segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Minha experiencia como garçonete e babá (parte II)

Continuando o post anterior, vou falar sobre os trabalhos de garçonete e babá, que foi o que eu efetivamente fiz.

4) Waiter: dependendo do local de trabalho precisa do RSA, que é a licença necessária para se trabalhar em local que sirva bebida alcoólica. Assim como o White Card essa licença se tira fácil com um curso de 1 dia (mas pode ser online) pago (em torno de $100). Normalmente exige um nível mínimo de inglês porque vc vai lidar com o público e o salário varia muito desde locais que exploram e pagam $17 até $30 por hora em restaurantes mais finos. Na grande maioria das vezes exige experiencia, mas todo mundo dá uma mentida nesse quesito pra conseguir o primeiro emprego. Só detalhe que a maioria dos restaurantes exige que o garçom carregue 3 ou mais pratos de uma vez, o que não é tão fácil como parece.
Tem outros empregos na área de hospitality como: 1) kitchen hand (ajudante de cozinha) que costuma exigir pouco inglês mas paga pouco também; 2) glasser (quem trabalha em bar apenas lavando e secando copo de vidro – super interessante! #sóquenão); 3) atendente de bar (que normalmente trabalha a noite/madrugada; 4) runner (a pessoa que só entrega comida na mesa, ou seja, pega o prato pronto na cozinha e leva pra mesa, mas não interage com o cliente como o garçom, por isso costuma exigir menos inglês mas paga pouco também; 5) barista (quem faz café), este que paga bem mas requer muita, mas muita habilidade porque a questão não é só saber fazer café, mas fazer com uma rapidez imensa pra atender a demanda de uma cafeteria na hora do rush. Eu aprendi a fazer café num restaurante que trabalhei, e fazia modestamente bem, mas nunca ia conseguir fazer rápido o suficiente pra trabalhar como barista exclusivamente. Só fazia no restaurante porque era um ou outro café servido ao fim da refeição.

Minha experiencia foi assim: mandei trocentos currículos pra café/restaurante e não conseguia nada, até porque eu não tinha experiencia e nem sabia carregar 3 pratos. Daí um amigo brasileiro que trabalhava num café/restaurante me indicou pra dona (essa é a melhor forma de conseguir esses empregos aliás). Comecei com alguns poucos shifts (turnos) de trabalho e aos poucos fui pegando experiencia e pegando mais horas. O café funcionava de 7 da manha as 3 da tarde, e como servia bebida alcóolica no almoço eu tive que tirar o RSA. Como o café ficava a uns 20 minutos andando da estacão de trem mais próxima, eu madrugava pra chegar lá cedo. Mas o local era ótimo, despojado, o pessoal uma simpatia (tinham até 2 brasileiros trabalhando lá de garçom) e pagava bem, especialmente pra mim que não tinha experiencia. As gorjetas eram poucas (australiano não costuma deixar gorjeta boa, isso quando deixa, a não ser que seja em restaurante mais fino) mas eles faziam festas privadas (function) também a noite e eu muitas vezes fui escalada, até porque meu visto não tinha limitação de horas pra trabalhar, então eu conseguia tirar um bom dinheiro na semana. Eu adorava trabalhar lá, bater papo com os clientes, tinha uma vista incrível pra baía, mas eu trabalhava muito! Cheguei a pegar shift em que comecei as 7 da manha, parei as 4 da tarde e voltei as 6 pra function onde fiquei até 1 da manha trabalhando, em pé e carregando bandeja pesada, sendo que no dia seguinte pegava as 7 da manha de novo. Foi punk! Fora que nessa área de hospitality é regra trabalhar sábado, domingo e feriado. Esse café fechava no inverno, então quando fecharam eu fui procurar outro emprego e, como já tinha experiencia, arrumei logo num restaurante fino de frutos do mar, num outro bairro mas também de frente pra baía. Esse pagava ainda melhor e mesmo com as horas limitadas (eles só abriam de 12-15hrs pro almoço e de 18-21hrs pro jantar) eu conseguia tirar um bom dinheiro porque nos sábados e domingos recebia um ótimo adicional (feriado a hora era paga em dobro! Tinha briga pra ver quem ia trabalhar em feriado. rs) e as gorjetas eram ótimas! Cheguei a tirar $100 de gorjeta numa única noite! Eles ainda me davam comida depois do turno de trabalho (o café também dava, mas era sanduíche e tal, enquanto nesse restaurante era comida fina. Haha Muitas vezes cheguei em casa tão exausta que não tinha vontade nem de comer, e a comida ficava pro Thiago, que amava claro.) e deram a roupa pra trabalhar lá (basicamente uma camisa preta com o logo do restaurante e avental). Eu adorava trabalhar lá também, e poder conversar com os clientes melhorou muito o meu inglês. Só que quando o Thiago começou a trabalhar, o fato de eu trabalhar a noite e mais todo sábado, domingo e feriado começou a pesar porque passei a não conseguir mais encontrar com o Thiago em casa. Isso somado com o início do inverno (que eu sempre fico depressiva aqui, como já contei no blog várias vezes. rs) e a situação começou a ficar insustentável. Daí pedi as contas lá e me matriculei no TAFE, onde fiz o curso de legal services por 5 meses e logo em seguida arrumei um emprego no escritório de advocacia que estou hoje.
Nesse meio-tempo que trabalhei nos restaurantes, fazia também alguns bicos com empresas de function, que nada mais são do que empresas contratadas para servir comida/bebida em grandes eventos como shows, jogos de futebol/rugbi, etc. Tem várias desse tipo em Sydney, basta fazer uma rápida busca na internet. No meu caso a que eu me cadastrei foi a National Workforce. Funcionava assim: eu fiz o cadastro lá, fui numa entrevista (ridiculamente simples, não me pediram nem experiencia na área) e entrei no banco de dados dele. Quando tinha um evento que eles precisavam de gente, eles mandavam um SMS avisando e os primeiros que ligassem iam preenchendo as vagas. Como eram normalmente mega eventos, abriam muitas vezes dezenas de vagas pra um determinado evento. Eu se não me engano peguei 2: um show de rugbi e um festival de música eletronica. Em ambos os trabalhos foram simples e o pagamento por horas trabalhadas. Só consegui pegar esses 2 porque nessa época cheguei a cumular 4 empregos! (o do café, o do restaurante mais fino, o de babá e os bicos que fazia a distancia pro meu antigo escritório no Brasil).

