sábado, 29 de setembro de 2012

Shows

Outra coisa que sempre quisemos fazer em Sydney era assistir shows de rock, pop, etc. No início, convertendo tudo pra real, acabávamos desistindo pelo preço. Quando começamos a ganhar em dólar, tudo ficou mais fácil. Coisas que eu achava caríssimo hoje acho normal, e às vezes até mais barato que no Brasil.

Há umas semanas o Thiago viu que ia ter show da Regina Spektor (musa dele) no Opera House, e ele ficou impaciente até garantirmos nossos ingressos. rs

Esse show foi até caro, mesmo pros padrões daqui, talvez por ser no Opera House. Pagamos $103 por cad ingresso, mas taxa de $8.50, e entregaram em casa.

O detalhe é que o show é só em dezembro! Tivemos que comprar com tanta antecedência pois estava esgotando super rápido, e antes que meu querido marido tivesse uma síncope, achamos melhor comprar logo. :-)

Pra quem se interessar, segue o link com as informações do show: http://www.sydneyoperahouse.com/whatson/regina_spektor_2012.aspx

Semana passada, foi a vez de comprarmos ingresso pro show do Cake, esse mais próximo, pelo menos. rs

Será dia 15 de novembro, o Metro Theatre, ingressos a $67.30. Segue o link: http://www.metrotheatre.com.au/events/2012/11/15/an-evening-with-cake

Depois conto como foi o show, a estrutura, etc.

Ainda tem muito show que eu quero ver, e agora depois de fazer as vontades do Thiago 2 vezes, será a minha vez de eleger o próximo. :-)

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Cabelereiro

Antes de sair do Brasil eu já me preocupava em como seria a minha vida em Sydney no quesito cabelereiro. No Brasil tinha meu cabelereiro preferido, minha manicure de 15 em 15 dias, minha depiladora de sobrancelha (coisas que só uma mulher entende).

Já sabendo que manicure fora do Brasil é caro e mal feito, comecei a aprender a fazer a minha sozinha ainda no Brasil. O mesmo vale pra sobrancelha. Ainda demoro (muito) mais que os 30 minutos que perdia no salão, mas fazer o que... Quem sabe com o tempo vou ficando mais ágil.

Agora, cortar o cabelo não tem como fazer sozinha, né? Desde que cheguei em Sydney, no final de janeiro, vinha adiando essa questão. Primeiro porque achava o corte aqui caríssimo (no início ainda estávamos na onda de converter pro real), segundo pq tinha receio de entregar minhas madeixas pra qq um.

Com os meses passando, a situação foi ficando insustentável, 8 meses sem cortar o cabelo eu já estava enlouquecendo (again, coisas de mulher...rs).

Cheguei a pensar em cortar em qualquer pela-porco, por 15 doláres, mas não tive coragem...

Eis que num sábado, incentivada por uma amiga, resolvi que era o dia D. Primeiro fomos em Newtown, mas depois de entrar em uns 3 salões que cobravam entre $80 e $90 e ainda tinham fila de espera, desistimos. Fomos, então, pra Kings Cross, também um bairro boêmio de Sydney, apesar de mais trash que Newtown (este mais moderninho).

No primeiro salão que entramos tinha cabelereiro disponível e o preço era exatamente o que eu queria: $40 pelo corte + $10 pra lavar e secar (em tempo: como se corta cabelo sem lavar e secar??). Se quiser blow dry (escova), sai mais caro, mas como meu cabelo é liso não costumo fazer escova, só o secador basta. O salão é bem arrumadinho, grande até, e no dia que eu fui tinha um cabelereiro turco e outra inglesa.

Minha amiga cortou com a inglesa e eu com o turco. Ela não ficou tão satisfeita com a inglesa, que demorou bastante pra cortar, mas eu confesso que gostei do corte dela. Agora, o turco que cortou o meu foi sensacional! Um às da tesoura, super rápido e cortou super bem. Virei freguesa cativa!

Pra quem se interessar, o nome do salão é FM Hair Studio - 48 Darlinghurst Rd, Potts Point, Sydney, tel: 93681155.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Night de Sydney - pra dançar

Hoje estou inspirada, tô fazendo um post atrás do outro e deixando-os programados pra irem ao ar nos próximos dias, ao estilo da Cintia. :-)

Desde que cheguei em Sydney, sinto uma falta absurda de dançar forró. Explico: há 9 anos atrás comecei a ir nos forrós com a minha irmã, e desde então não paramos mais. Até conheci o Thiago dançando! (na verdade o conheci só 3 meses depois de começar a dançar, e durante muito tempo íamos toda semana, até ele ficar velho e cansado, dizer que enjoou do forró e parar de me acompanhar. rs)

Algumas fases fui mais assídua, outras menos mas sempre ia periodicamente dançar, era como uma válvula de escape do estresse, durante 4, 5 horas eu não pensava em nada, só dançava. Conheci amigos no forró, fiquei cada vez mais próxima da minha irmã, encontrei o amor da minha vida, enfim, dá pra ter uma idéia de como o forró faz parte da minha vida.

Nos meses antes de vir pra Sydney, fiz um intensivo: ia toda semana dançar no Democráticos, e realizei o sonho de viajar pra Itaúnas no festival de forró com a minha irmã. Uma semana no paraíso, como vcs podem ter uma vaga idéia pela foto abaixo.



Eis que vim pra Sydney e começou minha abstinência. Até descobri recentemente uma banda de forró que toca aqui em Sydney, mas os shows são esporádicos e eu ainda não consegui ir.

Daí que curo (em parte) minha abstinência na salsa, que é bem mais popular por aqui. Por enquanto ainda estou engatinhando no assunto, mal sei a diferença entre salsa, merengue, rumba, bachata (aposto que esse último a maioria não vai saber o que é... rs Resumo: é um ritmo colombiano, cujo país tem uma comunidade forte por aqui). Fora os diferentes estilos dentro de cada ritmo, ontem por exemplo descobri que tem 2 formas de dançar salsa: LA (Los Angeles) style e cuban style. Também não danço propriamente, apesar de ser parecido com o forró, o que ajuda a dar uma enganada, ainda estou longe dos "profissionais" que rolam nesses lugares.

O primeiro lugar que fui dançar salsa foi no Establishment (http://merivale.com.au/establishmentbar), um bar lindo na City. Vejam algumas fotos:



Dessa vez, fui no Cruise Bar (www.cruisebar.com.au), onde a salsa é às quintas (no Establishment é às terças). Eu já tinha ido nesse bar numa festa brasileira, aliás se não me engano eles estão fazendo festa brasileira lá uma vez por mês, aos domingos, com música ao vivo (samba, pagode, axé) e feijoada, churrasco e caipirinha.

O bom do Cruise Bar é que fica no Circular Quay, com uma vista sensacional pro Opera House. Seguem as fotos:



Dos dois, acho que preferi o Establishment, achei o público mais variado. No Cruise Bar todo mundo parecia se conhecer, muita gente com pinta de fazer aula de salsa, então ficava todo mundo que dançava dançando com as mesmas pessoas conhecidas.

Ainda falta conhecer o La Cita (www.lacita.com.au), que fica em Kings Cross, um bar realmente latino, que tem até sextaneja! Mas sertanejo é demais pra mim, não saí do Brasil pra ouvir isso em Sydney! rs (desculpe se alguém gosta...)

O bom dessas noitadas é que a entrada é gratuita, só paga o que for beber. Se quiser beber só água, eles dão de graça também (viu, Natinha, vc ia economizar uma grana saindo pra dançar aqui!).

Outro ponto curioso é que tudo começa cedo, o Cruise Bar às 20:30hs, o Establishment às 21hs e o La Cita às 21:30hs, e à meia-noite já está praticamente acabando. Tudo bem que é dia de semana, mas eu ia nos forrós às quartas e saía 4 da manhã... rs Enfim, nova vida, temos que nos adaptar. O lado bom é que com sorte dá pra pegar ônibus ou trem pra voltar pra casa e economizar no taxi.

Enfim, não é nem remotamente próximo dos meus forrós do Rio, mas já é um começo, mata (um pouco) a vontade de dançar, e ainda ouço música latina, que amo. Quem sabe um dia não começo a fazer aulas de salsa. ;-)

domingo, 23 de setembro de 2012

Advogado na Austrália - Barristers X Solicitors

Terminando com o assunto jurídico, vou explicar um pouco do que aprendi sobre being a lawyer na Austrália.

Depois de se formar na universidade (ainda fico confusa com a graduação daqui, undergraduate degree, graduate degree, master, então vou pular essa parte. rs), o bacharel em direito tem 2 caminhos a seguir: ser barrister ou solicitor.

Numa explicação bem básica, o solicitor tem todo o contato com o cliente, faz contratos, as peças, dá consultoria. O barrister fica no Tribunal e só atua nas audiências e julgamentos. Essa era até a situação no início, mas hj os solicitors (ao menos em alguns estados da Austrália, como NSW - estado no qual fica Sydney) já podem comparecer nas audiências.

Então talvez a explicação mais correta atualmente seja que os barristers são especialistas em litígio, nas mais diversas áreas, e são contratados pelos solicitors (nunca diretamente pelo cliente) quando o caso envolve uma briga mais complexa na justiça, ou um crime grave.

No site da Bar Association, essa é a definição pra barrister: "Barristers are lawyers who are entitled to, and work as, independent and sole practitioners. Barristers specialise in court work. They also provide specialised legal advice and, like solicitors, can participate or represent people in mediations and arbitrations."

O barrister é registrado na Bar Association (em NSW - http://www.nswbar.asn.au/), já o solicitor na Law Society (em NSW - http://www.lawsociety.com.au/).

Já falei como é basicamente pra se tornar solicitor no outro post, ter um diploma em direito na universidade, fazer o PLT (Practical Legal Training) e obter admissão na Supreme Court do estado.

O barrister é mais curioso pra quem não é da Inglaterra, Australia e afins.

O caminho pra se tornar um barrister em NSW é o seguinte:
1) degree em direito numa universidade
2) fazer 3 exames na Bar Association para obter o "practising certificate"
3) com o "practising certificate with conditions", o graduado é chamado de "reader", devendo seguir um "Reading Programme", que engloba basicamente um "Bar Practice Course" e "Reading with a tutor"
4) fazer um teste final, tipo um julgamento simulado no tribunal.

OBS: Bar não tem nada a ver com bar de bebida. rs Claro que em inglês bar onde se bebe também é bar, mas esse Bar jurídico significa a Ordem dos Advogados.

Os barristers trabalham em "chambers" (tipo gabinetes) nos tribunais, são sempre autônomos e recebem os casos através dos solicitors.

São divididos em junior counsel e senior counsel (esse último era antigamente chamado de queen's counsel - advogado da rainha -, mas essa nomenclatura já caiu em desuso). Pra se tornar senior counsel tem que ser indicado pela "classe", ter atuado em casos notórios, enfim, uma puxa-saquice só. Com o título de senior counsel o barrister pega casos mais complexos e cobra mais caro. Mas só 10% da classe se torna senior, o resto fica sendo junior pro resto da vida.

Agora a parte curiosa: os barristers tem a tradição de usar além da toga preta, a ridícula peruca nos julgamentos. Além disso eles têm um saco azul (?!?!?!) pra carregar documentos. Vejam abaixo a peruca e o tal saco de um barrister junior.





Nesse site tem o precinho dessa pompa toda: http://www.bredin.com.au/page/legal_package_offers.html

Quando se torna senior counsel, a toga passa a ser de silk - ao invés de wool - e a peruquinha fica mais ridícula:



Pra terminar, essa semana vendo na aula um vídeo sobre como se tornar barrister, eis que surge a cerimônia de nomeação na Supreme Court (que aqui não significa a corte suprema do país, como ocorre no Brasil, mas sim a corte de apelação do estado. A corte suprema da Austrália se chama High Court) e os juízes estão com uma roupa ainda pior!



Eu lembrei na mesma hora do Papai Noel. Parecido, não? Claro que essas roupas esquisitas todas significam status, e eles usam até quando estão na rua caminhando pro tribunal.

Agora a pergunta que não quer calar: a Austrália já não é mais colônia da Inglaterra, tem mesmo necessidade de continuar seguindo essas tradições do século passado??? Até na Inglaterra isso devia ser abolido, essas peruquinhas são definitivamente ridículas! rs Fora o calor que deve fazer vestindo essa roupa toda mais a peruca, isso num país com clima quente como a Austrália deve ser uma delícia...

sábado, 22 de setembro de 2012

TAFE

Como eu disse no post anterior, como no momento não dá pra ser advogada aqui, também não consigo nada na minha área, eu estava enlouquecendo de ficar parada. Preciso ao menos sentir que estou andando pra frente, sabe? Mesmo que não seja na direção definitiva, mesmo que role uma curva lá na frente.

O caminho mais fácil que arrumei foi fazer um curso no TAFE. Pra quem não sabe o TAFE, como eles mesmo definem no site, "is the largest vocational education and training provider in Australia and one of the best in the world" (https://www.tafensw.edu.au/).

Fazendo uma comparação muito rasa, é tipo um SENAI, ou CEFET, ou qualquer desses cursos técnicos que existem no Brasil. Não é uma qualificação de nível superior, mas te habilita a ingressar no mercado de trabalho, nas mais diversas áreas.

A diferença é que enquanto no Brasil os cursos técnicos não são tão valorizados como uma faculdade, aqui é a porta de entrada pra maioria das pessoas no mercado. Sinto que aqui as pessoas não dão tanto valor a universidade, a experiência profissional conta mais.

Fora que os cursos do TAFE são curtos e infinitamente mais baratos se comparados com os da universidade.

Para quem está na Austrália com visto de estudante, um curso no TAFE não vale a pena por ser muito caro. Mas pra residentes o preço cai de uma forma impressionante, na maioria das vezes não passa de $500 dólares por semestre.

A rigor o caminho de estudos no TAFE começa com o Certificate I, em seguida o II, III, IV e por último o Diploma, este último equivalente ao primeiro ano de uma universidade.

Tem curso pra todo gosto, vejam os nomes de alguns que peguei do site: "Animal studies", "Accounting", "Automotive Sales (Specialising in Replacement Parts and Accessories)", "Hospitality", "Printing and graphic arts", "Tourism", e muitos, muitos, muitos mais. O TAFE tem dezenas de campus e institutos, espalhados por toda o país, e é bem reconhecido por aqui.

Muita gente não começa do nível 1, que é muuuiiitoo básico. Qualquer experiência profissional que vc tenha ou formação anterior pode contar pra pular umas etapas.

No meu caso eu decidi fazer o curso de "Legal services - Certificate IV", cuja definição no site deles é a seguinte: "This course is for people who wish to work in the legal sector as a legal secretary, legal support officer, legal assistant or paralegal. You will learn how to work within the legal framework, conduct legal research, establish and maintain files and communicate effectively."

Em junho passado foi a inscrição, levei meu diploma e histórico do Brasil traduzidos, e me colocaram pra fazer uma prova de typing + conceitos básicos do word (tranquilo) e outra de legal terminology. Nessa última foi uma desgraça, cheia de pegadinha, muita coisa específica não só de direito em si, mas da função de secretariado. Resumo: não fui bem e a coordenadora do curso quis me colocar no Certificate III. Argumentei que não fazia sentido com meu "5 years degree" no Brasil, que os termos em inglês eu aprendia fácil, mas não teve jeito, ela disse que o curso estava lotado de qq forma (são só 15 a 20 pessoas por turma, 1 a 2 turmas por semestre, e tem prioridade quem fez o nível anterior). Eu podia ter tentado outro campus, pois essas regras e chatices variam muito, mas confesso que fiquei com preguiça, esse campus que fiz a prova (Ultimo) é na City, pertinho de casa. Fora que não quis correr o risco de perder mais 6 meses, e, afinal, mesmo dando um passo atrás sempre vou ter coisa a aprender, ainda mais em inglês.

Com isso comecei o nível III em agosto, o curso se chama "Business Administration (Legal)", e segundo o site: "You will learn how to use legal terminology, draft legal correspondence, maintain records for time and legal disbursements and apply principles of confidentiality and security in the legal office. You will learn how to
apply knowledge of the legal system to complete administrative tasks." Dura 6 meses, full time (3 vezes por semana o dia todo), e são 6 matérias, sendo 3 jurídicas (legal terminology, legal office & simulated legal office) e as outras 3 de business em geral (database, excel, power point, advanced word, keyboarding).

Essa semana encerrei o primeiro trimestre do curso, e já deu pra fazer um balanço: tédio total! haha

As matérias não jurídicas é de um be-a-bá impressionante. Isso porque teoricamente é tudo nível avançado! Fazemos tudo em aula, no Cert. III praticamente não tem trabalho pra casa, e as professoras pouco explicam, temos um livro de passo a passo e cada aluno fica seguindo o seu. Quando a professora resolve explicar, é pior ainda, quase dormi várias vezes. rs

As matérias jurídicas são mais interessantes, mas a professora avança a passos de tartaruga, os alunos parecem lesados, demoram anos pra entender um conceito simples. Talvez eu esteja sendo muito exigente pois já tinha tanto formação acadêmica qt experiência prática, mas enfim.

Claro que estou sendo muito exigente, no fundo sei que todo conhecimento é válido, mal ou bem estou sempre apredendo coisas novas, aprimorando algumas funções de word, excel, etc que já tinha esquecido, aprendendo os nomes em inglês. Na turma só tem eu e mais 2 meninas chinesas, os demais são australianos. Claro que isso também é ótimo pra eu melhorar meu inglês, ter mais contato com temas mais complexos. Achei que eu ia penar mais com o idioma, mas até que não está sendo ruim.

No final a meta de fazer esse curso foi mesmo ter uma qualificação na Austrália, por mais mínima que seja, e quem sabe com isso ajudar na busca por algo na minha área. Ainda estou na dúvida se vou seguir com o Certificate IV e Diploma, a princípio seria o caminho natural das coisas, mas o problema é que fazendo curso integral fico impedida de trabalhar. Até tem esses cursos noturnos no TAFE, mas dura 1 ano ao invés de 6 meses. E de jeito nenhum que eu vou ficar um ano fazendo um módulo desse curso lesma! haha

Bom, agora tenho 2 semanas de férias e depois mais 9 semanas de curso. Em dezembro, quando ele acabar, penso no próximo passo. Sim, porque se tem uma coisa que aprendi (a duras penas) desde que cheguei na Austrália é que tenho que dar um passo de cada vez (baby steps). Não faço mais planos a longo prazo, não fico mais ansiosa com o que o futuro me reserva (ou ao menos tento, projeto in progress...rs), vivo um dia de cada vez. :-)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ser advogada na Austrália

Atendendo a pedidos, estou de volta. :-)

Estamos muito relapsos com o blog, eu sei... O Thiago abandonou de vez, e eu confesso que muitas vezes tenho preguiça de atualizar. Mesmo tendo assunto, vira-e-mexe penso em algo interessante pra escrever, mas logo a vontade passa...rs

Nas últimas semanas eu estava pensando sobre a minha carreira aqui e achei que daria um bom tópico.

No Brasil eu era advogada, me formei em 2004 e tinha mais de 7 anos de experiência, fora os 3 anos antes de me formar em que eu já trabalhava na área. Ou seja, uma bagagem grande pra deixar pra trás.

Quando decidimos vir pra Austrália, eu sabia que não ia ser fácil conseguir algo na minha área. Mas não sabia que seria tãããooo difícil...

Como muitos sabem, o sistema jurídico na Austrália é o Commom Law, baseado no sistema inglês de decisões baseadas em precedentes das cortes. Já no Brasil, o sistema é o Civil Law, de origem romana, baseado em leis.

Eu achava que os dois sistemas seriam completamente diferentes, mas quanto mais eu estudo sobre o sistema australiano mais encontro similitudes. Aqui também tem leis, códigos, normas, e no Brasil também já temos precedentes, mas enfim, mesmo sendo parecido é muito difícil pra um advogado estrangeiro ingressar no mercado.

Pra começar eu não posso trabalhar como advogada por não ter habilitação (tipo a carteira da OAB). Pra ter habilitação, tenho que primeiro validar meu diploma, o que é um longo caminho. Em resumo, tenho que submeter toda minha documentação (histórico, diploma, ementas) para a Law Society (tipo a OAB daqui) e esperar o parecer deles sobre qts matérias complementares eu vou precisar estudar. Segundo já me disseram, pra um advogado do Brasil, são sempre 11 matérias. Só que vc só pode fazer 2 a 3 por semestre, devido ao grau de dificuldade. Ou seja, 2 a 3 anos pra conseguir validar o diploma. Depois disso, tem mais 1 ano de prática jurídica (chamado de PLT - Practical Legal Training). No final disso tudo, tem uma prova na Supreme Court (o Tribunal de Justiça de cada estado) pra finalmente conseguir a habilitação. E mesmo com a habilitação tem um período inicial (que não tenho certeza se de 1, 2 ou 3 anos) em que o advogado tem que ser supervisionado por outro mais sênior, com várias limitações nesse período.

Ufa! Me cansa só de pensar... rs Fora que esses cursos todos são pagos (e caro), o que no momento inviabiliza pra mim pensar nesse caminho no momento. Se é que um dia eu vou pensar em seguir, né, porque já estudei 5 anos de faculdade no Brasil, mas 2 de pós-graduação, meu saco pra voltar a estudar é zero...

Por enquanto sigo tentando ingressar em um escritório em alguma função de suporte, como paralegal, legal assistant, ou até mesmo legal secretary. Mas até isso tá muito difícil, pois para os australianos eu sou "over qualified". Eles não entendem como um advogado com quase 10 anos de experiência pode se contentar com uma função inferior que não exige nem formação acadêmica. Como se eu tivesse opção! Se não posso ser advogada no momento, tenho que tentar começar de novo, mas sem uma oportunidade fica difícil, ora bolas.

Enfim, não estou mais me preocupando com isso, sei que tenho que ter paciência pois na minha área as coisas vão acontecer bem devagar. Por enquanto sigo fazendo meu curso no TAFE, chato a beça, mas isso é papo para outro post.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Balanço após 5 meses

Olá pessoas!

Estou de volta após alguns meses sem escrever no blog. Mas felizmente a Denise tomou a iniciativa de assumir o papel de blogueira e nåo deixou o site abandonado.  Vamos ver se consigo criar uma rotina de postagem, mas acho que a Denise esta fazendo um ótimo trabalho de sucessora. Hehe

Confesso que estes cinco primeiro meses foram um pouco difíceis pois esperávamos conseguir nos estabilizar um pouco mais rápido. Mas mesmo assim foi uma experiência de vida fantástica, muitos desafios, expectativas, mudanças, enfim, saímos da nossa zona de conforto e agora estamos aprendendo a viver o novo, tanto o lado bom quanto o ruim.

Em termos de qualidade de vida e das expectativas quanto a viver em Sydney (organização, transporte,  o povo,  o estilo de vida, etc), eu acho que as expectativas foram alcançadas. Estamos curtindo muito a cidade e tudo que ela pode nos oferecer. Talvez o que mais nos deixou angustiados foi exatamente isso, estávamos adorando viver em Sydney, mas precisávamos de uma coisa crucial: emprego...

Durante o tempo que fiquei esperando e planejando o visto eu acompanhei vários blogs de pessoas que estavam começando a vida na Austrália e isso com certeza foi muito importante pra nos prepararmos para a chegada no país. O único detalhe básico é que eu não contávamos com as dificuldade um pouco maior na hora de encontrar emprego.

Não sei se todos sabem, mas a grande maioria de imigrantes que conseguem o visto de PR são profissionais da área de TI e como todo lugar no mundo, existe uma falta absurda de profissionais da área. Além disso a transferência de experiência entre países é muito mais fácil, a linguagem é mundial, as empresas de TI são multinacionais,  enfim, a barreira da experiência local diminui bastante neste caso.

Estou dizendo tudo isso pra alertar aos que estão com planos de imigrar pra Austrália que dependendo da sua profissão o tempo de recolocação no mercado pode demorar meses, já ouvi gente dizendo que ficou 8 meses pra conseguir o primeiro emprego na área.  Felizmente viemos preparados com uma reserva pra ficar até 1 ano sem emprego o que nos deixou bem mais seguros que seria questão de tempo até aparecer a primeira oportunidade.

O que me ajudou muito foi ter amigos arquitetos que estão morando na Austrália e que me deram muitas dicas e me botaram os pés nos chão em relação ao mercado de trabalho.  Foi isso que nos motivou ainda mais a ter esta reserva de um ano. Eu já estava preparado psicologicamente pra aguardar até 6 meses por uma boa oportunidade de emprego, mas no fundo você fica sempre com a esperança que vai ser diferente, que em 3 meses tudo vai estar bem.

Bom, foram 5 meses procurando emprego como arquiteto, recebi milhares de e-mails negativos pois sempre esbarrava com a falta de “local experience” o que na minha área, e em outras áreas como engenharia, é muito solicitado aqui na Austrália. Além disso, outra coisa contribuiu para esta dificuldade, a crise na Europa acabou reduzindo os investimentos do governo e do setor privado, principalmente na área da construção civil. Com isso as chances de emprego na minha área caíram muito, e ainda continuam baixas, tendo muita procura e pouca oferta, com isso o imigrante recém-chegado acaba levando a pior...

De qualquer forma eu consegui um trabalho temporário por um mês em um pequeno escritório de arquitetura onde eu consegui minha primeira “local experience” e minha primeira referencia local, o que me ajudou muito. Aqui eles prezam muita as referencias profissionais que você tem, e quando digo referencia não é carta de referencia e sim o telefone do seu antigo chefe, e eles ligam mesmo.

E agora, finalmente depois de 5 meses, eu consegui uma oportunidade de emprego muito promissora em um grande escritório de arquitetura aqui em Sydney, e o mais importe: é uma vaga permanente! Vou começar como “graduate” mas por ser uma empresa grande existe boas chances de crescer lá dentro. Agora é trabalhar bastante para começar a fazer um histórico profissional aqui na Austrália.

Acho que já escrevi de mais, mas achei importante contar minha experiência e mostrar que existe um outro lado um pouco mais difícil na imigração para outro país. O meu conselho é se preparar ao máximo para a chegada no pais, tanto financeiramente quanto psicologicamente pois nem sempre as coisas saem do jeito que planejamos. Tente se preparar para uns 6 meses de instabilidade mas se poder vir com um planejamento de 1 ano acho que seria o ideal, pois mesmo depois do primeiro emprego ainda tem muita coisa pela frente até nos sentirmos realmente estabilizados. 

Se você me perguntar se valeu a pena? Te digo com toda certeza que valeu, pois acredito que quem persiste neste país mais cedo ou mais tarde alcança os seus objetivos. E mesmo se não alcançar ou perceber que seja hora de voltar pra casa, esta será uma experiência de vida única!

Boa sorte a todos nos imigrantes que estamos na luta dos nossos sonhos!




terça-feira, 3 de julho de 2012

Internet - a saga continua

Mudança devidamente feita no último sábado, estamos curtindo a casinha nova. O duro é arrumar tempo pra ir nas lojas comprar o que falta de decoração, com meus trabalhos dobrados e o cansaço se acumulando. Mas se tudo correr bem amanhã tenho um dia de folga e conseguimos ir na IKEA ver decoração.

Estou mega feliz com o nosso cantinho, e acredito que o Thiago também. O único senão continua sendo a internet...

Semana passada a Telstra ficou de vir aqui instalar a linha telefônica, o que eu já achei desnecessário pois conectamos o telefone e tem sinal, pra que o técnico precisa vir aqui, não bastava habilitar a nossa conta???

Enfim, marcaram na terça passada, de 8 ao meio-dia. O Thiago ficou aqui a manhã toda e nada. Quando chego do trabalho a noite, ligo pra Telstra. Segue o diálogo:

Eu: - Good evening, I would like to know why the technician didn't go to my house today, as scheduled, to install the telephone line.

Atendente: - Hold on, Ma'm, I will check with the person responsable.

(quase 10 minutos depois)

Atendente: - Ma'm, we apologyse, but the technician didn't go to your place because it was rainning.

Eu: - Are you kiddding me?????????

Atendente: - Is it rainning today there? (ela não deve ficar em Sydney)

Eu: - Well, yeah, but it was not a storm, only a light rain.

Atendente: Since the technician deals with cable and eletricity, he can't work in the rain. (?!?!?!?!?!?!) We are gonna have to reschedule for the 4th of July (8 dias depois da ligação e quase 2 semanas da contratação do serviço).

Eu: - Are you kiddding me?????????

Atendente: - I am sorry, but we have too many work in your area. Is that ok for you?

Eu: - Do I have a choice??????



Resultado: nada de internet, mesmo estando pagando pelo serviço. O novo agendamento está marcado pra amanhã, mas só acredito vendo.

Detalhe: desde quando estar chuviscando é desculpa pra não instalar telefone??? Fora que os cabos ficam dentro do meu apartamento e do prédio, não na chuva. E mais: uma amiga na mesma rua teve seu telefone instalado pela mesma empresa no mesmo dia! Tô começando a achar que é pessoal... rs

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Compra dos móveis e transferência de serviços

Alugado o imóvel, começou a saga pra mudança. Como tínhamos medo de dar o aviso prévio no apto que estamos sem ter outro certo, agora estamos de novo pagando 2 lugares. Sei que parece loucura, e pode ser que essa seja a última vez que façamos isso, mas eu não ia conseguir dormir tranquila tendo prazo pra me mudar e sem nada certo. Fora que no final foi bom pra termos tempo de fazer a mudança, comprar os móveis, transferir tudo, etc.

Vamos ao que interessa: o apto é fofo, 1 quarto (e não dois como queríamos pra receber visitas), mas te um espaço considerável e dá pra acomodar futuras visitas na sala tranquilamente. Tem uma varandinha no quarto e uma grande na sala, espaço para lavanderia interna (máquina de lavar, tanque e secadora), armário embutido no quarto e piscina na área comum do prédio, além de vaga na garagem.

Estamos programando comprar só as coisas básicas, depois vamos arrumando ele aos poucos pra não gastar tudo de uma vez. Mas confesso que é muito difícil, já faz 1 ano que estamos sem uma casa pra chamar de nossa, estamos sedentos por ter nosso cantinho. :-)

Na última sexta passamos o dia na IKEA (http://www.ikea.com/au/en/), uma mega loja de móveis daqui, do estilo da Tok Stok, mas bem mais barata. Pra se ter uma idéia, compramos todos os móveis grandes de quarto e sala (cama, colchão, gaveteiro de roupas pro quarto, rack da TV pra sala, grande estante da sala, mesa de jantar, uma mesinha pra impressora, edredom, capa de edredom e colchão, travesseiros, lixeiras, e outras miudezas) e gastamos no total $1.900 dólares. No Rio só a cama e o colchão custam isso… A mesa de jantar foi uma pechincha: $49!

Depois foi a vez de ir no Good Guys (http://www.thegoodguys.com.au/alexandria/) comprar a geladeira, máquina de lavar (secadora, fogão e máquina de lavar louça já tem no apto), ferro e aspirador de pó (mais necessário que vassoura aqui, já que praticamente o apto todo tem carpete, como tudo aqui).

Por fim, fomos no K-Mart (http://www.kmart.com.au/) comprar as miudezas, como copo, prato, talheres. Isso tb é super barato, pra se ter uma idéia um jogo de prato custa $10! Acabou que pagamos um pouco mais pois quisemos um mais bonitinho, quadrado (adoro pratos quadrados), e com isso o conjunto de 16 peças saiu a $19! Fora uns outros kits pechinchas que eles tem como: 80 peças de cozinha, incluindo panelas, por $49; conjunto de talheres por $10; e muito mais. Tem coisas inacreditavelmente baratas aqui…rs

No bairro onde vamos morar tem muitas lojas de outlet de móveis, quero dar umas andadas por lá (e por Newtown, onde tem muitos antiquários) pra achar umas coisas diferentes, tô cheia de idéias pra uma mesinha de cabeceira colorida e inovadora, por exemplo. Isso é o bom de o Thiago estar sem trabalho e eu só trabalhar a noite: temos muito tempo livre. rs E com o tempo vamos adicionando outras coisas, como decoração, móveis pra varanda, etc. Em Alexandria tem tb um mega outlet de Natal, já tô pensando em comprar um pinheiro pra nossa varanda. :-)

Como eu disse no outro posto, o bairro onde vamos morar é na linha de trem que vai pro aeroporto, um bairro novo com muitos aptos sendo construídos. Ainda não tem tanto comércio, mas até que no nosso quarteirão tem bastante coisa: um grande mercado, cafés, Subway, farmácia, loja de bebida alcoolica (aqui só pode vender em lojas específicas, nada no mercado) e alguns restaurantes. Ainda temos muito o que explorar por lá, mas parece promissor. Estaremos um pouco longe da estação de trem, quer dizer, uns 800 metros, quase a mesma distância que estamos atualmente, só que sem as ladeiras que odeio. rs Com a diferença que tem ponto de ônibus na porta da casa nova, o que se transforma numa opção ao trem.

Voltando as compras dos móveis: apesar da semelhança, comprar na IKEA é muito mais cansativo que na Tok Stok! haha Primeiro porque o lugar é imenso, uns 2 ou 3 andares gigantescos, tem até caminho no chão indicando a direção. Aí ficam os ambientes montados e com preço, tipo na Tok Stok. Vc escolhe o que quer, anota o código e localização do estoque e segue em frente. Quando termina, tem uma parte com as coisas pequenas, tipo travesseiro, velas, decoração, panelas, etc, vc vai pegando e colocando num carrinho. Depois chega a parte do estoque, vc mesmo vai lá com a indicação que anotou e pega os seus móveis, desmontados, claro. Coloca num outro carrinho maior, tipo de mudança mesmo. Isso inclui a cama e o colchão que compramos e todas as armações! Imagina o peso… Alguns são tão pesados, como a estante da sala, que vem em 2 partes pra carregar.

Finalmente, vc vai no caixa, a mulher escaneia tudo no carrinho mesmo, pois nem dá pra ficar tirando, vc sai dali e leva embora no seu carro. Detalhe 1: não tem nem sacola, se vc quiser carregar miudezas tem que pagar uma sacola deles ou levar uma de casa. Detalhe 2: como não temos carro, claro que não temos como levar nada, nem miudezas, pois a loja é no meio do nada, andamos quase 1 quilômetro até a estação de trem mais próxima. Aí fomos num setor de delivery, pagamos mais $59 pra entrega, que é sempre feita no dia seguinte. Detalhe 3: a entrega é bem mais organizada que no Brasil, eles ligam de manhã pra avisar a hora que vão chegar, e depois 30 minutos antes ligam de novo pra confirmar se vc vai estar em casa. O pequeno porém é que ouvimos dizer que os entregadores não sobem escada! haha Parece que o seguro deles não cobre, então a entrega significa largar tudo na portaria. Levando em conta que nosso apto é no terceiro andar e não tem elevador, imagina o trabalho? Se bem que o cara da loja nos garantiu que até o terceiro andar eles sobem, ficamos na expectativa de ver o que ia dar. No dia da entrega eles chegaram já era noite e debaixo de chuva. Realmente eles subiram pela escada com as caixas, mas só tinha um cara magrinho que parecia que ia morrer a cada lance de escada. haha Resultado: Thiago e um amigo que estava de visita no momento colocaram a mão na massa e ajudaram a subir tudo. Tadinhos, ficaram todo suados e ofegantes, mesmo com o frio que fazia.

O que me preocupava era a geladeira e a máquina no dia seguinte, pois estaríamos sozinhos em casa e não vem desmontado como os móveis. Mas os entregadores do Good Guys eram bem mais fortes e carregaram tudo sozinhos, bem rápido. Só tivemos que desempacotar e colocar no lugar, pois isso eles cobram por fora pra fazer, então fizemos nós mesmos. E até que não foi tão ruim, agora só falta instalar a máquina.

O sofá também foi tranquilo, entregaram já montado e o Thiago não teve maiores trabalhos.

Outro pequeno detalhe: como eu disse, os móveis vêm todos desmontados em mil partes. E advinha? A loja não monta! Quer dizer, até monta, mas tem que pagar (caro). Resultado: compramos as ferramentas (um kit de $40 tem até uma mini furadeira elétrica) e montamos (quer dizer, o Thiago montou...rs) tudo sozinhos. Deu uma trabalheira danada, principalmente a cama, mas em 2 dias ele terminou tudo, praticamente sem incidentes (fora o tampo da mesa que ele estragou sem querer com o parafuso, mas nada que inviabilize o uso ou que me deixe chateada, afinal a mesa foi muito barata, a qualidade não era mesmo das melhores...rs).

Com essa saga dos móveis estamos descobrindo que pra algumas coisas a Austrália ainda parece 3o. mundo...

Falando em 3o. mundo, na última semana me irritei pela primeira vez com serviços aqui. Fui fazer a transferência da internet e já sabia que ia ter que pagar pra TPG (a empresa que provê a nossa internet e telefone) pra essa mudança, ainda mais pq estamos no meio do contrato que fizemos de 6 meses (e no meio do contrato se vc cancelar ou pedir alteração de endereço eles cobram uma taxa). O que eu não contava é que a TPG não pode fazer essa mudança pois o novo apto não tem linha de telefone! Tivemos que contatar a Telstra (tipo a Oi/Telemar daqui) pra instalar a linha, o que em tese custaria $59. Mas o cara de lá nos disse que não tem sequer fio no apto (como isso é possível???) e que por isso custaria $300!!! O que me disseram é que todo inquilino que sai desconecta a linha (pagando por isso, claro), e depois qd outro entra tem que pagar tudo de novo pra conectar! Quer coisa mais absurda??? Fora que mesmo com a linha a TPG não vai mais poder prover o plano que temos, que é internet ilimitada + telefone por $59 mensais, eles só vão prover a internet por esse mesmo preço, e ainda vamos ter que pagar $23 mensais para a Telstra pela linha de telefone.

E nem sugiram que seria melhor cancelar tudo e fazer um plano novo, talvez com outra empresa, pois sairia beeemmm mais caro. Aqui vc não paga só o plano mensal, paga a instalação, a visita do técnico, o modem, taxas mil, um inferno! Aliás pra qualquer desses serviços gerais, que no Brasil é uma pechincha, se paga super caro por aqui. Pra completar, quando liguei pra Telstra pra fazer o cadastro da linha, depois de meia hora a mulher me diz que não pode continuar pois eu não tenho um documento australiano, e eles tem que fazer checagem de crédito (?!?). Eu só poderia fazer o cadastro em uma loja física, levando toda a minha documentação pra provar os tais 100 points que eles exigem pra tudo aqui (vc tem que somar 100 pontos pra provar que é elegível pra contratar um serviço, alugar um apto, etc, e pra isso cada documento conta ponto, como passaporte, carteira do Medicare - plano de saúde do governo -, contrato de aluguel, etc). Agora vc imagina discutir tudo isso no telefone por quase uma hora em inglês! OMG!

No final fui na loja da Telstra e depois de mais de quase 2 horas (entre espera e atendimento) consegui fazer o cadastro, isso porque o cara que me atendeu deu uma forçada na barra e aprovou meu crédito por conta própria, pois o sistema deles havia bloqueado. Ele teve que ficar uma eternidade no telefone com outro setor técnico da empresa pra liberar tudo. Claro que depois de tudo isso não poderia ser tudo num prazo razoável... A instalação da linha será só semana que vem, e só depois da linha estar funcionando podemos pedir pra TPG transferir nossa internet, o que segundo eles demora de 10 a 20 dias. Ou seja, provavelmente vamos nos mudar sem ter internet funcionando, mesmo pagando pelo serviço. Ninguém merece...

Resumindo: nossa trabalheira está só começando pra mudança. rs Fora que depois de tanto gasto não queria ter que pagar mudança, então vamos tentar novamente levar tudo sozinhos (já que não temos móveis, só malas e a impressora basicamente), dessa vez de ônibus e com a vantagem de não fazer baldeação e ter um ponto na porta de casa. Vamos ver se vamos mesmo conseguir. Depois conto como foi.

Anyway, pelo menos estamos felizes e animados de montar nossa casinha. :-)

Mudança de casa

Parece que abandonamos o blog, né? Eu sei, estamos sumido. Em boa parte por culpa do Thiago, que desde que chegamos na Austrália simplesmente ignora o blog! Não entendo essa preguiça toda pra atualizar... E olha que até que tivemos novidades que dariam bons posts.

Bom, mas o de hoje é pra dizer que estamos de mudança. Depois de 4 meses nesse conjugado mobiliado que devia ser temporário e ter terminado há un tempo, finalmente decidimos ir pra um maior e comprar os móveis. O que não foi uma decisão fácil, afinal ainda estamos (muito) longe de estarmos estabilizados financeiramente. Mas decidimos que tínhamos que mudar uma hora ou outra e começar a realmente "viver" nessa cidade, criar nossa "casa".

Começamos a busca por um apê de 2 quartos pra dividir com um casal de amigos, o que ia baratear bastante. Não deu certo e acabamos procurando de 1 quarto mesmo só pra nós. Procuramos por muitos bairros de Sydney, sempre relativamente perto da City, e o melhor custo-benefício foi mesmo na área de Alexandria, um inner-city suburb (como chamam aqui) ao sul da City (e apenas 4 quilômetros de lá). É um bairro em crescimento, me parece, com muitos prédios novos e o comércio ainda em desenvolvimento. Outro ponto bom é que tem trem perto: a estação de Green Square, na linha que vai pro aeroporto e só uma estação depois da Central.

Na verdade procuramos também em outros bairros ali por volta, como Zetland, Rosebery, Mascot, todos bem servidos de transporte de ônibus.

Contrariando as expectativas, dessa vez foi beeemmmm mais fácil conseguir algo que da outra vez que tentamos logo que chegamos. Também, agora temos um histórico de aluguel, comprovante de renda, conta de luz em nosso nome. Praticamente todos os lugares que aplicamos fomos chamados, mas negamos alguns até realmente decidirmos pelo nosso cantinho.

Acabamos ficando em Rosebery, mas bem perto da estação de trem de Green Square. O ponto é ótimo: o prédio tem piscina, fica em cima de um IGA (supermercado), tem alguns cafés, restaurantes e o Subway (que claro que o Thiago já estreou...rs) no quarteirão.

O preço não é realmente barato, mas tem vaga na garagem que pensamos em alugar. E também não tínhamos muito como fugir desse valor, os imóveis aqui em Sydney são os olhos da cara, só baratearia se fossemos procurar mais longe da City. E aí é um problema se locomover... Eu já demoro 1 hora pra chegar nos trabalhos que faço, e se volto tarde da noite as vezes 1:30, contando as esperas de trem e ônibus. Não rola perder ainda mais tempo no dia-a-dia...

Enfim, estamos de casa nova, com contrato de 1 ano, e começou a saga pra comprar os móveis e fazer a mudança. Mas isso fica pra outro post que este já está muito longo.