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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Passo a passo para conseguir um emprego na área jurídica em Sydney (parte III)

Finalizando o post anterior, uma pergunta que vc deve estar preparado para responder nas entrevistas é sobre sua pretensão salarial. Algumas vagas vão constar o salário no próprio anúncio, e aí fica fácil pois vc pode pedir o que foi anunciado, mas a maioria não consta. Muitos recruiters vão te dizer espontaneamente qual é a margem que a empresa está disposta a pagar (acredite, eles sempre sabem), outros vão te perguntar primeiro. E aí, o que responder?

Primeiro tenha em mente que as propostas de salário aqui são anuais, e incluem ou não o Superannuation (a previdência privada obrigatória, que se não me engano é um desconto 9.5% sobre o valor bruto do salário). No início é meio confuso saber o quanto um valor mensal significa por mês, e o imigrante normalmente está tão desesperado pela primeira experiência que topa qualquer salário. Mas não custa vc ter uma ideia de quanto se paga na área.

Pra calcular o quanto um valor x mensal representa mensalmente, vc pode usar esse site aqui. Pra saber quanto vc vai gastar por mês, eu fiz um post sobre custo de vida aqui.

Em linhas gerais, o salário mínimo é de AUD$656,90 por semana, o que dá em torno de AUD$35.000 por ano, devendo ainda ser descontado o imposto. Na área jurídica eu nunca vi um salário menor que AUD$45.000 por ano, o que ainda assim é baixo. O que eu considero um valor razoável pra quem tá começando aqui é AUD$50.000-55.000 por ano. Se esse valor for incluindo o Superannuation, tenha em mente que vc vai ter 9.5% descontado disso, mais imposto de renda.

Claro que isso tudo varia muito dependendo da vaga. Já fiz entrevista pra vaga que pagava AUD$45.000, como também já fiz entrevista pra vaga que pagava AUD$60.000.

Então eu acho que um valor razoável pra quem busca o primeiro emprego, sem experiência local, é pedir algo em torno de AUD$50.000-55.000, ou 50K-55K, como eles falam aqui. Aí vão te perguntar: “Super inclusive?” E não custa vc pedir o Superannuation a mais, se colar colou. Tenha em mente que se a empresa tiver disposta a te pagar digamos 60K e vc pedir 50K, eles não vão te pagar menos pensando: “beleza, me dei bem, o cara quer menos então vou economizar”. Se o orçamento deles é pra te pagar x eles vão te pagar no mínimo isso. O interessante de saber o quanto vc vai poder pedir é pra vc negociar um valor maior.

Ah, lembrando que se a vaga for temporária ou casual, o salário normalmente é pago por hora trabalhada, que varia entre $20-30 por hora.

Mas vai tudo depender da vaga. Via de regra, vagas de legal secretary podem pagar melhor pra uma posição iniciante, mas vão te dar menos margem de crescer financeiramente. Dificilmente vc vai achar uma secretária sênior ganhando mais do que 90K por ano. Já para vagas de paralegal, legal assistant e executive assistant, muitas vezes o salário inicial é menor (porque se contrata muito estudante de direito pagando pouco), mas vc pode chegar até a 120K por ano para um paralegal sénior.

Lembrando que o salário do australiano médio é de 60K por ano, e acima de 136K por ano é considerado “high income earner” e a tributação aumenta e os benefícios do governo diminuem ou zeram. Ou seja, a área jurídica paga muito bem. Ainda que numa posição de suporte como legal secretary, paralegal ou legal assistant vc tem chance de ganhar o mesmo ou até mais que profissionais com curso superior de outras áreas.


Vale dar uma lida no site do Fair Work pra saber quais são os direitos trabalhistas na Austrália, assim como pesquisar em sites como o PayScale pra ver a média de salário. Se bem que quando eu pesquisei lá paralegal deu um valor mínimo de $32.000, ou seja, menos que o salário mínimo, o que achei bem estranho…

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Passo a passo para conseguir um emprego na área jurídica em Sydney (parte II)

Continuando o post anterior, uma vez vc tendo seu currículo e cover letter prontos comece a mandá-los para todas as vagas que puder. Esqueci de dizer que além do Seek, que comentei no post anterior, vc pode também mandar seu currículo direto para os recruiters e para os escritórios de advocacia. Eu fiz pouco isso pois sinceramente acho meio complicado mandar currículo genérico sem saber a vaga que eles tem em aberto. Eu sempre acho que esse tipo de abordagem faz seu currículo cair num buraco negro e ninguém vai guardá-lo pra quando uma vaga abrir. A não ser que vc dê a sorte de mandar justamente pra uma empresa que esteja contratando naquele momento pra uma vaga em que vc se encaixe, mas aí essa vaga vai também estar sendo anunciada no Seek e é melhor vc responder ao anúncio pois vai poder moldar seu currículo as especificidades da vaga. Se ainda assim vc quiser mandar, uma empresa de recruiter que eu sugiro é a People2People porque quando fiz entrevista lá o recruiter me comentou que eles tem muitas vagas temporárias e costumam entrevistar e encaminhar muitos advogados estrangeiros. Até hoje eu recebo email e sms deles com vagas temporárias que precisam de gente urgente. Ah, tem gente que sugere também ir pessoalmente nos escritórios/empresa deixar currículo. Eu sinceramente acho isso coisa de stalker, haha, e odiava quando faziam isso no escritório que eu trabalhei no Brasil. Mas já ouvi gente aqui que jura que dá resultado, então siga o que vc acha melhor.

Voltando ao passo a passo para conseguir um emprego:

3) A entrevista por telefone. Com um pouco de sorte e paciência, vc será chamado pra uma entrevista. Normalmente o que acontece primeiro é o RH/recruiter te ligar para checar seu nível de inglês e repassar sua experiência, fazendo uma mini entrevista por telefone. Aqui vai uma dica: procure sempre dizer que vc não pode falar no momento (porque está no trem, na rua com barulho, ou qualquer desculpa parecida) e peça para retornar em seguida. Por que? Imagina que vc mandou 20 currículos num dia. Aí te liga um cidadão falando mega rápido no intrincado sotaque australiano e dizendo que o nome dele é x, ele trabalha pra empresa y e perguntando se vc pode conversar sobre a vaga. O que vc entende? Bla bla bla bla + vaga = pânico. Quais as chances de vc, recém chegado aqui, ainda inseguro no seu inglês, entender 100% quem é a pessoa do outro lado da linha, lembrar qual é a vaga assim de cara e lembrar que currículo adaptado vc mandou pra essa empresa? Quase zero. Então a dica que me deram no curso que fiz aqui pra conseguir emprego foi: dê uma desculpa e peça pra retornar em seguida, nem que seja em 10 minutos, pra dar tempo de vc se recompor, checar nos seus emails que currículo vc mandou pra essa empresa e se preparar para a entrevista por telefone.

Essa dica é ótima e certamente deveria ser adotada sempre. Agora pergunta quantas vezes eu segui? Nenhuma! haha  Eu ficava tão empolgada de estarem me ligando e com medo de perder a oportunidade se pedisse pra retornar que acabava sempre dizendo: sim, claro que posso falar agora. Resultado: perdi oportunidade assim. Uma vez a mulher do RH de uma empresa me ligou, pediu pra eu contar minha experiência, eu comecei a falar meio genérico pois sequer tinha entendido de que empresa ela era, e quando eu terminei ela disse: desculpe, mas vc não se encaixa no perfil que estamos buscando, achei que vc tinha uma experiência mais específica na área corporativa. Certamente se eu soubesse com quem estava falando teria me preparado melhor. Então não cometam a mesma burrice minha e pode pedir sem medo pra retornar depois. Só peguem muito bem os detalhes de quem te ligou, claro.

Aqui entra outra questão: nossa insegurança com o inglês. É super normal que vc chegue aqui e se sinta inseguro com seu inglês, eu mesmo tendo tirado 8 no IELTS e gabaritado o “listening” da prova, sempre achei que meu inglês não era suficiente. E eu morria de medo de reconhecer que eu não tinha entendido algo que me diziam, então fingia que entendia, o que claro era bem pior. Imagina vc ter que retornar uma ligação sem saber o nome de quem te ligou! Meu conselho é: não tenha medo de pedir pra pessoa repetir o nome ou onde trabalha! Até os australianos fazem isso, pois vamos convir que quando vc atende uma ligação e a pessoa desanda a falar o nome, de onde é e o que quer, em 5 minutos de conversa vc mal vai lembrar o início da conversa onde ela se apresentou.

Simulando uma ligação de um recruiter, vc poderia dizer algo assim:

Recruiter: - Hi, may I speak with (seu nome) please?
Vc: - (seu nome) speaking.
Recruiter: – Hi (seu nome), how are you? My name is x, I work for y, we received your CV and I was wondering if we could have a quick chat about the position w and your experience.
Vc: - Of course we can, but I am in the train at the moment and it is a bit loud, is it ok if I call you back in about 10 minutes?
Recruiter: - Yes, sure.
Vc: - I am sorry, but could you please repeat your name and company again? The call isn’t very clear.
Recruiter: - Of course, my name is x and I work for y.
Vc: - Perfect, I will call you back shortly. (levando em conta que o número da pessoa apareceu no seu celular. Caso negativo não custa pedir, ou se vc estiver muito inseguro sempre dá pra pesquisar o telefone geral da empresa no Google, vc só vai perder a chance de conseguir o telefone direto da pessoa)

Aí vc vai nos seus emails, checa a vaga, vê o currículo que vc mandou, respire fundo e liga de novo:

Vc: - Hi, may I speak with x (nome do recruiter), please?
Recruiter: - Speaking.
Vc: - Oh, hi x, my name is (seu nome) and I am returning your call to discuss my application to the (nome da vaga) position.

E aí vc faz uma mini entrevista por telefone, que normalmente não dura mais de 10 minutos e serve mesmo pra pessoa confirmar seu nível de inglês e sua experiência naquela área. Das entrevistas que fiz com recruiters por telefone, em quase todas eles me chamaram pra uma entrevista em pessoa (com exceção daquela que narrei acima em que me confundi quanto a vaga em questão).

Aqui um detalhe: se te chamarem pra uma entrevista em pessoa, tenha certeza de que entendeu todos os dados quanto ao dia e local e não hesite em pedir que a pessoa repita se vc não entendeu. Na maioria das vezes o recruiter vai te mandar um email com os detalhes da entrevista pessoalmente, e se ele disser que vai te mandar esse email e em 24hrs vc não receber, pode ligar perguntando (vai que caiu na caixa de spam ou ele esqueceu de mandar).

4) A entrevista pessoalmente. Chegou o grande dia da entrevista frente a frente e vc está apavorado. Eu pelo menos estava… haha É super normal ficarmos nervosos com qualquer entrevista, imagina uma num país diferente e toda em inglês, pra uma função que vc nunca trabalhou e tem pouca ideia de como funciona na prática. Aqui vou dar algumas dicas, mas a verdade é que vc só vai aprender na prática e com seus erros. Vc pode dar sorte de conseguir algo logo de cara, ou pode precisar de mais tempo para se aprimorar. Eu nas minhas primeiras entrevistas que fiz era uma múmia, só respondia o que era perguntado e quase implorava pela vaga dizendo que eu topava fazer tudo. haha  Aos poucos fui me soltando e no fim já estava até contando piada em inglês. Mas mesmo vc achando que foi bem, se prepare para decepções. Uma vez fiz uma entrevista num escritório que amei: passei pelo RH deles, me chamaram para a entrevista com o sócio e foi ótima, achei que tinha me saído super bem, rimos juntos, ele pareceu super impressionado com a minha experiência, até chamou o outro sócio para me apresentar, enfim, saí de lá achando que tinha conseguido. Pergunta se algum dia me ligaram? Teve ainda uma outra vez que uma recruiter me amou e me encaminhou pra um escritório também com uma vaga ótima, exatamente o que eu queria. A entrevista foi maravilhosa, e quando saí a recruiter me ligou pra dizer que a advogada tinha ligado pra ela e dito que eu era exatamente quem eles procuravam e que eles tinham me adorado. Achei que tava certo, mas no dia seguinte a recruiter me avisa que eles decidiram promover alguém interno pra vaga e não iam me contratar. Imagina o balde de água fria! Mas essa experiência foi ótima porque com o feedback que a recruiter recebeu da empresa eu caí nas graças dela e ela queria me indicar pra toda vaga que aparecesse. E nada melhor do que cair nas graças de recruiter! Eu costumava odiar eles porque nunca me retornavam, haha, mas no fim quando caí nas graças de uns 3, foram eles que me encaminhavam pras vagas mais promissoras. Isso porque quando vc é selecionado diretamente pelo escritório/empresa, são dezenas de pessoas que eles estão entrevistando. Já quando vc vai recomendado por um recruiter, o escritório/empresa vai entrevistar no máximo 2-3 pessoas porque a ideia é justamente que o recruiter faça o filtro pra eles.

Chega de enrolação e vamos as dicas:

- seja pontual (sempre!). Se isso já é uma regra pra qualquer entrevista, mesmo no Brasil, aqui na Austrália então é fundamental. E nem adianta a desculpa de que pegou trânsito, o trem atrasou, etc, o mínimo que se espera aqui é que vc preveja esses imprevistos. Então se programe pra chegar no local uns 30 minutos antes, pare para tomar um café pra relaxar e chegue ao local marcado no máximo 5 minutos antes (chegar com muita antecedência também pega mal).

- não preciso nem dizer que tem que se vestir de forma adequada, né? Eu ficava na dúvida quanto ao grau de formalidade local, então na dúvida ia com uma calça social, camisa social e um blazer ou um vestido social e meia calça. Não precisa de salto alto pras mulheres, e acredito que pros homens não precise de terno, basta calça e camisa social (e talvez um blazer), mas na dúvida eu se fosse homem iria de terno já que o meio jurídico é sempre mais formal.

- sorria e faça contato visual.

- a abertura da entrevista é sempre uma conversinha fiada, normalmente sobre o tempo, ou como foi seu fim de semana. Então esteja preparado pra esse tipo de pergunta e pra manter esse tipo de papo furado por alguns minutos. Eu virei especialista nisso, Thiago vive me sacaneando que eu fico de papo furado com todo mundo, do motorista do onibus ao vizinho.

- se a entrevista for com um recruiter, pode contar que vai ter um teste de Word, Excel (e as vezes Power Point) e typing (não sei se é padrão, mas todos os recruiters que fui fizeram). O teste de Word/Excel é basicamente pra ver o quanto vc sabe desses programas e costuma ser bem fácil. Só tive dificuldade uma vez porque aparecia a pergunta e eu tinha que clicar direto na aba correta senão perdia o ponto da questão e eu sou péssima em saber a aba certa de cabeça, vou fuçando até achar o que quero, ainda mais porque uso diversos tipos de Windows e Mac. Ah, o recruiter pode te perguntar em que versão do Windows vc quer fazer o teste, pra mim dava no mesmo porque não sabia de cor nenhuma. haha O teste de typing é um pouco mais difícil porque eles querem checar sua velocidade de digitação. Vc vai ver que muitas vagas (principalmente de legal secretary) pedem especificamente uma velocidade x de digitação. Eu achava que era super rápida digitando e ia tirar de letra. Tolinha! Fui fazer um teste online e minha velocidade mal chegava a 55 wpm (words per minute) sendo que muitas vagas pedem 80 wpm! Mas no geral 60 wpm é o mínimo, e vc só alcança uma velocidade maior que isso se digitar com os “dedos” corretos, o que pouca gente faz (a não ser que vc tenha feito curso de digitação). Então se a vaga pedir isso, testa sua velocidade em casa (tem vários sites como esse aqui) e treina pra melhorá-la, se for o caso. Eu, mesmo com treino (no curso do TAFE tínhamos aula de typing também), nunca consegui passar muito de 65wpm, e isso nunca me atrapalhou nas entrevistas.

- prepare o que vc vai falar sobre a sua experiência profissional, dando exemplos concretos que se adeqúem a função que vc está aplicando. Repito o que eu disse no post anterior: não adianta dizer que vc era o bambambam do contencioso/tributário no Brasil se vc está aplicando pra uma vaga de suporte. Muitos entrevistadores vão te perguntar sobre uma situação x que vc encontrou no seu emprego anterior e como vc resolveu. Prepare algumas situações que se adeqúem a várias qualidades (teamplayer, multitask, deadline oriented) para vc poder usar. Exemplo: se te perguntarem um exemplo na sua experiência profissional que mostre sua habilidade de ser teamplayer. Vc pode dizer que trabalhou no projeto y que era muito desafiador e complexo, o prazo se aproximava e vc percebeu que não daria conta de cumpri-lo. Então vc foi conversar com seu chefe, negociou um prazo adicional e pediu ajuda de um colega, delegando tarefas. Só aí vc já respondeu o exemplo de teamplayer e ainda mostrou que não tem receio de pedir ajuda quando necessário, sabe negociar prazos complexos, etc. Eu achava isso tudo meio sacal e bobo, até porque fazia mais de 10 anos que eu não fazia uma entrevista de emprego. Nem sei se é assim que funciona no Brasil, mas aqui eles são bem metódicos e adoram um exemplo prático. Ainda mais pra essas vagas de suporte que são mais mecânicas. Mas claro que isso não é regra, na entrevista com meu chefe atual, que é americano, ele não perguntou nada disso e foi mais uma conversa genérica e eu até sacaneei ele, sem me dar conta na hora. haha  Explico: ele quando viu que eu era brasileira disse que o nome de uma das filhas dele era um nome brasileiro, disse qual era e eu, na maior espontaneidade: sinto te dizer que esse nome não tem nada de brasileiro.  haha  Ele riu e ainda tentou dizer que era sim, que era de uma modelo brasileira, e eu: ahhhh, sim, realmente tem uma modelo com esse nome, mas porque a família dela é italiana, porque o nome em si de brasileiro não tem nada. Pra completar quando terminou a entrevista ele perguntou se eu queria que ele me levasse pra conhecer o escritório e eu respondi: "não precisa, vou conhecer quando começar a trabalhar aqui". Juro que não sei de onde tirei essa ousadia e gaiatice toda, ainda mais eu que travava com qualquer piada em inglês. Mas acreditem: melhora com o tempo. No inicio quando comecei aqui no escritório eu morria de medo das conversas com esse sócio porque ele fazia piadas irónicas que eu nunca entendia (ah, os americanos). Hoje em dia até sacaneio ele, como no outro dia que o vi bebendo o segundo copo grande de café no dia (que aqui na verdade é uma dose de café expresso e 500ml de leite) e disse que ele bebia mais leite que o meu bb. E ele responde rindo: “get off my feet”. haha

- prepare algumas perguntas para o entrevistador. Na maioria das vezes quem está te entrevistando vai começar a entrevista falando sobre a vaga, a empresa e vai te dar muita informação e no fim quando te perguntarem se vc tem alguma pergunta vc se pega sem ideia e diz que não tem nada a perguntar. Só que isso cai mal, e acredite, vc sempre tem coisa a perguntar! Desde como é o trabalho em equipe na empresa, a progressão de cargos, quando vc pode esperar uma resposta do processo seletivo e mil coisas que eu já nem lembro mais mas com certeza o Google está aí pra te ajudar com mil ideias. ;)  Só cuidado, claro, pra não soar pedante ou demonstrar que vc não está interessado na vaga em si, que ela é só um trampolim para algo maior e daí cair na questão de vc ser “overqualified”. E também não vale bombardear o entrevistador com mil perguntas, uma ou no máximo duas já são mais do que suficientes.


- termine dizendo sempre algo como: “it was a pleasure to meet you and I look forward to hearing from you”.

No próximo capítulo dessa novela eu vou concluir com o que acontece quando vc recebe uma proposta de emprego, o que dizer quando te perguntam sobre sua pretensão salarial, etc.





P.S.: Esse post e o próximo é basicamente pra quem tem visto de residência. Nada impede que com outro visto vc consiga uma vaga nessa área, mas tenha em mente que vai ser beeemmm mais difícil.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Passo a passo para conseguir um emprego na área jurídica em Sydney

Recebo muitos emails de advogados perguntando sobre como conseguir um emprego na área aqui em Sydney. Por “emprego na área” leia-se posições de supoerte como paralegal, legal assistant e legal secretary, pois a não ser que vc valide seu diploma por aqui, vc não poderá atuar como advogado.

Já fiz diversos posts sobre o mercado na Austrália para advogados (aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e por favor leia também esse post aqui), mas ainda recebo muitas perguntas sobre como é o passo a passo pra conseguir um emprego na área jurídica. Atendendo a pedidos, aqui está:

1) Monte seu currículo e sua cover letter básicos (digo básicos porque vc vai ter que adaptá-los para cada vaga que mandar)

Quanto a cover letter, nada mais é do que uma carta de apresentação sua. Eu achava que ela devia resumir o currículo, mas depois fui adaptando pra algo bem curto e em bullet points focando no vaga. Tipo: se a vaga pedia alguém “teamplayer” eu colocava na cover letter que eu era teamplayer porque trabalhei em sistema de cooperação com uma equipe de x pessoas sempre em harmonia. E assim por diante. Dá um enorme trabalho fazer uma cover letter para cada vaga, por isso que eu digo que só arrumei emprego quando larguei todos os meus 4 (sim, 4!) empregos como garconete e babá, que me consumiam fisicamente e tomavam muito do meu tempo. Já falei mais sobre cover letter nesse post aqui.

Tenha em mente que vc estará aplicando para uma posição inferior ao que vc fazia no Brasil. Então não adianta nada vc dizer no currículo que coordenava um cliente, era o bambambam do contencioso/tributário/etc se vc almeja uma vaga de secretária ou paralegal. Um currículo muito pomposo só vai fazer vc ser considerado “overqualified” logo de cara e ter seu currículo descartado.

Eu quando cheguei me recusava a cortar minha longa experiência de quase 10 anos no contencioso, e todas as coisas que eu alcancei na minha carreira. Até conversei com um conhecido australiano que é advogado aqui, ele revisou meu currículo, ficou impressionado com a minha experiência e até encaminhou meu currículo para o responsável do RH do grande escritório que ele trabalhava. Deu em que? Nada! Não me chamaram nem pra uma entrevista porque na maioria das vezes QI não significa nada por essas bandas se vc não tiver o perfil que a empresa está procurando (há exceções, claro, eu mesma já consegui indicar uma amiga pra minha vaga quando saí de licença maternidade, mas isso é exceção por essas bandas, talvez porque meu chefe seja americano ele veja QI com outros olhos, talvez porque ele realmente me ame. haha).

Enfim, passei meses dando murro em ponta de faca e enviando meu longo e qualificado currículo pras vagas de paralegal/legal secretary/legal assistant e no máximo conseguia uma mísera entrevista por mês, sempre infrutífera.

Até que o Thiago finalmente me convenceu a cortar meu currículo, enxugá-lo ao máximo. Como foi dolorido! Negar toda a experiência que eu tinha, dizer que eu só atuava como “suporte” no escritório que trabalhei no Brasil quando na verdade eu tinha o meu próprio time de advogados, cuidava de quatro grandes clientes praticamente sozinha e ganhava participação nos lucros. Depois de contornar meu ego, reduzi meu currículo para 2 páginas, onde praticamente constava assim:

Meu nome
+
Meus dados pessoais (endereço, celular e email) – P.S.: Muita gente aconselha a não incluir o endereço porque pode ser motivo de discriminação dependendo do bairro que vc mora.
+
Career objective – aqui eu falava em 3 linhas qual meu objetivo na área jurídica, no caso trabalhar como paralegal ou legal assistant (eu mudava pra legal secretary dependendo da vaga) numa posição em que eu pudesse desenvolver meus conhecimentos jurídicos e administrativos.
+
Profile – aqui eu colocava palavras chaves que eram pedidas no anúncio, tipo: “motivated, fast learner, diplomatic, proactive, multitask” exemplificando muito brevemente com fatos da minha experiência. Tipo: “Motivated, fast learner and a successful 9-year track record in the legal area, specialized in commercial litigation.” Esse campo tem que ser adaptado para cada vaga, vc tem que ler o que a vaga pede e tentar ao máximo “responder” a todos os itens solicitados.
+
Education – colocava apenas meu diploma no TAFE e meu bachelor of law. Tirei minha pós e minha habilitação na OAB por serem absolutamente irrelevantes pra posição de suporte que eu aplicava.
+
Employment History – aqui eu colocava o período que trabalhei na empresa, o nome da empresa (detalhe que se for “…Advogados” vale a pena traduzir para “…Lawyers” pra eles saberem aqui que se tratava de um escritório de advocacia e embaixo do nome do escritório eu ainda colocava uma descrição dele assim: “Medium-sized full-service corporate law firm”. Se vc trabalhou pra uma empresa, vale a pena fazer o mesmo pra eles saberem aqui o tipo de lugar que vc trabalhava), a posição que eu tinha no escritório e as responsabilidades que tinha.

Aqui faço um adendo pra fazer uma confissão: depois de tanto ser rejeitada ou sequer obter resposta, comecei a colocar no meu currículo que eu trabalhei no Brasil como “legal assistant” e não como advogada. Feio isso, eu sei, mas não estava mentindo criando uma posição que eu não atuava, eu apenas estava “diminuindo” a minha função. Coincidência ou não a partir daí comecei a receber muito mais retorno e até o escritório que me contratou hoje foi com o currículo assim. Me envergonho até hoje pelo que fiz e foi um sufoco quando tive que dizer a verdade aqui. Quer dizer, sufoco pra mim, porque meus chefes acharam super natural eu ter mentido pra baixo, é super comum imigrantes fazerem isso pra conseguir o primeiro emprego na Austrália. Tanto isso não foi problema que quando eles me ofereceram uma promoção do cargo de legal secretary para paralegal, pediram meu currículo verdadeiro com minha experiência de advogada para mandar pra sede do meu escritório nos EUA e contaram essa experiência na hora de fazer o meu contrato de paralegal, então eu já comecei como paralegal sênior.

Muita atenção para essa parte de “responsabilities” no campo de experiência profissional. Como eu já disse acima, não adianta nada vc dizer que era o bambambam da advocacia no Brasil se está aplicando pra vagas “inferiores”. O ideal é colocar sua experiência em bullet points com frases curtas, tentando ao máximo fazer o link entre o que vc fazia no Brasil e o cargo que está almejando. Ex.: eu no Brasil era responsável por elaborar relatórios de auditoria para clientes. Claro que no Brasil eu fazia isso sozinha com mínima supervisão por conta da minha função, mas de que adianta dizer isso, dizer que eu tinha reuniões com os clientes para analisar orçamento, etc, se eu não teria a mesma autonomia aqui? Então no currículo constava simplesmente: “Preparation of billing, monthly reports to clients and auditing reports”, que efetivamente era o que eu fazia, eu só omitia o grau de responsabilidade. Vale dizer que até hoje faço carta de auditoria como paralegal, só tenho mais supervisão do que tinha no Brasil claro.

Alguns outros exemplos de funções que constavam no meu currículo:

  • Filing and maintaining accurate document records
  • Establishing deadline control
  • Diary management
  • General administrative support, including letters and email correspondence
  • Drafting correspondence, contracts, letters of advice, pleadings and other court documents
  • Liaising with the client to ensure that they comply with federal, state and municipal laws
  • Preparing and/or revising of drafts of contracts, including novation, assignment, and joint ventures
  • Drafting publishing contracts, license and / or assignment agreements
  • Liaising with state and federal regulators on various matters
  • Conducting client interviews and meetings
  • Preparation of legal opinions and reviews
  • Preparation of billing, monthly reports to clients and auditing reports
  • Making presentations to clients
  • Drafting precedent documents
  • Preparation of business plans and attending to business development matters


Detalhe que apesar de eu trabalhar basicamente com contencioso também já trabalhei no jurídico de um banco de investimento no Brasil e no escritório onde trabalhei por quase 10 anos eu já fiz muita coisa de contratos, ambiental, etc, então eu tinha bastante material pra trabalhar no currículo, só colocava de forma mais simplificada.
+
Trabalho voluntário – aqui isso é muito valorizado, então eu colocava o tempo que trabalhei no Procon como voluntária e o trabalho que fiz aqui na Austrália como voluntária no tribunal de justiça (bobo, na verdade eu só ficava na recepção dando informações sobre as audiências, como buscar assessoria jurídica gratuita, etc, mas tava valendo pra embelezar o currículo e colocar algum tipo de "experiência local". haha)
+
Skills – aqui eu colocava a fluência em português e espanhol (por favor, não vá colocar seu nível de inglês! Se vc está aplicando pra uma vaga em inglês o mínimo que se espera é que seu inglês seja fluente. Se vc não tem inglês suficiente nem pra conversar com um recruiter por telefone, pode desistir e ir estudar inglês primeiro), proficiência em programas de informática e outras “administration skills” como:

  • Drafting skills
  • Research
  • Making presentations
  • File management
  • Diary management
  • Dictaphone typing
  • Document formatting
  • Billing


Pra quem não sabe, “dictaphone typing” é transcrever gravação de um advogado com as notas dele de uma fita para o computador. Não sei se isso ainda é muito frequente aqui, no meu escritório não se usa, mas fui em algumas entrevistas que o advogado usava. De novo, só coloque essa “skill” se vc tiver um bom ouvido para transcrever gravação em inglês. Eu me sentia segura pra colocar porque tivemos uma matéria dessas no TAFE e eu percebi que conseguia tranquilamente fazer uma transcrição.

+

Referência – os conselhos se divergem: muito recruiter diz pra não colocar no currículo, muitos dizem pra colocar. Eu acabei colocando, com os dados dos sócios do meu escritório no Brasil em português mesmo. Vcs podem pensar: “ah, mas ninguém vai checar referência em outro pais”. Pior que checa! O recruiter que me colocou nesse escritório que estou hoje mandou um email para as minhas referências com um questionário para eles responderem em inglês sobre minha função lá e se eles me recomendavam mesmo. Então se vc colocar referência, avise a pessoa e, claro, coloque alguém que fale inglês! :)


2) Passada a fase do currículo e cover letter vem a dúvida: tá, e agora pra quem eu mando? Tem vários sites com vaga de emprego, mas eu particularmente acho o Seek o mais completo e só aplicava por lá. Vc pode fazer a busca pela cidade, tipo de vaga, etc, e muitas vezes dá pra aplicar pelo Seek mesmo, outras o anúncio vai ter um email pra vc enviar a cover letter e o currículo. Aí muitos me perguntam: e pra que vagas eu posso aplicar? Isso vai depender da sua experiência e objetivo profissional. Eu aplicava basicamente para:

- receptionist e administrative assistant/administrative clerk (no início, porque depois me dei conta que essas vagas eram “júnior” demais e pagam uma mixaria)

- legal secretary (tenha em mente que a secretária jurídica aqui faz mais do que no Brasil, aqui além de atender o telefone a função inclui: arquivamento de documentos, billing, edição de documentos, agendamento de viagens, atualizacao de sistemas com o time entry dos advogados, etc, e em muitos escritoriós é uma plataforma pra se chegar no cargo de paralegal).

- executive assistant (nesse caso só pra algumas vagas eu conseguia me encaixar, pois a maioria exige experiência mais específica no cargo. Muitas vezes vc pode observar nos anúncios que “executive assistant” tem as mesmas funções de um “legal secretary” ou “legal assistant”, e as vezes é mais qualificado. Então na dúvida, abra a vaga, leia o que é pedido do candidato e se vc consegue se adequar.)

- paralegal e legal assistant (muitas vezes usado como sinonimo, eu confesso que até hoje não entendo se há realmente uma diferença nos cargos. Aqui no meu escritório o meu contrato diz “legal assistant” e na intranet da empresa e na minha assinatura de email diz “paralegal”).

Há ainda outras vagas que dependendo da sua experiência vc pode tentar aplicar e ver se cola, como “debt collector”, “conveyancer”, “contracts coordinator”, etc. Eu particularmente não aplicava pra nada disso porque não conseguia adaptar minha experiência pra essas vagas. Mas se vc tem uma forte experiência em societário, tributário, contratos, pode tentar também algo nessa linha. Já ouvi dizer que, em tese, um advogado estrangeiro também poderia trabalhar como “in-house lawyer” aqui, ou seja, no jurídico interno de uma empresa. Eu nunca tentei (até porque minha experiência era basicamente com contencioso) e nem conheço quem tenha tentado, então não sei dizer se cola.
Ah, detalhe pros advogados que trabalham com contencioso: aqui o contencioso civil funciona de forma bem diferente. Então se vc disser que tinha experiência só com contencioso te limita muitíssimo. O que chamamos de contencioso de Brasil aqui eles chamam muitas vezes de “commercial” ou “full-service corporate” law. Claro que se eu aplicava pra uma vaga em escritório de contencioso eu focava que tinha experiência em “litigation” (como o contencioso é chamado aqui), mas tenha em mente que no common law esse processo é bem diferente do Brasil e envolve um grande trabalho “pre-trial”. Pra vcs terem uma ideia a única vaga que fiz entrevista em “litigation” no dia da entrevista me explicaram que o trabalho era basicamente ficar catalogando evidencias “pre-trial”, renomeando nome de arquivo na “database” do caso, ou seja, totalmente sacal e pagava uma miséria (talvez por isso eles só conseguissem contratar advogados estrangeiros desesperados por uma primeira experiência na Austrália. Ah, e que fique claro que eu estava tão desesperada que estava disposta a aceitar o trabalho. haha Por sorte fui chamada aqui pro meu escritório antes por um salário bem maior e desisti desse processo seletivo).

Como esse post já está enorme, no próximo post vou falar da próxima etapa: a entrevista.

P.S.: Esse post e o próximo são basicamente pra quem tem visto de residência. Nada impede que com outro visto vc consiga uma vaga nessa área, mas tenha em mente que vai ser beeemmm mais difícil.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

O retorno (será que agora vai?)

E mais seis meses se passaram sem post novo. Acho que vou me conformar que esse blog agora terá postagens semestrais. haha

O fato é que depois de um tempo fico meio sem assunto, a nossa vida aqui já virou uma rotina e nada mais me parece extraordinário, sabe? Fora a falta de tempo com o Lucas querendo atenção 24hrs. Talvez agora que voltei a trabalhar tenha como tirar um tempinho pra voltar a escrever posts, mas não prometo.

Ainda recebo bastante email de pessoas querendo emigrar pra cá e procuro sempre responder (ainda que na maioria das vezes com atraso, sorry). Infelizmente nem sempre posso incentivar pois alguns casos são realmente difíceis de se conseguir um visto de residência. E eu não acompanho mais esse assunto, então não sei mais as profissões que estão na lista de demanda, como está o processo de aplicação, etc. Nem sobre a área de direito eu tenho mais informações, pois como já disse abandonei por hora a ideia de validar o meu diploma e sinceramente não sei se o farei algum dia.

Há pouco mais de um mês voltei a trabalhar depois de 7 meses de licença maternidade. Não sei se já comentei aqui, mas a licença maternidade é de 1 ano, mas não remunerada. O governo paga 18 semanas (tem alguns requisitos como vc ter trabalhado 12 meses antes do bb nascer) mas apenas 1 salário mínimo por mês. Como o salário mínimo aqui é de $622 por semana, não é tão ruim, mas tá longe de ser o salário que eu recebia. Algumas empresas até pagam também uma licença que varia de 12 a 18 semanas. No meu caso, como minha empresa é americana, eles pagaram 6 semanas apenas e acharam que estavam fazendo muito. Eu juntei 1 mês de licença médica que tinha, mais 1 mês de férias (que acabei só recebendo 15 dias por conta de um erro da minha gerente) e o resto foi sem remuneração mesmo. Claro que ficou apertado, mas até que não foi tão ruim como achei que seria. Os gastos com bb não são tão altos como eu imaginei pois aqui se compra muita coisa de segunda mão super barato (outro dia mesmo comprei um saco com 100 roupas de bb, muitas quase novas, e paguei apenas $30), e mesmo coisas maiores como carrinho, mamadeiras, fraldas, etc, não é tão caro como no Brasil. Por exemplo, assim que o Lucas ficou um pouco maior (tipo uns 3 meses) passei a comprar fralda genérica (do supermercado Aldi) que é ótima e a metade do preço de uma da Huggies. Pra vcs terem uma ideia a fralda do Aldi custa $0.20 por fralda, enquanto a da Huggies custa uns $0.50 por fralda (e no Brasil quando fui de ferias eu pagava no mínimo $0.80 pela fralda da Pamper que, sinceramente, não chega aos pés da qualidade da fralda do Aldi!). Fora que com um bb e sem família por perto sua vida social beira zero, o que é mais uma economia. Então no fim das contas o que gastávamos antes com saídas, almoço fora, bebida, agora trocamos por fralda. rs

Eu tinha dito no trabalho que voltaria em agosto-setembro, mas sinceramente a vida de dona de casa não é pra mim e eu já estava enlouquecendo. Acho louvável as mulheres que optam por ficar em casa com o bb, mas não é pra mim. Então quando o Lucas fez 6 meses achamos que estava na hora de eu voltar. Claro que também não quis (e não quero) voltar a trabalhar integral, pois curto muito ficar com o pequeno. Assim voltei 3 dias por semana, e numa nova posicao – como paralegal. Eu já trabalhava como paralegal há tempos, mas eles ficavam enrolando pra mudar meu contrato. Aí quando voltei não tinha como mais me enrolarem e finalmente me deram o novo contrato. Como meu escritório paga muito bem (um oásis no mercado de paralegal), meu novo salário me garante um valor perto com o que eu recebia antes, mas para trabalhar apenas 3x por semana. E eu ainda reclamei porque queria mais. Haha Mas a verdade é que por causa da minha formação em direito eu faço mais que um paralegal, como diz a minha chefe, ela me dá trabalho de “second year associate”, então nada mais justo que eles me remunerem acima da mádia, não? Como estou retornando da licença vou ficar na minha por enquanto, mas eles que me aguardem pedindo aumento ano que vem. rs

A vida após o retorno ao trabalho tá bem puxada, mas aos poucos estamos entrando na rotina. E por incrível que pareça ter um filho me fez ter mais vontade de cozinhar, fazer uma alimentacao saudável pra ele e pra nós. Entao perco mais tempo na cozinha, o que tem me deixado inclinada a comprar uma Thermomix, se eu conseguir convencer o Thiago a gastar uma grana, mas isso é assunto pra outro post…

Enfim, vou ver se escrevo mais frequente e nos próximos posts vou comentar um pouco mais sobre esse retorno ao trabalho, como funciona creche aqui, atividades extracurriculares pra criancas e bbs, etc. Se alguém tiver alguma curiosidade ou sugestão de post, fique a vontade pra mandar sugestões nos comentários! Isso se depois de tanto tempo de blog morto ainda tiver alguém acompanhando… rs

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Voluntariado na Australia

Eis que resolvi retomar com o trabalho voluntário aqui na Austrália. Já tinha feito uma vez no ano em que cheguei aqui, 2 em eventos específicos no Mardi Gras e outro mais longo, por 3 meses, em que eu ficava no saguão do fórum dando informação para as pessoas sobre as audiências. Mas aí comecei a fazer curso, depois consegui emprego no escritório que estou, e não deu mais tempo de fazer.

Agora, em parte por conta do novo curso que estou fazendo, em parte porque sempre gostei de fazer trabalho voluntário, resolvi retomar.

Primeiro devo esclarecer que achar um trabalho voluntário não é tarefa tão fácil como parece. Muitos fazem uma série de exigências, uma triagem inicial com entrevista, ou tem requisitos específicos (tipo ter carteira de motorista). E praticamente todos dão um treinamento antes de vc realmente começar o trabalho.

O primeiro passo para ser um voluntário é achar um. Os melhores sites na minha opinião para isso são o Seek Volunteer, o Fido, ou o GoVolunteer, mas na minha experiência eles costumam mostrar as mesmas vagas. Vc pode selecionar por área de atuação, por bairro, por tempo de comprometimento exigido, etc. Esse site aqui também tem bastante informação sobre o voluntariado na Austrália, incluindo um passo-a-passo.

Escolhido o trabalho, vc aplica online normalmente pro próprio Seek, onde eles fazem uma triagem e depois te passam o contato do responsável na organização que vc escolheu. Mas as vezes o contato já é direto com a organização.
Tem muitas vagas, mas é fácil notar que algumas áreas da cidade são mais carentes de voluntários que outras. As áreas mais pobres, principalmente no oeste, são as que normalmente tem mais ofertas.

Detalhe importante: voluntariado é muito difundido na sociedade australiana, e pega muito bem no currículo. Além de ser uma excelente oportunidade de vc desenvolver novas habilidades, se envolver com sua comunidade (bairro), treinar o inglês.

No meu caso, como eu trabalho full time, tive que buscar algum que fosse a noite e/ou fim de semana. E na mesma semana que comecei a buscar o St John estava anunciando que precisava de mais voluntários.

Pra quem não conhece, o St John Ambulance é uma organização mundial que presta serviços de primeiros socorros. Como eles descrevem no site da organização: “Active in Australia for over 130 years, St John Ambulance Australia is a self-funding, charitable organisation active in all States and Territories, dedicated to helping people in sickness, distress, suffering or danger. Providing services to a broad scope of the community, St John Ambulance Australia is the country's leading supplier of first aid services and training.”

Aqui em Sydney eles se dividem em divisões espalhadas por diversas áreas (South, North, West, etc). A mais próxima de mim é a do sul, cujas reuniões/treinamentos ocorrem no bairro de Woolooware. E funciona um pouco como os escoteiros, no sentido de ter hierarquia, uniformes, broches. A medida que eu for me envolvendo mais conto mais detalhes.

O trabalho dos voluntários consiste em basicamente prestar atendimento de primeiros socorros em eventos espalhados pela cidade, mas existem outras áreas de atuação deles no atendimento a comunidade.

É um voluntariado de longa duração, que eles chamam, pois pedem comprometimento de pelo menos 1 ano. E realmente não tinha como ser menos, pois o treinamento que vc passa até poder estar apto pra realmente atuar nos eventos é longo e demora no mínimo 3 a 6 meses.

Ainda estou no primeiro mês, preenchendo a papelada (imensa!) e participando das reuniões que ocorrem toda terça-feira a noite e duram 2 horas. Quando estiver apta a atuar nos eventos, eles pedem uma disponibilidade de pelo menos um fim de semana por mês pra cobrir as escalas nos eventos, mas tem gente que faz bem mais que isso. Existem desde eventos pequenos, como uma feira escolar até eventos imensos como o City to Gong, uma maratona de bicicleta que vai do centro de Sydney até a cidade de Wollongong, que fica 80km ao sul de Sydney, e mobiliza um aparato enorme de profissionais, dentre médicos, enfermeiros, policiais, agentes de transito, paramédicos, voluntários.

Por enquanto posso dizer que está sendo um desafio imenso, porque todos falam imensamente rápido nas reuniões e com muitos termos técnicos/médicos que me deixam tonta. Por mais que eu até considere o meu inglês bom, meu vocabulário está longe de ser tão vasto, ainda mais na área de saúde. Fora a bruxa que coordena os voluntários que me dá nos nervos. Confesso que algumas semanas eu pensei em desistir, mas não é do meu feitio desistir de desafios. :)

Ainda fico mega tensa só de pensar em atuar sozinha num evento e ter que fazer um atendimento de emergência, mas tento não pensar nisso, um dia de cada vez. rs Fora que se todo mundo ali conseguiu, porque eu não conseguiria? Se bem que alguns dos voluntários são enfermeiros, então já saem na vantagem...

Pra esse post não ficar muito longo, vou deixar pros próximos a sabatina de documentos que muitos voluntariados pedem e o curso de primeiros socorros que tive que fazer. Aguardem as cenas do próximo capítulo. :)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Tipos de contrato de trabalho na Austrália

Em muitas coisas os contratos de trabalho na Austrália são parecidos aos do Brasil, mas existem algumas diferenças.

Existem basicamente 3 tipos de contrato:

1) Permanent

É o equivalente ao nosso “carteira assinada”, apesar de na Austrália não existir a carteira de trabalho em si. O contrato pode ser para trabalho “full time” (sendo o padrão 37.5 horas por semana) ou “part time” (qualquer valor de horas menor que os 37.5 semanais, mas não necessariamente a metade. Existem "part time" de 4hrs ou 6hrs diárias). No caso do "part time", os mesmos direitos trabalhistas são garantidos, mas pro rata ao número de horas trabalhadas. Segundo o site do Fair Work (órgão do governo que regula as relações trabalhistas), os benefícios do trabalhador permanente incluem:

- número máximo de horas de trabalho por semana. Ou seja, se passar das 37.5hrs o empregador tem que pagar hora extra. Na empresa do Thiago eles dizem que só se passar de 2 hrs de hora extra é que cabe a remuneração, o que eu acho estranho... No meu escritório eles pagam hora extra direitinho e ainda num valor acima da hora normal. E ainda pagam táxi se vc trabalha mais de 2hrs do horário normal ou se trabalha a noite (tem uma secretária noturna que trabalha part time de 5pm a 9pm e volta pra casa todo dia de táxi pago pela empresa – e olha que ela mora longe e gasta $100 por dia!). Outro benefício que algumas empresas pagam é adicional de 15-20% de férias, mas acho que não é regra. Na empresa do Thiago não pagam, na minha pagam.

- férias anuais e “sick leave” remuneradas. Pra um trabalhador full time são 4 semanas de férias remuneradas por ano, como no Brasil. A diferença aqui é que se vc quiser tirar mais do que essas 4 semanas normalmente pode fazer na boa, só precisa acordar com o chefe a data e ter ciência de que não será remunerado. A maioria das empresas fecham na semana do Natal e Ano Novo (não é o caso da minha, infelizmente, alguma coisa tinha que ser ruim perto de tantos benefícios... rs), e esse fechamento é descontado das férias. No caso do Thiago a empresa dele fecha 3 semanas (!) então só sobraria 1 semana de férias. Só que muita gente não viaja no fim do ano por ser muito caro, mas precisa de uma folga longa no decorrer do ano pra visitar a família (na maioria das vezes em países distantes). Sabendo disso eles permitem que se tire mais 4 semanas durante o ano, mas sem remuneração.

A “sick leave” é a licença médica. Cada trabalhador full time tem direito a 10 dias de licença médica remunerada por ano (eu sempre achei que eram 8 dias, mas no site do Fair Work eles falam em 10). E acredite, todo mundo usa essa licença! Qualquer espirro ou dor de barriga é motivo pra alguém ligar dizendo que está doente, só pra usar esse benefício. Tanto que muitas empresas passaram a exigir atestado médico (que aqui se chama “Medical Certificate”, by the way), a do Thiago por exemplo exige esse atestado para sick leaves nas segundas e sextas. Na minha empresa eu nem sei pois todas as vezes que faltei por motivo de doença eu realmente tinha um atestado para apresentar.

- aviso prévio e pagamentos proporcionais aos dias trabalhados.

Um detalhe: o que muito se faz é no contrato estipular 3 meses (ou 6 em alguns casos) de experiência, e a partir daí o contrato segue como “ongoing permanent”. O meu é uma exceção por ser de 1 ano, renovável anualmente, mas os benefícios são os mesmos.


2) Contractor

Equivale ao nosso “autônomo”. Assim como no Brasil aqui muitas vezes a empresa faz um contrato de "contractor" quando na verdade o trabalhador exerce todas as funções de um permanente e é efetivamente um funcionário. No site do Fair Work tem uma explicação detalhada. No que diz respeito ao contractor existem mil nuances, esse post ia ficar muito longo se eu fosse explicar...

Um adendo: tenho um conhecido da área de TI que trabalha numa empresa como “contractor” há mais de 1 ano. No inicio ele ficou meio ressabiado pela insegurança de não ser permanente, por poder ser mandado embora a qualquer momento. Mas financeiramente compensa, e muito! Principalmente na área de TI, acho, em outras apesar da remuneração por hora trabalhada ser normalmente maior, a diferença não é tanta assim e acaba não compensando. O Thiago eu vejo que foge das vagas de “contractor”, exatamente pela insegurança, pois essas vagas normalmente são pra cobrir uma demanda momentânea da empresa e serão extintas em breve.


3) Casual

O trabalhador casual é pago pelas horas trabalhadas e não tem qualquer vinculo empregatício com a empresa. É o mais comum na área de hospitality (garçom, barista, etc) e nos empregos de cleaners (faxineiro ou limpeza em geral). Não tem direito a férias ou sick leave remuneradas.

Essa hora paga tem que ser mais alta nos sábados, domingos e feriados. Num dos restaurantes que eu trabalhei, p.ex., ganhava $21 p/h durante a semana, $24 p/h nos sábados, $28 p/h aos domingos e $50 p/h nos feriados. Esse valor muito superior nos feriados é o que faz muitos restaurantes que abrem nesses dias cobrar um valor adicional dos clientes pra cobrir os custos com funcionários.



Para finalizar: a principio ser full time não tem qualquer relação com dedicação exclusiva. Muitas empresas em seus contratos colocam uma clausula de exclusividade, mas que só se aplica para o mesmo ramo, p.ex., um engenheiro com contrato de “permanent” e full time não poderá trabalhar como engenheiro em outra empresa ao mesmo tempo. Mas nada impede que ele trabalhe de empacotador no supermercado no seu tempo livre - o que é surpreendentemente comum por aqui. Eu mesma já peguei uns bicos no final de semana de babysitter. O Thiago me comentou outro dia que um arquiteto que trabalha com ele faz bico de caixa do 7Eleven (uma rede de loja de conveniência) nos fins de semana. E por aí vai, isso não é demérito algum e financeiramente compensa, pois mesmo nesses bicos vc ganha pelo menos $20 por hora trabalhada.

Ah, e no caso de “casual” ou “contractor” não há qualquer limitação de dedicação exclusiva.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Emprego

Essa semana parece que finalmente o meu dia chegou! Depois de muita angústia, muita procura, muitos "dias não", finalmente consegui um emprego na minha área.

Tá bom, não é como advogada - claro (aliás nem acho que quero mais ser advogada aqui) -, nem como paralegal, mas estou confiante que será um bom começo.

Foi tudo muito rápido, num dia fiz uma entrevista com a office manager pra uma vaga de legal secretary num escritório de advocacia, no dia seguinte a entrevista com o sócio e no final do dia estava contratada! Ainda estou meio atordoada, demorei uns dias pra acreditar que realmente estava contratada, que eles não iam voltar atrás... rs

Agora é ver como vai ser a primira semana, os primeiros 3 meses de experiência. E voltar a fazer planos pro futuro! Quem sabe dá pra tirar férias e ir no Brasil ano que vem? :-)

sábado, 22 de setembro de 2012

TAFE

Como eu disse no post anterior, como no momento não dá pra ser advogada aqui, também não consigo nada na minha área, eu estava enlouquecendo de ficar parada. Preciso ao menos sentir que estou andando pra frente, sabe? Mesmo que não seja na direção definitiva, mesmo que role uma curva lá na frente.

O caminho mais fácil que arrumei foi fazer um curso no TAFE. Pra quem não sabe o TAFE, como eles mesmo definem no site, "is the largest vocational education and training provider in Australia and one of the best in the world" (https://www.tafensw.edu.au/).

Fazendo uma comparação muito rasa, é tipo um SENAI, ou CEFET, ou qualquer desses cursos técnicos que existem no Brasil. Não é uma qualificação de nível superior, mas te habilita a ingressar no mercado de trabalho, nas mais diversas áreas.

A diferença é que enquanto no Brasil os cursos técnicos não são tão valorizados como uma faculdade, aqui é a porta de entrada pra maioria das pessoas no mercado. Sinto que aqui as pessoas não dão tanto valor a universidade, a experiência profissional conta mais.

Fora que os cursos do TAFE são curtos e infinitamente mais baratos se comparados com os da universidade.

Para quem está na Austrália com visto de estudante, um curso no TAFE não vale a pena por ser muito caro. Mas pra residentes o preço cai de uma forma impressionante, na maioria das vezes não passa de $500 dólares por semestre.

A rigor o caminho de estudos no TAFE começa com o Certificate I, em seguida o II, III, IV e por último o Diploma, este último equivalente ao primeiro ano de uma universidade.

Tem curso pra todo gosto, vejam os nomes de alguns que peguei do site: "Animal studies", "Accounting", "Automotive Sales (Specialising in Replacement Parts and Accessories)", "Hospitality", "Printing and graphic arts", "Tourism", e muitos, muitos, muitos mais. O TAFE tem dezenas de campus e institutos, espalhados por toda o país, e é bem reconhecido por aqui.

Muita gente não começa do nível 1, que é muuuiiitoo básico. Qualquer experiência profissional que vc tenha ou formação anterior pode contar pra pular umas etapas.

No meu caso eu decidi fazer o curso de "Legal services - Certificate IV", cuja definição no site deles é a seguinte: "This course is for people who wish to work in the legal sector as a legal secretary, legal support officer, legal assistant or paralegal. You will learn how to work within the legal framework, conduct legal research, establish and maintain files and communicate effectively."

Em junho passado foi a inscrição, levei meu diploma e histórico do Brasil traduzidos, e me colocaram pra fazer uma prova de typing + conceitos básicos do word (tranquilo) e outra de legal terminology. Nessa última foi uma desgraça, cheia de pegadinha, muita coisa específica não só de direito em si, mas da função de secretariado. Resumo: não fui bem e a coordenadora do curso quis me colocar no Certificate III. Argumentei que não fazia sentido com meu "5 years degree" no Brasil, que os termos em inglês eu aprendia fácil, mas não teve jeito, ela disse que o curso estava lotado de qq forma (são só 15 a 20 pessoas por turma, 1 a 2 turmas por semestre, e tem prioridade quem fez o nível anterior). Eu podia ter tentado outro campus, pois essas regras e chatices variam muito, mas confesso que fiquei com preguiça, esse campus que fiz a prova (Ultimo) é na City, pertinho de casa. Fora que não quis correr o risco de perder mais 6 meses, e, afinal, mesmo dando um passo atrás sempre vou ter coisa a aprender, ainda mais em inglês.

Com isso comecei o nível III em agosto, o curso se chama "Business Administration (Legal)", e segundo o site: "You will learn how to use legal terminology, draft legal correspondence, maintain records for time and legal disbursements and apply principles of confidentiality and security in the legal office. You will learn how to
apply knowledge of the legal system to complete administrative tasks." Dura 6 meses, full time (3 vezes por semana o dia todo), e são 6 matérias, sendo 3 jurídicas (legal terminology, legal office & simulated legal office) e as outras 3 de business em geral (database, excel, power point, advanced word, keyboarding).

Essa semana encerrei o primeiro trimestre do curso, e já deu pra fazer um balanço: tédio total! haha

As matérias não jurídicas é de um be-a-bá impressionante. Isso porque teoricamente é tudo nível avançado! Fazemos tudo em aula, no Cert. III praticamente não tem trabalho pra casa, e as professoras pouco explicam, temos um livro de passo a passo e cada aluno fica seguindo o seu. Quando a professora resolve explicar, é pior ainda, quase dormi várias vezes. rs

As matérias jurídicas são mais interessantes, mas a professora avança a passos de tartaruga, os alunos parecem lesados, demoram anos pra entender um conceito simples. Talvez eu esteja sendo muito exigente pois já tinha tanto formação acadêmica qt experiência prática, mas enfim.

Claro que estou sendo muito exigente, no fundo sei que todo conhecimento é válido, mal ou bem estou sempre apredendo coisas novas, aprimorando algumas funções de word, excel, etc que já tinha esquecido, aprendendo os nomes em inglês. Na turma só tem eu e mais 2 meninas chinesas, os demais são australianos. Claro que isso também é ótimo pra eu melhorar meu inglês, ter mais contato com temas mais complexos. Achei que eu ia penar mais com o idioma, mas até que não está sendo ruim.

No final a meta de fazer esse curso foi mesmo ter uma qualificação na Austrália, por mais mínima que seja, e quem sabe com isso ajudar na busca por algo na minha área. Ainda estou na dúvida se vou seguir com o Certificate IV e Diploma, a princípio seria o caminho natural das coisas, mas o problema é que fazendo curso integral fico impedida de trabalhar. Até tem esses cursos noturnos no TAFE, mas dura 1 ano ao invés de 6 meses. E de jeito nenhum que eu vou ficar um ano fazendo um módulo desse curso lesma! haha

Bom, agora tenho 2 semanas de férias e depois mais 9 semanas de curso. Em dezembro, quando ele acabar, penso no próximo passo. Sim, porque se tem uma coisa que aprendi (a duras penas) desde que cheguei na Austrália é que tenho que dar um passo de cada vez (baby steps). Não faço mais planos a longo prazo, não fico mais ansiosa com o que o futuro me reserva (ou ao menos tento, projeto in progress...rs), vivo um dia de cada vez. :-)

segunda-feira, 12 de março de 2012

E as coisas começam a dar certo...

Depois de muito reclamar que não conseguia emprego, nesse final de semana puxado (trabalhando em 2 eventos até de madrugada) terminei não com 1, mas com 2 empregos de uma tacada só! Infelizmente ainda não é na minha área, e sim em hospitality (um num café e outro num restaurante). Longe de ser o ideal, claro, mas alguma coisa pra começar.

O melhor de tudo é que somando os 2 acho que consigo pagar nossas contas, o que já vai me deixar bem mais tranquila de não ficar só vendo nossas reservas se esvaindo e dar tranquilidade pro Thiago achar algo na área dele.

Por outro lado vai ser bem puxado, ainda mais pra mim que estava acostumada a trabalhar num escritório todo dia, sentadinha. Agora vou pegar de terça a sábado no restaurante, de noite, e no café as quintas, sábados e domingos de manhã cedo até 3pm. Fora o curso de segunda a quarta, que toma toda a manhã, e um trabalho voluntário que estou tentando conseguir pra trabalhar num Tribunal, e ver se consigo começar a me inserir na minha área (sonho distante por enquanto).

Enfim, estou animada com esse (re)começo, vamos ver quanto tempo aguento nessa rotina. Apostas? rs

quarta-feira, 7 de março de 2012

Skillmax

Hoje completei 1 semana de curso no Skillmax, que como eu disse no post anterior é um curso de inglês focado na área profissional, cortesia do governo australiano para os imigrantes qualificados (detalhes em: http://www.ames.edu.au/content/coursesvolunteers.aspx). Na verdade descobri que o curso não é bem de inglês, quer dizer, o foco não é ensinar a língua ou aperfeiçoa-la, e sim ajudar na busca por emprego.

Eles fazem isso dando diversas dicas sobre como redigir o CV e a cover letter (carta de apresentação, exigência de todas as vagas aqui), além de ensinar técnicas de entrevista. Que fique claro que eles não ajudam a achar emprego em si, nem nos direcionam para vagas, apenas ensinam como se adequar ao modelo profissional australiano.

Eu confesso que achei que o curso ia me ajudar mais a melhorar o inglês, porque afinal não achava que o mercado profissional australiano fosse tão diferente do brasileiro e do resto do mundo ocidental. Pensava: quão dificil pode ser fazer uma cover letter e CV? Ledo engano...

Depois de uma semana de curso cheguei a conclusão que estamos (eu e Thiago) fazendo TUDO errado. A impressão que tenho é que temos contado com a sorte, porque por critérios técnicos nunca seriamos chamados pra trabalhar nas nossas áreas.

E não porque nosso currículo seja ruim, muito pelo contrário, todos dizem que é ótimo, que temos muita experiência. O problema é que aqui tudo tem uma técnica específica. Os anúncios pedem X - então vc tem que ler, analisar, extrair os atributos específicos do cargo, os intrínsicos, e se duvidar ler a mente do futuro empregador (rs) - daí vc extrai X + Y + Z. Passo 2: fazer uma cover letter para cada vaga e adaptar o currículo para cada vaga (sim, eu disse para CADA vaga! não vou ter tempo de fazer mais nada, 24hrs de trabalho só pra aplicar pra uma vaga...). Isso porque se o anúncio for de recruiter (empresas de recrutamento, ou headhunter como se diz no Brasil), o que ocorre com 90% dos que vemos, vc tem que colocar na cover letter E no CV exatamente os atributos (leia-se, palavra por palavra) que eles pedem, senão corre o risco de ser barrado já no programa de software que eles usam.

Sim, porque parece que aqui eles usam um software (inventado em Sydney, segundo a minha professora) que escaneia as cover letter e CV, e se não tem os itens pré definidos, sua aplicação nem chega a ser lida pelo recruiter, muito menos chega nas mãos da empresa.

Depois de tudo isso, se sua cover letter for lida e aprovada, eles lêem seu currículo. E se o CV for aprovado, te chamam para uma entrevista, onde tem mais um monte de pegadinhas (não cheguei nessa parte do curso ainda... rs Parece que eles tem no curso 2 semanas só de treinamento em técnicas de entrevista, gravam vc e tudo para analisar depois. OMG!).

Enfim, desanimador, ainda mais pra mim que não aplico para posições exatamente iguais as que eu fazia no Brasil, já que não posso advogar aqui.

Fora que tudo bem que fazia mais de 10 anos que eu não partia para a árdua tarefa de buscar emprego, mas juro que não me lembro da coisa ser tão penosa, ou melhor dizendo, meticulosa, no Brasil. Enfim, temos que nos adaptar ao jeito aussie de ser, fazer o que.

Pra quem é de TI, um aviso: a vida de vcs não será tão penosa, pelo menos pelo que ouço dizer... rs

Mas por outro lado é bom que tenhamos essa ajuda, nos motiva a recomeçar do zero e nos focar a refazer nosso processo de aplicação para aumentar as possibilidades de obter um emprego. Veremos o que o futuro nos reserva. :-)