5) Babysitter/nanny: teoricamente se costuma exigir um certificado de primeiros socorros (first aid) e o working with children check, além de experiencia, mas na prática, se rolar indicação de outras mães, é fácil conseguir sem esses documentos. Normalmente paga entre $20 e $30 a hora e pode ser um trabalho casual (quando os pais vão sair a noite ou no fim de semana) ou fixo (quando os pais trabalham e preferem deixar a criança com uma babá ao invés de na creche). Existe também as au pair, que moram de graça na casa da família em troca de cuidar das crianças da casa recebendo uma ajuda de custo em torno de $200-$250 por semana. Apesar de existirem au pair brasileiras, não é muito comum porque é difícil conciliar a função com as aulas da escola e cuja presença é necessária para viabilizar o visto de estudante. Normalmente é mais comum que as meninas que trabalham de au pair sejam de países que possuem o working holiday visa.
Eu não tinha muito tempo livre pra me focar em trabalho de babá, e nem experiencia ou as licenças necessárias, então nunca foi minha meta esse tipo de trabalho. Mas daí o gerente do café que eu trabalhava veio me oferecer pra cobrir a esposa dele como babá na casa da família que ela trabalhava enquanto ela estivesse de férias. Topei e foi maravilhoso! Na verdade eu não era bem babá e sim “mothers helper”, ou seja, ficava lá junto com a mãe das crianças só para auxiliá-la na rotina da tarde/noite (já que o pai só chegava depois que as crianças já estavam dormindo). Então eu começava as 5pm, ficava brincando com as crianças enquanto a mãe preparava o jantar ou fazia coisas dela na casa, depois ajudava a dar o jantar pras crianças, ajudava no banho e colocava as crianças pra dormir, terminando por volta de 8:15pm. As crianças não eram tão pequenas, tinham 4 e 7 anos, então era ainda mais fácil porque eles eram bem independentes. Quando eu ficava lá de bobeira ia ajudar a arrumar o quarto das crianças, a pendurar roupa no varal, coisas simples só pra me manter ocupada. Fiquei lá por 1-2 meses, e depois no ano seguinte quando a babá regular saiu de férias novamente cobri ela mais uma vez. No terceiro ano a mãe me chamou de novo, mas eu já estava grávida do Lucas e morando no Shire, bem mais longe e ficaria inviável o deslocamento, daí indiquei outra menina pro meu lugar. Foi uma experiencia ótima, as crianças eram uns amores e ficamos tão apegados mesmo em pouco tempo que me deu um dó deixá-los...

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Uma coisa que eu queria deixar claro com esse post sobre a minha experiencia é que aqui na Austrália, diferente do que ocorre no Brasil, nenhum emprego é considerado subemprego. Todos tem seu valor e um garçom vai receber o mesmo tratamento cordial de um advogado. Inclusive existem muitos estudantes de curso superior que trabalham nesses empregos durante a faculdade por conta dos horários flexíveis. Um exemplo é uma advogada recém formada no meu escritório que enquanto fazia a faculdade de direito e um estágio não remunerado de paralegal trabalhava de garçonete num pub a noite. E isso mesmo a família dela sendo podre de rica! Humildade e respeito ao próximo são características muito valorizadas por aqui e por causa da não disparidade de salários vc vai encontrar num mesmo restaurante o executivo de uma empresa e o barista/garçom/cleaner almoçando por lá.
Claro que tem muitas nuances envolvidas nesses empregos, e muita gente com experiencias bem variadas, mas em linhas gerais essas foram as minhas impressões e a minha experiencia.

domingo, 13 de novembro de 2016

Minha experiencia como garçonete e babá

Eu imagino que já tenha falado aqui no blog que até conseguir arrumar um emprego na minha área, trabalhei em hospitality (como é conhecida a área de atendimento ao público em geral) como garçonete e como babá. A parte de babá na verdade foi um curto bico, já já explico.
 
Mas deixa eu começar do começo. Cheguei aqui no último dia de janeiro e já sabia que ia ser difícil conseguir algo na minha área porque direito é aquela coisa, né, não posso trabalhar como advogada porque não validei o diploma, e não me contratavam pra posições menores porque diziam que eu era “overqualified”. Se pra outras áreas o tempo médio pra se conseguir um emprego não ultrapassa 6 meses, no direito tem gente que fica anos pra conseguir entrar. Eu demorei exatos 11 meses.

Enfim, nesse ínterim eu simplesmente não conseguia ficar sem trabalhar. O Thiago preferia focar em conseguir uma vaga na área dele (ele demorou 6 meses pra conseguir a primeira oportunidade) e nós trouxemos uma reserva financeira justamente pra cobrir esse primeiro ano inicial, mas eu simplesmente não consegui ficar parada.
 
As opções de emprego sem ser em áreas específicas mais comuns pra quem acabou de chegar aqui são cleaner (faxineiro/a), waiter/waitress (garçom/garçonete), labour (pedreiro de obra – para homens), shop assistant (vendedor de loja) e babysitter/nanny (babá). Existem muitas outras, claro, como traffic controler (controlador de transito em obra), delivery driver (motorista de entregas), moving (fazer mudança), mas as primeiras são mais comuns e vou me focar nelas.

Como muita coisa aqui na Austrália, vc precisa de uma licença específica pra alguns trabalhos. Vou falar genericamente sobre cada profissão e minhas impressões pessoais quando cheguei aqui:

1) Cleaner: não precisa de licença nenhuma, e muitos trabalhos não exigem inglês bom nem experiencia. É de longe o trabalho mais procurado pelas mulheres quando chegam aqui, até porque muitas sempre fizeram faxina em casa e sabem como funciona. Os horários também costumam ser flexíveis e fica fácil organizar com o horário da escola (pro caso de estudantes). O salário varia muito, tem desde gente que explora e não paga mais de $15, até bom salários de $25 a hora. Lembrando que o salário mínimo na Austrália é de $17.70 por hora (fonte: Fair Work). Como qualquer trabalho, é difícil as vezes conseguir a primeira oportunidade, mas depois da primeira os trabalhos tendem a brotar. Existe o cleaner de casa (que em sua maioria é feito por mulheres), onde as pessoas pagam por hora e a faxina brasileira é muito valorizada por ser mais detalhista, mas também existe o cleaner de obra (mais pesado e muitas vezes feito por homens) e o de escritório e demais estabelecimentos comerciais. Normalmente no de estabelecimentos comerciais se contrata uma empresa e essa empresa sub-contrata os cleaners. As reclamações que já ouvi desse cleaner comercial é que muitas empresas pagam x horas para que determinada empresa/loja seja limpa e o cleaner é que tem que se virar pra cumprir aquele prazo; se não cumprir, só recebe aquelas x horas e não o total que trabalhou. Muita gente gosta do cleaner de escritório por ser de noite, o que facilita pra conciliar com as aulas da escola.

Cleaner nunca foi uma opção pra mim porque 1) eu odeio fazer faxina, 2) sou extremamente lenta na faxina (em casa o expert nisso é o Thiago, ele é tão ninja que dizia que se não arrumasse emprego como arquiteto ia abrir uma empresa de faxina aqui), 3) queria um emprego onde eu pudesse aprimorar meu inglês que já era bom quando eu cheguei, e via de regra como cleaner se pratica pouco ou nada de inglês.

Uma variante de cleaner é housekeeping, onde se faz trabalhos leves da casa ou de um hotel. Eu não sei muito sobre essa área, mas já ouvi muita menina reclamando que o trabalho em hotel é bem puxado e não compensa.

2) Shop assistant: não precisa de licença nenhuma, mas tem que ter um bom nível de inglês. Não considerei como opção porque não tenho tino nenhum pra venda. É um trabalho que paga bem também (entre $20-30 em média) e o horário costuma ser o comercial.

3) Labour: precisa ter o White Card (licença necessária pra se trabalhar com construção na Austrália e como traffic controler em NSW; essa licença se tira fácil com um curso curto pago – em torno de $100). Não sei muitos detalhes até porque costuma ser um emprego exclusivamente masculino. O que ouço é que paga bem mas é pesadíssimo, mesmo caras acostumados a carregar peso podem não aguentar ou se lesionar.

Como esse post já está ficando muito longo, amanha faço sobre os trabalhos de garçonete e babá, que foi o que eu efetivamente fiz.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

É viável contratar faxineira e babá na Austrália?

Aproveitando a pergunta da Fernanda no outro post, vou comentar como nós fazemos atualmente na questão faxina/babá pra cuidar do Lucas.

Há 3 anos e meio atrás escrevi um post falando sobre limpeza e como eu fazia com a casa.

Agora a situação já é bem diferente. Primeiro que estamos num apto maior, com 2 quartos e 2 banheiros. Segundo que temos o Lucas que não nos deixa muito tempo. Uma coisa que mudou bastante desde que chegamos aqui e, principalmente, depois de ter filho foi nossa alimentação. Se antes era aceitável comer fast food ou pular refeição, agora com o Lucas temos tentado cada vez mais dar o exemplo e manter uma alimentação saudável. Eu nunca fui muito fa de comida de restaurante, uma vez por semana ok mas todo dia eu não curto. Acho salgada, gordurosa e prefiro mesmo o temperinho caseiro e a garantia de saber exatamente o que tem no meu prato. Quando o Lucas começou a comer comida, era bem simples por ser papinha (apesar de eu nunca ter feito papinha daquelas batidas, mas eu amassava e intercalava com frutas e legumes inteiros pra ele comer com a mão). Só que com 10 meses o Mr. Independencia resolveu que não queria mais aquela comida insossa e só aceitava comer o que a gente comia. Aí tive que cada vez mais me policiar pra manter uma alimentação saudável (tá, admito, ainda sou viciada em chocolate, mas agora só como quando estou no trabalho ou quando o Lucas tá dormindo). Com isso passamos a cozinhar cada vez mais. Ano passado comprei uma Thermomix que facilitou muuuiiitooo a minha vida. Primeiro porque passei a conseguir cozinhar com o Lucas no colo, segundo porque ela faz refeições completas de uma vez e em tempo record, além de cortar, sovar, triturar, cozinhar no vapor, etc etc etc. Atualmente uso ela pra mil e uma coisas e não tem um dia que eu não a ligue. Nossa rotina costuma ser assim: sábado ou domingo cozinho um cardápio pros próximos 3 dias, congelo excessos, faço comidas extras pro Lucas pra ter sempre no freezer (tipo muffin de legume, mini sufles, bolinhos sem açúcar, biscoitos de banana e aveia, etc). Nisso perdemos umas 3-4 horas, isso graças a ajuda da Thermomix. Na terça ou quarta a noite faço outro cardápio pro resto da semana e congelo o excesso. Esse cardápio é só pros nossos almoços e pro almoço e jantar do Lucas. No resto da semana faço eventualmente risoto/sopa pro jantar, pães e massa de pizza (já que esses itens não compro mais industrializado, faço apenas em casa). Todo dia de manhã faço ainda um green smothie pra toda a família, que se eu deixar o Lucas toma o meu todo. haha O que eu sou viciada em chocolate essa criança é em fruta, nunca vi!
Minha amada Thermomix:
 

Com toda essa atividade na cozinha, tenho que comprar legumes/frutas pelo menos 1 vez por semana, e de 15-15 dias fazemos compras no mercado. Com isso não sobra muito tempo para faxinar a casa, já que agora cada vez mais temos prezado descansar depois que o Lucas dorme e passear em família no fim de semana. Nos dias que eu fico sozinha com o Lucas eu normalmente lavo a roupa e dependendo do bom humor dele (e do grau de cooperação que ele está disposto a me dar) faço mais alguma coisa da casa. Se nós ainda fossemos fazer faxina pesada na casa íamos perder pelo menos metade do sábado ou do domingo, coisa que não estamos dispostos a fazer. Então a solução foi contratarmos alguém para fazer a limpeza pesada. Aqui essa pessoa se chama cleaner e cobra em média 25-30 por hora. Como sai caro, nós preferimos chamar alguém apenas uma vez por mês e no resto do mês nós fazemos a manutenção. Manutenção essa que inclui limpar a bancada da cozinha todo dia após usar, limpar a pia do banheiro no fim do dia, passar aspirador toda semana. Só que estávamos cada vez mais preguiçosos pra passar o aspirador, então acabamos comprando um aspirador robô que limpa a casa sozinho. Agora quando saímos de casa ou vamos dormir o Thiago liga nosso ajudante e ele vai limpando a casa sozinho. Como amo a tecnologia!
Nossa recente aquisicao - iRobot
 
Muita gente pensa que ter uma faxineira na Austrália é coisa de gente rica, mas não é! Eu sempre digo que é coisa de família com filho pequeno, porque a vida fica uma loucura e não dá tempo mesmo de fazer faxina pesada. Claro que é caro, mas nada estratosférico, ainda mais levando-se em conta que a faxina aqui é diferente do Brasil. As principais diferenças são:
 
- num apartamento de 2 quartos a faxina não costuma demorar mais do que 3 horas (a não ser que a casa seja muito suja ou bagunçada). Isso dá no máximo $75-90, valor bem razoável de se pagar 1x por mês ou a cada 15 dias.
 
- ainda que a cleaner seja brasileira e limpe mais detalhadamente, não é o padrão limpeza do Brasil. Em 3 horas de faxina não dá tempo de limpar todas as janelas minuciosamente, as persianas, dentro do forno, limpar com cotonete o rodapé (juro que conheço gente que faz isso semanalmente no Brasil!) nem tirar a sujeira que se acumula nos trilhos do armário de correr. Faxina do estilo TOC de ser só uma vez a cada eclipse lunar.

- como os cleaners cobram por hora, quanto mais bagunçada e suja a casa estiver, mais vc vai pagar pela limpeza. Então esqueça aquela mania de brasileiro de deixar a louça acumular a semana inteira pra empregada lavar, deixar roupa e tranqueira espalhada pela casa. Aqui as pessoas arrumam a casa no dia anterior a faxina, até porque muitas cleaners só limpam o que está a vista então se estiver com tralha espalhada no chão/mesa/móvel elas limpam em volta.

- apesar de a maioria dos cleaners serem mulheres, existem muitos homens nessa profissão. Principalmente se for cleaner de escritório e de obra. Quando eu me mudei de um dos meus aptos, contratei um cleaner indicado pela imobiliária para fazer o end-of-lease cleaning (http://awaywego-rumoaaustralia.blogspot.com.au/2013/09/end-of-lease-cleaning-ou-bond-cleaning.html) e era um senhor colombiano super gente boa. Fui na casa dele depois pra pagá-lo e ele morava no mesmo bairro que eu, numa casa própria com carro próprio igual ou até melhor que o meu.


E como contratar um cleaner? Existem várias empresas que fazem o serviço, inclusive empresas fundadas por brasileiros. Normalmente as empresas com cleaner asiáticas são conhecidas por serem mais rápidas na limpeza (elas fazem uma casa inteira em 40 minutos, porque normalmente vão 2-3 cleaners ao mesmo tempo, limpam bem superficialmente e cobram mais caro também pela hora) e as cleaner brasileiras são conhecidas por fazer uma limpeza mais profunda. A maioria dos brasileiros que moram aqui contratam cleaner por indicação de amigos ou anunciam nos grupos de brasileiros do facebook que estão precisando de cleaner (os principais grupos que eu participo são: “Brasileiras em Sydney”, “Papo Calcinha em Sydney”, “Maes Brasileiras em Sydney” e “Maes Brasileiras na Austrália”. Sim, são todos só de mulheres e o que não é só de mulheres – “Brasileiros em Sydney” – é de uma baixaria tão grande que eu desisti de participar). Eu anunciei num desses grupos e em algumas horas recebi dezenas de mensagens de meninas oferecendo o serviço! É um trabalho muito procurado por estudantes internacionais, primeiro pela flexibilidade de horário segundo por ser um trabalho que não exige fluência em inglês. Pra quem chega aqui sem falar nada de inglês é o trabalho ideal.

Eu escolhi uma das meninas que me escreveu mais no feeling, porque não exigi experiencia nem nada, e foi a melhor escolha que fiz! Ela é um amor de pessoa e sensacional com crianças, tanto que se tornou babá do Lucas também quando queremos sair eu e Thiago sozinhos no fim de semana. Pra vcs terem ideia de como ela é maravilhosa, indiquei pra várias amigas e em pouco tempo ela está com a agenda lotada de trabalhos como babá (cleaner ela nem tem mais tempo de fazer). Agora eu peno pra conseguir marcar com ela pra ir lá em casa porque ela tá sempre com a agenda lotada! Me ferrei… haha Brincadeira, falo pra ela que fico super feliz de ver que ela está colhendo os frutos do trabalho excelente que faz e de ser uma pessoa maravilhosa e de excelente coração.

Lembrando que aqui o cleaner é um trabalho valorizado como qualquer outro, não tem a carga negativa de “subemprego” que infelizmente se dá no Brasil. Fora que se vc chama alguém pra fazer faxina na sua casa, é apenas para fazer faxina. Se vc quer que tome conta do seu filho, vc paga por fora pelo serviço de babá. Se vc quer que passe roupa, vc paga por fora por esse serviço. Se vc quer alguém que faca comida, idem. E por aí vai. O termo “empregada” (em inglês “maid” ou “housemaid”) é considerado super pejorativo aqui e ninguém utiliza. Se vc quer alguém pra limpar sua casa vc contrata um cleaner. Pra levar o cachorro para passear, um dog walker. Pra cuidar do seu filho, uma babysitter ou nanny. Pra fazer outros trabalhos leves de casa (light housework), uma housekeeper.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Atualizações pós férias

Obrigada a todos que comentaram no post anterior sobre o meu desanimo em criar novas postagens. Já estou com várias ideias para novos posts, pelo menos até o fim do ano acho que a atualização do blog está garantida! Daí em 2017 faço novo post pedindo mais dicas. haha

Como eu expliquei pra Jacqueline no outro post, eu não escrevo sobre outras áreas profissionais porque realmente não conheço muito sobre outras áreas, e se tem uma coisa que eu detesto é passar info errada ou na base do achismo, por isso nunca escrevi sobre outras profissões. Postei num grupo que participo no facebook pedindo relato de outras meninas em áreas diversas para que eu possa publicar como guest post, mas só uma me mandou um email.  :(

Como eu já trabalhei de garçonete e babá no ano que cheguei aqui, vou fazer um post sobre as minhas impressões dessas áreas pra quem tá chegando em down under. Vou fazer também um post sobre se tenho faxineira e babá em casa. Vou também fazer um post sobre os outros assuntos que me sugeriram nos comentários do post anterior. Aliás vou tentar fazer tudo hoje e já deixar agendado pra postar senão vou esquecer (impressionante como depois de ter filho minha memória foi pras cucuias…).

Mas hoje vou começar contando como foi o nosso retorno pra Austrália depois de 5 semanas de férias. 

Primeiro queria traçar um paralelo com a viagem que fizemos ano passado pro Brasil, quando o Lucas tinha 5 meses. Aproveitando o finzinho da minha licença maternidade, fiquei 6 semanas no Brasil com o Lucas entre o meio de abril e o início de junho, e o Thiago foi nos encontrar por algumas semanas também. O Lucas ainda era bem pequeno pra aproveitar e interagir com as pessoas, e eu ainda amamentava então não consegui ter muito tempo sozinha deixando ele com a família de babá. Naquela viagem o Lucas foi uma tranquilidade no voo (claro, ele não se locomovia ainda e qualquer brinquedinho bobo o mantinha ocupado), mas o jet lag foi punk! Como ele ainda era muito pequeno, ele trocou o dia pela noite por 1 semana (na ida e na volta) e eu não conseguia dormir de dia porque queria aproveitar com a família, e a noite não conseguia dormir porque o Lucas estava a corda toda. Sério, foi desesperador! Passado o jet lag aproveitamos muito com a família, o clima no Rio estava um espetáculo (amo o inverno carioca de sol e calor ameno) e logo estava na hora de regressarmos pra casa. No retorno, mais uma semana de jet lag dos infernos e pra piorar chegamos em Sydney no início de junho, em pleno inverno rigoroso, eu retornando ao trabalho e com o Lucas começando na creche nova, e consequentemente ficando doente sem parar. Foi trevas! Se tem uma coisa que eu não faço é romantizar a maternidade, e vou te dizer, o segundo semestre de 2015 foi absolutamente horroroso. Foram 4 meses do Lucas e eu doentes praticamente toda semana (até hoje eu pego todos os germes que ele traz da creche, oh sina!), o Lucas precocemente começando a andar (a criança simplesmente não engatinhou, com 7-8 meses já “andava” se segurando nos móveis e com 10 meses andava de forma independente) e com isso todo um estresse porque ele não parava quieto e caía horrores, tudo isso no auge do inverno que sempre me deixa meio depressiva. Quis voltar pro Brasil mil vezes!

Depois as coisas se acalmaram e chegou a hora da nossa viagem desse ano. Uma grande amiga casou em Londres então resolvemos fazer a loucura de passar 1 semana em Londres, 4 dias em Paris e 2 semanas e meia no Rio. Em 5 semanas foram 3 continentes, 65 horas de voo, 5 horas de trem, 3 fuso horários e uma criança hiper ativa. Os ingredientes pra um completo desastre, né? haha

Bom, o jet lag foi infinitamente melhor, porque agora maior o Lucas entrou meio que no mesmo esquema nosso: dormindo cedo e acordando de madrugada. Mas isso foi ok porque nós também estávamos desregulados. Fora que agora que ele dorme 9-10 horas seguidas a noite, ainda conseguíamos ter tempo pra gente.

Já os voos, ah, os voos… Nem vou falar muito pra não desestimular quem quer viajar com criança pequena. Fora que cada criança é diferente e eu conheço vários pais que dizem não ter trabalho algum. Bom, provavelmente esses pais não tem o furacão que eu tenho em casa. haha Digamos apenas que de 65 horas de voo nós tivemos umas 20 absolutamente infernais do tipo: “ABRE ESSA PORTA DE EMERGÊNCIA E DEIXA EU PULAR AGORA!” Mas pensando pelo lado positivo pelo menos 2/3 dos voos foi tranquilo (tá, digamos que 1/3 foi tranquilo e o outro 1/3 tolerável).

Sobrevivemos pra contar história e apesar do Thiago ter ficado meio traumatizado (haha) eu encararia de novo numa boa (sim, sou masoquista). A estadia no Rio esse ano foi ainda mais especial porque o Lucas já estava com 1 ano e 10 meses, começando a falar, mais independente e interagindo com o primo (que é apenas 6 meses mais velho). Foram dias de muita felicidade e merecido descanso pra mim e Thiago, com a família tomando conta da nossa ferinha por dias inteiros pra nos dar uma folga.

Daí chegou a hora de voltar… Eu estava meio apreensiva já lembrando a depressão básica que deu no retorno da viagem ano passado. Mas esse ano foi muito diferente! Primeiro que chegamos aqui em outubro, se não no calor pelo menos com um friozinho mais ameno. Segundo porque estávamos morrendo de saudade da nossa casa e do nosso estilo de vida aqui! Se por um lado com o Lucas maior ele aproveitou mais a família e deu um aperto do coração ter que nos separar de novo, por outro foi muito complicado andar pelo Rio com o Lucas. Se a violência já me incomodava há 5 anos quando eu morava lá, atualmente está insuportável. Fora a instabilidade económica, o jeitinho brasileiro que me irrita, o machismo em níveis estratosféricos, etc. Não tem a mais remota possibilidade de eu cogitar voltar pro Brasil. Por mais que metade do meu coração fique lá, e eu morra de tristeza de ver o Lucas crescer sem a presença da família, mas a qualidade de vida que temos aqui me fazem ter a certeza de que a Austrália é minha nova casa.

Criar um filho longe da família é um desafio e não vou mentir: faz muita falta! Faz falta quando ficamos doentes, quando precisamos de um tempinho como casal, quando estamos estressados e tudo que queremos é um almoço de domingo rodeado de “problemas” familiares pra tirar o foco dos nossos. Faz falta nos aniversários e nos bons momentos quando muitas vezes temos que esperar 12 horas pra contar uma novidade pra família e amigos próximos por causa do fuso. Mas isso tudo vem junto com o pacote de um expatriado. Agora, sabe qual o lado bom? (fora a qualidade de vida que tanto já falei aqui no blog) Fizemos uma nova família aqui! Temos amigos tão, mas tão maravilhosos que preenchem esse buraco no nosso coração. Amigos com quem podemos contar nos momentos difíceis, um grande grupo de famílias com crianças pequenas que formam a nossa “aldeia” e nos ajudam a criar o Lucas. Arrisco dizer que nosso grupo de mães/pais é muito maior e unido do que seria no Brasil. Todos que conheço por lá tem, claro, amigos com filhos, mas não se vêem com a frequência que nos vemos aqui. Claro que ajuda o fato de a maioria das mães aqui não trabalharem integral e todas precisarem de companhia (leia-se ajuda) pra entreter os filhos durante a semana porque senão a gente pira ficando 24horas com essas crianças hiperativas desafiadoras! haha Sabe aquele ditado: “é preciso uma aldeia pra se criar um filho?” Pois é, a nossa aldeia são os amigos e eu não poderia estar mais feliz com os que fiz em terras australianas.  :)

A Aline me perguntou também como estava o trabalho. Está o mesmo de sempre, ainda estou como paralegal no mesmo escritório de advocacia em que sempre trabalhei aqui. O Thiago na verdade é que teria infos mais interessantes pra passar nesse quesito, já pedi a ele pra escrever textos pro blog, mas tá difícil…

Bom, essas foram as atualizações pós viagem, no próximo post retomo aos assuntos específicos que me sugeriram. Até breve!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sumiço


Estou bem sumida do blog, confesso. Já voltei de férias tem 1 mês, mas não engrenei num ritmo de postar no blog por absoluta falta de assunto. Sinto que já falei sobre muita coisa, e atualmente minha vida entrou numa rotina que parece que nada mais rende assunto para um post.

Então eu queria encarecidamente pedir aos leitores do blog que ainda me lêem (existe alguém aí? haha) que sugiram assuntos pra esse humilde bloguinho.

Any thoughts?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

De férias

Meu filho tem 21 meses e nunca comeu açúcar, come super bem uma dieta balanceada e recheada de legumes, dorme religiosamente as 7:30-8pm, quase não assiste TV, tá sempre limpinho e cheiroso. Bastaram 2 semanas viajando pela Europa, 26 horas de voo (não sei como sobrevivi!), Londres e Paris num calor infernal, hotéis/apto sem nem ventilador, criança em greve de fome e dando piti 24/7 e o balanço da viagem é: criança tomando sorvete, passando dias comendo só croissant, ovo e barrinha de cereal, dormindo as 9 da noite no mínimo (com direito a eu que nem uma louca descalça numa rua em Paris - na tentativa de pegar uma brisa que não rolou -, ninando a criança só de fralda de noite num calor de lascar e os dois suando em bicas - juro que quase recebi esmola de pedestres que passavam nos encarando. haha), assistindo tanto iPad que desandou a falar o dia todo Pocoyo e pato (do desenho Sarah & Duck), criança constantemente imunda de terra e caraca preta nas dobrinhas de pescoço. #firstworldproblems

E que venham mais 2 semanas de férias no Rio de Janeiro! haha

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Motivo do sumiço

O blog está as moscas, eu sei. Mas é que a minha vida está uma correria nos últimos tempos. Estou trabalhando mais do que o normal, cobrindo a secretária da noite no trabalho, o que faz meus dias no escritório somarem 12-16 horas diárias. Fora isso estava tentando mudar o Lucas de creche, pra uma mais perto de onde moramos (e mais barata), o que foi uma novela e só consegui vaga no último minuto do segundo tempo. No meio disso tudo se aproxima a longa viagem que vamos fazer para ir no casamento de uma amiga em Londres, dando uma escapada para a Franca e depois algumas semanas no Rio com a família. Estamos super ansiosos pra rever a família e amigos, mas ao mesmo tempo vai ser uma maratona percorrer 3 países, 65 horas no total de voo e 5hrs de trem com o Lucas.  Eu deveria estar recarregando minha bateria pra viagem, dormindo bem, mas é óbvio que isso é impossível quando se tem uma criança pequena hiper ativa em casa e que tem um timing incrível pra cooperar (#sóquenão) e resolveu acordar zilhoes de vezes a noite. Claro que eu ainda não terminei os preparativos da viagem e apesar da parte maior (voos, hotéis) estar resolvida, faltam pequenas coisas que também são importantes como transfer, pensar na comida que vou levar pro Lucas no avião, etc.

Tem ainda o aniversário de 2 anos do Lucas em alguns meses que eu queria adiantar os preparativos pois vamos perder quase 2 meses com a viagem, jet lag na volta e afins, readaptação dele na creche nova, mas isso já vi que não vai mesmo dar tempo de adiantar.
Então na verdade esse post é só pra dizer que o sumiço vai continuar por mais uns 2 meses, mas eu prometo que volto ao blog assim que puder. Vou continuar acessando o email, então se algum leitor tiver alguma dúvida, é só me escrever.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Cidadania australiana

No postanterior eu falei sobre a dupla nacionalidade, e que estamos no meio do processo de cidadania australiana. Na verdade nosso processo já está no finzinho e na próxima sexta será a cerimonia em que nos tornaremos cidadãos australianos. 

Como muitos devem saber, o visto de residência dá direito a, após quatro anos morando na Austrália e se cumpridos alguns requisitos, seja feita a aplicação pra cidadania australiana. No site da imigração tem um teste pra saber se vc é elegível pra aplicar pra cidadania ou não.
Um ponto importante que muita gente não sabe é que o visto de residência tem prazo de validade. Eu sempre achei que, pelo fato de no visto vir dizendo que “holder permitted to remain in Australia indefinetely”, isso significava que o visto não precisava ser renovado. Só que não! O visto de residência, apesar de permitir que vc fique na Austrália indefinidamente, tem um prazo de validade de 5 anospara que seu detentor possa entrar e sair do país. Na prática isso significa que vc pode ficar na Austrália indefinidamente, mas se for viajar pro exterior e quiser retornar pra cá, precisa aplicar para um “Resident Return visa (RRV)” que custa a bagatela de $360. Olhando meu visto com mais calma, realmente tem lá:


Eu achava que esse prazo era só para a primeira entrada no país depois de concedido o visto, mas não, se aplica a qualquer entrada. Detalhe que esse prazo de 5 anos não conta da data da sua primeira entrada na Austrália, mas sim da data que a Grant Letter foi concedida. Como nossa Grand Letter foi concedida em Junho de 2011, nos deram prazo até Junho de 2012 pra entrar pela primeira vez no país e em Junho desse ano nosso visto expirava. Por sorte o Thiago sabia disso porque leu com mais atenção a nossa Grant Letter, que dizia assim:

Já eu não tinha a menor ideia e era bem capaz de sair do país e só quando voltasse descobrir que estava sem visto, como ocorreu com a manager do meu escritório que foi levada a uma sala da imigração no aeroporto e ameaçada de ter sua entrada no país proibida. Claro que no fim eles acabaram dando a ela um visto temporário de 30 dias pra ela entrar no país e regularizar a situação, mas imagina o susto.

Pois bem, sabendo disso, assim que completamos 4 anos morando aqui demos entrada no processo de cidadania, pois sabíamos que seria longo e burocrático. Tem o passo a passo no site da imigração (https://www.border.gov.au/Trav/Citi/pathways-processes) então não vou repetir aqui, mas o nosso deu um rolo… Um dos formulários que tem que ser preenchido é o de Identity Declaration, ou prova de identidade, que consiste em alguém assinar um documento dizendo que te conhece há mais de 12 meses. Detalhe: essa pessoa tem que ser cidadão australiano e possuir uma das profissões listadas no formulário, que são:
  1. Australian Consular Officer or Australian Diplomatic Officer (within the meaning of the Consular Fees Act 1955)
  2. Bailiff
  3. Bank officer with 5 or more years of continuous service
  4. Building society officer with 5 or more years of continuous service
  5. Chiropractor (licensed or registered)
  6. Clerk of court
  7. Commissioner for Affidavits
  8. Commissioner for Declarations
  9. Credit union officer with 5 or more years of continuous service
  10. Dentist (licensed or registered)
  11. Fellow of the National Tax Accountant's Association
  12. Finance company officer with 5 or more years of continuous service
  13. Judge of a court
  14. Justice of the peace
  15. Legal practitioner (licensed or registered)
  16. Magistrate
  17. Marriage celebrant licensed or registered under Subdivision C of Division 1 of Part IV of the Marriage Act 1961
  18. Master of a court
  19. Medical practitioner (licensed or registered)
  20. Member of Chartered Secretaries Australia
  21. Member of Engineers Australia, other than at the grade of student
  22. Member of the Association of Taxation and Management Accountants
  23. Member of the Australian Defence Force with 5 or more years of continuous service
  24. Member of the Institute of Chartered Accountants in Australia, the Australian Society of Certified Practicing Accountants or the Institute of Public Accountants
  25. Member of the Parliament of the Commonwealth, a State, a Territory Legislature, or a local government authority of a State or Territory
  26. Minister of religion licensed or registered under Subdivision A of Division 1 of Part IV of the Marriage Act 1961
  27. Nurse (licensed or registered)
  28. Optometrist (licensed or registered)
  29. Permanent employee of Commonwealth, State or local government authority with at least 5 or more years of continuous service.
  30. Permanent employee of the Australian Postal Corporation with 5 or more years of continuous service
  31. Pharmacist (licensed or registered)
  32. Physiotherapist (licensed or registered)
  33. Police officer
  34. Psychologist (licensed or registered)
  35. Registrar, or Deputy Registrar, of a court
  36. Sheriff
  37. Teacher employed on a full-time basis at a school or tertiary education institution
  38. Veterinary surgeon (licensed or registered)
Um saco! Por sorte temos um amigo australiano que é advogado e ele assinou pra gente. Demos entrada e demorou umas 2 semanas pra recebermos um email marcando a data do CitizenshipTest pra dali a um mês. Já começamos a ficar tensos porque o teste seria no fim de março, nosso visto vencia em junho e viajamos pro exterior em setembro.
Mas beleza, fomos lá no dia fazer o teste, que é tranquilo e são só umas perguntas que vc estuda antes (eu nunca ouvi dizer de alguém que tenha reprovado nesse teste). Antes do teste foram conferir nosso formulário e a atendente me diz que o Identity Declaration tinha sido preenchido errado pelo nosso amigo e teria que ser refeito. Só que com isso não poderíamos fazer o teste naquele dia e a próxima data disponível era em maio! Certamente não ia dar tempo de concluir o processo a tempo da nossa viagem. Fiquei em pânico! Tentei argumentar com a atendente, que era um absurdo eles não terem me avisado disso antes, tipo, fazia um mês que tinham analisado nossa documentação que foi toda submetida online e esperam o dia do teste pra avisar que tava errado?? A atendente foi super grossa e disse que a não ser que eu conseguisse levar o documento certo lá naquele mesmo dia, não ia ter jeito. Só que isso já eram 4 da tarde e a imigração fechava as 5pm! Saí de lá arrasada e resignada… No trem a caminho do escritório (são 2 estacões daqui) lembrei que eu trabalho num escritório de advocacia, então podia tentar que algum advogado aqui assinasse aqui. O problema é que a maioria dos advogados do escritório que eu trabalho não são australianos e sim americanos, com isso tem apenas uma sócia que teria a capacidade legal de assinar.

Cheguei no escritório as 4:20pm, a sócia em questão estava no telefone, e 5min depois falei com ela. Detalhe que ela teria que assinar o formulário meu e do Thiago + atestar as nossas fotografias. Ela foi nota mil e nem quis ouvir a história toda nem ler os documentos, só assinou onde eu mostrei e disse pra eu preencher no caminho da imigração. Liguei pro Thiago e voltamos correndo pra imigração, de trem! Foi uma cena de filme nós correndo loucamente com os papéis na mão. haha Chegamos lá as 4:50pm e as portas já estavam fechadas porque já tinha acabado o atendimento das pessoas que tinham hora marcada, mas como em teoria ainda era horário de expediente, abriram a porta pra gente. Por sorte a atendente grossa não estava lá - ela até chegou depois e tentou embarreirar, mas dois outros dois caras já tinham nos atendido e liberado pra fazermos o teste. Eu estava tão, mas tão nervosa ainda com a situação toda que me deu um branco absurdo e quase reprovei no teste. haha
Passado o sufoco, nosso pedido de cidadania foi aprovado mas tínhamos que esperar o Council (prefeitura) da nossa região marcar a cerimonia de cidadania, e só depois disso seriamos efetivamente cidadãos. O cara da imigração tinha me dito que o nosso Council marcava rápido e não teríamos problema pra viajar em setembro, mas claro que não foi isso o que aconteceu e mais uma vez passamos sufoco pois a inclusão dos nossos nomes na lista da cerimonia só ocorreu em julho! Cerimonia marcada para 29 de julho, dia em que finalmente nos tornaremos cidadãos australianos!

Depois disso teremos apenas 1 mes pra dar entrada no passaporte australiano, torcendo pra dar tempo de ficar pronto pra viagem. Mas isso são cenas dos próximos capítulos…

terça-feira, 12 de julho de 2016

Dupla nacionalidade - brasileira X australiana

Eu estava debatendo hoje num grupo no facebook sobre brasileiros com dupla (ou mais) cidadania e o que mais ouço é que o Brasil não faz nenhuma objecção a dupla cidadania, que brasileiros podem ter quantas cidadanias quiserem e tal. Como eu e Thiago estamos no meio do processo de obtenção da nossa cidadania australiana, e eu sou uma pessoa curiosa por natureza e não me conformo com essa coisa de “todo mundo diz então é assim”, fui procurar me informar. E a resposta curta é: não, o Brasil não permite dupla cidadania, a não ser em casos especiais. Vou tentar explicar da forma mais resumida e simples possível.

Primeiro eu quero deixar claro que minha pesquisa se refere apenas a brasileiros natos, ou seja, aqueles nascidos no Brasil ou aqueles nascidos no estrangeiro mas filhos de pai ou mãe brasileiros.

Segundo eu quero fazer a distinção, para os leigos, de nacionalidade originária e derivada. Nacionalidade originária decorre do nascimento ou vínculo sanguíneo, enquanto a derivada decorre de processo de naturalização. Um brasileiro que aplique para a nacionalidade australiana, p.ex., em decorrência de seus pais serem australianos estará aplicando para uma segunda nacionalidade originária. Já o brasileiro que aplique para essa mesma nacionalidade australiana não porque tem laços sanguíneos com o país, mas porque tem um visto de residência que permite conversão em cidadania, estará obtendo uma segunda nacionalidade derivada. Guardem esse ponto pois faz toda diferença mais pra frente.

A primeira coisa que deve ser analisada é se o país cuja nacionalidade vc pretende adquirir permite a cumulação desta com a nacionalidade originária brasileira. Vou tratar só da cidadania australiana porque afinal esse blog é sobre a Austrália e eu não sou advogada de direito internacional pra ficar dando aula sobre dupla nacionalidade de vários países distintos. rs

Pelas leis australianas, seus cidadãos podem ter outra nacionalidade livremente (fornte aqui), só tem que ser observado se o outro país cuja nacionalidade vai ser cumulada com a australiana possui a mesma liberdade. Vários países não permitem essa dupla nacionalidade, eu tenho amigos da China e Índia, por exemplo, que tiveram que abrir mão das suas nacionalidades originárias para que pudessem se tornar cidadãos australianos. E quanto ao Brasil?

Aqui começa a confusão. O Brasil não exige que se abra mão de cara da nacionalidade brasileira, como a China e a Índia exigem. Talvez por isso muita gente pense que então está liberado a dupla nacionalidade para brasileiros. Só que não…

A Constituição Federal em seu artigo 12 diz que:

§ 4º - Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:

“I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional;

II - adquirir outra nacionalidade por naturalização voluntária.

II - adquirir outra nacionalidade, salvo nos casos: (Redação dada pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)

b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; (Incluído pela Emenda Constitucional de Revisão nº 3, de 1994)”

Vcs notaram que o item II foi riscado e ganhou nova redação? Isso porque até essa Emenda de 1994 poderia ser declarada a perda da nacionalidade brasileira mediante qualquer aquisição de uma segunda cidadania. Com essa nova redação do artigo a nacionalidade brasileira será perdida se for adquirida nova nacionalidade (regra) a não ser que: 1) essa segunda nacionalidade for originária; 2) essa segunda nacionalidade for derivada mas se trate de uma imposição ao brasileiro que reside no estrangeiro para que ele possa permanecer no dito país ou exercer seus direitos civis lá.

Ficou confuso? É, a lei brasileira é bem confusa mesmo. Deixa eu explicar com exemplos então:

Exemplo 1: João é brasileiro e neto de italianos, e resolve dar entrada no pedido de cidadania italiana. Nesse caso João é brasileiro nato (nacionalidade originária por ter nascido em território brasileiro e/ou filho de pais brasileiros) e, se cumprir os requisitos da lei italiana, vai receber sua cidadania italiana de forma também originária em razão do vínculo sanguíneo. Nesse caso temos nacionalidade brasileira originária + nacionalidade italiana originária, o que se enquadra na letra “a” transcrita acima. Assim, a dupla cidadania de João, nesse caso, é permitida pela lei brasileira.

Exemplo 2: Maria é brasileira e cumpre os requisitos para aplicar para a cidadania no país X, não por laco sanguíneo mas por qualquer outro motivo. Nesse caso tem que se indagar: Maria precisa virar cidadã do país X para poder permanecer no país X? Se sim, então a dupla nacionalidade (a brasileira originária e a do país X como derivada) é permitida pela lei brasileira. Se a resposta for não, vem outra pergunta: Maria precisa se naturalizar no país X para exercer algum direito civil? Se sim, então a dupla nacionalidade (a brasileira originária e a do país X como derivada) é permitida pela lei brasileira.

E como fica a situação de brasileiros que aplicam para a cidadania australiana? Vamos fazer as mesmas perguntas do exemplo 2: 1) precisa virar cidadão australiano para permanecer na Austrália? Não, pois com o visto de residência vc pode permanecer na Austrália com os mesmos direitos de um cidadão australiano, com exceção ao direito a votar e ser votado e ao programa do governo de crédito estudantil. 2) precisa virar cidadão australiano para exercer algum direito civil? Nesse ponto a coisa pega, porque primeiro precisa ser definido o que é direito civil. Alguns entendem que o direito de votar e ser votado é um direito civil, outros dizem que é um direito político e não se confunde com direito civil que se refere apenas a direitos individuais (ir e vir, liberdade de expressão, etc). Eu sinceramente não cheguei a uma conclusão e também não encontrei na internet nenhum texto ou decisão judicial definitivos sobre esse assunto.

De todo modo, é fato que o brasileiro que adotar voluntariamente outra nacionalidade não perderá automaticamente a nacionalidade brasileira, mas poderá ser instaurado procedimento no âmbito do Ministério da Justiça, o qual ensejará a perda da nacionalidade brasileira se não restar comprovado ter ocorrido uma das hipóteses de exceção acima indicadas. Isso ocorre? Não sei… Se ocorresse, um brasileiro também com nacionalidade australiana poderia ser afetado ou conseguiria comprovar uma das hipóteses de exceção? Não sei…
 
O Consulado Brasileiro em Sydney fala sobre essas disposições da Constituição no que toca dupla nacionalidade mas não dá o posicionamento deles quanto ao tema.
Nunca ouvi falar de nenhum brasileiro que tenha perdido a nacionalidade brasileira simplesmente porque adquiriu uma segunda, qualquer que seja ela. Quer dizer, até li um caso assim na internet mas de décadas atrás, quando a lei brasileira não permitia em hipótese alguma a dupla nacionalidade.

Meu intuito com esse post na verdade nem era de dizer aos brasileiros que aplicam pra cidadania australiana que não o façam, ou que tenham medo de perderem a brasileira não. Eu realmente acredito que não tem problema cumular as duas, tanto que eu vou cumular em breve. Só quis fazer um alerta de que o Brasil não permite esse oba oba de múltiplas nacionalidades não, e que esse assunto é mais complexo do que muita gente faz crer quando proclama aos quatro ventos que tem várias nacionalidades cumuladas sem problema algum.

Em tempo: a todos que possuem dupla nacionalidade vale lembrar que, como bem ressaltado pelo Consulado Brasileiro em Sydney, “dupla nacionalidade pode implicar limitações na reivindicação de certos direitos, como nos casos de pedido de assistência consular dentro de um país onde também é considerado como nacional. A título de exemplo: um indivíduo com dupla cidadania, brasileira e alemã, sempre que se encontrar dentro do território alemão será tratado, pelas autoridades locais, exclusivamente como cidadão alemão, e nunca como estrangeiro, ainda que apresente documentos brasileiros e alegue essa condição. Inversamente, no Brasil sempre será tratado como cidadão brasileiro, mesmo que possua outras nacionalidades.”

Vale também lembrar que se vc possui cidadania brasileira e australiana tem que, obrigatoriamente, sair e entrar da Austrália com passaporte australiano e entrar e sair do Brasil com passaporte brasileiro. Não dá pra, como já ouvi gente dizer, achar que pelo fato do seu passaporte brasileiro ter vencido vc pode entrar no Brasil com o passaporte australiano, e vice-versa.
 
Por fim, é também de suma importância ter em mente que com dupla nacionalidade vc possui direitos e deveres inerentes ao país no qual se naturalizou e tem que cumprir com seus deveres sociais, políticos e civis. Então, por exemplo, como no Brasil e na Austrália o voto é obrigatório para cidadãos, se vc tiver dupla nacionalidade desses 2 países vc terá sempre que votar nas eleições de ambos, ou justificar sua ausência.

terça-feira, 28 de junho de 2016

O lado B + winter is coming

Hoje li um texto excelente que o Jerry escreveu em seu blog Brazil Australia. Ultimamente tenho recebido muitos emails de famílias querendo sair do Brasil e imigrar pra cá. E eu sempre digo a mesma coisa: se imigrar pra um outro país já é difícil sem filhos, com criança então é realmente um desafio.

Pode ser o inverno que sempre me deixa mais depressiva, pode ser o fato de que eu há praticamente 1 ano emendo uma doença na outra e estou sempre cansada, mas a questão é que tem dias que me dá uma exaustão tão grande que dá vontade de largar tudo e voltar pro Brasil. Como diz aquele ditado: “É preciso uma aldeia inteira pra criar um filho”. E é a mais pura verdade! Tem coisas que quando se tem não se valoriza, como aquele almoço de família aos domingos. Vc sempre reclama das picuinhas da família, da obrigatoriedade de “perder” um domingo lá, mas espera chegar o dia em que vc não tem mais essa opção. Aquela semana que vc está doente, seu filho tá doente ou numa fase terrível, e depois de uma semana se arrastando pra conseguir trabalhar/cuidar da casa/cuidar do filho chega o fim de semana e tudo que vc pensa é: ufa, ainda bem que tem aquele almoço de domingo em que pelo menos vou ter ajuda pra cozinhar, pra cuidar da cria, vou ver pessoas que amo e que podem até dar uma olhada na criança enquanto eu descanso. Soou familiar? Pois é, isso não existe aqui. Depois de uma semana do cão, chega o fim de semana e é tudo igual: vc tem que limpar a casa, cozinhar, cuidar do filho 24 hrs por dia. Ou então aquele dia que vc não consegue sair cedo do trabalho, ou que seu filho tá doente na creche, ou uma emergência qualquer, e vc liga pros avós/tios/primos pra pedir uma ajuda emergencial. Isso não existe aqui. Ou o dia em que vc está seriamente doente e precisa ir pro hospital, como no dia em que eu chamei uma ambulância porque estava ardendo em febre sozinha em casa, com uma baita infecção renal, o Thiago no trabalho e o Lucas na creche longe de casa, e a ambulância disse que não viria porque meu caso não era de vida ou morte, e eu tive que, mesmo vomitando, com dor e ardendo em febre, arrumar uma carona pra me levar pra emergência; cheguei lá e me colocaram numa cadeira de rodas e me internaram na hora de tão mal que eu estava, e passei 5 dias internada absolutamente sozinha porque o Thiago tinha que ficar em casa cuidando do Lucas e da casa. Por sorte temos amigos incríveis que nos ajudaram (e ajudam) muito, mas todo mundo tem sua vida e sua própria família (e seus próprios desafios diários a enfrentar), e apesar de numa emergência sempre aparecer gente pra ajudar, nunca vai ser na extensão que é a ajuda da sua família, que vai parar a própria vida pra te fazer companhia ou cuidar de vc. Se vc tem alguém na família que pode vir pra cá por uns meses para ajudar (tenho muitos amigos que os pais/avós vem passar longas temporadas aqui, principalmente enquanto os filhos são pequenos) ótimo! Se não tem, se prepare para anos muito difíceis após o nascimento dos filhos.
Some a isso as dificuldades que o Jerry contou no texto que mencionei no começo do blog, como o alto custo de vida de Sydney: o custo de creche, de aluguel, de serviços como faxineira e babá, etc.

Antes que esse post soe muito depressivo, quero deixar claro que não é a minha intenção desanimar ninguém a vir não! Apesar de todos os momentos difíceis eu não troco minha vida aqui por nada! (juro que os pensamentos de largar tudo e voltar pro Brasil só vem no desespero e logo passam) A Austrália é maravilhosa e a qualidade de vida que tenho aqui é incomparável. Mas acho que todo mundo tem que ser avisado também do lado ruim, dos momentos difíceis, principalmente quando se fica doente. Porque com saúde e energia é bem mais fácil arrumar soluções e ter forças pra encarar os desafios. Mas nos momentos de mais vulnerabilidade (mesmo numa simples gripe que te tira a energia) a vida de imigrante fica bem mais complicada, principalmente quando entram filhos na equação.
Por isso que quando me perguntam se dá pra vir com visto de estudante quando se tem filhos eu digo que NA MINHA OPINIÃO é loucura. Se tem gente que vem? Sim, claro. Se conseguem sobreviver? Provavelmente. E pode ser que tenha gente que encare melhor do que eu os desafios da vida. Mas eu, na minha humilde opinião, não me mudaria pra outro país com família e um visto temporário como o de estudante.

Qual o propósito desse post? Sei lá, só desabafar acho. O texto do Jerry me deu vontade de escrever algo parecido aqui e agora não sei bem como terminar esse post. haha Acho que vou terminar mudando de assunto pra dizer que o inverno tardou mais chegou por essas bandas. As temperaturas despencaram e começou a temporada de depressão, germes, preguiça vento gelado e até neve em New South Wales, a menos de 2 horas de Sydney! Deixo vcs com as fotos de Blue Mountains alguns dias atrás: