segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Vacinas – calendário de vacinação infantil na Austrália

Vira e mexe me perguntam sobre como é a vacinação aqui na Austrália, principalmente quem está vindo com crianças.  Quem mora aqui também sempre tem dúvida sobre se precisa vacinar os filhos quando vai visitar a família no Brasil ou não, daí resolvi fazer esse post com as informações que obtive desde que o Lucas nasceu.

Primeiro para quem está vindo morar na Austrália com o(s) filho(s): vc tem que trazer a carteira de vacinação do seu filho e obter a equivalência aqui. Eu aconselho trazer a carteira traduzida, ou traduzir aqui, e levar a um consultório do GP (general practitioner) para que ele possa lançar os dados no sistema nacional de imunização. Toda criança aqui quando nasce recebe um Blue Book (íntegra aqui), que é um livro azul com todas as informações gerais da criança e as datas dos check ups obrigatórios onde será medido crescimento e avaliado o desenvolvimento geral da criança. Aqui na Austrália esses check ups são menos frequentes que no Brasil no primeiro ano da criança, ocorrem apenas nas seguintes idades:

- newborn (recém nascido)

- 1 a 4 semanas de vida

- 6 a 8 semanas de vida

- 6-8 meses de vida

- 1 ano

- 1 ano e meio

- 2 anos

- 3 anos

- 4 anos

Claro que vc não está impedido de levar seu filho no GP ou nos Health Centre (com enfermeiras) entre essas datas, muito pelo contrário, se vc tem qualquer dúvida ou preocupação com relação ao crescimento da criança, não só pode como deve levar com mais frequência. O Lucas, por exemplo, entre os 6 meses e 1 ano teve consultas mais frequentes não só no Health Centre com as enfermeiras como o GP também o encaminhou pra um pediatra porque tinha preocupação com o crescimento dele. Depois de alguns meses de acompanhamento foi constatado que o crescimento dele era normal, só mais lento (baixinho como os pais esse meu filho. rs) e recebemos alta do pediatra continuando apenas no GP.

A maioria desses check-ups inclui também a vacinação, que, pelo menos em Sydney, é feita pelo GP. Lembrando que a vacinação infantil é obrigatória na Austrália e esse ano o governo instituiu uma nova lei que determina que as crianças que não forem imunizadas não terão direito a diversos benefícios sociais, incluindo o auxílio creche. Além disso a maioria das creches e escolas pede o “immunization record” da criança para que seja feita a matrícula. Há alguns meses eu recebi uma carta do governo dizendo que meu benefício ia ser cortado porque a vacinação do Lucas de 18 meses estava atrasada – não estava, foi um erro do GP que não deu um reforço da vacina de coqueluche que tinha sido recentemente incluído no calendário de vacinação – mas isso mostra como o governo confere mesmo e marca em cima dessa questão porque nos últimos anos tem virado moda a campanha anti-vacinação nos países desenvolvidos, uma ignorância sem tamanho que está fazendo ressurgir doenças já erradicadas como a pólio e colocando em risco a saúde de todas as crianças.

Via de regra a tabela de vacinação no Brasil é mais abrangente que a da Austrália, porque muitas doenças que ainda são endémicas no Brasil já foram erradicadas na Austrália. Então se a criança está com a vacinação em dia no Brasil, muito provavelmente vai estar na Austrália também, é só uma questão de chegar aqui e levar a carteira de vacinação ao GP para ele lançar no sistema da criança (existe um “immunization record” com as informações de cada criança, que os pais podem consultar online pelo app do Medicare e imprimir o comprovante caso precisem apresentar na creche/escola).

O governo australiano tem um site bem completo sobre vacinação, com várias infos interessantes. Fiz um comparativo da tabela do Brasil e da Austrália pra facilitar.
 
 
 

Como vcs podem ver, as diferenças basicamente são:

- BCG não está no calendário de vacinação da Austrália porque a tuberculose não é endémica aqui;

- a vacina contra meningite C só entra no calendário da Austrália aos 12 meses de idade, enquanto que no Brasil começa aos 3 meses;

- a 3ª dose da vacina pneumococcal é dada na Austrália aos 6 meses de idade, enquanto no Brasil é dada com 12 meses;

- o reforço da penta (difteria, tétano, coqueluche) é dado com 15 meses no Brasil e com 18 meses de idade na Austrália;

- na Austrália não tem o reforço da vacina de pólio aos 18 meses, só aos 4 anos de idade;

- a vacina de HPV na Austrália só é dada na adolescência, não aos 15 meses de idade como no Brasil.

Todas as vacinas que estão no calendário oficial de vacinação na Austrália são dadas gratuitamente no sistema público pelos GPs e o valor integral é custeado pelo Medicare. Não sei ao certo se apenas residentes e cidadãos tem direito a essas vacinas de forma gratuita, ou se qualquer visto também dá direito – melhor checar com o GP.

