrentar), e apesar de numa emergência sempre aparecer gente pra ajudar, nunca vai ser na extensão que é a ajuda da sua família, que vai parar a própria vida pra te fazer companhia ou cuidar de vc. Se vc tem alguém na família que pode vir pra cá por uns meses para ajudar (tenho muitos amigos que os pais/avós vem passar longas temporadas aqui, principalmente enquanto os filhos são pequenos) ótimo! Se não tem, se prepare para anos muito difíceis após o nascimento dos filhos.
Some a isso as dificuldades que o Jerry contou no texto que mencionei no começo do blog, como o alto custo de vida de Sydney: o custo de creche, de aluguel, de serviços como faxineira e babá, etc.

Antes que esse post soe muito depressivo, quero deixar claro que não é a minha intenção desanimar ninguém a vir não! Apesar de todos os momentos difíceis eu não troco minha vida aqui por nada! (juro que os pensamentos de largar tudo e voltar pro Brasil só vem no desespero e logo passam) A Austrália é maravilhosa e a qualidade de vida que tenho aqui é incomparável. Mas acho que todo mundo tem que ser avisado também do lado ruim, dos momentos difíceis, principalmente quando se fica doente. Porque com saúde e energia é bem mais fácil arrumar soluções e ter forças pra encarar os desafios. Mas nos momentos de mais vulnerabilidade (mesmo numa simples gripe que te tira a energia) a vida de imigrante fica bem mais complicada, principalmente quando entram filhos na equação.
Por isso que quando me perguntam se dá pra vir com visto de estudante quando se tem filhos eu digo que NA MINHA OPINIÃO é loucura. Se tem gente que vem? Sim, claro. Se conseguem sobreviver? Provavelmente. E pode ser que tenha gente que encare melhor do que eu os desafios da vida. Mas eu, na minha humilde opinião, não me mudaria pra outro país com família e um visto temporário como o de estudante.

Qual o propósito desse post? Sei lá, só desabafar acho. O texto do Jerry me deu vontade de escrever algo parecido aqui e agora não sei bem como terminar esse post. haha Acho que vou terminar mudando de assunto pra dizer que o inverno tardou mais chegou por essas bandas. As temperaturas despencaram e começou a temporada de depressão, germes, preguiça vento gelado e até neve em New South Wales, a menos de 2 horas de Sydney! Deixo vcs com as fotos de Blue Mountains alguns dias atrás:


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Como nos contactar

Já publiquei alguns posts de aviso aos leitores, pedindo encarecidamente pras pessoas lerem primeiro os posts do blog antes de nos enviarem email com perguntas, lembrando que não recebemos um centavo pelo blog nem pra responder email então o mínimo que esperamos é um pouco de educação e cordialidade, etc. Claro que pra muita gente parece que isso entra por um ouvido e sai pelo outro, porque continuo recebendo emails mal educados, gente que não responde pra agradecer porque provavelmente acha que nós somos serviçais seu, e por aí vai.

Mesmo assim, como eu já disse aqui uma vez, continuamos respondendo todos os emails e mensagens que recebemos com a maior boa vontade e o mais rápido possível, até porque entendemos que o processo de imigração é complicado, gera muita ansiedade, e realmente queremos ajudar outras pessoas a alcançarem o que alcançamos.
Nos últimos dias o Thiago tem me pedido pra fazer mais um post de aviso aos leitores e eu vinha dizendo que se ele quisesse ele que escrevesse (bem folgado esse meu marido, abandona o blog e depois quer ditar os posts que eu tenho que fazer. rs), mas como hoje eu estou de bom humor, haha, vou fazer as vontades dele.

O negócio é o seguinte: há um tempo atrás o Thiago deu uma entrevista no blog Brazil Australia sobre o mercado de arquitetura (excelente por sinal, aconselho todos a lerem aqui) e na ingenuidade forneceu o sobrenome dele pra entrevista. Só que com essa informação passou a ficar fácil das pessoas acharem ele no Facebook, e ele passou a receber uma enxurrada de mensagens e pedidos de amizade de gente que ele não conhece.
Aqui um adendo: nós não somos daquelas pessoas que mantém a vida privada super privada, até porque publicamos fotos nossas no blog e nas redes sociais. Só que tanto eu quanto o Thiago acreditamos que o Facebook é uma forma de contato apenas com nossos amigos próximos e família. Não temos o Facebook aberto para visualização por qualquer pessoa, e também não adicionamos pessoas que acabamos de conhecer, temos que ter algum laço de amizade ou contato com quem temos como “amigo” no Facebook. Qualquer contato com pessoas que não conhecemos nós mantemos ou por Linkedin (se for profissional) ou por email (se for do blog). Aliás, mesmo o Linkedin quem usa mais é o Thiago, eu quase não uso e pedidos para me conectar ficam meses perdidos lá no meu perfil. Também não fornecemos o nosso Whatsapp porque só o usamos para falar com família e amigos muito próximos.

Levando em conta esses pontos que acabei de mencionar, vcs podem imaginar como é chato receber uma enxurrada de mensagem no Messenger do Facebook. Até porque, como muitos sabem, se a mensagem vem de alguém que não é seu amigo no Facebook vai pra caixa “outros” ou fica pendendo aprovação, que as vezes demoramos a ver, e a mensagem fica lá “perdida”. E, cúmulo dos cúmulos, o Thiago vira e mexe recebe mensagens desaforadas de gente reclamando que ele não respondeu uma mensagem anterior (que ele nem viu). Já aconteceu comigo também, quando conseguem achar meu Facebook.
Então, queridos leitores, peço encarecidamente que quem quiser se comunicar com a gente o faça ou postando uma mensagem no blog ou por email (o nosso email é facilmente encontrado quando se clica no nosso nome sob o título “colaboradores” no canto direito do blog, mas se vc ainda tem dúvidas é denisefpg@gmail.com e turino@gmail.com). Não adianta nos adicionar no Linkedin porque se não nos conhecemos nós provavelmente não vamos reconhecer seu nome e não vamos aceitar (e se for o meu Linkedin eu muito provavelmente sequer vou ver o pedido) e o Thiago se irritou tanto com essa história de mensagem enviada pelo Facebook que já disse que também não vai mais responder por lá, só por email.

Não pensem que é má vontade não, muito pelo contrário, somos solícitos com todo mundo que nos escreve e nesses 5 anos de blog nunca deixamos de responder uma mensagem/email. Só pedimos que nossos leitores leiam primeiro todos os posts do blog e a entrevista que o Thiago deu no blog Brazil Australia, porque a maioria das perguntas que recebemos já foram respondidas nesses 2 locais. Se depois de ler tudo vc ainda tiver alguma dúvida, ou estiver vindo pra cá e quiser nos encontrar para um café e pra trocar uma ideia, ficaremos muito felizes de poder ajudar. :)

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Babies Prom - Opera House

Como eu já comentei uma vez, não me canso de me espantar com o que essa cidade tem a oferecer, principalmente pra crianças. Uma amiga que tem uma filha da idade do Lucas me chamou para irmos no Babies Prom, um espetáculo de música clássica para crianças pequenas (2-5 anos) que acontece anualmente no Opera House. Eu relutei um pouco pois o Lucas ainda é pequeno e extremamente inquieto (com certeza já comentei aqui o quanto ele não pára quieto pra nada e só quer saber de correr/pular/escalar/explorar livremente. Um rebelde sem causa!). Mas achei a ideia tão legal que me animei de ir.

O show ocorre numa sala pequena (uma das muitas que tem no Opera House), e são 4-5 músicos no palco + um animador infantil. O tema desse espetáculo que fomos era Four Seasons, o famoso concerto de Vivaldi. Funcionava assim: os músicos (todas mulheres, e se não me engano eram 3 violinos, um celo e um solo de violino) tocavam trechos do concerto e o animador ia explicando a música e interagindo com as crianças usando um cenário que tinha no palco. Então quando a música retratava a primavera, ele mostrava as flores no palco, fazia piadas, dançava com as crianças, e idem pras demais estacões do ano. As crianças ficavam na plateia, sentadas ou em pé no chão numa área central, e em volta eles colocaram cadeiras pros pais sentarem. Eu achei isso um pouco problemático porque as crianças menores claro que não iam ficar sozinhas ali no meio, e ficava muito inviável para os pais sentarem no centro, acho que seria melhor se tivesse menos cadeira e todo mundo (pais e crianças) sentassem no chão mesmo.
A performance toda dura 35 minutos, o que é ótimo porque claro que as crianças não ficariam quietas por muito mais do que isso. O pouco que eu consegui assistir achei interessantíssimo, e no final os músicos descem do palco e vem pra perto das crianças pra mostrar os instrumentos e responder perguntas.
A minha amiga com a filha da idade do Lucas achou o máximo, a filha dela curtiu, ficou no centro com as outras crianças e de vez em quando vinha até onde a minha amiga estava sentada e ficava no colo. Já o Lucas… Juro, meu filho é um caso perdido pra se focar em algo. Vamos lá ao meu tragicómico relato:
Chegamos um pouco mais cedo e paramos num café do lado de fora da sala pra dar lanche pras crianças. Lucas comeu em pé correndo de um lado pro outro (até aí normal, até porque estava cheio de criancas fazendo igualzinho e não tinha lugar pra sentar direito), até descobrir que umas portas de vidro laterais estavam abertas e davam pra parte de fora do Opera House, num pátio gigantesco. Daí em diante foram uns 15 minutos dele fugindo pro lado de fora e eu correndo atrás dele (the story of my life…). Deu a hora de entrar e se formou uma pequena fila de pais (a maioria mães porque era dia de semana) e crianças pra entrar, e os carrinhos tinham que ser deixados do lado de fora. O que as outras crianças faziam? Iam andando em fila pra entrada. O que o meu filho fazia? Corria loucamente pro lado contrário da porta de entrada. No fim tive que carregar ele sob protesto pra dentro da sala (meu alerta de que o dia não estava começando nada bem…). Entramos e nos acomodamos sentados no chão, na parte da frente tinha uma fita verde no chão que separava o palco da plateia e eles avisavam que nenhuma criança podia ultrapassar essa fita. Advinhem o que o Lucas fez assim que chegou? Pois é… *suspiro. Ele ficou tipo uns 2 minutos entretido quando os violinos começaram a tocar e o animador a falar, depois desandou a querer correr. Tive que sair da parte da frente porque óbvio que o Lucas ficava sempre correndo (e quando eu obrigava ele a sentar ele rastejava) pra avançar na maldita faixa verde.
Beleza, fui pra parte de trás ver se ele ficava com as outras crianças. Não, claro que não, ele queria correr pro lado contrário do palco, só deus sabe pra onde. Depois de alguns minutos assim uma funcionária do Opera House nos “convidou” a subir pro mezanino e assistir de lá de cima, ou seja, fomos devidamente expulsos da plateia. Beleza, subi e pro Lucas foi o paraíso porque ele tinha muitas escadas pra subir e descer, mas eu fiquei tensa porque estava escuro e tinha a grade que dava pra parte de baixo da plateia, vai que o meu insandecido curioso filho resolve se jogar dali? Fiquei ali um tempo, achei que ele tinha se acalmado e desci. Tentei de novo a plateia, dessa vez na parte de trás longe da maldita faixa verde. Eis que o Lucas resolve ir pro meio das outras crianças e dançar. Ainda tem um momento fofura master e vai até a filha da minha amiga e tasca um abraço e um beijo nela. Viva! Ops, não se deve contar vitória antes do tempo… Isso durou uns 3 minutos, logo ele tava de volta querendo correr pro lado contrário que não podia e eu impedindo e ao mesmo tempo tentando evitar que ele desse um ataque de fúria no meio do espetáculo. E assim fomos nessa luta pelos 35 minutos mais longos da minha vida.

Ok, talvez ele ainda seja muito pequeno pra um evento assim. Mas, poxa, tinham várias crianças da idade dele lá! Acho que eu tenho que me conformar mesmo que meu filho é insandecidamente ativo e vai demorar uns anos até ele conseguir se concentrar em algo. *suspiro
De todo modo achei a performance interessantíssima, e como eu sou louca brasileira e não desisto nunca, provavelmente vou tentar novamente ano que vem quando o Lucas já tiver 2 anos e meio.
Não tirei fotos no dia porque estava ocupada correndo atrás do meu furacãozinho, mas achei algumas na internet que mostro abaixo pra vcs terem uma ideia de como é. Essas fotos não são do dia em que eu fui, então o espetáculo no palco era diferente do que eu assisti, mas a ideia é a mesma.


 

 
 


quinta-feira, 16 de junho de 2016

Vivid no Taronga Zoo

Continuando o post anterior, em que eu falei sobre o Vivid (festival de luzes que ocorre todo ano em Sydney), no último final de semana fomos conferir as esculturas de luz no Taronga Zoo.

O Taronga Zoo é um enorme zoológico aqui em Sydney, localizado na parte norte da cidade no subúrbio de Mosman e colado a baía de Sydney. Eu nunca fui no zoo propriamente dito, só o Thiago que visitou com a família dele uns anos atrás. Depois que o Lucas nasceu eu fico sempre querendo levá-lo lá, mas como sei que é muito grande e requer uma boa caminhada, estou esperando o Lucas crescer mais um pouco pois acho que ele vai aproveitar mais.
Esse ano pela primeira vez o Taronga Zoo participou do Vivid, com esculturas de animais iluminadas. Como fica longe de onde moramos (em torno de 1 hora de carro), resolvi comprar ingresso pra sábado pra chegarmos lá assim que abrisse, as 5:30 da tarde, até porque o Lucas dorme cedo e não ia aguentar muito. O ingresso custou $17 por adulto e criança menor de 4 anos não paga.

Eu já sabia que estaria cheio, primeiro porque era sábado, segundo porque o Vivid a cada ano que passa tem ficado mais lotado. Eu só não esperava que ficasse tão muvucado!
Chegamos lá as 5:30 em ponto e o engarrafamento na rua que leva ao parque já era monstruoso. Acabamos parando na rua mesmo porque era de graça (o estacionamento do zoo custa $17 de dia e $7 para o Vivid a noite) e andamos um pedaço no breu característico de muitas ruas de Sydney (por essas e outras que eu sempre carrego uma mini lanterna na bolsa, porque já passei sufoco andando a noite por aqui sem enxergar um palmo na minha frente; sufoco não quanto a segurança, claro, mas de não enxergar mesmo o caminho, se tem galho de árvore, bichos peçonhentos, etc). Quando chegamos na entrada do parque, era uma multidão gigantesca entrando ao mesmo tempo. Claro que com isso demorou um pouco pra entrarmos.

Lá dentro eu descobri que eles montaram tipo um percurso para o Vivid, primeiro para que as pessoas não se perdessem pelo parque naquela escuridão, segundo pra fluir melhor a multidão. A ideia até que foi boa e fez total sentido, mas o ponto negativo é que todo mundo tinha que obrigatoriamente fazer um percurso que em muitos trechos era estreito então ficava aquela multidão espremida em fila indiana. Acrescente aí centenas de famílias com crianças pequenas, carrinhos e tralhas mil e vcs podem imaginar o perrengue.
Como o Lucas ainda é pequeno e tem uma alma, digamos assim, rebelde, não podíamos deixar ele no chão um minuto no meio daquela multidão, e mesmo no carrinho seria inviável porque tadinho, ia ficar espremido na multidão, então o jeito foi levá-lo no colo o percurso todo. Com o chumbinho pesando já 12 quilos, haja braço!

Na parte final do percurso tinha um restaurante/lanchonete, onde paramos pra comer. Até que o horário que paramos casou direitinho com a hora do jantar dele, mas antes no percurso ele já tinha ficado meio de mau humor (esfomeado que só ele) e eu já tinha sacado uns muffins de legume de tinha levado comigo pra ele. Então quando paramos pra comer ele só beliscou um pouco do nosso. Gostei muito da lanchonete, tinham boas opções de comida: sanduíches frios variados (escolha do Thiago), hambúrguer de frango empanado, frango empanado com batata frita, frango assado desossado com batata (minha escolha) e ainda frutas frescas, salada de frutas, sucos de garrafa e outras bebidas. Como eu disse o Lucas só beliscou, mas comeria tranquilamente algo saudável por lá (com exceção da batata frita, mas essa ele não gosta mesmo, mesmo nas poucas vezes que oferecemos ele mal come).
Ah, e esse percurso do Vivid era numa ligeira descida, então na volta foi ladeira acima. Nada muito íngreme, mas cansou um pouco com o Lucas e as tralhas que carregávamos. No fim fizemos o percurso em torno de no máximo 2 horas, contando a parada pra comer. Tinha a opção de entrar de novo e percorrer tudo mais uma vez (o Vivid lá funcionava de 5:30 as 9 da noite), mas nessa altura já eram 7:30 e o Lucas já estava dormindo no colo do Thiago, então fomos embora.

Detalhe 2: o inverno esse ano tem sido bem ameno (aliás o ano em geral tem sido bem quente), mas nesse dia que fomos no Taronga Zoo estava congelante! Um vento frio que só quem já veio pra Sydney no inverno entende o quanto é desagradável, e estávamos todos encapotados de casaco corta vento. Pensemos pelo lado positivo: pelo menos não choveu. haha
Depois desse relato vcs devem estar imaginando que foi uma furada total, né? O Thiago até achou furada mesmo, mas eu amei! Tá, foi perrengue, tinha muvuca, mas as esculturas estavam lindíssimas e o Lucas curtiu bastante os bichos de luz. Eu só acho que eles poderiam ter planejado melhor e vendido ingresso com horário especifico de entrada, para talvez diminuir a multidão entrando ao mesmo tempo. Mas no geral eu achei que valeu bastante a pena, e até o Thiago no fim concordou comigo, não sem antes dizer: “tá, vale a pena se vier com criança.” rs

Seguem as fotos que tiramos: