terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Bairros de Sydney (parte IV)

Hoje é a última série sobre os bairros de Sydney, finalizando a sessão de posts sobre bairros (link para a parte I, parte II e parte III), e dia da região sul, onde moramos.

Desculpem por esses posts estarem tão espaçados e eu não ter conseguido escrever com mais frequência, é que as coisas tem estado movimentadas aqui no trabalho e além disso essa semana mudamos de apartamento para uma casa! Vamos ficar na mesma região, só mudaremos de bairro pra concretizar um sonho antigo de morar numa casa com um quintalzinho pro Lucas ter mais espaço. Infelizmente os preços astronómicos de Sydney não nos permitem comprar uma casa pra chamar de nossa, então vamos continuar no aluguel (pelo andar da carruagem pro resto da vida, porque quanto mais $$ ganhamos mais gastamos em viagens. haha).

A parte sul engloba as regiões de St George e Southern Sydney.

St George é a mais perto da City, começa em Wolli Creek (bem pertinho da City) e vai até antes das pontes que cruzam o George River em direcção ao Sutherland Shire. Marquei no mapa abaixo (de forma bem tosca) a divisória entre St George e Shire.


St George engloba os councils de Georges River e Bayside.

O council de Bayside cobre os bairros de Bexley, Botany, Brighton Le Sands, Eastgardens, Mascot (onde fica o aeroporto), Ramsgate Beach, Wolli Creek, dente outros. É uma área relativamente próxima da City e por isso a opção de muitos que acabaram de chegar ou são estudantes. Antes de nos mudarmos pro Shire nós cogitamos procurar apto em Brighton Le Sands porque é de frente pra praia (com vários ótimos restaurantes a beira mar) e com uma via expressa para City (a M1), mas me preocupou o fato de ser um bairro majoritariamente muçulmano onde se tem muitos relatos de abordagens ofensivas a mulheres. Uma das coisas que me alegra aqui na Australia é o machismo bem mais reduzido, é a liberdade das mulheres de poderem andar nas ruas a noite sem se preocuparem com cantadas/abordagens/assedio (claro que assedio e estupro existem, mas a sensação de segurança em geral das mulheres aqui é infinitamente maior). Então tudo que eu não queria era morar em um bairro onde fosse me sentir insegura de andar sozinha na rua. Aliás me irrita essas pessoas que vem pra cá e trazem os mal costumes de seus países de origem. Óbvio que não é prerrogativa de muçulmanos, indianos, chineses, brasileiros, ou a nacionalidade que seja, e nem é a maioria dos imigrantes desses países que teimam em trazer seus maus hábitos, mas uma minoria que infelizmente acaba estereotipando todo um país.

Já o council de George River engloba os bairros de Hurstville, Kogarah, Mortdale, Oatley, Peakhurst, Penshurst, dentre outros. É uma área de excelente comércio (Hurstville e Kogarah principalmente), com uma grande comunidade de imigrantes (majoritariamente chineses e árabes) e de fácil acesso de trem. Não seria a minha opcao de moradia porque tem muitos aptos/casas antigos e o preço nem é tão em conta (se comparado com o Shire) pela proximidade da City.
 
Por fim, o Sutherland Shire onde escolhemos pra chamar de casa. Engloba os bairros de Caringbah, Como, Cronulla, Engadine, Gymea, Sutherland, Miranda, Sylvania, dentre outros. Desde a primeira vez que viemos a Sydney, ainda a passeio, nos apaixonamos por essa área. O estilo de vida era tudo o que tínhamos sonhado: muito verde, praia, o National Park, um comércio bom e bem acessível de trem (não pra todos os bairros, mas pra uns 7-8 mais centrais). As pessoas normalmente torcem o nariz dizendo ser longe da City, mas eu ouso discordar. São 26km da City, na hora de rush com trem expresso dá em torno de 35-40min de trem o trajeto Sutherland-City. Me lembro que quando decidimos nos mudar pra cá e comentei com o pessoal do trabalho, um cara de IT perguntou brincando se precisava de passaporte pra entrar no Shire (pela distancia). O engraçado é que esse mesmo cara morava em North Bondi e certamente demorava o mesmo tempo que eu pra chegar ao trabalho por causa do transito que ele pegava (já que ele não tem a opção de trem). Enfim, como eu já disse várias vezes nessa sequencia de posts, gosto é uma coisa muito pessoal e cada um vai enaltecer o bairro que escolheu pra chamar de casa.

Agora, numa coisa o Shire é imbatível a meu ver: preço de aluguel aliado ao que se recebe em troca. Eu não conheço nenhum outro lugar de Sydney em que se pode viver perto da praia, de inúmeros parques (incluindo o imenso National Park), com acesso a trem e prédios/casas novos em folha pagando menos de $600 por semana numa casa de 2 quartos, ou até $450 por semana num apto de 2 quartos bem espaçoso.

Eu sempre ouvi dizer que o Shire era pejorativamente conhecido como “white Australia”, significando que os imigrantes não eram bem vindos. Eu sinceramente acho isso uma bobagem. Sempre fui super bem tratada aqui, fiz amigos australianos, as pessoas são simpáticas nas ruas (inclusive hoje mesmo eu estava trocando Instagram com uma senhora que pega sempre o trem comigo e o Lucas de manha e de tanto conversarmos fizemos amizade e agora que estou me mudando pra outro bairro e não vou mais encontrá-la todo dia de manha, trocamos Instagram pra não perder contato). Claro que se vc andar em alguns bairros vc vai ver uma prevalência de loiros de olhos claros (devido a grande prevalência de australianos/britânicos), mas isso não é regra em todos os bairros do Shire e nem é um problema a meu ver. Aliás, com essa questão de sofrer preconceito eu já disse algumas vezes aqui no blog o que penso, que nunca sofri e acho que em grande parte isso tem a ver com a forma que vc encara as coisas. Se vc fala a língua (ou pelo menos se esforça), se adequa aos hábitos e costumes locais, e trata as pessoas com cordialidade, não é nada comum que te tratem de forma diferente. Engraçado como muitas pessoas que eu escutei reclamando de sofrer preconceito são aquelas que moram aqui há anos e não tem o mínimo interesse em aprender/aprimorar o inglês, desrespeitam o próximo, não tem senso de comunidade, trazem de seus países de origem hábitos reprováveis na cultura australiana, etc.

Outra coisa curiosa é que quando mudei pro Shire achei que não encontraria muitos brasileiros por aqui, mas estava redondamente enganada. Faço parte (e administro atualmente) de um grupo de mães (e mães em potencial) brasileiras no Shire que atualmente conta com 160 membros, e esse número está longe de ser o total de brasileiros nessa região. Não se escuta tão frequente o português nas ruas como se escutaria em Bondi ou Manly, mas tem sim muitos brasileiros por aqui (principalmente famílias com filho pequeno).

Terminando com a rasgação de ceda pro Shire, haha, queria dizer que numa pesquisa de lealdade (bairros que tem amenor taxa de evasão de moradores) o Shire ganhou disparado, sendo conhecido como a área em que uma vez que as pessoas se mudam pra cá, não trocam por nada. E é uma mini Sydney também, onde as pessoas fazem de tudo por aqui sem precisar recorrer a outras partes da cidade (eu e Thiago mesmo raramente saímos do Shire nos fins de semana, só saímos pra trabalhar mesmo).

 
Pra quem quer se aprofundar mais nos subúrbios e áreas de Sydney, recomendo o Wikipedia, o site do Domain pra pesquisar preço de aluguel/compra de imóvel e também esse ranking do Domain com os 555 subúrbios com melhor qualidade devida.

Ufa, finalmente terminei a série de posts sobre os bairros. Espero que tenham gostado! Quem tiver dúvidas por escrever nos comentários. J

2 comentários:

  1. Denise, meu marido e eu adoramos o seu blog, extremamente útil e informativo. Parabéns! Os posts sobre os bairros e o custo de vida em Sydney são sensacionais! Abraços!

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