Lembrando também que para entrar na Austrália é solicitado para todas as pessoas provenientes do Brasil o comprovante de vacinação contra febre amarela. Esse assunto já gerou muita discussão nos grupos de brasileiros, mas as infos oficiais e atuais são:

- a vacina contra febre amarela é requerida na imigração mas não é obrigatória (“People who are one year of age or older will be asked to provide an international vaccination certificate if, within six days before arriving in Australia, they have stayed overnight or longer in a yellow fever risk country. People unable to provide a certificate will still be able to enter Australia.”). Claro que se vc tem um visto temporário, ou mesmo na primeira entrada com o visto de residente, não vale a pena correr o risco de vir sem a vacina porque existe uma lei internacional de que qualquer país pode negar a entrada de qualquer pessoa, mesmo que tenha um visto válido, por qualquer motivo. Eu nunca ouvi dizer de alguém que teve a entrada negada na Austrália porque não apresentou o comprovante de vacinação contra febre amarela, mas sei lá, eu não arriscaria. Já se vc já é residente ou cidadão aqui, pode tranquilamente não apresentar – na nossa viagem pro Brasil esse ano eu optei por não dar a vacina no Lucas porque ele ainda é pequeno e estava tomando muita vacina na véspera da viagem, além da febre amarela não ser endémica no Rio de Janeiro onde ficaríamos. No retorno a Austrália, me pediram o comprovante dele, eu disse que não tinha dado a vacina, na imigração não falaram nada e só na alfandega um cara veio encrencar e chamou a supervisora, mas essa na mesma hora disse que a vacina não era obrigatória e ficava a cargo dos pais dar ou não pra criança, e nos liberou sem maiores problemas.

 
- antigamente se dizia que a vacina tinha validade de 10 anos e depois disso tinha que tomar reforço. Agora a OMS já decidiu que uma única dose é suficiente pra toda a vida:

 
- qualquer criança maior de 9 meses de idade pode tomar a vacina:

 
No Brasil vc tem que buscar o posto de saúde da sua cidade que aplique a vacina de febre amarela e de um cartão internacional de vacinação (em português e inglês) da Anvisa atestando a vacinação, que deve ser feita até 10 dias antes da viagem.

 
Para quem vacinou os filhos aqui na Austrália e quer ir ao Brasil, as principais vacinas que a criança não recebeu aqui pelo calendário oficial e no Brasil são obrigatórias são:

- meningite B

- febre amarela

- BCG

Como eu disse acima, as vacinas do calendário oficial são gratuitas e aplicadas por qualquer GP. As vacinas que não estão no calendário oficial também estão disponíveis, mas vc tem que pagar por elas e muitas vezes buscar um local específico que tenha o estoque. Ultimamente tem ocorrido uma busca grande pela vacina contra meningite B, e poucos lugares estão com estoque. Outro exemplo é que no último inverno eu e Thiago optamos por tomar a vacina da gripe, pagamos $20 para tomar no GP, mas não conseguimos dar pro Lucas porque o laboratório não estava enviando vacina da gripe pra crianças.

Nesse caso como fazer? Primeiro vc tem que avaliar seu caso concreto e conversar com seu médico daqui sobre a necessidade de dar essas vacinas. Vou contar o MEU caso, lembrando que sou absolutamente pró vacina.

Quando fomos no Brasil com o Lucas pela primeira vez, conversei com o pediatra dele sobre dar ou não a BCG (na época ele ainda era muito novo pra vacina de febre amarela). Liguei também pro departamento de pulmão do hospital da minha região, que é quem aplica a BCG aqui, e perguntei sobre a necessidade de dar a vacina pro Lucas. O que me disseram foi que, ainda que a tuberculose seja endémica no Brasil, o risco de contágio ocorre quando se passa mais de 3 meses no país, ou com contato direto com o doente. Como nós só vamos ao Brasil no máximo 1x ao ano e por no máximo 1 mês, não havia necessidade de dar a vacina pro Lucas, até porque a eficácia dessa vacina é de apenas 60% e como ela está no calendário oficial do Brasil, a imunização da maioria das crianças protege as não imunizadas.

Já a vacina de febre amarela eu ainda não me convenci da necessidade de dar pro Lucas, mas na dúvida vou acabar dando por precaução antes da nossa próxima ida ao Brasil. Quanto a de meningite, está uma luta aqui pra achar, mas pretendo dar assim que eu conseguir.

4 comentários:

  1. Eu trouxe carteira de vacinação dos meus guris, sem tradução. O GP perguntou cada coisa e botou no sistema, deu um papel a4 maroto e deu.

    O que acontece é que com o mais velho tive que refazer várias e várias doses prq demos no calendário exato do Brasil, e aqui são consideradas ineficientes. As vezes por 10, 12 dias teve que tomar outra dose.

    Como do mais novo eu atrasei mesmo a maior parte das vacinas, não teve nada a refazer.

    Minha dica pra quem tá vindo com criança de lá pra atrasar um tiquinho e usar calendário daqui pra criança não ter que tomar mil vacinas a mais das mesmas doenças.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bom saber sua experiência, Cintia! Faz sentido isso de atrasar um pouco as vacinas porque me pareceu também que o calendário daqui vacina as crianças um pouco mais velhas.
      Qt a carteira de vacinação, eu também acho que vale a pena deixar pra traduzir aqui só se for pedido, pois muitos GPs aceitam em português mesmo já que os nomes técnicos das vacinas são muito semelhantes.

      Excluir
  2. Adorei o blog de vocês, sou advogada no Brasil e daqui um ano mudo com meu marido para a Australia! este blog foi muito esclarecedor!!
    Aproveito para te perguntar Denise,se você sabe como é o mercado da area de Arbitragem e Mediação por aí, e se precisa dessa validação de diploma de advogado para atuar nesta area.

    Obrigada e boa sorte pra voces!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Bruna. infelizmente não sei te dizer, não conheço ninguém dessa área. Boa sorte na mudança de vcs!

      Excluir