quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Bracca e comunidade brasileira em Sydney

Como estou deixando alguns posts programados para as próximas semanas, já nao sei quando esse vai sair, então não dá pra dizer: “no ultimo fim de semana…”. rs

Melhor começar com: no último dia 15 fomos no jantar de Natal do Bracca. Pra quem não sabe o que é o Bracca explico: trata-se da Brazilian Community Council of Australia, cuja sede fica em Marrickville, um bairro de Sydney.

Eles são responsáveis por vários eventos brasileiros em Sydney, e no último dia 15 fizeram um jantar de Natal. Alguns amigos nossos se interessaram em ir também e acabamos fechando uma mesa de 8 lugares. Foi bem legal conhecer a sede do Bracca, a comida estava ótima e a música idem.



Fiquei até com vontade de participar mais da comunidade brasileira aqui, só me falta tempo (com trabalho + academia + afazeres de casa + curso + as centenas de horas de trabalho voluntário que tenho que cumprir pro curso, e ainda mais agora morando mais longe). Mas como eu sempre fui da teoria que falta de tempo é desculpa pra falta de interesse, já estou começando a correr atrás de algum trabalho voluntário com eles.

Uma coisa que sempre acreditei é que não se deve fazer com os outros o que não gostamos que façam com a gente. Uma coisa que foi crucial quando chegamos aqui foram as pessoas que nos ajudaram de alguma forma, os laços que formamos, e por isso procuro sempre retribuir, ajudar sempre que eu posso. Infelizmente muitas vezes não tenho a resposta pro que me perguntam por email, não conheço muito sobre áreas específicas e não sou agente de imigração. Também me irrita bastante os mal-agradecidos, os sem noção que acham que vc está ali pra servir, enfim, acho que todo mundo que tem blog reclama disso (aliás eu outro dia li um post ótimo sobre isso no blog do Renato, aqui) e esse não é um post de reclamação (quem sabe um dia eu faça um post só de mimimi... rs).

Morar em outro país é difícil, o começo é complicado e árduo, a saudade é uma constante que as vezes pesa demais e vc se pergunta se vale a pena continuar longe da família e dos amigos de longa data. Acho que morar fora é um eterno questionamento, uma eterna balança onde temos que ficar pesando se vale a pena ou não.

As vezes eu penso que não me envolvo mais com a comunidade brasileira porque muitas vezes o objetivo de vida é muito diferente, não me identifico com os estudantes que vem pra cá passar 1 ano e voltar, com o clima de oba-oba, com as atitudes erradas e falta de educação e civilidade que muitos trazem do Brasil. Também não me identifico com toda cultura brasileira, todo mundo sabe como é, o Brasil é grande demais e cada um tem suas preferências de “tribo”, preferências musicais. Eu, por exemplo, odeio música sertaneja (a não ser um cd antigo do Leandro e Leonardo que me traz boas lembranças das viagens de carro que eu e minha irma fazíamos com nosso pai... E que o Thiago odeia quando coloco pra tocar. haha), odeio pagode, odeio funk, axé, bossa nova me irrita, etc. haha Então nos festivais brasileiros confesso que preciso de uma boa dose de paciência pra aturar a maioria das músicas, o apelo sexual que sempre tem nas danças (aliás esse é outro ponto que sempre me irritou no Brasil, o machismo e o apelo sexual feminino. Mas isso é assunto pra outro post...).

Por outro lado, é a nossa cultura, sinto falta de ouvir português, do calor humano dos brasileiros, da simpatia. Por mais que vc more 5, 10, 20, 30 anos na Austrália ou qualquer outro pais fora do Brasil, o Brasil nunca sai da gente. Se um dia tivermos filhos aqui, com certeza farei questão de mantê-los ao máximo próximos da cultura brasileira, da música, dos livros, ensinar a língua, etc. E nesse ponto ter uma comunidade brasileira atuante aqui é muito importante, dá uma certa referencia, apoio.

Como esse post já ficou sem pé nem cabeça e nem era esse meu objetivo ao começar, segue a dica pra quem quiser saber mais informações: procurem o Bracca. Eles certamente vão poder indicar um advogado, um serviço, etc. E claro, contribua fazendo a sua parte, atuando na comunidade, retribuindo cada pequena ajuda que receber em dobro.

No fim acho que esse post vai sair bem no Natal, e com espírito natalino. :)

domingo, 22 de dezembro de 2013

Show do Bon Jovi em Sydney

Sim, eu admito: amo o Bom Jovi (e já entrego logo, o Thiago também! rs). Ok, não conheço nada das músicas lançadas depois do ano 2000, mas ainda assim escuto as mais antigas sempre.

Uma inclusive era meu mantra nos primeiros meses difíceis que passei assim que chegamos na Austrália: Keep the faith. :)

Quando há muitos meses atrás descobrimos que eles fariam show aqui em Sydney, corremos pra comprar os ingressos. O show foi no último sábado, no ANZ Stadium que fica no Olympic Park.

Foi o primeiro show de grande porte que fomos aqui (já tínhamos ido no do Cake e Regina Specktor, mas eram em palcos menores), o público estimado era de 50.000 pessoas. Algumas coisas me surpreenderam:

1) Os organizadores estimulam que todos vão de trem/ônibus, pois o transito e o estacionamento ficam caóticos. Segundo o Thiago, o estacionamento vc só consegue vaga se reservar com antecedência, mas nem procuramos saber pois definitivamente não vale a pena o transtorno, acho que acaba demorando até mais ir de carro que de trem.

2) Para ir pro show não precisa pagar transporte, todo o deslocamento até lá é incluído no preço do ingresso, vc só precisa apresentar o ingresso na estação de trem. Se bem que isso nem foi necessário, pois na estação do nosso bairro não tem catraca e na do Olympic Park todas as catracas estavam abertas para facilitar a entrada e saída da multidão.

3) Eles disponibilizam trens extras para o evento, saía uma linha expressa a cada 5 a 10 minutos da estação Central, e só tinha uma parada antes do Olympic Park.

4) O estádio é super organizado, limpo, e como ficamos na arquibancada equivalente ao quarto andar tinha até escada rolante pra chegar lá! E acho que era o andar onde tinha área VIP também, pois o chão dos corredores era todo de carpete (ainda acho bizarro isso de carpete em todo lugar...rs).

5) Claro que chegamos lá e o Thiago já estava morrendo de fome (claro!). Fomos numa das muitas barraquinhas de comida/bebida, já pensando que ia ser uma extorsão (como ocorre nos grandes eventos no Brasil), mas não, foi super razoável: $15 por um cachorro quente + batata média + refri de 600ml. E ainda era no esquema vc pega e paga mais a frente. Não consigo imaginar isso num evento de massa no Brasil...rs

6) Na volta, como era de se esperar, foi um pouco mais tumultuado por conta da multidão saindo ao mesmo tempo pra pegar trem. Mas mesmo assim todo mundo andava devagar, esperava pacientemente na fila pra embarcar no trem, sem tumulto ou confusão. Aliás, o Thiago mesmo comentou que vimos pouquíssimos policiais ao redor do estádio, tanto na entrada quanto na saída. E os que víamos estavam mexendo no celular, conversando... É, acho que eles não devem ter tido muito trabalho mesmo. :)

7) Curioso que quando estávamos chegando vi uma mulher grávida de uns 7 meses e pensei: nossa, eu nunca iria pra um show grande desses com esse barrigão. Depois na volta já pensava diferente, de tão tranqüilo que foi.

7) Como manda o padrão australiano, o show estava marcado pra começar as 8 horas e as 7:45 avisaram no telão que começaria em 15 minutos. E começou mesmo!

Pagamos uns $100 pelo ingresso, e valeu a pena cada centavo! Como vcs podem ver por algumas fotos que coloco abaixo, o show de luzes foi sensacional, o melhor que eu já vi! E o som do estádio estava o máximo, não me lembro de outro show que eu tenha ido que o som tenha me agradado tanto.














Próxima empreitada: Dave Matthews Band em abril. :)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Sendo multado na Austrália

No último fim de semana levamos nossa primeira multa. Explico: estávamos indo pra uma festa, eram 6 da tarde, e passamos pra pegar um casal de amigos. Eles entraram no carro e menos de 100 metros depois um policial nos parou.

Aqui um detalhe para a primeira diferença entre Brasil e Austrália: nem sempre quando vc for parado será pelas tradicionais blitz que conhecemos no Brasil. Aqui existem basicamente 4 tipos de situação:

1) A blitz tradicional, onde um mais carro de polícia montam uma blitz numa das pistas da rua e vários policiais param vários motoristas aleatoriamente, principalmente pra teste do bafômetro.

2) Um único policial, num único carro, monta uma blitz e para um carro por vez. Esse foi o nosso caso.

3) Um carro de polícia vê vc cometendo uma infração, ou suspeita de algo, e pede pra vc encostar e mostrar carteira, fazer teste do bafômetro, aplicar multa, o que couber.

4) Um carro a paisana faz o mesmo procedimento do item 3 acima, já que aqui muitas vezes a polícia está em casos a paisana para detectar infrações “when you least expect it”. rs

Imagino os itens 2 a 4 no Brasil, todo mundo ia pensar que é falsa blitz, assalto, etc. Triste...

Voltando a história, fomos parados e o policial pediu a carteira do Thiago, perguntou se ele tinha bebido e disse que iria fazer o teste do bafômetro. Aqui outra diferença: ao invés de assoprar no bafômetro, vc só tem que contar até 10, ou dizer seu nome completo, perto do aparelho. Não sei como ele consegue captar assim, mas enfim. Claro que deu negativo, no que o policial diz que vai nos aplicar uma multa porque um dos passageiros no banco de trás estava sem o cinto de segurança (o que nem tínhamos reparado...). E que a multa custava $400! Ele ainda perguntou se o Thiago achava justo. Como assim justo? Estávamos errados, fazer o que… O policial ainda ficou repetindo o sermão de que o motorista é responsável por todos os passageiros do veículo e tal.

Tudo bem que eu achei que o policial foi bem grosso, e podia ter dado só uma advertência verbal, como muitos aqui fazem quando a infração não é grave. Mas a lei existe pra ser cumprida, e estávamos errados, então fazer o que. Ainda estamos na dúvida se ele realmente aplicou a multa, pois pesquisando depois descobri que a multa de aplica também ao passageiro e no caso ele não pediu nenhuma identificação do passageiro do banco de trás. Vamos ver se a multa chega nas próximas semanas...

De todo modo, lição mais do que aprendida: não andamos mais nem 1 metro sem nos certificar que todos os passageiros estão com o cinto afivelados.

Ah, e apesar do policial ter falado que a multa era de $400, depois fui pesquisar e é na verdade de $298 pra cada passageiro sem cinto + 3 pontos na carteira. Isso para o motorista, e mais $298 para o passageiro que não colocou o cinto. Veja na tabelinha do RTA (que agora se chama RMS – Roads and Maritime Services) que se todos os 5 passageiros estiverem sem cinto a multa chega a $1,556! E 9 pontos na carteira, sendo que os pontos são dobrados em fins de semana prolongados em virtude de feriado.

Um dia falo sobre a lei relacionada a bebida alcoólica, que não é tolerância zero como no Brasil, mas é bem rigorosa nas punições, envolvendo até um processo no tribunal.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sistema de saúde e "socialismo"

Seguindo a dica do Paulo no último post, eu fui assistir Sicko – documentário do Michael Moore sobre o sistema de saúde nos EUA.

(detalhe que precisou eu assistir mais da metade do filme pra me dar conta que já o tinha visto, anos atrás. Bem que eu estava achando que eram muitos deja vu nas cenas, mas estupidamente só tive a certeza quando já estava na reta final do filme. Realmente minha memória anda ótima! #sóquenão)

Acho que é de conhecimento geral o quanto o sistema de saúde americano é um dos piores do mundo (senão o pior). Ainda assim não deixa de ser chocante. Mas o que me chamou a atenção e me fez escrever esse post foi a correlação com o sistema de saúde da Austrália e com o brasileiro.

Ainda que o sistema australiano não seja mostrado no filme, ele me parece ser bem semelhante ao francês e canadense mostrados: um sistema público e universal.

Mas aí vc pensa: peraí, mas o sistema brasileiro (o SUS) também é gratuito e universal. Isso só na teoria, claro, pois na prática o sistema brasileiro se parece muito com o americano para a população em geral: um sistema falido e elitista. Com o agravante de que no Brasil tem de quebra o “jeitinho brasileiro” pra furar fila de cirurgias no SUS, conseguir leito em hospitais lotados, etc.

Um outro ponto que achei interessante é o foco na prevenção que países como França, Canadá, Cuba e a Austrália fazem. O acompanhamento básico é feito com o GP (general practice, em alguns países chamado de médico de família), e encaminhamento a um especialista só em caso de extrema necessidade. Não são pedidos exames complexos para qualquer coisinha, como no Brasil. Os profissionais médicos de apoio (como enfermeiros) tem participação essencial e muitas vezes fazem a triagem a acompanhamento básico, sem nem passar pelo médico (o que no Brasil, infelizmente, é vetado fortemente pelo lobby do CFM).

Como eu já mencionei, os hospitais na Austrália são todos públicos, e vc será atendido da mesma forma independente de ser rico ou pobre, ter plano de saúde privado ou não. Claro que existem problemas, pessoas reclamam, mas é como uma senhora canadense comenta no filme: “todo mundo reclama de tudo”, porém o fato é que o sistema como um todo funciona.

Me chamou muita atenção também a parte em que o Michael Moore questiona a cultura do “eu”. Explico: a mentalidade que predomina nos EUA (e no Brasil) é o foco no indivíduo ao invés da sociedade. Daí a enorme aversão a programas sociais, que é o que eu mais leio em posts de amigos/conhecidos no facebook e comentários de brasileiros em geral – um tal de xingar/criticar duramente o bolsa família e qualquer tipo de auxílio social, sendo que eles existem em qualquer país desenvolvido do mundo! E são até bem maiores em países de primeiro mundo! (eu ia ficar horas escrevendo se fosse listar a quantidade de benefício social que existe na Austrália...) Outro dia li um texto excelente sobre isso nesse blog (aliás, o título do post é fenomenal: “Não penso, logo relincho”), que retrata tudo que eu penso e mais um pouco que eu não fui capaz de elaborar tão brilhantemente. :)

As pessoas tem uma dificuldade enorme em entender que welfare (bem-estar social) é bem diferente de socialismo. O Michael Moore trava um interessante diálogo com um canadense sobre isso. O canadense estava contando que quando esteve nos EUA teve um acidente de golfe e preferiu voltar ao Canadá pra se tratar, pois nos EUA o tratamento custaria $24,000 e no Canadá saiu de graça pelo sistema público de saúde. Transcrevo o resto da conversa literalmente:

MM – So if you'd stayed in the United States, this would have cost you $ 24,000? Instead, you went back to Canada, and Canada paid your total expenses?

Canadian: – Everything.

MM: – Paid for the operation. It cost you?

Canadian: – Nothing.

(...)

MM: – I'm wondering why you expect your fellow Canadians, who don’t have your problem, why should they, through their tax dollars, have to pay for a problem you have?


Canadian: – Because we would do the same for them. It's just the way it's always been and it’s the way we hope it'll always be.


MM: – Right, but if you just had to pay for your problem, and don't pay for everybody else's
problem, just take care of yourself?


Canadian: Well, there are a lot of people who aren't in a position to be able to do that. And somebody has to look after them.


MM: – Are you a member of the Socialist Party?


Canadian: – No. No.

MM: – Green Party?


Canadian: – No. Well, actually, I'm a member of the Conservative Party. Is that bad?


MM: – Well, it's just a little confusing.

Canadian: – Well... It shouldn't be. I think that... Where medical matters are concerned, it wouldn't matter in Canada what party you were affiliated with, if any
.”



Claro que existe também o outro lado, dos brasileiros se indignarem pelo fato de não verem o tamanho de impostos que pagam sendo revertidos em benefícios sociais para todas as classes sociais, em infraestrutura básica, etc. E eu entendo isso! Só que acho que não adianta tentar mudar as coisas sem primeiro entender a lição básica dos países realmente desenvolvidos: a colocação em prática dos conceitos de comunidade, civilidade e bem-estar social, como praticam o Canadá, muitos países da Europa, e a Austrália. É o que o Michael Moore resume magistralmente no final do filme com a seguinte frase:

“They live in a world of we, not me. We will never fix anything until we get that one basic thing right.”

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Ir ao médico na Austrália

Já falei disso no blog algumas vezes (aqui, aqui e aqui), mas parece que mesmo pra mim o assunto nunca se esgota. Estou há quase 2 anos aqui e ainda tento me acostumar com o sistema diferente, ainda peno quando tenho que explicar sintomas, ir a um especialista, fazer algum tratamento.

Hoje mesmo estava pensando em ir no médico ver umas manchinhas de sol no rosto que tem aumentado e me incomodado, mas só de lembrar da saga de ir no GP, pedir encaminhamento pra um dermatologista, pagar pela consulta do especialista (e mesmo parte da do GP, uma vez que muitos não são bulk billed, ou seja, cobertos integralmente pelo Medicare), aprender como falar o que me incomoda em ingles, pagar pelo tratamento, ufa! Já me cansa (e doi no bolso) só pensar!

(antes que alguém pergunte, não, as manchas não são perigosas. Já tinha investigado uma – a precursora maldita – ano passado e o meu GP disse que eram “freckles” (sardas), que pioram com o sol. A injustiça é que eu me previno demais da conta, passo protetor solar fator 30 todos os dias, evito ficar exposta ao sol, quando vou a um parque/praia estou sempre de chapéu (tenho uma coleção, virou minha nova mania...rs). E ainda assim essas desgraças aparecem! Maldito sol da Austrália! rs)

Por isso hoje quando esbarrei com esse post achei ele super útil. Fica a dica pra quem quiser um mini dicionário de sintomas e partes do corpo em inglês. :)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Então é Natal

Mais um Natal se aproxima, nosso segundo na terra do canguru!

Hoje foi dia de montar a árvore, primeiro a do meu escritório, que como é pequeno acabou metade do escritório vindo ajudar a montar, fazer piada, foi bem divertido. O curioso é que faz quase 1 ano que entrei lá (comecei dia 10 de dezembro do ano passado) e parece que foi ontem. Me lembro que assim que entrei foram montar a árvore e eu também participei. Mas naquela época estava tímida ainda, não conhecia ninguém, ficava insegura com meu inglês. Hoje, 1 ano depois, eu parecia outra pessoa, até piada contei! Em inglês! rs

Depois foi a vez de montar a árvore aqui de casa, no nosso novo apê, que tanto amamos. Foi ótimo!

Detalhe que lá no escritório sobrou pra mim a incumbência de organizar a festa de final de ano. Claro que comecei a ver isso meses atrás, em julho acho, pois o restaurante tem que ser reservado com antecedência. O que parecia tão distante há uns meses, agora está bem próximo, a festa será na próxima sexta. Como meu escritório é pequeno, tem só 13 pessoas, faremos o tradicional jantar num restaurante ótimo que tem no Circular Quay chamado "Cafe Sydney". Seguem algumas fotos:



Essa semana eu estava fechando os últimos detalhes: revisando o menu (será um menu fechado, com 3 pratos - entrada, prato principal e sobremesa - e pra cada prato as pessoas poderão escolher entre 5 opcões), escolhendo os vinhos e champagne (claro que essa parte coube a um dos sócios, até porque eu não entendo nada de vinho, muito menos vinho que custa $100 a garrafa... rs), concluindo o rsvp, escolhendo o seafood platter (tipo um grande prato pra ser dividido pela mesa toda como pré-entrada, e que contém camarão, ostra, lagostin, e alguns outros que eu desconheço até em português como se chama pois não sou chegada a frutos do mar).


Talvez por ser pequeno o office, os companheiros/maridos/esposas/namorados são convidados. Ano passado o Thiago não foi, mas esse ano vai conhecer o pessoal. Com um pequeno detalhe: no mesmo dia é a festa da empresa dele, que será um almoço numa churrascaria brasileira. Como ele vai aguentar jantar um "3 course meal" as 6 da tarde eu não sei, mas o fato é que o sr. pancinha está adorando a ideia. rs


* * * *


Eis que outro dia uma australiana que trabalha comigo me pergunta: vc está organizando a festa de fim de ano, mas e o "Kris Kringle"? Ah? Cuma? Primeiro que ela tem um sotaque super carregado (acho que é do interior) e eu seque entendi o que ela disse em inglês. Depois fiquei alguns segundos pensando no que poderia ser. Deduzi que fosse o amigo oculto, e era. Ué, mas amigo oculto não é "secret santa" em inglês? Pois é, muita gente chama de "secret santa", mas aparentemente tambêm se usa "Kris Kringle" (e viva o wikipedia!).


* * * *


No mais o Natal é bem parecido com o do Brasil, em pleno verão (que aliás ainda não deu as caras esse ano, hoje mesmo estava fazendo 14 graus pela manhã), decoração em vários lugares, ceia, etc. Algumas diferenças:

- O feriado aqui é no dia 25 só, e no dia 26 por ser "boxing day", quando ocorre uma grande liquidação no comércio;

- Na ceia de Natal é muito comum ter frutos do mar ao invés de peru ou carne de porco. Tanto que o mercado de peixes de Sydney fica aberto 36 horas seguidas entre 23 e 24 de Dezembro.


* * * *

Pra encerrar, algumas decorações em Sydney dessa época do ano:




terça-feira, 12 de novembro de 2013

Vôos para a Austrália

Acabei de ler um comunicado da Aerolineas Argentinas de que ela vai parar de operar vôos para a Austrália em abril de 2014. Não que eu alguma vez tenha me arriscado a voar de Aerolineas, cuja qualidade deixa muitíssimo a desejar, mas era uma opção bem barata para viajar pra Austrália (minha sogra, p.ex., vira nesse Natal pela Aerolineas pois o preço das demais estava impraticável). Além de que era uma forma de puxar o preço da concorrência (Qantas e Lan, principalmente) para baixo.

Meu receio é que agora fique ainda mais caras as passagens... Eu que queria tanto ir pro Brasil na Copa, já tô perdendo as esperanças, pois me recuso a pagar $3.000 dólares pela passagem nesse período (tenho uma amiga que pagou $3.500, mas eu já vi uma promoção a $2.800). Já estou me conformando em ir depois da Copa, mas mesmo assim tenho dúvidas se conseguirei o mesmo bom preço do ano passado ($1.400).

Não tem nenhum cientista pesquisando a opção de teletransporte não? Tipo Jornada nas Estrelas? haha

Pra quem interessar possa, eu sempre vejo notícias de passagem barata (como a que comprei ano passado) pela página dessa agencia chilena no facebook: https://www.facebook.com/#!/pages/South-America-Travel/154664724566010. Nao cheguei a comprar passagem com eles, mas tem umas promoções interessantes como a mais recente que inclui um pacote de estadia em Buenos Aires:

Buenos Aires City Package 5Days from SYD $1799* MEL $1962* BNE $1966* PER $2386 per person twin share
INCLUDES International flights Ex–Sydney, 4 nights 3-star hotel in downtown Buenos Aires, all transfers, tango show & dinner at Carlos Gardel.
TRAVEL DATES 16 Feb – 31 May & 13 Jul – 14 Nov 14
"


Segue abaixo o comunicado da Aerolineas Argentinas:

Dear Clients,

Aerolineas Argentinas regrets to inform that effective 02nd of April 2014 Aerolineas Argentinas will be terminating the Australian Operations and no longer will be operating flights in/out of Sydney.

Aerolineas Argentinas will offer the following options for passengers holding Aerolineas Argentinas ticket:

1. Passengers holding tickets to / from Australia who have commenced travel before 28FEB14 even with returns after 02APR14:
Aerolineas Argentina will offer ticketed passengers three alternatives:
1) Total Refund for unused coupons, without penalty.
2) Return journeys on Aerolineas Argentinas before 02APR14
3) Involuntary Rerouting (without charging penalty or fare difference) to or from Australia with the following routing and Airlines only:

- Delta (DL) via LAX
- Emirates (EK) via Dubai
- Korean (KE) via Soul & LAX
- United (UA) via LAX
- ETIHAD (EY) via Abu Dhabi

2. Passengers with tickets to / from Australia with a departure date FROM 01MAR14 with returns after 02APR14

Aerolineas Argentinas will offer two alternatives:
1) Full refund of the ticket paid without charging any fees.
2) Passengers return journey on Aerolineas Argentinas must be prior to April 2, 2014
.”

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ser advogado na Austrália (parte III)

Pequeno update nas informações sobre validação do diploma de advogado na Austrália: conversando com uma brasileira advogada (que está fazendo o curso para se tornar agente de imigração, o que em si não tem nada a ver com a validação do diploma de direito), ela me disse que conheceu uma outra brasileira que está fazendo o processo de validação.

Essa brasileira advogada já submeteu o histórico da faculdade para a LAB (Legal Admission Board – mais informações nesse post aqui) e começou a estudar as matérias exigidas (umas 11 ou 12 se não me engano). Diferente do que eu pensava, as matérias para estudar não custam uma fortuna, é algo em torno de $600. Como só é permitido cursar 2 por semestre (e muito dificilmente vc consegue fazer mais do que isso mesmo que quisesse, pois é bem puxado e se for trabalhar fora concomitantemente, é praticamente impossível), fica em torno de $2.400 por ano, o que é um valor bem módico, muito menos do que eu pensava.

Essa mesma fonte também me disse que uma vez que vc começa a estudar essas matérias para validar o diploma, fica bem mais fácil conseguir um emprego na área, como paralegal ou legal assistant, pois vc faz muitos contatos na faculdade.

Me bateu até um pequeno arrependimento de não estar trilhando esse caminho, ainda mais quando começou a trabalhar aqui no meu escritório uma advogada italiana, que fez um MBA em Nova Iorque e trabalha aqui como advogada mesmo sem validar o diploma na Austrália, já que ela só atua como advogada estrangeira.

Mas no fundo sei que tomar esse rumo seria só pelo retorno financeiro, o mesmo que fiz no Brasil e nunca tive coragem de largar. Agora é minha chance de recomeçar e fazer o que realmente gosto. O duro é ter motivação concluir meus novos estudos e recomeçar do zero...

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Civilidade

Nas minhas leituras do curso de community services, uma coisa sempre me chama a atenção: o foco na igualdade e acessibilidade dos serviços a todos, independente de gênero, raça, condição social, religião, etc. Além do enorme senso de civilidade e bem estar social.

Isso é uma coisa que sempre me chamou atenção na Austrália. Não é que não haja preconceito, exclusão, serviços públicos de baixa qualidade, etc, mas esse não é a orientação do governo, e nem publicamente tolerado. A regra geral é a tolerância, a civilidade, o bem estar social se sobrepondo ao individual.

Existem vários centros comunitários nos bairros, as informações sobre eles, sobre serviços disponíveis a um determinado grupo e, conquentemente o acesso de uma forma geral, são publicamente divulgados.

Esse senso de comunidade, que tanto falta no Brasil, aqui se vê em pequenas coisas. Seguem alguns exemplos:

- Ao pegar o trem pra casa, salto na estação de Sutherland, que é uma das mais movimentadas na região sul de Sydney. Em frente a estação tem uma rua pela qual todos os passageiros tem que atravessar. Pois bem, nessa rua não tem sinal de transito, mas sim a placa abaixo, que significa que quando o pedestre se aproxima da faixa os carros tem que obrigatoriamente parar e ceder a vez. Agora imagina isso no horário de pico, onde o movimento de entra e sai da estação é enorme. Resultado: as 6 da tarde forma-se diariamente uma fila quilométrica de carros, que não demoram séculos transpor essa faixa de pedestres e mesmo assim esperam pacientemente. Não se ouve buzina, motorista xingando pedestre, burlando a faixa, nada! Uma paz e civilidade que causam espanto a qualquer brasileiro.

- Ainda no trem, aqui existe uma regra não dita: se vc for embarcar no trem, não pode fazê-lo antes que todos os outros passageiros desembarquem. Agora imagina isso na hora de pico, em que tem as vezes dezenas de pessoas pra desembarcar/embarcar no mesmo vagão. Pensa que dá confusão? Empurra-empurra, briga, gritaria, gente caindo no vão entre o trem e a plataforma (e muitos outros percalços de quem anda de trem/metro em qualquer grande cidade brasileira)? Claro que não! Nem uma única vez vi um acidente no trem causado por empurra-empurra, tampouco me preocupo de estar no meio do vagão e minha estação se aproximando, pois tenho certeza que sempre vou conseguir desembarcar com calma, não importa quão cheio o trem esteja. E isso não significa atraso no trem, muito pelo contrário, acho até que fica mais rápido com toda essa civilidade.

- Tenho recebido recentemente várias cartas-comunicado do governo sobre obras de melhoria que estão sendo feitas no meu bairro. Há algumas semanas foi um comunicado de que a estação de trem estaria passando por obras e ia gerar algum transtorno, como trens substituídos por ônibus no fim de semana. A outra ontem mesmo informando sobre uma obra que seria feita de madrugada para troca do asfalto de uma rua próxima. Em todas as cartas havia uma explicação detalhada do que seria feito, um canal (telefone, email) para reclamações/sugestões e um pedido de desculpas pelo eventual inconveniente.

Eu que sempre fui uma pessoa mega irritada e impaciente, aqui tenho aprendido a exercitar a calma nas pequenas coisas do dia a dia, andando mais devagar, esperando pacientemente na fila, etc. Não que eu não fosse educada no Brasil, muito pelo contrario, sempre me revoltei com a falta de civilidade do brasileiro, mas confesso que no Brasil vivia estressada no dia a dia e irritada com tudo e todos ao meu redor. Aqui sinto muito mais calma e tranqüilidade, o que melhora consideravelmente a qualidade de vida.

Não estou dizendo com isso que a Austrália seja o paraíso, que não hajam problemas, pois sim existem – hoje mesmo estava uma discussão aqui no trabalho sobre a péssima qualidade dos hospitais (se bem que péssima pra eles é paraíso pra nós brasileiros...rs), a falta de empatia de muitos enfermeiros e médicos, as longas esperas por atendimento. A grande diferença é que aqui padecem disso todos igualmente, do pobre ao rico, pois o sistema de saúde é público e igual pra todos.

Também não digo que não existe preconceito, racismo, mas quando há é normalmente velado e indireto, pois não é moral e socialmente aceito discriminar o imigrante. Estou há um tempo pra escrever um post sobre racismo, preconceito ao imigrante, mas fico sempre adiando pois não sinto que tenho material suficiente pra isso, em parte porque nunca me senti discriminada... Quem sabe um dia. :)

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Melbourne Cup

E ontem, como ocorre anualmente, as 3 da tarde de plena terça-feira, a Austrália parou pra assistir a Melbourne Cup.

Pra quem não sabe, trata-se de uma corrida de cavalos que ocorre em Melbourne toda primeira terça-feira de novembro – o que esse ano coincidiu com o meu aniversário. :-O

Segundo o Wikipédia, a primeira corrida ocorreu em 1861 e tinha 3.218 metros, o que foi encurtado em 1972 para os atuais 3.200 metros (exatamente 2 milhas). O prêmio em dinheiro para a corrida de 2011 foi $6.175.000 mais troféus avaliados em $125.000! Os prêmios são distribuídos para os 10 primeiros lugares, sendo que o primeiro lugar ganha o prêmio maior de algo em torno de 3 milhões e meio. Para cada cavalo, o prêmio é distribuído na proporção de 85% para o dono do cavalo, 10% para o treinador e 5% para o jockey (coitado do cavalo que não ganha nada! haha).

Ainda não consigo entender o motivo dessa corrida ser tão popular e literalmente parar o pais. Em alguns lugares (como Melbourne e outras cidades de Victoria) é decretado feriado, no restante das cidades, muitas vezes as empresas pagam festas privadas pros funcionários, ou liberam mais cedo na hora do almoço, ou pelo menos compram alguns quitutes e todos param pra assistir a corrida. No meu escritório, rolou queijos e vinhos e pausa de uns 30 minutos pra acompanhar a corrida em um telão.

Acho que essa popularidade toda tem a ver com o fato dos australianos simplesmente serem doidos por apostas, de todos os tipos. O Slompo contou essa história num ótimo post com fotos das inúmeras salas de caça-níqueis espalhadas pela cidade.

Como era de se esperar, junto com a corrida é feito um bolão de apostas em tudo quanto é lugar, inclusive dentro das empresas. Esse bolão de apostas é chamado de “sweep pools” e cada um compra um tíquete (ou mais) representando um cavalo. Os tíquetes são distribuídos aleatoriamente, por sorteio, e custam o mesmo valor (geralmente entre $1 e $5), então as habilidades pessoais de cada um com as corridas de cavalo não contam. Quando termina a corrida, os prêmios são distribuídos da seguinte forma:

- quem detém o tíquete do cavalo vencedor ganha metade do valor total do bolão, sendo o restante dividido escaladamente entre o detentor do tíquete correspondente ao segundo e terceiro lugar.

- as vezes há mais de um bolão concomitante, no meu escritório por exemplo eram 3, um com tíquetes a $1, outro a $3 e o terceiro a $5. Como são só 10 pessoas no escritório, claro que não cobria todos os cavalos competindo, então um dos sócios comprou todos os tíquetes sobrando. Com isso as chances dele são sempre bem maiores, claro, mas esse ano ele saiu no prejuízo, desembolsou $80 e só ganhou $20.

- há um premio de consolação para o detentor do número do cavalo que chegou em último lugar. Essa pessoa recebe o valor que pagou pelo seu bilhete de volta.

Uma curiosidade: esses bolões são tão populares nos escritórios (os chamados “Office sweeps") que os jornais australianos como o Sydney Morning Herald disponibilizam para impressão instruções e modelos para o bolão.

Esse ano eu participei do bolão, e fui praticamente a única do escritório que não ganhou nem um mísero dólar. Vai ter sorte assim na China! rs

Uma das marcas registradas da Melbourne Cup é o desfile de chapéus que as mulheres exibem. Com vcs, as fotos:












O cavalo vencedor:



A dona do cavalo vencedor: