Ok, os assuntos estão bastante baby oriented. É que essa é basicamente minha realidade ultimamente, né? Prometo que vou tentar conciliar com outros assuntos em breve.
Uma coisa que amo aqui na Austrália é o envolvimento que as pessoas tem na comunidade. Trabalho voluntário é uma prática bem comum e quando vc tem filhos um novo mundo social de mães (e pais) se abre pra vc. Thiago que o diga, tá sempre trocando informações com outros pais no trabalho dele. :)
Mas hoje vou falar especificamente sobre os grupos de pais do bairro. Quando tivemos o Lucas, a primeira consulta quando ele saiu do hospital foi com uma enfermeira (aliás aqui os check ups do bebê geralmente são com as enfermeiras do centro de saúde do bairro, que acontecem entre 2-3 semanas de vida do bebê, depois com 6 semanas, 6 meses e 1 ano – difícil acostumar se comparar com os check ups mensais que são feitos pelo pediatra no Brasil). Como nessa primeira consulta o bebê é recém nascido e muitas mães ainda estão se recuperando do parto, eles oferecem que a enfermeira vá em casa fazer a visita. E assim foi comigo, foi uma enfermeira lá em casa e fez pesagem, mediu altura, viu reflexos, me fez responder um questionário sobre violência doméstica e outro sobre depressão pós parto, tirou dúvidas, etc. Nessa consulta elas indicam que os pais vão nas reuniões semanais que ocorrem no centro de saúde do bairro, para conhecer outros pais que tiveram bebês na mesma época.
Na semana seguinte lá fomos eu e Thiago, numa sexta de manhã (o Thiago tava de licença ainda), com o Lucas a tiracolo, claro, nessa reunião que dura 2 horas. Tinham mais ou menos uns 10-15 pais com bebês de 3 a 8 semanas de vida. Foi ótimo por nos fazer sentir acolhidos e ver que não éramos os únicos a passar os perrengues e dúvidas com um recém nascido. Nessa reunião as enfermeiras que a conduzem estimularam os pais a trocarem contato e montarem um grupo no facebook para se encontrarem. Entrei no tal grupo mas no início não curti muito, o Lucas era o bebê mais novo e sei lá, achei as pessoas meio distantes (digo pessoas pois não eram só mães, tinha um pai solteiro também!).
Normalmente as mães param de levar os bebês nessas reuniões em torno de 8 semanas, então na semana seguinte a maioria das mães desse primeiro grupo tinha parado de ir e começou um grupo novo. Me meti de novo no grupo do facebook que estava sendo criado, e nesse o Lucas era o mais velho, rs, mas tinham vários bebês com apenas alguns dias de diferença dele. As mães eram um pouco mais novas que as do primeiro grupo e achei que o papo fluía bem melhor.
Como em seguida teve Natal e Ano Novo, as reuniões no Health Centre com as enfermeiras foram suspensas e retomaram em janeiro quando o Lucas já estava com 6 semanas. Ainda fui em mais 1 ou 2 reuniões lá, mas comecei a odiar. É que os temas iam ficando repetitivos, e eu também estava mais confiante da minha nova função de mãe, já tinha lido e pesquisado bastante e começou a me incomodar algumas das opiniões das enfermeiras. Eu era (sou) super contra a orientação de deixar o bebê chorar pra aprender a dormir sozinho, odiava quando elas diziam que não era pra ninar o bebê no colo, ou que não era pra amamentar em livre demanda. Enfim, começou a me irritar e parei de ir.
Mas continuei indo nos encontros do grupo de mães. Na verdade continuei indo nos 2, mesmo no que disse que não tinha gostado muito. E não é que com o tempo passei a adorar os 2? Num deles as mães são mais velhas (em torno de 35 anos) e os bebês também são mais velhos que o Lucas (1-2 meses mais velhos) mas é ótimo pra eu antecipar o que vou passar com ele. Já no outro grupo as mães são mais novas (em torno de 30 anos) e vão voltar a trabalhar mais tarde, então as reuniões sempre tem mais quórum.
Engraçado que quando eu voltei a trabalhar não conseguia mais ir nas reuniões do segundo grupo que eram as sextas de manha, mas consegui convencer as meninas a mudar pra um dia em que eu não trabalho. rs
Ambos os grupos funcionam assim: temos um grupo privado no facebook onde postamos fotos/vídeos dos bebês, dúvidas e marcamos cada semana um local diferente (o dia e horário são sempre os mesmos). Agora com os bebês maiores e querendo engatinhar (e alguns até já treinando os primeiros passos!) tá ficando mais difícil escolher um local que tenha espaço pra eles ficarem no chão, ainda mais nesse inverno tenebroso. Um dos grupos resolveu começar a revezar as casas, acho que semana que vem será na minha. O outro marcamos normalmente num café grande que comporte vários carrinhos e nos desdobramos pra entreter os bebês por 2 horas pra conseguir conversar. rs Quando o tempo tá bom marcamos num parque com gramado pros pequenos ficarem no chão.
Sei que tive sorte com esses 2 grupos, tenho muitas amigas aqui que detestaram o grupo do seu bairro e pararam de ir. Mas eu sigo lá firme e forte semanalmente nos últimos 7 meses e agora com os bebês maiores começamos a marcar “girls night out”, ou seja, saídas sozinhas sem filhos pra beber! Fui numa mês passado de um dos grupos e mês que vem vai ser a do outro. Como ainda amamento claro que não encho a cara, mas como o Lucas não mama mais na madrugada dá tempo suficiente pra eu tomar alguns drinks.
Ah, como se não bastasse as mães da creche o Lucas também se organizaram para um “girls night out” e semana que vem lá vou eu (sou muito arroz de festa. haha) pra outra noite de bebedeira enquanto o Thiago fica com o Lucas.
Engraçado que ouço muita gente aqui (brasileiros) falarem que os australianos são frios e não formam amizade. Eu nunca tive essa impressão! Talvez porque eu entenda o jeito deles e aja assim também (sempre odiei essa falsa simpatia do brasileiro, que diz “vamos marcar” e nunca marca, chega atrasado e num primeiro momento já se faz de melhores amigos mas no fundo não é bem assim), então em todos os lugares que frequentei aqui (cursos, trabalho, e agora grupo de mães) fiz boas amizades. Tá, talvez não se crie tão rápido a intimidade que nós brasileiros criamos, mas pro outro lado sinto que os australianos são muito verdadeiros e prestativos. Exemplos: uma vez eu fiquei doente e uma das meninas do meu grupo de mães fez questão de ir lá em casa levar uma sopa pra mim; ou quando o Lucas ficou doente 2 vezes em 2 semanas, uma das meninas ofereceu de deixar a filha dela com os avós pra poder cuidar do Lucas e eu não precisar faltar ao trabalho. Claro que depende muito de afinidade não fico amiga de todas, mas tem pelo menos umas 2 do grupo que considero mais próximas e sei que posso contar pra um papo, uma ajuda, elas já se ofereceram várias vezes, p.ex., pra ficar com o Lucas pra mim quando eu precisar já que sabem que não tenho família aqui pra ajudar.
É também muito comum aqui ouvir histórias de grupos de mães que começaram quando os bebês nasceram e duram mais de 20 anos! Espero que seja o meu caso, afinal ter uma boa rede de apoio e amigos nunca é demais, né?
quinta-feira, 30 de julho de 2015
segunda-feira, 27 de julho de 2015
Atividades extracurriculares para crianças em Sydney
Desde que tive o Lucas uma coisa que eu sempre odiei foi ficar em casa. Por sorte aqui não é como no Brasil em que se orientam os pais a manterem os bebês em casa nos primeiros meses (uma amiga no Brasil disse que a pediatra a aconselhou a manter o filho em casa nos 6 primeiros meses!!) e a mãe fica em prisão domiciliar. Aqui é super comum de ver bebês bem pequenos (as vezes de dias) na rua com os pais.
Quando eu cheguei em casa com o Lucas, depois de quase 1 semana no hospital (por conta de uma cesária de emergência bem dolorosa), já estava de saco cheio de ficar confinada. Passei mais 1 semana evitando sair mas quando ele estava com 2-3 semanas já não aguentava mais a prisão domiciliar. Comecei saindo pouco, claro, íamos jantar rapidinho em algum lugar, ou dar um passeio no parque, nada que durasse mais de 2-3 horas. Aos poucos fomos aumentando os passeios, e na altura do primeiro mês do Lucas eu já passava longas horas fora de casa com ele.
Claro que aqui isso é muito mais fácil por conta de toda a estrutura dos bairros. Saio com o mega carrinho do Lucas de trem e acesso tudo quanto é lugar sem problemas. Fora que todo lugar tem banheiros especiais pra pais com trocador e em muitos locais esses banheiros são verdadeiras salas com sofás privativos para amamentação, banheiros adaptados para crianças pequenas, microondas pra esquentar comida dos pequenos, espaço de brincadeira pras crianças maiores enquanto a mãe amamenta o bebê.
Detalhe que quando não tem essa sala especial para pais, o trocador sempre fica no banheiro de deficiente físico, de modo que tanto o pai quanto a mãe podem usar – no Brasil era comum irmos em locais (inclusive grandes shoppings!) onde o trocador ficava no banheiro feminino e o Thiago não podia ir com o Lucas (ele até que gostava de se livrar das fraldas fedorentas. rs Brincadeira, ele odiava e achava um absurdo, assim como eu). E as salas especiais aqui se chama “parents room”, o que engloba a mãe e o pai, e é muito comum ver nesses locais os pais sozinhos com o bebê ou criança pequena trocando fralda – o Thiago mesmo já foi inúmeras vezes sozinho.
Voltando ao assunto do post, eu sempre saí muito com o Lucas e com ele ficando maiorzinho comecei a levar ele em algumas atividades. Ainda estou engatinhando nesse mundo porque ele ainda tem apenas 8 meses, mas alguns dos locais que eu já fui e achei bem legais são:
Aula de música grátis na biblioteca
No meu bairro e outros adjacentes as bibliotecas públicas tem uma sessão semanal de contação de história e música para bebês e crianças de até 2 anos. A do meu bairro é essa aqui, mas procurando na internet eu descobri que tem bairros que tem outras variantes como Rocktime, Bilingual Storytime, Chinese Rhymetime! How coo lis that! Levo o Lucas desde que ele tinha uns 2 meses e claro que no início ele não compreendia nada, mas eu levava mesmo assim porque bebês são como esponjas e sempre absorvem algo (e eu aproveitava pra aprender a letra das canções de ninar em inglês). A partir dos 6 meses, com ele mais atento e sentando, ele passou a realmente curtir, fica super ligado na moça da biblioteca, e até interage rindo, pegando o chocalho que eles sempre dão e sacudindo, e agora começando a querer engatinhar por lá também.
As bibliotecas públicas, por sinal, são um show a parte (já até falei aqui no blog como me impressionou quando chegamos em Sydney), e sempre levo o Lucas lá pra pegarmos livros (decidi que só compro livros em português, e os em inglês eu alugo na biblioteca).
Playgoup
Os playgroup são sensacionais e acho que não existem no Brasil (pelo menos não da forma organizada como existem aqui). Nada mais são do que encontro entre pais (ou avós ou qualquer um que seja o cuidador da criança) e seus bebes/crianças , normalmente semanais e em sua maioria gratuitos ou bem baratinhos. Tem alguns mais estruturados, como o Gymbaroo, que são pagos, mas a maioria custa no máximo uns $2. Duram geralmente 1-2 horas e é uma ótima oportunidade para as crianças brincarem e os pais socializarem. Existem diversos tipos de playgroup, alguns temáticos (só para avós, ou para pais, ou para nacionalidades específicas) outros que só aceitam idades específicas, etc. Nesse site vc pode achar o playgroup mais perto de você que atenda as especificações que vc quiser.
No meu caso eu optei por matricular o Lucas no playgroup da escola Montessori, pra seguir a filosofia que aplicamos em casa e porque com bebês eles ainda não interagem com outros, então um playgroup normal seria mais pra eu socializar do que pro Lucas, enquanto que o da escola Montessori ele tem todo acesso ao método e a brinquedos específicos pra idade dele. Mas quando ele crescer mais um pouco certamente vou começar a levá-lo em algum playgroup do nosso bairro e adjacentes.
Ah, não poderia deixar de falar também do playgroup da comunidade brasileira! A ABCD (Association for Brazilian Bilingual Children) faz um trabalho lindo ajudando os pequenos (e os pais) a manterem contato com a cultura brasileira e o português. Admiro muito o trabalho deles e ainda pretendo me engajar mais, mas por enquanto começamos a frequentar o playgroup perto da nossa casa que acontece aos sábados a cada 15 dias. O Lucas ainda é pequeno pra interagir, claro, mas mesmo assim fiz questão de começar a levar ele pra que ele se familiarize com as músicas em português, e com a comunidade brasileira em geral. Uma pena que o grupo do meu bairro não tem sido muito atuante e sempre vão apenas umas 5 crianças (sendo que o grupo de mães no facebook tem 120 membros!), o Thiago até sugeriu de irmos no de outros bairros pra ver como é, mas acho que os mais atuantes são no norte de Sydney, o que dá quase 1 hora de carro pra gente. Enfim, o site da ABCD é ótimo e tem todas as informações sobre playgroup, aulas de português, dança, biblioteca, etc.
Aula de natação
Aqui é bem popular aula de natação para bebês, dependendo do lugar se pode matricular bebê a partir de 4 meses e normalmente custa em torno de $15 por cada meia hora de aula. Eu e Thiago estávamos doidos pra matricular o Lucas, e ele começou semana passada no clube perto de casa. Sim, eu sei que é inverno e anda fazendo um frio do cão, mas não só a piscina é aquecida como toda a parte interna do clube é aquecida. Então depois da aula o Thiago dá banho nele lá mesmo e dá também o café da manhã. Enquanto meus meninos vão pra piscina eu aproveito pra malhar. :)
Por enquanto essas são basicamente nossas atividades, mas nos últimos dias soube de outras duas para crianças maiores que achei sensacionais:
Little kickers
Aula de futebol pra crianças a partir de 18 meses. As fotos da turma de 18 meses a 2 anos são a coisa mais fofa!
Nippers
Programa de introdução de crianças entre 5 e 13 anos ao programa de salvavidas da praia. Pra quem não sabe aqui os salvavidas são voluntários e patrulham as praias nos fins de semana e feriados. Tudo bem que eu nunca poderia ser salvavidas de praia pois odeio água gelada, mas quem sabe o Lucas que nasceu aqui se interesse no futuro?
Quando eu cheguei em casa com o Lucas, depois de quase 1 semana no hospital (por conta de uma cesária de emergência bem dolorosa), já estava de saco cheio de ficar confinada. Passei mais 1 semana evitando sair mas quando ele estava com 2-3 semanas já não aguentava mais a prisão domiciliar. Comecei saindo pouco, claro, íamos jantar rapidinho em algum lugar, ou dar um passeio no parque, nada que durasse mais de 2-3 horas. Aos poucos fomos aumentando os passeios, e na altura do primeiro mês do Lucas eu já passava longas horas fora de casa com ele.
Claro que aqui isso é muito mais fácil por conta de toda a estrutura dos bairros. Saio com o mega carrinho do Lucas de trem e acesso tudo quanto é lugar sem problemas. Fora que todo lugar tem banheiros especiais pra pais com trocador e em muitos locais esses banheiros são verdadeiras salas com sofás privativos para amamentação, banheiros adaptados para crianças pequenas, microondas pra esquentar comida dos pequenos, espaço de brincadeira pras crianças maiores enquanto a mãe amamenta o bebê.
Detalhe que quando não tem essa sala especial para pais, o trocador sempre fica no banheiro de deficiente físico, de modo que tanto o pai quanto a mãe podem usar – no Brasil era comum irmos em locais (inclusive grandes shoppings!) onde o trocador ficava no banheiro feminino e o Thiago não podia ir com o Lucas (ele até que gostava de se livrar das fraldas fedorentas. rs Brincadeira, ele odiava e achava um absurdo, assim como eu). E as salas especiais aqui se chama “parents room”, o que engloba a mãe e o pai, e é muito comum ver nesses locais os pais sozinhos com o bebê ou criança pequena trocando fralda – o Thiago mesmo já foi inúmeras vezes sozinho.
Voltando ao assunto do post, eu sempre saí muito com o Lucas e com ele ficando maiorzinho comecei a levar ele em algumas atividades. Ainda estou engatinhando nesse mundo porque ele ainda tem apenas 8 meses, mas alguns dos locais que eu já fui e achei bem legais são:
Aula de música grátis na biblioteca
No meu bairro e outros adjacentes as bibliotecas públicas tem uma sessão semanal de contação de história e música para bebês e crianças de até 2 anos. A do meu bairro é essa aqui, mas procurando na internet eu descobri que tem bairros que tem outras variantes como Rocktime, Bilingual Storytime, Chinese Rhymetime! How coo lis that! Levo o Lucas desde que ele tinha uns 2 meses e claro que no início ele não compreendia nada, mas eu levava mesmo assim porque bebês são como esponjas e sempre absorvem algo (e eu aproveitava pra aprender a letra das canções de ninar em inglês). A partir dos 6 meses, com ele mais atento e sentando, ele passou a realmente curtir, fica super ligado na moça da biblioteca, e até interage rindo, pegando o chocalho que eles sempre dão e sacudindo, e agora começando a querer engatinhar por lá também.
As bibliotecas públicas, por sinal, são um show a parte (já até falei aqui no blog como me impressionou quando chegamos em Sydney), e sempre levo o Lucas lá pra pegarmos livros (decidi que só compro livros em português, e os em inglês eu alugo na biblioteca).
Playgoup
Os playgroup são sensacionais e acho que não existem no Brasil (pelo menos não da forma organizada como existem aqui). Nada mais são do que encontro entre pais (ou avós ou qualquer um que seja o cuidador da criança) e seus bebes/crianças , normalmente semanais e em sua maioria gratuitos ou bem baratinhos. Tem alguns mais estruturados, como o Gymbaroo, que são pagos, mas a maioria custa no máximo uns $2. Duram geralmente 1-2 horas e é uma ótima oportunidade para as crianças brincarem e os pais socializarem. Existem diversos tipos de playgroup, alguns temáticos (só para avós, ou para pais, ou para nacionalidades específicas) outros que só aceitam idades específicas, etc. Nesse site vc pode achar o playgroup mais perto de você que atenda as especificações que vc quiser.
No meu caso eu optei por matricular o Lucas no playgroup da escola Montessori, pra seguir a filosofia que aplicamos em casa e porque com bebês eles ainda não interagem com outros, então um playgroup normal seria mais pra eu socializar do que pro Lucas, enquanto que o da escola Montessori ele tem todo acesso ao método e a brinquedos específicos pra idade dele. Mas quando ele crescer mais um pouco certamente vou começar a levá-lo em algum playgroup do nosso bairro e adjacentes.
Ah, não poderia deixar de falar também do playgroup da comunidade brasileira! A ABCD (Association for Brazilian Bilingual Children) faz um trabalho lindo ajudando os pequenos (e os pais) a manterem contato com a cultura brasileira e o português. Admiro muito o trabalho deles e ainda pretendo me engajar mais, mas por enquanto começamos a frequentar o playgroup perto da nossa casa que acontece aos sábados a cada 15 dias. O Lucas ainda é pequeno pra interagir, claro, mas mesmo assim fiz questão de começar a levar ele pra que ele se familiarize com as músicas em português, e com a comunidade brasileira em geral. Uma pena que o grupo do meu bairro não tem sido muito atuante e sempre vão apenas umas 5 crianças (sendo que o grupo de mães no facebook tem 120 membros!), o Thiago até sugeriu de irmos no de outros bairros pra ver como é, mas acho que os mais atuantes são no norte de Sydney, o que dá quase 1 hora de carro pra gente. Enfim, o site da ABCD é ótimo e tem todas as informações sobre playgroup, aulas de português, dança, biblioteca, etc.
Aula de natação
Aqui é bem popular aula de natação para bebês, dependendo do lugar se pode matricular bebê a partir de 4 meses e normalmente custa em torno de $15 por cada meia hora de aula. Eu e Thiago estávamos doidos pra matricular o Lucas, e ele começou semana passada no clube perto de casa. Sim, eu sei que é inverno e anda fazendo um frio do cão, mas não só a piscina é aquecida como toda a parte interna do clube é aquecida. Então depois da aula o Thiago dá banho nele lá mesmo e dá também o café da manhã. Enquanto meus meninos vão pra piscina eu aproveito pra malhar. :)
Por enquanto essas são basicamente nossas atividades, mas nos últimos dias soube de outras duas para crianças maiores que achei sensacionais:
Little kickers
Aula de futebol pra crianças a partir de 18 meses. As fotos da turma de 18 meses a 2 anos são a coisa mais fofa!
Nippers
Programa de introdução de crianças entre 5 e 13 anos ao programa de salvavidas da praia. Pra quem não sabe aqui os salvavidas são voluntários e patrulham as praias nos fins de semana e feriados. Tudo bem que eu nunca poderia ser salvavidas de praia pois odeio água gelada, mas quem sabe o Lucas que nasceu aqui se interesse no futuro?
sábado, 25 de julho de 2015
Creche na Austrália (mais especificamente em Sydney)
Em primeiro lugar, pra quem não sabe, a educação é pública na Austrália para crianças em idade escolar (a partir de 5-6 anos, dependendo da data de nascimento da criança) (“Your child can start Kindergarten at the beginning of the school year if they turn five on or before 31 July in that year. By law, all children must be enrolled in school by their sixth birthday. Kindergarten enrolment begins around April the year before your child will start”). Antes disso, as creches e pre-school (também conhecidas como kindy, abreviação de kindergarten – australianos e suas manias de abreviar tudo…) são pagas. (Curiosidade: em tese kindergarten é o início da educação escolar, mas muitas pré-escolas se auto denominam kindy, o que está além da minha compreensão e só serve pra me atrapalhar a entender o sistema de ensino daqui. rs)
Todo mundo sempre me dizia que creche é caríssimo aqui em Sydney (e é) e que é quase impossível conseguir uma vaga (não é). Quando eu ainda estava grávida, entrei em desespero achando que não ia conseguir vaga pro Lucas quando voltasse a trabalhar, então comecei a colocar meu nome na lista de espera de vários lugares.
O primeiro lugar que visitei, ainda grávida, foi a creche do Council (tipo creche pública, mas vc paga de qualquer forma). Me diziam que eram as melhores pois são supervisionadas de perto pelo governo, a grade curricular é ótima, etc. Fui numa no bairro que moro e confesso que odiei! Achei suja (tá, não suja, mas velha, o que dava a aparência de suja), não gostei do fato da área externa misturar bebes com crianças maiores, impliquei mesmo com o lugar. Depois de uma amiga que trabalha em creche insistir que não era suja, que a qualidade é ótima, etc, etc, eu acabei colocando meu nome na lista de espera. Doce ilusão, pois conseguir uma vaga nessas creches é praticamente impossível! Tem várias prioridades (crianças aborígenes, oriundas de lares abusivos, etc) e abrem muito poucas vagas. Meu nome tá lá há mais de 1 ano e nunca me contactaram…
Tendo desistido dessa opção, passei a ver as outras duas possíveis: family day care e long day care. O family day care basicamente são pessoas que cuidam de crianças em casa, em geral poucas crianças (acho que no máximo 4-5). Claro que tem que ter licença pra isso e o governo supervisiona de perto. Tem até muitas brasileiras que tem family day care e algumas ótimas. Só que normalmente funciona de 7-8 da manha até 4-5 da tarde, o que não dava pra mim pois o Thiago sai do trabalho as 5 e eu as 5:30 e não chegamos em casa antes das 6:30.
Então parti pros long day care, que funcionam até 6 (as vezes 6:30-7) da tarde. Cheguei a visitar 2 perto de casa, que até gostei, mas me dei conta que não íamos conseguir chegar a tempo de qualquer forma pra pegar o Lucas. Eu ou o Thiago teríamos que fazer horário alternativo e sair mais cedo do trabalho, o que pra mim é muito difícil pois no meu escritório o pessoal vara a noite trabalhando. E mesmo pro Thiago ia ser complicado, e se surgisse uma reunião, e se o trem atrasasse (ou se ele fosse de carro, e se pegasse um transito anormal)? Fora que se acontecesse da creche me ligar pedindo pra pegar o Lucas mais cedo (por ele estar doente ou algo do tipo), eu demoraria pelo menos 1 hora pra chegar lá.
Aí partimos pra única opção viável pra nós: uma creche no centro da cidade perto do trabalho. Claro que essa opção é bem mais cara (enquanto no bairro que moramos o custo é de $90-$115 por dia, no centro sobe para $140-170 por dia), mas não temos muita escolha quando não temos família por perto, né?
Eu visitei quase todas as creches do centro (tipo umas 10-15) e são todas muito parecidas porque o governo supervisiona bem. Mas claro que tinham particularidades que as diferenciavam e quanto mais lugares eu visitava mais sabia o que não gostava. Exemplos: um que eu visitei mal dava pra andar porque a sala era uma zorra com brinquedos espalhados pelo chão. Imagina pra uma criança começando a engatinhar/andar se locomover ali? Outras vi crianças chorando e sendo ignoradas (aqui infelizmente é muito comum a técnica de controlled crying, ou seja, deixar a criança/bebe chorar pra ela aprender a ficar sozinho/dormir, o que eu tenho horror e acho uma tortura psicológica absurda com serzinhos tão pequenos – amo esse texto sobre o assunto, por sinal), ou eu não ia com a cara da diretora ou de alguma cuidadora do berçário, e por aí vai. Trabalho difícil esse de escolher o local onde vc vai deixar seu bem mais precioso por 8 horas seguidas!
Detalhe que como eu falei, aqui tem algumas regras pra creche, como por exemplo o ratio de crianças e cuidadores. Para o berçário (0-2 anos) esse ratio é de no mínimo 1 cuidador para cada 4 bebes. Para 2-3 anos o ratio é de 1:8 e de 3-5 anos vai pra 1:10. Claro que com isso o berçário é mais caro, porque demanda mais funcionários.
Seguindo a dica de uma amiga, toda creche que eu visitava eu checava qual era a qualificação dela no site do governo (nesse site) e isso só me fez ficar mais exigente. rs
Outra coisa que eu via era o que estava incluído no valor diário. Normalmente na family day care não tá incluído nada (por isso elas são mais baratas) e nos long day care varia – pode incluir só refeições (excluindo leite de fórmula) e lençóis pro berço, ou englobar fralda, lenço humedecido, fórmula, mamadeiras.
No fim a minha creche favorita era uma que fica bem no meio entre o meu trabalho e o do Thiago, tem poucas crianças no berçário (no máximo umas 8, dependendo do dia – sendo que eu cheguei a visitar creche com até 30 crianças no berçário!) o que dificulta a propagação de doenças, está com a melhor qualificação possível no site do governo, o ambiente é lindo e só com brinquedo de madeira onde eles fazem muitas brincadeiras sensoriais com os bebes (inclusive usando coisas que eu aplico em casa como a cesta de tesouros), e a taxa diária foi a mais baratas de todas no centro e inclui absolutamente tudo: fralda, lenço humedecido, comida, leite, mamadeira e lençóis - eu só teria que levar roupa extra, chupeta, a naninha (odeio essa palavra em português! rs Em inglês se chama “conforter” por sinal, o que é bem mais bonito sde se falar e mais apropriado) e o saco de dormir do Lucas. Perfeito, não? Só um problema: conseguir uma vaga.
Coloquei o nome na lista mas diziam que não podiam dar nenhuma posição até 1 mês antes de eu voltar a trabalhar, e isso eu com viagem de 2 meses pro Brasil marcada. Por sorte uma semana antes de eu ir pro Brasil me ligaram dizendo que tinha aberto uma vaga no berçário! Como alegria de pobre dura pouco, era pra começo imediato e eu estava de viagem marcada. No fim consegui negociar um meio termo: paguei 3 semanas sem o Lucas ir pra segurar a vaga, mas pelo menos não seriam as 6 semanas iniciais que eles tinham proposto.
Algumas curiosidades sobre as creches aqui que notei quando estive no Brasil e visitei uma creche no Rio:
- aqui não dão banho na creche, nem tem lugar pra isso. Na creche do meu sobrinho dão 2 banhos por dia e ele chega em casa cheirosinho. Aqui o Lucas chega cada dia mais imundo, com comida até no cabelo, fora os dias que tem atividades sensoriais como quando colocaram ele pra brincar com playdough (uma massa de farinha e água) e ele veio coberto de farinha! haha
E se engana quem pensa que eles trocam a roupa suja, eles só trocam se for sujo de vomito, xixi ou coco, o resto deixam assim mesmo, manchado de comida por tudo que é lado. Eu no inicio até achava ruim, agora já acostumei e acho legal eles darem essa liberdade pro bebe fazer atividades sensoriais, explorar a comida sozinho, que é o que eu também faço em casa. Quando eu contei pra eles que comecei a dar comida inteira pro Lucas comer sozinho com as mãos (como queijo, banana, brocolis, pão) eles adoraram e passaram a fazer isso na creche também. Claro que a sujismundice foi elevada ao triplo. rs
- uma vez me disseram que tem creche no Brasil que tem televisão, e eu fiquei chocada! Nunca vi por aqui e nem acredito que exista. Não que eu seja contra tv, confesso que até uso um pouco no dia a dia quando preciso de uma babá pra cuidar do Lucas enquanto como, arrumo algo na cozinha, etc, mas daí a colocar o bebe na creche pra ficar na frente da tv é demais!
- quando visitei uma creche cara na zona sul do Rio, a pedagoga passou horas explicando o projeto pedagógico para os bebes, com aula de música, yoga, inglês, informática. Sério mesmo? Para bebes de menos de 2 anos?? Aqui o foco é mesmo em brincar e explorar. Até tem musica, mas são as próprias cuidadoras que cantam, lêem histórias. Informática nem pensar, aliás nem lembro de ter visto computador nas creches, mesmo para crianças maiores de 3-5 anos.
- de uma forma geral o machismo aqui é menor e isso se reflete na educação das crianças. Não tem muito isso de azul pra meninos e rosa pras meninas, bonecas pras meninas e carro pros meninos. Brinquedos são pra crianças brincarem independente de gênero.
- não sei como é no Brasil, mas aqui eles tendem a levar tudo ao pé da letra e vc tem que explicar bem a rotina do bebe. Explico: no berçário eles aqui tem que seguir o que os pais fazem em casa. Então se eu digo pra eles que meu filho toma leite na hora tal, come comida na hora tal, dorme na hora tal, eles tem que seguir essa rotina na creche. No inicio foi meio difícil essa adaptação com a creche do Lucas, eles teimavam em fazer diferente do que eu dizia, davam mamadeira de leite extra (e claro que meu esfomeado sempre tomava, e eu preocupada dele engordar demais pois come sem parar. rs) ou trocavam uma por comida porque queriam dar no horário das outras crianças. Fora o primeiro dia que o Lucas recusou a mamadeira (fato inédito na vidinha dele esfomeada) porque eles esquentaram o leite (fui criar um bebe sem frescura que toma leite frio e deu nisso, ele recusa mordomia. rs) e ao invés de me ligarem, simplesmente deixaram ele sem leite! Mas logo isso se ajeitou e eles também pegaram o jeito do Lucas e tudo passou a correr as mil maravilhas, ele come bem, dorme bem e está sempre sorrindo nas fotos que me mandam diariamente.
- aqui não tem a figura do pedagogo, tem o diretor da creche, e as cuidadoras que na sua grande maioria não tem formação acadêmica, só um curso técnico de 6 a 2 anos dependendo do nível delas.
- também não tem piscina em creche (pelo menos eu nunca vi)
- eles prezam muito área externa, então a maioria das creches faz questão de ter uma área aberta pras crianças pegarem sol e se possível brincarem com terra, terem contato com plantas, etc. Isso sempre com protetor solar e chapéu (diferente da creche que fui no Brasil e a diretora disse que banho de sol tem que ser sem protetor)
Quanto ao preço, como eu disse dependendo do bairro pode variar de $90 a $170 por dia (aqui em Sydney). Fazendo as contas, se seu filho for 5 dias por semana sai $1800 a $3400 por mês. Caro, óbvio, mas nada muito diferente do Rio onde se paga entre $2000 e $3500 por uma creche na zona sul. Com a diferença que aqui o governo te reembolsa 50%, limitado a $7500 por ano. Ou seja, se vc paga digamos $130 por dia (tirando uma média) por 5 dias por semana, daria $33800 por ano, sendo que vc recebe $7500 de volta do governo e no fim acaba pagando $26300. Só que é muito raro o bebe ir todo dia, na maioria das famílias eles vão só 1-3 vezes por semana. No nosso caso, vamos receber 34% de reembolso do governo por ano. Nada mal, né?
Todo mundo sempre me dizia que creche é caríssimo aqui em Sydney (e é) e que é quase impossível conseguir uma vaga (não é). Quando eu ainda estava grávida, entrei em desespero achando que não ia conseguir vaga pro Lucas quando voltasse a trabalhar, então comecei a colocar meu nome na lista de espera de vários lugares.
O primeiro lugar que visitei, ainda grávida, foi a creche do Council (tipo creche pública, mas vc paga de qualquer forma). Me diziam que eram as melhores pois são supervisionadas de perto pelo governo, a grade curricular é ótima, etc. Fui numa no bairro que moro e confesso que odiei! Achei suja (tá, não suja, mas velha, o que dava a aparência de suja), não gostei do fato da área externa misturar bebes com crianças maiores, impliquei mesmo com o lugar. Depois de uma amiga que trabalha em creche insistir que não era suja, que a qualidade é ótima, etc, etc, eu acabei colocando meu nome na lista de espera. Doce ilusão, pois conseguir uma vaga nessas creches é praticamente impossível! Tem várias prioridades (crianças aborígenes, oriundas de lares abusivos, etc) e abrem muito poucas vagas. Meu nome tá lá há mais de 1 ano e nunca me contactaram…
Tendo desistido dessa opção, passei a ver as outras duas possíveis: family day care e long day care. O family day care basicamente são pessoas que cuidam de crianças em casa, em geral poucas crianças (acho que no máximo 4-5). Claro que tem que ter licença pra isso e o governo supervisiona de perto. Tem até muitas brasileiras que tem family day care e algumas ótimas. Só que normalmente funciona de 7-8 da manha até 4-5 da tarde, o que não dava pra mim pois o Thiago sai do trabalho as 5 e eu as 5:30 e não chegamos em casa antes das 6:30.
Então parti pros long day care, que funcionam até 6 (as vezes 6:30-7) da tarde. Cheguei a visitar 2 perto de casa, que até gostei, mas me dei conta que não íamos conseguir chegar a tempo de qualquer forma pra pegar o Lucas. Eu ou o Thiago teríamos que fazer horário alternativo e sair mais cedo do trabalho, o que pra mim é muito difícil pois no meu escritório o pessoal vara a noite trabalhando. E mesmo pro Thiago ia ser complicado, e se surgisse uma reunião, e se o trem atrasasse (ou se ele fosse de carro, e se pegasse um transito anormal)? Fora que se acontecesse da creche me ligar pedindo pra pegar o Lucas mais cedo (por ele estar doente ou algo do tipo), eu demoraria pelo menos 1 hora pra chegar lá.
Aí partimos pra única opção viável pra nós: uma creche no centro da cidade perto do trabalho. Claro que essa opção é bem mais cara (enquanto no bairro que moramos o custo é de $90-$115 por dia, no centro sobe para $140-170 por dia), mas não temos muita escolha quando não temos família por perto, né?
Eu visitei quase todas as creches do centro (tipo umas 10-15) e são todas muito parecidas porque o governo supervisiona bem. Mas claro que tinham particularidades que as diferenciavam e quanto mais lugares eu visitava mais sabia o que não gostava. Exemplos: um que eu visitei mal dava pra andar porque a sala era uma zorra com brinquedos espalhados pelo chão. Imagina pra uma criança começando a engatinhar/andar se locomover ali? Outras vi crianças chorando e sendo ignoradas (aqui infelizmente é muito comum a técnica de controlled crying, ou seja, deixar a criança/bebe chorar pra ela aprender a ficar sozinho/dormir, o que eu tenho horror e acho uma tortura psicológica absurda com serzinhos tão pequenos – amo esse texto sobre o assunto, por sinal), ou eu não ia com a cara da diretora ou de alguma cuidadora do berçário, e por aí vai. Trabalho difícil esse de escolher o local onde vc vai deixar seu bem mais precioso por 8 horas seguidas!
Detalhe que como eu falei, aqui tem algumas regras pra creche, como por exemplo o ratio de crianças e cuidadores. Para o berçário (0-2 anos) esse ratio é de no mínimo 1 cuidador para cada 4 bebes. Para 2-3 anos o ratio é de 1:8 e de 3-5 anos vai pra 1:10. Claro que com isso o berçário é mais caro, porque demanda mais funcionários.
Seguindo a dica de uma amiga, toda creche que eu visitava eu checava qual era a qualificação dela no site do governo (nesse site) e isso só me fez ficar mais exigente. rs
Outra coisa que eu via era o que estava incluído no valor diário. Normalmente na family day care não tá incluído nada (por isso elas são mais baratas) e nos long day care varia – pode incluir só refeições (excluindo leite de fórmula) e lençóis pro berço, ou englobar fralda, lenço humedecido, fórmula, mamadeiras.
No fim a minha creche favorita era uma que fica bem no meio entre o meu trabalho e o do Thiago, tem poucas crianças no berçário (no máximo umas 8, dependendo do dia – sendo que eu cheguei a visitar creche com até 30 crianças no berçário!) o que dificulta a propagação de doenças, está com a melhor qualificação possível no site do governo, o ambiente é lindo e só com brinquedo de madeira onde eles fazem muitas brincadeiras sensoriais com os bebes (inclusive usando coisas que eu aplico em casa como a cesta de tesouros), e a taxa diária foi a mais baratas de todas no centro e inclui absolutamente tudo: fralda, lenço humedecido, comida, leite, mamadeira e lençóis - eu só teria que levar roupa extra, chupeta, a naninha (odeio essa palavra em português! rs Em inglês se chama “conforter” por sinal, o que é bem mais bonito sde se falar e mais apropriado) e o saco de dormir do Lucas. Perfeito, não? Só um problema: conseguir uma vaga.
Coloquei o nome na lista mas diziam que não podiam dar nenhuma posição até 1 mês antes de eu voltar a trabalhar, e isso eu com viagem de 2 meses pro Brasil marcada. Por sorte uma semana antes de eu ir pro Brasil me ligaram dizendo que tinha aberto uma vaga no berçário! Como alegria de pobre dura pouco, era pra começo imediato e eu estava de viagem marcada. No fim consegui negociar um meio termo: paguei 3 semanas sem o Lucas ir pra segurar a vaga, mas pelo menos não seriam as 6 semanas iniciais que eles tinham proposto.
Algumas curiosidades sobre as creches aqui que notei quando estive no Brasil e visitei uma creche no Rio:
- aqui não dão banho na creche, nem tem lugar pra isso. Na creche do meu sobrinho dão 2 banhos por dia e ele chega em casa cheirosinho. Aqui o Lucas chega cada dia mais imundo, com comida até no cabelo, fora os dias que tem atividades sensoriais como quando colocaram ele pra brincar com playdough (uma massa de farinha e água) e ele veio coberto de farinha! haha
E se engana quem pensa que eles trocam a roupa suja, eles só trocam se for sujo de vomito, xixi ou coco, o resto deixam assim mesmo, manchado de comida por tudo que é lado. Eu no inicio até achava ruim, agora já acostumei e acho legal eles darem essa liberdade pro bebe fazer atividades sensoriais, explorar a comida sozinho, que é o que eu também faço em casa. Quando eu contei pra eles que comecei a dar comida inteira pro Lucas comer sozinho com as mãos (como queijo, banana, brocolis, pão) eles adoraram e passaram a fazer isso na creche também. Claro que a sujismundice foi elevada ao triplo. rs
- uma vez me disseram que tem creche no Brasil que tem televisão, e eu fiquei chocada! Nunca vi por aqui e nem acredito que exista. Não que eu seja contra tv, confesso que até uso um pouco no dia a dia quando preciso de uma babá pra cuidar do Lucas enquanto como, arrumo algo na cozinha, etc, mas daí a colocar o bebe na creche pra ficar na frente da tv é demais!
- quando visitei uma creche cara na zona sul do Rio, a pedagoga passou horas explicando o projeto pedagógico para os bebes, com aula de música, yoga, inglês, informática. Sério mesmo? Para bebes de menos de 2 anos?? Aqui o foco é mesmo em brincar e explorar. Até tem musica, mas são as próprias cuidadoras que cantam, lêem histórias. Informática nem pensar, aliás nem lembro de ter visto computador nas creches, mesmo para crianças maiores de 3-5 anos.
- de uma forma geral o machismo aqui é menor e isso se reflete na educação das crianças. Não tem muito isso de azul pra meninos e rosa pras meninas, bonecas pras meninas e carro pros meninos. Brinquedos são pra crianças brincarem independente de gênero.
- não sei como é no Brasil, mas aqui eles tendem a levar tudo ao pé da letra e vc tem que explicar bem a rotina do bebe. Explico: no berçário eles aqui tem que seguir o que os pais fazem em casa. Então se eu digo pra eles que meu filho toma leite na hora tal, come comida na hora tal, dorme na hora tal, eles tem que seguir essa rotina na creche. No inicio foi meio difícil essa adaptação com a creche do Lucas, eles teimavam em fazer diferente do que eu dizia, davam mamadeira de leite extra (e claro que meu esfomeado sempre tomava, e eu preocupada dele engordar demais pois come sem parar. rs) ou trocavam uma por comida porque queriam dar no horário das outras crianças. Fora o primeiro dia que o Lucas recusou a mamadeira (fato inédito na vidinha dele esfomeada) porque eles esquentaram o leite (fui criar um bebe sem frescura que toma leite frio e deu nisso, ele recusa mordomia. rs) e ao invés de me ligarem, simplesmente deixaram ele sem leite! Mas logo isso se ajeitou e eles também pegaram o jeito do Lucas e tudo passou a correr as mil maravilhas, ele come bem, dorme bem e está sempre sorrindo nas fotos que me mandam diariamente.
- aqui não tem a figura do pedagogo, tem o diretor da creche, e as cuidadoras que na sua grande maioria não tem formação acadêmica, só um curso técnico de 6 a 2 anos dependendo do nível delas.
- também não tem piscina em creche (pelo menos eu nunca vi)
- eles prezam muito área externa, então a maioria das creches faz questão de ter uma área aberta pras crianças pegarem sol e se possível brincarem com terra, terem contato com plantas, etc. Isso sempre com protetor solar e chapéu (diferente da creche que fui no Brasil e a diretora disse que banho de sol tem que ser sem protetor)
Quanto ao preço, como eu disse dependendo do bairro pode variar de $90 a $170 por dia (aqui em Sydney). Fazendo as contas, se seu filho for 5 dias por semana sai $1800 a $3400 por mês. Caro, óbvio, mas nada muito diferente do Rio onde se paga entre $2000 e $3500 por uma creche na zona sul. Com a diferença que aqui o governo te reembolsa 50%, limitado a $7500 por ano. Ou seja, se vc paga digamos $130 por dia (tirando uma média) por 5 dias por semana, daria $33800 por ano, sendo que vc recebe $7500 de volta do governo e no fim acaba pagando $26300. Só que é muito raro o bebe ir todo dia, na maioria das famílias eles vão só 1-3 vezes por semana. No nosso caso, vamos receber 34% de reembolso do governo por ano. Nada mal, né?
quinta-feira, 23 de julho de 2015
Licença maternidade (e paternidade) na Austrália
Como eu comentei no post anterior, a licença maternidade aqui na Austrália é de 1 ano, mas não remunerada. O governo paga 18 semanas (tem alguns requisitos como vc ter trabalhado 12 meses antes do bb nascer – os demais requisitos vc pode ver aqui) mas apenas 1 salário mínimo por mês. Como o salário mínimo aqui é de $622 por semana, não é tão ruim, mas tá longe de ser o salário que eu recebia. Algumas empresas pagam também uma licença que varia de 12 a 14 semanas (na maioria dos casos). No meu caso, como minha empresa é americana, eles pagaram 6 semanas apenas e acharam que estavam fazendo muito. Eu juntei 1 mês de licença médica que tinha, mais 1 mês de férias (que acabei só recebendo 15 dias por conta de um erro da minha gerente) e o resto foi sem remuneração mesmo. Claro que ficou apertado, mas até que não foi tão ruim como achei que seria.
O governo australiano tinha prometido no orçamento desse ano a licença maternidade de 6 meses remunerada integralmente. Não só isso acabou não passando como a lei ficou mais dura para os pais: agora o governo não vai mais pagar as 18 semanas de licença se a empresa pagar também. No meu caso, por exemplo, isso seria péssimo porque minha empresa paga só 6 semanas. Mas mesmo as empresas que pagam de 12 a 14 semanas, vamos convir que 3 meses de licença paga é um retrocesso frente a maioria dos países desenvolvidos (e aí eu excluo os EUA que são uma verdadeira aberração e um ultraje para os pais – tem um vídeo muito interessante do programa do John Oliver fazendo piada com esse absurdo).
Voltando a licença não remunerada, o detalhe é que ela é paga para o “primary carer” da criança, ou seja, tanto faz se é homem ou mulher, se os pais são um casal gay ou single parent, ou se a criança é adotada.
Além dessa licença de 12 meses não remunerada, o marido (ou esposa) podem ainda tirar 12 meses adicionais, também não remunerado, com garantia de cargo e salário no retorno ao trabalho.
Um fato curioso é que a lei prevê também que a mulher que trabalha numa função incompatível com a gravidez (ou seja, que gere risco de saúde para mãe ou bebe) pode pedir transferência para outro cargo que seja “seguro” durante a gravidez. Se a empresa não possuir esse cargo seguro, a grávida entra de licença durante a gravidez integralmente paga pela empresa. Claro que isso também só vale se a grávida estiver trabalhando há mais de 12 meses na mesma empresa.
Uma coisa que gosto bastante daqui é que no geral as obrigações são dividas entre pais e mães e as empresas também respeitam isso. É muito comum pais que quando termina a licença maternidade da esposa passem a trabalhar 1 ou 2 dias de casa pra poder ficar com o bb, ou façam acordos com a empresa para entrar e sair em horários alternativos e poder pegar o filho na creche.
Algumas empresas dão benefícios adicionais aos pais, como no caso da empresa do Thiago que dá uma ajuda de $60 por semana de auxílio creche, e concede licença paternidade (para a mulher ou o homem) de 3 meses remunerada integralmente. Dessa vez não pudemos usar disso pois quando o Lucas nasceu o Thiago ainda não tinha completado 12 meses na empresa, mas cogitamos a hipótese de se tivermos outro filho eu tire 3 meses de licença e o Thiago os outros 3.
Os empregadores são também, de uma forma geral, bem compreensivos com os pais e não rola o bullying tão recorrente no Brasil quando pais precisam sair cedo pra pegar os filhos ou faltar porque o filho tá doente.
Talvez essa mentalidade aqui seja também decorrente do fato de que os avós, de uma forma geral, não cuidam dos netos como no Brasil. Eles podem até ajudar, mas fazem questão de deixar claro que tem vida própria e a ajuda pra cuidar dos netos é em caráter excepcional, ou seja, não é muito comum o que vemos no Brasil de avós que pegam os netos na creche todo dia, ou ficam com os netos várias vezes na semana.
Quando eu voltei da licença, algumas semanas depois o Lucas ficou doente, aliás ele ficou doente 2 vezes em 2 semanas, e teve que faltar a creche 3 dias (os outros dias coincidiu com os dias que eu não trabalho). Como eu tinha acabado de voltar ao trabalho e só trabalho 3x na semana (e claro, não temos família aqui), não dava pra ficar faltando, então o Thiago que ficou em casa cuidando dele. Ah, na empresa do Thiago eles tem outro benefício que é além dos dias de sick leave que todo empregado tem direito, eles tem também sick leaves adicionais pra quando o filho está doente. E ninguém faz cara feia ou reclama se vc tirar esses dias, é seu direito e ponto, todo mundo compreende e se vierem te falar algo vai ser só pra perguntar se o seu filho está melhor.
Do meu grupo de mães aqui eu fui uma das primeiras (se não a primeira) a voltar a trabalhar. A maioria vai tirar quase 1 ano de licença, ou não vai voltar ao trabalho tão cedo. O que muitas mães pesam também é o custo da creche (que vou falar em outro post). Se vc não ganhar um salário bom que cubra os custos da creche, não faz muito sentido voltar a trabalhar, né? De que adianta vc ganhar $160 por dia ($20 por hora) se vai pagar de $80 a $160 de creche por dia, dependendo do bairro? Isso pra um filho, imagina quem tem 2, 3, ou até 4 filhos?? Faz mesmo mais sentido ficar em casa com as crianças do que trabalhar.
Existem ainda alguns outros benefícios do governo para famílias com crianças pequenas (apesar do famoso "baby bonus" ter acabado ano passado), como ajuda no aluguel, redução no valor dos impostos, etc, mas tudo vai depender da renda anual do casal. Lembrando sempre que esses benefícios do governo só se aplicam para quem tem visto de residente, quem tem outros vistos não tem ajuda nenhuma, ou seja, com visto de estudante manter uma família com filhos aqui é bem complicado. Claro que tem gente que faz, mas eu sinceramente não sei como… rs
No próximo post vou falar sobre creche e atividades para crianças.
O governo australiano tinha prometido no orçamento desse ano a licença maternidade de 6 meses remunerada integralmente. Não só isso acabou não passando como a lei ficou mais dura para os pais: agora o governo não vai mais pagar as 18 semanas de licença se a empresa pagar também. No meu caso, por exemplo, isso seria péssimo porque minha empresa paga só 6 semanas. Mas mesmo as empresas que pagam de 12 a 14 semanas, vamos convir que 3 meses de licença paga é um retrocesso frente a maioria dos países desenvolvidos (e aí eu excluo os EUA que são uma verdadeira aberração e um ultraje para os pais – tem um vídeo muito interessante do programa do John Oliver fazendo piada com esse absurdo).
Voltando a licença não remunerada, o detalhe é que ela é paga para o “primary carer” da criança, ou seja, tanto faz se é homem ou mulher, se os pais são um casal gay ou single parent, ou se a criança é adotada.
Além dessa licença de 12 meses não remunerada, o marido (ou esposa) podem ainda tirar 12 meses adicionais, também não remunerado, com garantia de cargo e salário no retorno ao trabalho.
Um fato curioso é que a lei prevê também que a mulher que trabalha numa função incompatível com a gravidez (ou seja, que gere risco de saúde para mãe ou bebe) pode pedir transferência para outro cargo que seja “seguro” durante a gravidez. Se a empresa não possuir esse cargo seguro, a grávida entra de licença durante a gravidez integralmente paga pela empresa. Claro que isso também só vale se a grávida estiver trabalhando há mais de 12 meses na mesma empresa.
Uma coisa que gosto bastante daqui é que no geral as obrigações são dividas entre pais e mães e as empresas também respeitam isso. É muito comum pais que quando termina a licença maternidade da esposa passem a trabalhar 1 ou 2 dias de casa pra poder ficar com o bb, ou façam acordos com a empresa para entrar e sair em horários alternativos e poder pegar o filho na creche.
Algumas empresas dão benefícios adicionais aos pais, como no caso da empresa do Thiago que dá uma ajuda de $60 por semana de auxílio creche, e concede licença paternidade (para a mulher ou o homem) de 3 meses remunerada integralmente. Dessa vez não pudemos usar disso pois quando o Lucas nasceu o Thiago ainda não tinha completado 12 meses na empresa, mas cogitamos a hipótese de se tivermos outro filho eu tire 3 meses de licença e o Thiago os outros 3.
Os empregadores são também, de uma forma geral, bem compreensivos com os pais e não rola o bullying tão recorrente no Brasil quando pais precisam sair cedo pra pegar os filhos ou faltar porque o filho tá doente.
Talvez essa mentalidade aqui seja também decorrente do fato de que os avós, de uma forma geral, não cuidam dos netos como no Brasil. Eles podem até ajudar, mas fazem questão de deixar claro que tem vida própria e a ajuda pra cuidar dos netos é em caráter excepcional, ou seja, não é muito comum o que vemos no Brasil de avós que pegam os netos na creche todo dia, ou ficam com os netos várias vezes na semana.
Quando eu voltei da licença, algumas semanas depois o Lucas ficou doente, aliás ele ficou doente 2 vezes em 2 semanas, e teve que faltar a creche 3 dias (os outros dias coincidiu com os dias que eu não trabalho). Como eu tinha acabado de voltar ao trabalho e só trabalho 3x na semana (e claro, não temos família aqui), não dava pra ficar faltando, então o Thiago que ficou em casa cuidando dele. Ah, na empresa do Thiago eles tem outro benefício que é além dos dias de sick leave que todo empregado tem direito, eles tem também sick leaves adicionais pra quando o filho está doente. E ninguém faz cara feia ou reclama se vc tirar esses dias, é seu direito e ponto, todo mundo compreende e se vierem te falar algo vai ser só pra perguntar se o seu filho está melhor.
Do meu grupo de mães aqui eu fui uma das primeiras (se não a primeira) a voltar a trabalhar. A maioria vai tirar quase 1 ano de licença, ou não vai voltar ao trabalho tão cedo. O que muitas mães pesam também é o custo da creche (que vou falar em outro post). Se vc não ganhar um salário bom que cubra os custos da creche, não faz muito sentido voltar a trabalhar, né? De que adianta vc ganhar $160 por dia ($20 por hora) se vai pagar de $80 a $160 de creche por dia, dependendo do bairro? Isso pra um filho, imagina quem tem 2, 3, ou até 4 filhos?? Faz mesmo mais sentido ficar em casa com as crianças do que trabalhar.
Existem ainda alguns outros benefícios do governo para famílias com crianças pequenas (apesar do famoso "baby bonus" ter acabado ano passado), como ajuda no aluguel, redução no valor dos impostos, etc, mas tudo vai depender da renda anual do casal. Lembrando sempre que esses benefícios do governo só se aplicam para quem tem visto de residente, quem tem outros vistos não tem ajuda nenhuma, ou seja, com visto de estudante manter uma família com filhos aqui é bem complicado. Claro que tem gente que faz, mas eu sinceramente não sei como… rs
No próximo post vou falar sobre creche e atividades para crianças.
segunda-feira, 20 de julho de 2015
O retorno (será que agora vai?)
E mais seis meses se passaram sem post novo. Acho que vou me conformar que esse blog agora terá postagens semestrais. haha
O fato é que depois de um tempo fico meio sem assunto, a nossa vida aqui já virou uma rotina e nada mais me parece extraordinário, sabe? Fora a falta de tempo com o Lucas querendo atenção 24hrs. Talvez agora que voltei a trabalhar tenha como tirar um tempinho pra voltar a escrever posts, mas não prometo.
Ainda recebo bastante email de pessoas querendo emigrar pra cá e procuro sempre responder (ainda que na maioria das vezes com atraso, sorry). Infelizmente nem sempre posso incentivar pois alguns casos são realmente difíceis de se conseguir um visto de residência. E eu não acompanho mais esse assunto, então não sei mais as profissões que estão na lista de demanda, como está o processo de aplicação, etc. Nem sobre a área de direito eu tenho mais informações, pois como já disse abandonei por hora a ideia de validar o meu diploma e sinceramente não sei se o farei algum dia.
Há pouco mais de um mês voltei a trabalhar depois de 7 meses de licença maternidade. Não sei se já comentei aqui, mas a licença maternidade é de 1 ano, mas não remunerada. O governo paga 18 semanas (tem alguns requisitos como vc ter trabalhado 12 meses antes do bb nascer) mas apenas 1 salário mínimo por mês. Como o salário mínimo aqui é de $622 por semana, não é tão ruim, mas tá longe de ser o salário que eu recebia. Algumas empresas até pagam também uma licença que varia de 12 a 18 semanas. No meu caso, como minha empresa é americana, eles pagaram 6 semanas apenas e acharam que estavam fazendo muito. Eu juntei 1 mês de licença médica que tinha, mais 1 mês de férias (que acabei só recebendo 15 dias por conta de um erro da minha gerente) e o resto foi sem remuneração mesmo. Claro que ficou apertado, mas até que não foi tão ruim como achei que seria. Os gastos com bb não são tão altos como eu imaginei pois aqui se compra muita coisa de segunda mão super barato (outro dia mesmo comprei um saco com 100 roupas de bb, muitas quase novas, e paguei apenas $30), e mesmo coisas maiores como carrinho, mamadeiras, fraldas, etc, não é tão caro como no Brasil. Por exemplo, assim que o Lucas ficou um pouco maior (tipo uns 3 meses) passei a comprar fralda genérica (do supermercado Aldi) que é ótima e a metade do preço de uma da Huggies. Pra vcs terem uma ideia a fralda do Aldi custa $0.20 por fralda, enquanto a da Huggies custa uns $0.50 por fralda (e no Brasil quando fui de ferias eu pagava no mínimo $0.80 pela fralda da Pamper que, sinceramente, não chega aos pés da qualidade da fralda do Aldi!). Fora que com um bb e sem família por perto sua vida social beira zero, o que é mais uma economia. Então no fim das contas o que gastávamos antes com saídas, almoço fora, bebida, agora trocamos por fralda. rs
Eu tinha dito no trabalho que voltaria em agosto-setembro, mas sinceramente a vida de dona de casa não é pra mim e eu já estava enlouquecendo. Acho louvável as mulheres que optam por ficar em casa com o bb, mas não é pra mim. Então quando o Lucas fez 6 meses achamos que estava na hora de eu voltar. Claro que também não quis (e não quero) voltar a trabalhar integral, pois curto muito ficar com o pequeno. Assim voltei 3 dias por semana, e numa nova posicao – como paralegal. Eu já trabalhava como paralegal há tempos, mas eles ficavam enrolando pra mudar meu contrato. Aí quando voltei não tinha como mais me enrolarem e finalmente me deram o novo contrato. Como meu escritório paga muito bem (um oásis no mercado de paralegal), meu novo salário me garante um valor perto com o que eu recebia antes, mas para trabalhar apenas 3x por semana. E eu ainda reclamei porque queria mais. Haha Mas a verdade é que por causa da minha formação em direito eu faço mais que um paralegal, como diz a minha chefe, ela me dá trabalho de “second year associate”, então nada mais justo que eles me remunerem acima da mádia, não? Como estou retornando da licença vou ficar na minha por enquanto, mas eles que me aguardem pedindo aumento ano que vem. rs
A vida após o retorno ao trabalho tá bem puxada, mas aos poucos estamos entrando na rotina. E por incrível que pareça ter um filho me fez ter mais vontade de cozinhar, fazer uma alimentacao saudável pra ele e pra nós. Entao perco mais tempo na cozinha, o que tem me deixado inclinada a comprar uma Thermomix, se eu conseguir convencer o Thiago a gastar uma grana, mas isso é assunto pra outro post…
Enfim, vou ver se escrevo mais frequente e nos próximos posts vou comentar um pouco mais sobre esse retorno ao trabalho, como funciona creche aqui, atividades extracurriculares pra criancas e bbs, etc. Se alguém tiver alguma curiosidade ou sugestão de post, fique a vontade pra mandar sugestões nos comentários! Isso se depois de tanto tempo de blog morto ainda tiver alguém acompanhando… rs
O fato é que depois de um tempo fico meio sem assunto, a nossa vida aqui já virou uma rotina e nada mais me parece extraordinário, sabe? Fora a falta de tempo com o Lucas querendo atenção 24hrs. Talvez agora que voltei a trabalhar tenha como tirar um tempinho pra voltar a escrever posts, mas não prometo.
Ainda recebo bastante email de pessoas querendo emigrar pra cá e procuro sempre responder (ainda que na maioria das vezes com atraso, sorry). Infelizmente nem sempre posso incentivar pois alguns casos são realmente difíceis de se conseguir um visto de residência. E eu não acompanho mais esse assunto, então não sei mais as profissões que estão na lista de demanda, como está o processo de aplicação, etc. Nem sobre a área de direito eu tenho mais informações, pois como já disse abandonei por hora a ideia de validar o meu diploma e sinceramente não sei se o farei algum dia.
Há pouco mais de um mês voltei a trabalhar depois de 7 meses de licença maternidade. Não sei se já comentei aqui, mas a licença maternidade é de 1 ano, mas não remunerada. O governo paga 18 semanas (tem alguns requisitos como vc ter trabalhado 12 meses antes do bb nascer) mas apenas 1 salário mínimo por mês. Como o salário mínimo aqui é de $622 por semana, não é tão ruim, mas tá longe de ser o salário que eu recebia. Algumas empresas até pagam também uma licença que varia de 12 a 18 semanas. No meu caso, como minha empresa é americana, eles pagaram 6 semanas apenas e acharam que estavam fazendo muito. Eu juntei 1 mês de licença médica que tinha, mais 1 mês de férias (que acabei só recebendo 15 dias por conta de um erro da minha gerente) e o resto foi sem remuneração mesmo. Claro que ficou apertado, mas até que não foi tão ruim como achei que seria. Os gastos com bb não são tão altos como eu imaginei pois aqui se compra muita coisa de segunda mão super barato (outro dia mesmo comprei um saco com 100 roupas de bb, muitas quase novas, e paguei apenas $30), e mesmo coisas maiores como carrinho, mamadeiras, fraldas, etc, não é tão caro como no Brasil. Por exemplo, assim que o Lucas ficou um pouco maior (tipo uns 3 meses) passei a comprar fralda genérica (do supermercado Aldi) que é ótima e a metade do preço de uma da Huggies. Pra vcs terem uma ideia a fralda do Aldi custa $0.20 por fralda, enquanto a da Huggies custa uns $0.50 por fralda (e no Brasil quando fui de ferias eu pagava no mínimo $0.80 pela fralda da Pamper que, sinceramente, não chega aos pés da qualidade da fralda do Aldi!). Fora que com um bb e sem família por perto sua vida social beira zero, o que é mais uma economia. Então no fim das contas o que gastávamos antes com saídas, almoço fora, bebida, agora trocamos por fralda. rs
Eu tinha dito no trabalho que voltaria em agosto-setembro, mas sinceramente a vida de dona de casa não é pra mim e eu já estava enlouquecendo. Acho louvável as mulheres que optam por ficar em casa com o bb, mas não é pra mim. Então quando o Lucas fez 6 meses achamos que estava na hora de eu voltar. Claro que também não quis (e não quero) voltar a trabalhar integral, pois curto muito ficar com o pequeno. Assim voltei 3 dias por semana, e numa nova posicao – como paralegal. Eu já trabalhava como paralegal há tempos, mas eles ficavam enrolando pra mudar meu contrato. Aí quando voltei não tinha como mais me enrolarem e finalmente me deram o novo contrato. Como meu escritório paga muito bem (um oásis no mercado de paralegal), meu novo salário me garante um valor perto com o que eu recebia antes, mas para trabalhar apenas 3x por semana. E eu ainda reclamei porque queria mais. Haha Mas a verdade é que por causa da minha formação em direito eu faço mais que um paralegal, como diz a minha chefe, ela me dá trabalho de “second year associate”, então nada mais justo que eles me remunerem acima da mádia, não? Como estou retornando da licença vou ficar na minha por enquanto, mas eles que me aguardem pedindo aumento ano que vem. rs
A vida após o retorno ao trabalho tá bem puxada, mas aos poucos estamos entrando na rotina. E por incrível que pareça ter um filho me fez ter mais vontade de cozinhar, fazer uma alimentacao saudável pra ele e pra nós. Entao perco mais tempo na cozinha, o que tem me deixado inclinada a comprar uma Thermomix, se eu conseguir convencer o Thiago a gastar uma grana, mas isso é assunto pra outro post…
Enfim, vou ver se escrevo mais frequente e nos próximos posts vou comentar um pouco mais sobre esse retorno ao trabalho, como funciona creche aqui, atividades extracurriculares pra criancas e bbs, etc. Se alguém tiver alguma curiosidade ou sugestão de post, fique a vontade pra mandar sugestões nos comentários! Isso se depois de tanto tempo de blog morto ainda tiver alguém acompanhando… rs
sexta-feira, 30 de janeiro de 2015
Motivo da ausência e 3 anos de Austrália
Nossa, tem mais de 6 meses que não atualizo o blog. Ele anda totalmente as moscas, eu sei, as vezes só lembro dele quando recebo email de alguém com alguma dúvida. Até hoje nunca deixei de responder um email, mesmo que demore a resposta vem, então sejam pacientes. :) Se bem que tem vezes que dá vontade de nem responder, me irrita bastante quando recebo perguntas que uma simples pesquisa no Google resolveria, ou pior, cujas respostas estão no blog mas a pessoa tem preguiça de ler, vê apenas o último post e acha mais fácil me escrever um email do que ler o restante dos posts. Mesmo assim respondo sempre (e juro que não sou grossa. rs), pois é um imenso prazer ajudar outros brasileiros nessa mudança radical de vida. Claro que eu sei que essas pessoas que tem preguiça crônica de ler e pesquisar nunca vão conseguir imigrar. Mudar pra outro país demanda muita pesquisa, muito planejamento, muita perseverança. Por outro lado o blog me trouxe muitos amigos, pessoas que me contactaram ainda do Brasil, vieram pra Austrália, nos encontramos e se tornaram grandes amigos. Isso me motiva a manter o blog ativo.
Quanto ao motivo da ausência, bom, já tinha comentado no último post que ano passado engravidei e em dezembro nasceu nosso maior presente, o Lucas. Fiquei meio off na gravidez e depois que ele nasceu o tempo ficou bem escasso. Agora mesmo tento fazer esse post com ele reclamando aqui no meu colo. rs
Mas o assunto de hoje é outro. Hoje completamos 3 anos de Austrália! Olhando pra trás parece que foram 10 anos, tamanha a quantidade de coisas que aconteceram nesses anos. Acho que nossas vidas nunca mudaram tanto em tão pouco tempo...
Depois de um primeiro ano bem complicado com a busca por emprego, um segundo ano de estabilização e ainda de adaptação, 2014 nos trouxe a vida que sempre quisemos. Nos mudamos para um apartamento que amamos no sul de Sydney, num bairro super agradável e rodeado de parques, Thiago conseguiu um emprego na empresa dos sonhos dele e está trilhando seu projeto de se tornar project manager, eu fui promovida a legal assistant no escritório de advocacia que trabalho e, claro, o fim do ano trouxe nosso tão esperado pacotinho. Além disso fizemos muitas e maravilhosas amizades, como diz minha mãe que veio nos visitar nos últimos meses, não paramos em casa de tantos eventos sociais. haha Ela até que tem razão, mas é que quando se mora do outro lado do mundo os amigos se tornam a sua família, e nós com certeza só temos a agradecer pelas amizades que formamos.
Depois de ter um filho tive ainda mais certeza de que essa cidade é onde quero que meu filho cresça, com muita liberdade e segurança.
Claro que nem tudo são flores, a distância da família ainda é e sempre será muito difícil, e claro que nossa vida não é perfeita. Mas hoje eu estou num ótimo humor (milagre... haha) e resolvi fazer esse post só com as coisas boas. Afinal, de vez em quando é bom parar de reclamar e dar valor a todas as coisas boas que acontecem a nossa volta, né?
Finalizo esse post com uma foto do nosso pequeno:

Ah, antes que eu me esqueça: a Michelle, do maravilhoso blog Brazil Australia, fez uma entrevista comigo sobre a maternidade, onde contei um pouco sobre como é ter um filho na Austrália. Quem tiver curiosidade passa por lá. Super obrigado a Mi, uma grande amiga, aliás conhecer ela e o Jerry foram um dos muitos presentes que a Austrália nos trouxe. :)
Quanto ao motivo da ausência, bom, já tinha comentado no último post que ano passado engravidei e em dezembro nasceu nosso maior presente, o Lucas. Fiquei meio off na gravidez e depois que ele nasceu o tempo ficou bem escasso. Agora mesmo tento fazer esse post com ele reclamando aqui no meu colo. rs
Mas o assunto de hoje é outro. Hoje completamos 3 anos de Austrália! Olhando pra trás parece que foram 10 anos, tamanha a quantidade de coisas que aconteceram nesses anos. Acho que nossas vidas nunca mudaram tanto em tão pouco tempo...
Depois de um primeiro ano bem complicado com a busca por emprego, um segundo ano de estabilização e ainda de adaptação, 2014 nos trouxe a vida que sempre quisemos. Nos mudamos para um apartamento que amamos no sul de Sydney, num bairro super agradável e rodeado de parques, Thiago conseguiu um emprego na empresa dos sonhos dele e está trilhando seu projeto de se tornar project manager, eu fui promovida a legal assistant no escritório de advocacia que trabalho e, claro, o fim do ano trouxe nosso tão esperado pacotinho. Além disso fizemos muitas e maravilhosas amizades, como diz minha mãe que veio nos visitar nos últimos meses, não paramos em casa de tantos eventos sociais. haha Ela até que tem razão, mas é que quando se mora do outro lado do mundo os amigos se tornam a sua família, e nós com certeza só temos a agradecer pelas amizades que formamos.
Depois de ter um filho tive ainda mais certeza de que essa cidade é onde quero que meu filho cresça, com muita liberdade e segurança.
Claro que nem tudo são flores, a distância da família ainda é e sempre será muito difícil, e claro que nossa vida não é perfeita. Mas hoje eu estou num ótimo humor (milagre... haha) e resolvi fazer esse post só com as coisas boas. Afinal, de vez em quando é bom parar de reclamar e dar valor a todas as coisas boas que acontecem a nossa volta, né?
Finalizo esse post com uma foto do nosso pequeno:
Ah, antes que eu me esqueça: a Michelle, do maravilhoso blog Brazil Australia, fez uma entrevista comigo sobre a maternidade, onde contei um pouco sobre como é ter um filho na Austrália. Quem tiver curiosidade passa por lá. Super obrigado a Mi, uma grande amiga, aliás conhecer ela e o Jerry foram um dos muitos presentes que a Austrália nos trouxe. :)
terça-feira, 22 de julho de 2014
Esclarecimento aos advogados
Aproveitando uma mensagem que respondi hoje, queria fazer um esclarecimento.
Estou sabendo que há umas semanas foi publicada uma reportagem em vários jornais do Brasil falando sobre as profissões em demanda na Austrália. Engraçado que essa lista da SOL não é nenhuma novidade, ela só é atualizada anualmente pelo governo australiano.
É verdade que algumas profissões entraram na lista esse ano, como chef e pedreiro (sendo que chef já esteve durante muitos anos, foi retirada e agora só retornou), mas a maioria não é nenhuma novidade. Mesmo assim os jornais brasileiros publicaram como se fosse a novidade do milênio. Oh, well... rs
Enfim, o Jerry já fez ótimos posts sobre isso (aqui e aqui), e com certeza ele entende melhor do que eu pra opinar. ;)
O que eu queria esclarecer nesse post é sobre uma das reportagens que afirmou que advogado estaria na lista de demanda.
Talvez por conta disso tenho recebido um número maior de emails de advogados perguntando sobre as possibilidades na Austrália.
Ocorre que eu acho que essa reportagem foi extremamente tendenciosa e sem o mínimo de cuidado. A matéria é incorreta quando fala em advogados. Se vc for ver a lista em inglês, o que está lá é “Barrister” e “Solicitor”, e não advogado.
Como eu já expliquei algumas vezes aqui no blog (nesse post, nesse, nesse, nesse), essas profissões não tem equivalência no direito brasileiro e demandam um processo específico de capacitação. Então ainda que esteja em demanda na Austrália, um advogado brasileiro não conseguiria aplicar pra residência com base na lista da SOL enquanto não for admitido na Austrália como barrister ou solicitor.
Ou seja, é o que eu já disse e continuo dizendo: não quero desanimar nenhum advogado, mas acho praticamente impossível aplicar pro visto de residência estando no Brasil e sendo advogado brasileiro. Quem se encontra nessa situação deve tentar buscar outro caminho, infelizmente.
No meu caso, quem aplicou pro visto foi o Thiago, como arquiteto, o meu visto foi concedido como esposa, sem nenhuma relação com a minha profissão.
Desculpe jogar um balde de água fria nos advogados, mas nossa profissão é realmente complicada de exercer em outro país, pela falta de equiparação dos sistemas jurídicos. E mesmo advogados que vem do sistema da Common Law (como ingleses, neozelandeses e até americanos) tem que passar pelo processo exigido pela Law Society pra poder validar o diploma aqui e ser reconhecido como barrister ou solicitor apto a exercer a advocacia na Austrália.
Não me incomodo de responder a dúvidas, e juro que tento responder o mais rápido possível a cada mensagem e email que recebo (ainda que as vezes eu me perca e só ache eles semanas depois perdidos na minha caixa de entrada...rs), mas não tenho muito mais informações do que as que coloco no blog para dar... Não validei meu diploma de advogado aqui, continuo trabalhando como legal secretary/legal assistant, e não pretendo advogar aqui na Austrália.
Quem conseguir trilhar um caminho diferente e quiser compartilhar sua experiência aqui no blog, fique a vontade pra me escrever um relato que publico aqui. :)
Estou sabendo que há umas semanas foi publicada uma reportagem em vários jornais do Brasil falando sobre as profissões em demanda na Austrália. Engraçado que essa lista da SOL não é nenhuma novidade, ela só é atualizada anualmente pelo governo australiano.
É verdade que algumas profissões entraram na lista esse ano, como chef e pedreiro (sendo que chef já esteve durante muitos anos, foi retirada e agora só retornou), mas a maioria não é nenhuma novidade. Mesmo assim os jornais brasileiros publicaram como se fosse a novidade do milênio. Oh, well... rs
Enfim, o Jerry já fez ótimos posts sobre isso (aqui e aqui), e com certeza ele entende melhor do que eu pra opinar. ;)
O que eu queria esclarecer nesse post é sobre uma das reportagens que afirmou que advogado estaria na lista de demanda.
Talvez por conta disso tenho recebido um número maior de emails de advogados perguntando sobre as possibilidades na Austrália.
Ocorre que eu acho que essa reportagem foi extremamente tendenciosa e sem o mínimo de cuidado. A matéria é incorreta quando fala em advogados. Se vc for ver a lista em inglês, o que está lá é “Barrister” e “Solicitor”, e não advogado.
Como eu já expliquei algumas vezes aqui no blog (nesse post, nesse, nesse, nesse), essas profissões não tem equivalência no direito brasileiro e demandam um processo específico de capacitação. Então ainda que esteja em demanda na Austrália, um advogado brasileiro não conseguiria aplicar pra residência com base na lista da SOL enquanto não for admitido na Austrália como barrister ou solicitor.
Ou seja, é o que eu já disse e continuo dizendo: não quero desanimar nenhum advogado, mas acho praticamente impossível aplicar pro visto de residência estando no Brasil e sendo advogado brasileiro. Quem se encontra nessa situação deve tentar buscar outro caminho, infelizmente.
No meu caso, quem aplicou pro visto foi o Thiago, como arquiteto, o meu visto foi concedido como esposa, sem nenhuma relação com a minha profissão.
Desculpe jogar um balde de água fria nos advogados, mas nossa profissão é realmente complicada de exercer em outro país, pela falta de equiparação dos sistemas jurídicos. E mesmo advogados que vem do sistema da Common Law (como ingleses, neozelandeses e até americanos) tem que passar pelo processo exigido pela Law Society pra poder validar o diploma aqui e ser reconhecido como barrister ou solicitor apto a exercer a advocacia na Austrália.
Não me incomodo de responder a dúvidas, e juro que tento responder o mais rápido possível a cada mensagem e email que recebo (ainda que as vezes eu me perca e só ache eles semanas depois perdidos na minha caixa de entrada...rs), mas não tenho muito mais informações do que as que coloco no blog para dar... Não validei meu diploma de advogado aqui, continuo trabalhando como legal secretary/legal assistant, e não pretendo advogar aqui na Austrália.
Quem conseguir trilhar um caminho diferente e quiser compartilhar sua experiência aqui no blog, fique a vontade pra me escrever um relato que publico aqui. :)
sexta-feira, 27 de junho de 2014
Vale a pena se mudar pra Austrália?
Mais um mês sem escrever... Não tenho nem mais desculpas pra tamanho abandono do blog. Podia dizer que é falta de assunto, mas acho que a verdade é que é preguiça mesmo... Fora as mil coisas que aconteceram nos últimos meses (comento algumas no decorrer do post, os fortes que agüentarem ler o testamento que vem por aí saberão! haha).
Hoje estava respondendo um email que recebi, do Dyego, que me pediu opinião sobre se valia a pena largar a vida no Brasil pra tentar a vida na Austrália, principalmente quando já se passou dos 30 anos e o medo de recomeçar de novo vai ficando mais forte.
Achei que seria interessante reproduzir algumas partes da minha resposta aqui.
Pra quem pensa em vir com um visto de estudante com o objetivo de fixar residência definitiva aqui, eu já adianto que EU não faria. Não que não tenha gente que tenha conseguido vencer aqui nessas condições, tem aos montes, mas EU, na época que vim, com mais de 30 anos, uma carreira sólida no Brasil, um ótimo emprego e tal, não largaria tudo por um visto de estudante e um futuro absolutamente incerto. Pra quem quer vir nessas condições, meu conselho é: trace um plano muito bem estruturado de longo prazo para conseguir uma residência. E nisso não se inclui casar com australiano, tá? haha Não que isso não dê residência, ou que não seja a saída de muita gente, mas acho que todos nós temos que trilhar nossos caminhos independentes. Um companheiro acrescenta, e muito, mas não pode ser um objetivo de vida pra se alcançar coisas materiais.
Então planeje estudar algo aqui que esteja na lista de demanda e possa te dar um visto de residência no futuro. Esse ano mesmo a imigração anunciou que entrará na nova lista as profissões de chef (na verdade retornando na lista depois de ter sido retirada há alguns anos), bricklayers e tilers. Claro que essa lista muda todo ano e é difícil saber o que vai ficar ou não, mas dá pra ter uma idéia, o suficiente pra construir um plano de futuro.
Pra quem pensa em vir com visto de sponsor, algumas coisas tem que ser consideradas. O visto de sponsor não dá a estabilidade de um visto de residência. Vc fica vinculado a empresa que te sponsorou e se sair dela tem 30 dias pra arrumar outro sponsor ou sair do país. Também não tem direito a nenhum benefício social do governo, nem mesmo o Medicare, então vc tem que considerar os custos com isso. Realmente ao final de um período vc pode aplicar pra residência, mas não sei como esse processo funciona ou se isso é uma coisa tão “certa” assim. Conheço gente que aplicou, mas também conheço quem não tenha conseguido. Isso tem que ser considerado quando for analisar o salário oferecido. Quando te oferecerem um package (salário anual, incluindo superannuation), vai nesse site pra calcular quanto vc vai receber líquido por mês.
O orçamento mensal varia muito de pessoa pra pessoa, eu publiquei um post sobre isso aqui. Claro que essa é minha opinião pessoal, conheço muita gente que vive com menos e muitas que não conseguem imaginar viver com isso apenas.
Algumas observações sobre salário por essas bandas daqui:
- o salário mínimo aqui na Austrália é de +/- 40k por ano (daqui pra frente, quando eu digo salário de, p.ex., 50k, o "k" significa mil, ou seja 50k = 50.000 dólares por ano. E quando eu digo "package", inclui superannuation – que geralmente é de 9% – mais impostos. O site que eu mencionei acima ajuda a converter o package em valor líquido mensal).
- o salário do australiano médio gira em torno de 60k por ano, package. Acima de 90k é considerado um bom salário.
- quando se fala em salário, varia muuuuiiittoooo de pessoa pra pessoa e de uma área de atuação pra outra. Conheço arquitetos (australianos, by the way) que ganham 60k mesmo com 5 anos de experiência, e acham que o máximo que vão alcançar com 20 anos de experiência será 80k. Enquanto conheço outros que com 5 a 10 anos de experiência já estão ganhando mais de 100k. O mesmo vale para qualquer área: em TI tem muita gente ganhando acima de 100k de salário inicial, mas também tem muita gente com bem menos que isso.
Então cuidado ao comparar salário, tem muitas variantes aí. Tem vários sites na internet com a média de salário por área de atuação, como esse aqui.
Como via geral (ainda que não seja regra), áreas como TI, medicina e advocacia pagam bem mais que as demais. Mas, como eu disse, existe gente muito bem remunerada em outras áreas.
Quem quer vir com qualquer visto que não seja de residência e tiver filhos, tem que considerar também o gasto com educação e saúde, que não é barato. Se mesmo pra residentes as childcares são pagas (e caras), imagina pra quem não tem nenhum benefício do governo.
Minha opinião (super pessoal, o Thiago mesmo discorda, por isso repito: é MINHA opinião): um salário em torno de 55k é bem razoável pra começar a vida por aqui. Se vc for esforçado, um bom profissional, tem muitas chances de em 1 ou 2 anos conseguir um aumento de 50% ou até mesmo 100% (esse último, claro, normalmente trocando de empresa e dependendo da área). Agora, se esse salário for para sustentar o casal, ou filhos, eu já acho que fica bem apertado. Mas - e sempre tem um porém - muita gente consegue sobreviver com isso! E até menos! Então eu repito: isso é muito pessoal.
Outra pergunta do Dyego foi se vale a pena largar um trabalho promissor no Brasil e recomeçar na Austrália. Bom, eu sou suspeita pra falar, pois trabalhava como advogada num escritório, ganhava super bem, tinha uma vida estabilizada, e larguei tudo pra vir pra cá, mesmo sabendo que não ia poder advogar aqui e com isso ganhar um salário equivalente. Ah, e também tinha mais de 30 anos quando vim.
Como comentei nesse post no blog, o primeiro ano foi muito difícil, muito mesmo, principalmente pra mim. Pensei em voltar várias vezes, alguns meses todo dia... rs Mas passados 2 anos e meio acho que foi a melhor decisão que tomei! Estou num emprego ótimo num escritório de advocacia, e se é verdade que não advogo, ganho bem pra trabalhar pouco(e sem estresse!) e poder ter um tempo livre que nunca tive no Brasil. Thiago está no segundo emprego, ganhando mais que o dobro do que quando começou, e no emprego dos sonhos dele. E pra completar estamos esperando nosso primeiro filho (yay!), fizemos muitos amigos (muito mais do que eu esperava), moramos num bairro que amamos, com a vida a dois que sempre sonhamos.
Outra coisa a ser levada em conta é que as coisas aqui acontecem bem mais rápido, o poder de compra é bem maior que no Brasil. Mesmo amigos meus que ainda estão trabalhando como garçom conseguem juntar dinheiro, viajar, comprar um carro. Tem também a vantagem de poder morar num subúrbio mais afastado do centro, economizando com aluguel, e ainda assim ter uma excelente qualidade de vida. Muito diferente de um subúrbio afastado na maioria das capitais brasileiras...
Por fim, uma coisa que eu sempre pensava antes de vir e nos momentos difíceis do começo é: vc sempre vai poder voltar pro Brasil se as coisas não derem certo aqui! Nunca se está velho demais pra recomeçar, apesar da idéia poder soar assustadora. Se vc vier, passar 2 anos trabalhando ainda que remotamente na sua área aqui, e ao final tiver que voltar pro Brasil, vai levar a experiência e a fluência no inglês. Isso com certeza vai te ajudar a se reestruturar e recomeçar.
Dá medo? Sim, muito! É difícil? Sim, muito. Vale a pena? Pra mim valeu e muito. :)
Hoje estava respondendo um email que recebi, do Dyego, que me pediu opinião sobre se valia a pena largar a vida no Brasil pra tentar a vida na Austrália, principalmente quando já se passou dos 30 anos e o medo de recomeçar de novo vai ficando mais forte.
Achei que seria interessante reproduzir algumas partes da minha resposta aqui.
Pra quem pensa em vir com um visto de estudante com o objetivo de fixar residência definitiva aqui, eu já adianto que EU não faria. Não que não tenha gente que tenha conseguido vencer aqui nessas condições, tem aos montes, mas EU, na época que vim, com mais de 30 anos, uma carreira sólida no Brasil, um ótimo emprego e tal, não largaria tudo por um visto de estudante e um futuro absolutamente incerto. Pra quem quer vir nessas condições, meu conselho é: trace um plano muito bem estruturado de longo prazo para conseguir uma residência. E nisso não se inclui casar com australiano, tá? haha Não que isso não dê residência, ou que não seja a saída de muita gente, mas acho que todos nós temos que trilhar nossos caminhos independentes. Um companheiro acrescenta, e muito, mas não pode ser um objetivo de vida pra se alcançar coisas materiais.
Então planeje estudar algo aqui que esteja na lista de demanda e possa te dar um visto de residência no futuro. Esse ano mesmo a imigração anunciou que entrará na nova lista as profissões de chef (na verdade retornando na lista depois de ter sido retirada há alguns anos), bricklayers e tilers. Claro que essa lista muda todo ano e é difícil saber o que vai ficar ou não, mas dá pra ter uma idéia, o suficiente pra construir um plano de futuro.
Pra quem pensa em vir com visto de sponsor, algumas coisas tem que ser consideradas. O visto de sponsor não dá a estabilidade de um visto de residência. Vc fica vinculado a empresa que te sponsorou e se sair dela tem 30 dias pra arrumar outro sponsor ou sair do país. Também não tem direito a nenhum benefício social do governo, nem mesmo o Medicare, então vc tem que considerar os custos com isso. Realmente ao final de um período vc pode aplicar pra residência, mas não sei como esse processo funciona ou se isso é uma coisa tão “certa” assim. Conheço gente que aplicou, mas também conheço quem não tenha conseguido. Isso tem que ser considerado quando for analisar o salário oferecido. Quando te oferecerem um package (salário anual, incluindo superannuation), vai nesse site pra calcular quanto vc vai receber líquido por mês.
O orçamento mensal varia muito de pessoa pra pessoa, eu publiquei um post sobre isso aqui. Claro que essa é minha opinião pessoal, conheço muita gente que vive com menos e muitas que não conseguem imaginar viver com isso apenas.
Algumas observações sobre salário por essas bandas daqui:
- o salário mínimo aqui na Austrália é de +/- 40k por ano (daqui pra frente, quando eu digo salário de, p.ex., 50k, o "k" significa mil, ou seja 50k = 50.000 dólares por ano. E quando eu digo "package", inclui superannuation – que geralmente é de 9% – mais impostos. O site que eu mencionei acima ajuda a converter o package em valor líquido mensal).
- o salário do australiano médio gira em torno de 60k por ano, package. Acima de 90k é considerado um bom salário.
- quando se fala em salário, varia muuuuiiittoooo de pessoa pra pessoa e de uma área de atuação pra outra. Conheço arquitetos (australianos, by the way) que ganham 60k mesmo com 5 anos de experiência, e acham que o máximo que vão alcançar com 20 anos de experiência será 80k. Enquanto conheço outros que com 5 a 10 anos de experiência já estão ganhando mais de 100k. O mesmo vale para qualquer área: em TI tem muita gente ganhando acima de 100k de salário inicial, mas também tem muita gente com bem menos que isso.
Então cuidado ao comparar salário, tem muitas variantes aí. Tem vários sites na internet com a média de salário por área de atuação, como esse aqui.
Como via geral (ainda que não seja regra), áreas como TI, medicina e advocacia pagam bem mais que as demais. Mas, como eu disse, existe gente muito bem remunerada em outras áreas.
Quem quer vir com qualquer visto que não seja de residência e tiver filhos, tem que considerar também o gasto com educação e saúde, que não é barato. Se mesmo pra residentes as childcares são pagas (e caras), imagina pra quem não tem nenhum benefício do governo.
Minha opinião (super pessoal, o Thiago mesmo discorda, por isso repito: é MINHA opinião): um salário em torno de 55k é bem razoável pra começar a vida por aqui. Se vc for esforçado, um bom profissional, tem muitas chances de em 1 ou 2 anos conseguir um aumento de 50% ou até mesmo 100% (esse último, claro, normalmente trocando de empresa e dependendo da área). Agora, se esse salário for para sustentar o casal, ou filhos, eu já acho que fica bem apertado. Mas - e sempre tem um porém - muita gente consegue sobreviver com isso! E até menos! Então eu repito: isso é muito pessoal.
Outra pergunta do Dyego foi se vale a pena largar um trabalho promissor no Brasil e recomeçar na Austrália. Bom, eu sou suspeita pra falar, pois trabalhava como advogada num escritório, ganhava super bem, tinha uma vida estabilizada, e larguei tudo pra vir pra cá, mesmo sabendo que não ia poder advogar aqui e com isso ganhar um salário equivalente. Ah, e também tinha mais de 30 anos quando vim.
Como comentei nesse post no blog, o primeiro ano foi muito difícil, muito mesmo, principalmente pra mim. Pensei em voltar várias vezes, alguns meses todo dia... rs Mas passados 2 anos e meio acho que foi a melhor decisão que tomei! Estou num emprego ótimo num escritório de advocacia, e se é verdade que não advogo, ganho bem pra trabalhar pouco(e sem estresse!) e poder ter um tempo livre que nunca tive no Brasil. Thiago está no segundo emprego, ganhando mais que o dobro do que quando começou, e no emprego dos sonhos dele. E pra completar estamos esperando nosso primeiro filho (yay!), fizemos muitos amigos (muito mais do que eu esperava), moramos num bairro que amamos, com a vida a dois que sempre sonhamos.
Outra coisa a ser levada em conta é que as coisas aqui acontecem bem mais rápido, o poder de compra é bem maior que no Brasil. Mesmo amigos meus que ainda estão trabalhando como garçom conseguem juntar dinheiro, viajar, comprar um carro. Tem também a vantagem de poder morar num subúrbio mais afastado do centro, economizando com aluguel, e ainda assim ter uma excelente qualidade de vida. Muito diferente de um subúrbio afastado na maioria das capitais brasileiras...
Por fim, uma coisa que eu sempre pensava antes de vir e nos momentos difíceis do começo é: vc sempre vai poder voltar pro Brasil se as coisas não derem certo aqui! Nunca se está velho demais pra recomeçar, apesar da idéia poder soar assustadora. Se vc vier, passar 2 anos trabalhando ainda que remotamente na sua área aqui, e ao final tiver que voltar pro Brasil, vai levar a experiência e a fluência no inglês. Isso com certeza vai te ajudar a se reestruturar e recomeçar.
Dá medo? Sim, muito! É difícil? Sim, muito. Vale a pena? Pra mim valeu e muito. :)
terça-feira, 20 de maio de 2014
O orçamento australiano para o próximo ano e a crise política na Austrália
O blog está as moscas, eu sei… Em minha defesa, esses últimos 2 meses foram bem complicados, de muitas mudanças pessoais e eu confesso que estava sem ânimo nenhum pra nada, e o blog entrou nessa onda de desânimo. Um dia conto aqui o que se passou, mas hoje o assunto vai ser outro.
Há umas 2 semanas foi liberado o orçamento da Austrália para o ano fiscal de 2014-2015 (lembrando que aqui na Austrália o ano fiscal vai de 1 de julho a 31 de junho do ano seguinte). O anúncio foi feito pelo Joe Hockey, que nada mais é do que o Treasurer (tesoureiro) do país. E desde então só se fala nisso por todos os lados!
Primeiro deixa eu contextualizar para os que não conhecem a história política da Austrália. Como todos devem saber, a Austrália é parlamentarista e o equivalente ao nosso presidente é o primeiro-ministro. Não vou entrar nos detalhes sobre a história política da Austrália, primeiro porque eu não sou especialista, segundo porque não quero transformar esse post em um blá blá blá político chato. O que interessa pro que vou falar sobre o orçamento é que durante mais ou menos 7 anos o primeiro-ministro australiano era do Labor Party (partido trabalhista, de centro-esquerda), primeiro representado pelo Kevin Rudd, depois pela Julia Gillard.
Em 2013, saiu vitorioso nas eleições para primeiro-ministro o Tony Abbott, do Liberal Party of Australia (partido liberal, de centro-direita). Eu particularmente nunca gostei do Tony Abbott (e nem vou dizer que é por ele ser centro-direita, hoje não vou entrar na discussão de preferências políticas) por conta do discurso homofóbico dele e a insistência em impor sua visão religiosa quando trata de políticas públicas (o Estado não deveria ser laico??).
Mas enfim, nunca fui fã dele, mas também nunca pesquisei muito sobre suas promessas em termos de política. O que eu sabia era apenas que ele tinha prometido a licença maternidade remunerada (um absurdo a Austrália não ter, mas isso é assunto pra outro post) e uma redução no acolhimento de refugiados (o que também é uma questão complexa e assunto pra outro post). Ambas as promessas ele cumpriu, by the way, mas pelo visto foram as únicas...
Retomando o fio da meada: em pouco menos de 1 ano de governo chegou a hora do Tony Abbott apresentar o orçamento pro próximo ano. E aí toda a popularidade que o elegeu foi por água abaixo... Mesmo quem o apoiava ficou indignado com a extrema dureza do novo orçamento.
Esse site aqui tem um ótimo be-a-bá sobre o orçamento, mas basicamente o que foi decidido foi: corte nos investimentos na saúde e educação; corte no serviço público, na ajuda humanitária, nos benefícios sociais para desempregados, jovens, casais com filhos, pensionistas; corte nos programas indígenas, no programa de refugiados, na concessão pública de TV e rádio; aumento do GST (imposto sobre produtos e serviços), além de um aumento nos impostos para que todos tenham que pagar pela dívida externa australiana.
Aí começa a primeira falácia: no anúncio do orçamento o Joe Hockey fez questão de dizer que TODOS iriam pagar pela dívida externa australiana, inclusive políticos e a classe alta (chamada aqui de high-income earners, pessoas que ganham acima de $180 mil por ano, lembrando que o salário mínimo na Austrália é de cerca de $32 mil por ano, e a média de salários fica em torno de $60 mil por ano). Só que isso é conversa pra boi dormir, claro. Basta uma análise um pouco mais detalhada pra se desmascarar isso:
Quem ganha acima de 180k por ano vai pagar apenas um debt levy (a taxa para pagar a dívida externa australiana) de 2% ao ano (detalhe: apenas sobre o que passar dos 180k) por 3 anos. Já os low-income earners perdem até 10% de seu income anual com o novo orçamento (esse site explica bem isso).
Quer dizer, é aquela máxima do princípio da igualdade: igualdade não é tratar todos de forma igual, e sim tratar de forma igual os iguais e diferente os diferentes. Sim, porque quando o Joe Hockey diz que todos vão pagar a mesma cota, digamos que $5.000 por ano para facilitar a conta, isso tem um impacto absurdamente diferente em uma família que recebe $35 mil por ano e outra que recebe $180 mil! É só fazer as contas, enquanto a primeira arca com cerca de 14% da sua renda, a segunda arca com apenas 2%! Só imbecil não percebe isso!
O fato é que essa taxa aliada ao corte drástico dos benefícios sociais (cota extra para uso do Medicare – o sistema público de saúde -, redução do youth allowance, do seguro desemprego, do auxílio a famílias com filhos e as famílias de pais solteiros, etc etc etc) o impacto será enorme nos pensionistas, nas famílias com filhos pequenos, e muitos outros.
(parentesis: quanto a esse último que mencionei (família com filhos pequenos) o Joe Hockey ainda teve a coragem de dizer que os pais que param de trabalhar para cuidar dos filhos o fazem por escolha, e por isso não podem esperar ter benefícios do governo. Como se fosse viável para os 2 pais trabalharem quando não há childcare suficiente no país! Em alguns bairros a fila de espera para uma vaga em childcare (a famosa creche) pode ser de mais de 1 ano, e quando se consegue vaga é pra no máximo 2 dias da semana (ah, e claro pagando caro, entre $80 e $150 a diária, dependendo do bairro). Como ele espera que ambos os pais trabalhem? Com quem deixar os filhos? Com babá, pagando $20 a hora, sendo que o salário do australiano médio ($60 mil por ano) equivale a pouco menos de $25 a hora? Só pode ser brincadeira...)
A segunda falácia que envolve o orçamento é que a justificativa do Tony Abbott pra esse arrocho extremo nas contas é a “imensa” dívida australiana. Ocorre que, segundo seus opositores, essa desculpa é das mais esfarrapadas, pois a situação fiscal da Austrália está longe de estar em crise. Primeiro porque há denúncias que foi o próprio Coalition (o partido vencedor das últimas eleições, e a colisão que elegeu o Tony Abbott) que dobrou os gastos do governo desde que chegou ao poder em 2013. E o alegado déficit fiscal é por muitos considerado uma falácia, já que o débito da Austrália é de apenas 11% do GDP (gross domestic product, ou produto interno bruto), o terceiro menor entre os países do OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, também chamada de "Grupo dos Ricos", porque os 34 países participantes produzem juntos mais da metade de toda a riqueza do mundo).
Fora que é curioso como o governo alega estar cashless, mas tem $245 milhões para investir no “school chaplains program” (um benefício que será concedido para as escolas que contratarem chaplains, chapelões na tradução literal, padre na ampla) e promover o ensino religioso nas escolas. Esse exemplo foi só pra mostrar a parte que me irrita da política do Tony Abbott, impondo sua religião como regra no ensino fundamental, mas há outras denúncias de gastos públicos inexplicáveis para um “momento de crise”.
Se a verdade está com o governo e seu discurso alarmista de déficit fiscal, ou com a oposição, cabe a cada um tirar suas conclusões. O que me enerva é ver brasileiros que moram aqui apoiando o novo orçamento com o discurso de que “é justo sim pois vai afetar todo mundo, e o corte de benefício vai ser bom pra acabar com a mamata”. Primeiro que não vai afetar todo mundo igualmente, como já mostrei acima. Quando a segunda parte do discurso, só denota que o cidadão sai do Brasil mas a mentalidade imbecil contra benefício social e a favor da meritocracia não sai dele! É como dizer: “eu ganho um salário bom, tenho uma vida confortável, os que não têm acesso a isso que se explodam”. E nem venha dizer que apoiar benefício social é coisa de comunista/socialista, e essa baboseira toda, pois isso é uma realidade nos países desenvolvidos, inclusive os com governos de direita! Welfare (bem-estar social) é a base de toda sociedade evoluída, isso é incontestável!
O que me consola é saber que essa falta de empatia não está enraizada na sociedade australiana, daí os inúmeros protestos contra o novo orçamento (veja aqui e aqui). Aliás, em recente pesquisa de opinião, 63% dos entrevistados disseram que o novo orcamento nao é justo, 53% pensam que ele é ruim para o país e a taxa de desaprovação do atual governo disparou (separei algumas noticias aqui e aqui).
Enfim, o orçamento ainda não passou no Parlamento, e tendo em vista a enorme desaprovação popular, é possível que a oposição ganhe forca e muitas das medidas sejam vetadas. Cogita-se também o impechment o Tony Abbott pela quebra das promessas que ele fez na corrida eleitoral do ano passado. Aliás, esses dias eu vi um post excelente no facebook sobre isso:

Tenho que confessar que não tenho TV em casa (quer dizer, não tinha, até ontem, finalmente me rendi... rs), não lia jornais australianos com a freqüência que deveria, e só comecei a ler mais por conta do orçamento. Agora, se eu soubesse que a política aqui era tão divertida já tinha me interessado antes! Ontem eu estava vendo alguns vídeos no Youtube sacaneando o Tony Abbott e a sua completa falta de habilidade para discurso político. Quem entender bem inglês pode assistir nesses vídeos, hilários:
http://www.youtube.com/watch?v=MCVP2gvC32U
http://www.youtube.com/watch?v=bGyc08otfYk
http://www.youtube.com/watch?v=V-WqnTrG204
Eu já nunca simpatizei com esse cidadão, como disse no início do post, e agora menos ainda. Vamos combinar, se o cara lança um orçamento super controverso e quebrando a maioria de suas promessas de campanha, o mínimo que pode fazer é se preparar pra responder as críticas! Ao invés disso ele parece um imbecil balbuciando e balançando a cabeça sem dizer nada, que nem aqueles cachorrinhos que de brinquedo que se coloca no carro, saca? haha By the way, me chamou a atenção a forma agressiva e sarcástica com que os jornalistas tratam ele. Não me lembro de jamais ter visto no Brasil um jornalista atacando tão duramente um chefe de governo, em plena entrevista televisionada.
Resumindo o longo post (sorry, o assunto é extenso e eu não cobri nem a metade...): o fato é que uma crise política se instalou na Austrália e ainda dará muito pano pra manga. E praqueles que acham que política é chato e não merece sua atenção, tá na hora de repensar isso. Não resta dúvida que esse novo orçamento vai impactar fortemente a sociedade australiana, e se vc pensa em imigrar pra cá, ou já imigrou, vai impactar vc também, diretamente. Seja vc estudante ou residente.
Há umas 2 semanas foi liberado o orçamento da Austrália para o ano fiscal de 2014-2015 (lembrando que aqui na Austrália o ano fiscal vai de 1 de julho a 31 de junho do ano seguinte). O anúncio foi feito pelo Joe Hockey, que nada mais é do que o Treasurer (tesoureiro) do país. E desde então só se fala nisso por todos os lados!
Primeiro deixa eu contextualizar para os que não conhecem a história política da Austrália. Como todos devem saber, a Austrália é parlamentarista e o equivalente ao nosso presidente é o primeiro-ministro. Não vou entrar nos detalhes sobre a história política da Austrália, primeiro porque eu não sou especialista, segundo porque não quero transformar esse post em um blá blá blá político chato. O que interessa pro que vou falar sobre o orçamento é que durante mais ou menos 7 anos o primeiro-ministro australiano era do Labor Party (partido trabalhista, de centro-esquerda), primeiro representado pelo Kevin Rudd, depois pela Julia Gillard.
Em 2013, saiu vitorioso nas eleições para primeiro-ministro o Tony Abbott, do Liberal Party of Australia (partido liberal, de centro-direita). Eu particularmente nunca gostei do Tony Abbott (e nem vou dizer que é por ele ser centro-direita, hoje não vou entrar na discussão de preferências políticas) por conta do discurso homofóbico dele e a insistência em impor sua visão religiosa quando trata de políticas públicas (o Estado não deveria ser laico??).
Mas enfim, nunca fui fã dele, mas também nunca pesquisei muito sobre suas promessas em termos de política. O que eu sabia era apenas que ele tinha prometido a licença maternidade remunerada (um absurdo a Austrália não ter, mas isso é assunto pra outro post) e uma redução no acolhimento de refugiados (o que também é uma questão complexa e assunto pra outro post). Ambas as promessas ele cumpriu, by the way, mas pelo visto foram as únicas...
Retomando o fio da meada: em pouco menos de 1 ano de governo chegou a hora do Tony Abbott apresentar o orçamento pro próximo ano. E aí toda a popularidade que o elegeu foi por água abaixo... Mesmo quem o apoiava ficou indignado com a extrema dureza do novo orçamento.
Esse site aqui tem um ótimo be-a-bá sobre o orçamento, mas basicamente o que foi decidido foi: corte nos investimentos na saúde e educação; corte no serviço público, na ajuda humanitária, nos benefícios sociais para desempregados, jovens, casais com filhos, pensionistas; corte nos programas indígenas, no programa de refugiados, na concessão pública de TV e rádio; aumento do GST (imposto sobre produtos e serviços), além de um aumento nos impostos para que todos tenham que pagar pela dívida externa australiana.
Aí começa a primeira falácia: no anúncio do orçamento o Joe Hockey fez questão de dizer que TODOS iriam pagar pela dívida externa australiana, inclusive políticos e a classe alta (chamada aqui de high-income earners, pessoas que ganham acima de $180 mil por ano, lembrando que o salário mínimo na Austrália é de cerca de $32 mil por ano, e a média de salários fica em torno de $60 mil por ano). Só que isso é conversa pra boi dormir, claro. Basta uma análise um pouco mais detalhada pra se desmascarar isso:
Quem ganha acima de 180k por ano vai pagar apenas um debt levy (a taxa para pagar a dívida externa australiana) de 2% ao ano (detalhe: apenas sobre o que passar dos 180k) por 3 anos. Já os low-income earners perdem até 10% de seu income anual com o novo orçamento (esse site explica bem isso).
Quer dizer, é aquela máxima do princípio da igualdade: igualdade não é tratar todos de forma igual, e sim tratar de forma igual os iguais e diferente os diferentes. Sim, porque quando o Joe Hockey diz que todos vão pagar a mesma cota, digamos que $5.000 por ano para facilitar a conta, isso tem um impacto absurdamente diferente em uma família que recebe $35 mil por ano e outra que recebe $180 mil! É só fazer as contas, enquanto a primeira arca com cerca de 14% da sua renda, a segunda arca com apenas 2%! Só imbecil não percebe isso!
O fato é que essa taxa aliada ao corte drástico dos benefícios sociais (cota extra para uso do Medicare – o sistema público de saúde -, redução do youth allowance, do seguro desemprego, do auxílio a famílias com filhos e as famílias de pais solteiros, etc etc etc) o impacto será enorme nos pensionistas, nas famílias com filhos pequenos, e muitos outros.
(parentesis: quanto a esse último que mencionei (família com filhos pequenos) o Joe Hockey ainda teve a coragem de dizer que os pais que param de trabalhar para cuidar dos filhos o fazem por escolha, e por isso não podem esperar ter benefícios do governo. Como se fosse viável para os 2 pais trabalharem quando não há childcare suficiente no país! Em alguns bairros a fila de espera para uma vaga em childcare (a famosa creche) pode ser de mais de 1 ano, e quando se consegue vaga é pra no máximo 2 dias da semana (ah, e claro pagando caro, entre $80 e $150 a diária, dependendo do bairro). Como ele espera que ambos os pais trabalhem? Com quem deixar os filhos? Com babá, pagando $20 a hora, sendo que o salário do australiano médio ($60 mil por ano) equivale a pouco menos de $25 a hora? Só pode ser brincadeira...)
A segunda falácia que envolve o orçamento é que a justificativa do Tony Abbott pra esse arrocho extremo nas contas é a “imensa” dívida australiana. Ocorre que, segundo seus opositores, essa desculpa é das mais esfarrapadas, pois a situação fiscal da Austrália está longe de estar em crise. Primeiro porque há denúncias que foi o próprio Coalition (o partido vencedor das últimas eleições, e a colisão que elegeu o Tony Abbott) que dobrou os gastos do governo desde que chegou ao poder em 2013. E o alegado déficit fiscal é por muitos considerado uma falácia, já que o débito da Austrália é de apenas 11% do GDP (gross domestic product, ou produto interno bruto), o terceiro menor entre os países do OECD (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, também chamada de "Grupo dos Ricos", porque os 34 países participantes produzem juntos mais da metade de toda a riqueza do mundo).
Fora que é curioso como o governo alega estar cashless, mas tem $245 milhões para investir no “school chaplains program” (um benefício que será concedido para as escolas que contratarem chaplains, chapelões na tradução literal, padre na ampla) e promover o ensino religioso nas escolas. Esse exemplo foi só pra mostrar a parte que me irrita da política do Tony Abbott, impondo sua religião como regra no ensino fundamental, mas há outras denúncias de gastos públicos inexplicáveis para um “momento de crise”.
Se a verdade está com o governo e seu discurso alarmista de déficit fiscal, ou com a oposição, cabe a cada um tirar suas conclusões. O que me enerva é ver brasileiros que moram aqui apoiando o novo orçamento com o discurso de que “é justo sim pois vai afetar todo mundo, e o corte de benefício vai ser bom pra acabar com a mamata”. Primeiro que não vai afetar todo mundo igualmente, como já mostrei acima. Quando a segunda parte do discurso, só denota que o cidadão sai do Brasil mas a mentalidade imbecil contra benefício social e a favor da meritocracia não sai dele! É como dizer: “eu ganho um salário bom, tenho uma vida confortável, os que não têm acesso a isso que se explodam”. E nem venha dizer que apoiar benefício social é coisa de comunista/socialista, e essa baboseira toda, pois isso é uma realidade nos países desenvolvidos, inclusive os com governos de direita! Welfare (bem-estar social) é a base de toda sociedade evoluída, isso é incontestável!
O que me consola é saber que essa falta de empatia não está enraizada na sociedade australiana, daí os inúmeros protestos contra o novo orçamento (veja aqui e aqui). Aliás, em recente pesquisa de opinião, 63% dos entrevistados disseram que o novo orcamento nao é justo, 53% pensam que ele é ruim para o país e a taxa de desaprovação do atual governo disparou (separei algumas noticias aqui e aqui).
Enfim, o orçamento ainda não passou no Parlamento, e tendo em vista a enorme desaprovação popular, é possível que a oposição ganhe forca e muitas das medidas sejam vetadas. Cogita-se também o impechment o Tony Abbott pela quebra das promessas que ele fez na corrida eleitoral do ano passado. Aliás, esses dias eu vi um post excelente no facebook sobre isso:

Tenho que confessar que não tenho TV em casa (quer dizer, não tinha, até ontem, finalmente me rendi... rs), não lia jornais australianos com a freqüência que deveria, e só comecei a ler mais por conta do orçamento. Agora, se eu soubesse que a política aqui era tão divertida já tinha me interessado antes! Ontem eu estava vendo alguns vídeos no Youtube sacaneando o Tony Abbott e a sua completa falta de habilidade para discurso político. Quem entender bem inglês pode assistir nesses vídeos, hilários:
http://www.youtube.com/watch?v=MCVP2gvC32U
http://www.youtube.com/watch?v=bGyc08otfYk
http://www.youtube.com/watch?v=V-WqnTrG204
Eu já nunca simpatizei com esse cidadão, como disse no início do post, e agora menos ainda. Vamos combinar, se o cara lança um orçamento super controverso e quebrando a maioria de suas promessas de campanha, o mínimo que pode fazer é se preparar pra responder as críticas! Ao invés disso ele parece um imbecil balbuciando e balançando a cabeça sem dizer nada, que nem aqueles cachorrinhos que de brinquedo que se coloca no carro, saca? haha By the way, me chamou a atenção a forma agressiva e sarcástica com que os jornalistas tratam ele. Não me lembro de jamais ter visto no Brasil um jornalista atacando tão duramente um chefe de governo, em plena entrevista televisionada.
Resumindo o longo post (sorry, o assunto é extenso e eu não cobri nem a metade...): o fato é que uma crise política se instalou na Austrália e ainda dará muito pano pra manga. E praqueles que acham que política é chato e não merece sua atenção, tá na hora de repensar isso. Não resta dúvida que esse novo orçamento vai impactar fortemente a sociedade australiana, e se vc pensa em imigrar pra cá, ou já imigrou, vai impactar vc também, diretamente. Seja vc estudante ou residente.
quarta-feira, 26 de março de 2014
Diferenças entre Brasil e Austrália no dia-a-dia
Nossa, hoje me dei conta que tem quase um mês que não escrevo um post… Essas últimas semanas tem sido super corridas, muito apertado no trabalho (me descobriram de vez como paralegal, adeus ócio...rs), estudos atrasadíssimos, o voluntário que agora me deu 2 livros para estudar e completar, muitas saídas com amigos, enfim, muita coisa boa acontecendo, mas que por outro lado me deixaram na maior correria.
Tenho alguns posts atrasados pra compartilhar, inclusive o balanço dos nossos 2 anos de Austrália (super atrasado, por sinal, quase 2 meses de atraso!), mas hoje vou começar com algo mais leve.
Outro dia me peguei pensando em coisas do cotidiano que faço por aqui e não faria de jeito nenhum no Brasil (mais especificamente no Rio, sei que em outras cidades/estados a situação principalmente da violência deve ser bem mais tranqüila). Essas pequenas coisas, quando somadas, dão um bom retrato da qualidade de vida que se tem por aqui.
Chega de enrolação e vamos a lista:
- não ter alarme no carro
Vira e mexe eu me pego com a chave do carro na mão e pensando que a trava dele é só trava mesmo, não tem alarme. E nem precisaria, nunca ouvi falar de alguém que tenha tido o carro roubado (antes que me corrijam, não estou dizendo que roubos não existam aqui, mas são mais raros). Outra coisa que eu faço muito é deixar a bolsa dentro do carro, com carteira e tudo enquanto estaciono em algum lugar. Quando me lembro que no Rio nem se pode andar de carro com a bolsa no banco pois um ladrão pode quebrar seu vidro e pegar a bolsa, isso aqui parece o paraíso...
- andar com a bolsa aberta na rua
Sim, eu sei que estou relaxada demais no quesito segurança pessoal... Mas vc vê tanta gente fazendo isso, e com a sensação de segurança que a Austrália inspira eu vou relaxando, relaxando... Quase sempre ando de bolsa aberta pelo centro da cidade, no trem, esteja cheio ou não. Shame on me...
Ah, e não sou só eu a maluca não, vejo todos os dias mulheres com as bolsas abertas pelas ruas. Eu que no Rio nem usava algumas bolsas por elas não terem fecho (saca aquelas só com um velcro de leve em cima? Improbitivas pro RJ, claro...), aqui uso e abuso. Não preciso nem dizer que aquela história de andar com a bolsa colada no peito, com o zíper pra frente e segurando bem firme é algo inimaginável por aqui, né? Acho que se eu contar pros australianos eles vão rir e achar que é piada...
- colocar a bolsa no chão do restaurante
Taí algo que sempre me intrigou. Na época em que trabalhava em restaurante achava bizarro essa mania das pessoas de deixar a bolsa no chão, sem supervisão, largada mesmo. Já vi até homens tirando a carteira e o celular do bolso pra sentar na mesa e deixando esses itens no chão embaixo da cadeira! Longe das vistas de qualquer um! Surreal... Por incrível que pareça eu ainda reluto em colocar a bolsa no chão no meio de um bar cheio, ou até mesmo pendurá-la na cadeira (velcro na cadeira nem pensar! Seria outro motivo de piada por aqui...rs). Sim, eu sei que sou meio contraditória, ando com a bolsa aberta no trem cheio mas não desapego no restaurante/bar. Mas quem foi que disse que eu era sã e coerente? haha
- andar mexendo/falando no celular, ou com tablet/laptop no transporte público
Tá ficando meio redundante esse discurso sobre segurança, eu sei, mas é que isso ainda me surpreende. Nada mais normal do que ir pro trabalho no trem/ônibus usando seu iphone/ipad/laptop pra ler, ouvir música, ver o mais recente episódio do seu seriado favorito.
Outro dia eu ouvi dizer que a polícia está querendo multar quem anda na rua mexendo no celular (não sei se já existe lei contra isso ou se querem criar uma), por ser causa de recorrentes acidentes de transito. Devo confessar que vira e mexe faço isso, shame on me again... haha
E isso leva ao próximo item...
- atravessar a rua sem olhar, simplesmente porque é daquelas faixas onde a preferência é dos pedestres ou porque o sinal de pedestre abriu pra vc
Eu acho que prudência nunca fez mal a ninguém, e eu costumo sempre olhar pros dois lados antes de atravessar a rua, mesmo que a preferência seja minha. Mas isso não é regra por aqui...
Pra quem não sabe, sempre que tiver essa placa abaixo, a preferência é do pedestre.

Isso significa que os carros tem que parar obrigatoriamente se um pedestre se aproxima do cruzamento. E eles param! No início eu ficava meio cabreira e esperava o carro parar completamente, o que certamente irritava muitos motoristas, pois muitas vezes eles vem diminuindo bastante a velocidade pra dar tempo do pedestre atravessar, e eram obrigados a parar completamente porque eu estava lá com cara de tacho me certificando que eles iam parar mesmo... rs
Essas placas são o terror para motoristas recém chegados a Austrália de um país como o Brasil onde pouco se respeita o pedestre. O Thiago mesmo já quase matou de susto alguns pedestres quando quase se esqueceu de parar antes da faixa. Principalmente quando vc vai virar a direita/esquerda e a faixa está bem na esquina da rua que vc está virando. Ou seja, dirija sempre com o dobro de cautela e devagar, muito devagar se estiver andando em ruas de bairro, pois as pessoas estão tão acostumadas a atravessar sem olhar, assumindo que os carros vão parar, que não custa muito pra vc atropelar alguém se não respeitar os sinais/faixas de transito.
- ver bicicletas andando na rua junto com os carros
Não estou falando de ciclovia, nem do ciclista andar cortando os carros, estou falando do ciclista andando numa das pistas da rua, como se carro fosse, simplesmente porque a rua não tem ciclovia. E nada de motoristas xingando, buzinando, cortando o ciclista. Tudo flui na mais santa paz, como na foto abaixo que eu tirei num sábado de sol indo pra praia em Manly.

Só lembrando que o mesmo se aplica pra moto, tem que andar como se carro fosse, sem cortar os outros veículos. Talvez por isso aqui quase não se veja moto...
Ah, um detalhe para os ciclistas: aqui é obrigatório o uso do capacete e acho que luz traseira se vc for andar a noite. E também aconselhável fazer um seguro, vai que vc bate numa lamborguini... E acredite, tem muitas por aqui, o nosso antigo vizinho mesmo tinha uma, o Thiago sempre parava o carro com uma distancia enorme dele (que ficava na vaga ao lado) com medo de eu abrir a porta com forca e bater na lamborguini... haha Não sei porque ele tem tanto medo de eu arruinar veículos alheios... Deve ser por isso que não me ensina a dirigir...
- as pessoas acreditam em na sua palavra, sem pedir comprovação a todo momento.
Sabem como é no Brasil, é aquela história de cópia autenticada, mil comprovantes pra isso e praquilo, um parto pra conseguir acessar sua conta do banco, senhas mil, etc. Aqui as coisas são mais simplificadas, a senha do banco é uma só (nada de senha numérica + letras infernais), vc acessa sua conta de qualquer computador (que ódio do Banco do Brasil que bloqueia ad eternum o meu computador pessoal! Mesmo eu baixando mil autenticações, versões do Java, validando senha, etc, ele sempre acha uma forma de me bloquear pra fazer transação online daqui). Não existe autenticação de documento em cartório, aliás nem existe cartório. Quem autentica documento (nos raros casos em que eles são exigidos) é o juiz de paz (um serviço gratuito que vc encontra em qualquer bairro, em diferentes dias e horários, dá pra descobrir onde e que horas no site deles) ou até mesmo qualquer advogado ou médico australiano.
Além disso, as pessoas realmente acreditam no que vc afirma. Um exemplo: outro dia fui no hospital pra um exame mais complexo e o Medicare não cobria, então eles acionaram o meu seguro privado. Só que o seguro privado aqui tem franquia anual caso vc use para hospitais (dependendo da sua cobertura, claro, dá pra ter um sem franquia, mas vc paga mais por mês), tipo quando vc bate o carro e tem que pagar a franquia, saca? Bom, a franquia do meu é $250, que paguei ao hospital e eles repassam ao plano. Pouco mais de 1 mês depois eu fui a outro hospital fazer outro procedimento, e me cobraram a franquia. Eu disse que já tinha pago, e essa franquia paga vale por 1 ano. A moca do hospital disse que o plano não tinha reportado isso pra eles quando ligaram no dia anterior para confirmar o procedimento. Eu estava já esperando ela me pedir cópia do pagamento, ou ligar para o plano pra confirmar, mas não! A resposta dela foi pedir desculpas e refazer meu boleto sem qualquer valor extra a pagar. Eu ainda argumentei que tinha falado com o plano dias antes e eles sabiam que eu tinha pago a franquia (não sei porque ainda estava me explicando! haha) no que ela respondeu: “no worries, deve ter sido um delay no processamento deles, se vc diz que pagou então ta pago”. E eu mais uma vez me surpreendi...
Vou ter que parar por aqui pois minha mesa de trabalho já está empilhada de coisas. Vou tentar voltar ainda essa semana.
Tenho alguns posts atrasados pra compartilhar, inclusive o balanço dos nossos 2 anos de Austrália (super atrasado, por sinal, quase 2 meses de atraso!), mas hoje vou começar com algo mais leve.
Outro dia me peguei pensando em coisas do cotidiano que faço por aqui e não faria de jeito nenhum no Brasil (mais especificamente no Rio, sei que em outras cidades/estados a situação principalmente da violência deve ser bem mais tranqüila). Essas pequenas coisas, quando somadas, dão um bom retrato da qualidade de vida que se tem por aqui.
Chega de enrolação e vamos a lista:
- não ter alarme no carro
Vira e mexe eu me pego com a chave do carro na mão e pensando que a trava dele é só trava mesmo, não tem alarme. E nem precisaria, nunca ouvi falar de alguém que tenha tido o carro roubado (antes que me corrijam, não estou dizendo que roubos não existam aqui, mas são mais raros). Outra coisa que eu faço muito é deixar a bolsa dentro do carro, com carteira e tudo enquanto estaciono em algum lugar. Quando me lembro que no Rio nem se pode andar de carro com a bolsa no banco pois um ladrão pode quebrar seu vidro e pegar a bolsa, isso aqui parece o paraíso...
- andar com a bolsa aberta na rua
Sim, eu sei que estou relaxada demais no quesito segurança pessoal... Mas vc vê tanta gente fazendo isso, e com a sensação de segurança que a Austrália inspira eu vou relaxando, relaxando... Quase sempre ando de bolsa aberta pelo centro da cidade, no trem, esteja cheio ou não. Shame on me...
Ah, e não sou só eu a maluca não, vejo todos os dias mulheres com as bolsas abertas pelas ruas. Eu que no Rio nem usava algumas bolsas por elas não terem fecho (saca aquelas só com um velcro de leve em cima? Improbitivas pro RJ, claro...), aqui uso e abuso. Não preciso nem dizer que aquela história de andar com a bolsa colada no peito, com o zíper pra frente e segurando bem firme é algo inimaginável por aqui, né? Acho que se eu contar pros australianos eles vão rir e achar que é piada...
- colocar a bolsa no chão do restaurante
Taí algo que sempre me intrigou. Na época em que trabalhava em restaurante achava bizarro essa mania das pessoas de deixar a bolsa no chão, sem supervisão, largada mesmo. Já vi até homens tirando a carteira e o celular do bolso pra sentar na mesa e deixando esses itens no chão embaixo da cadeira! Longe das vistas de qualquer um! Surreal... Por incrível que pareça eu ainda reluto em colocar a bolsa no chão no meio de um bar cheio, ou até mesmo pendurá-la na cadeira (velcro na cadeira nem pensar! Seria outro motivo de piada por aqui...rs). Sim, eu sei que sou meio contraditória, ando com a bolsa aberta no trem cheio mas não desapego no restaurante/bar. Mas quem foi que disse que eu era sã e coerente? haha
- andar mexendo/falando no celular, ou com tablet/laptop no transporte público
Tá ficando meio redundante esse discurso sobre segurança, eu sei, mas é que isso ainda me surpreende. Nada mais normal do que ir pro trabalho no trem/ônibus usando seu iphone/ipad/laptop pra ler, ouvir música, ver o mais recente episódio do seu seriado favorito.
Outro dia eu ouvi dizer que a polícia está querendo multar quem anda na rua mexendo no celular (não sei se já existe lei contra isso ou se querem criar uma), por ser causa de recorrentes acidentes de transito. Devo confessar que vira e mexe faço isso, shame on me again... haha
E isso leva ao próximo item...
- atravessar a rua sem olhar, simplesmente porque é daquelas faixas onde a preferência é dos pedestres ou porque o sinal de pedestre abriu pra vc
Eu acho que prudência nunca fez mal a ninguém, e eu costumo sempre olhar pros dois lados antes de atravessar a rua, mesmo que a preferência seja minha. Mas isso não é regra por aqui...
Pra quem não sabe, sempre que tiver essa placa abaixo, a preferência é do pedestre.

Isso significa que os carros tem que parar obrigatoriamente se um pedestre se aproxima do cruzamento. E eles param! No início eu ficava meio cabreira e esperava o carro parar completamente, o que certamente irritava muitos motoristas, pois muitas vezes eles vem diminuindo bastante a velocidade pra dar tempo do pedestre atravessar, e eram obrigados a parar completamente porque eu estava lá com cara de tacho me certificando que eles iam parar mesmo... rs
Essas placas são o terror para motoristas recém chegados a Austrália de um país como o Brasil onde pouco se respeita o pedestre. O Thiago mesmo já quase matou de susto alguns pedestres quando quase se esqueceu de parar antes da faixa. Principalmente quando vc vai virar a direita/esquerda e a faixa está bem na esquina da rua que vc está virando. Ou seja, dirija sempre com o dobro de cautela e devagar, muito devagar se estiver andando em ruas de bairro, pois as pessoas estão tão acostumadas a atravessar sem olhar, assumindo que os carros vão parar, que não custa muito pra vc atropelar alguém se não respeitar os sinais/faixas de transito.
- ver bicicletas andando na rua junto com os carros
Não estou falando de ciclovia, nem do ciclista andar cortando os carros, estou falando do ciclista andando numa das pistas da rua, como se carro fosse, simplesmente porque a rua não tem ciclovia. E nada de motoristas xingando, buzinando, cortando o ciclista. Tudo flui na mais santa paz, como na foto abaixo que eu tirei num sábado de sol indo pra praia em Manly.

Só lembrando que o mesmo se aplica pra moto, tem que andar como se carro fosse, sem cortar os outros veículos. Talvez por isso aqui quase não se veja moto...
Ah, um detalhe para os ciclistas: aqui é obrigatório o uso do capacete e acho que luz traseira se vc for andar a noite. E também aconselhável fazer um seguro, vai que vc bate numa lamborguini... E acredite, tem muitas por aqui, o nosso antigo vizinho mesmo tinha uma, o Thiago sempre parava o carro com uma distancia enorme dele (que ficava na vaga ao lado) com medo de eu abrir a porta com forca e bater na lamborguini... haha Não sei porque ele tem tanto medo de eu arruinar veículos alheios... Deve ser por isso que não me ensina a dirigir...
- as pessoas acreditam em na sua palavra, sem pedir comprovação a todo momento.
Sabem como é no Brasil, é aquela história de cópia autenticada, mil comprovantes pra isso e praquilo, um parto pra conseguir acessar sua conta do banco, senhas mil, etc. Aqui as coisas são mais simplificadas, a senha do banco é uma só (nada de senha numérica + letras infernais), vc acessa sua conta de qualquer computador (que ódio do Banco do Brasil que bloqueia ad eternum o meu computador pessoal! Mesmo eu baixando mil autenticações, versões do Java, validando senha, etc, ele sempre acha uma forma de me bloquear pra fazer transação online daqui). Não existe autenticação de documento em cartório, aliás nem existe cartório. Quem autentica documento (nos raros casos em que eles são exigidos) é o juiz de paz (um serviço gratuito que vc encontra em qualquer bairro, em diferentes dias e horários, dá pra descobrir onde e que horas no site deles) ou até mesmo qualquer advogado ou médico australiano.
Além disso, as pessoas realmente acreditam no que vc afirma. Um exemplo: outro dia fui no hospital pra um exame mais complexo e o Medicare não cobria, então eles acionaram o meu seguro privado. Só que o seguro privado aqui tem franquia anual caso vc use para hospitais (dependendo da sua cobertura, claro, dá pra ter um sem franquia, mas vc paga mais por mês), tipo quando vc bate o carro e tem que pagar a franquia, saca? Bom, a franquia do meu é $250, que paguei ao hospital e eles repassam ao plano. Pouco mais de 1 mês depois eu fui a outro hospital fazer outro procedimento, e me cobraram a franquia. Eu disse que já tinha pago, e essa franquia paga vale por 1 ano. A moca do hospital disse que o plano não tinha reportado isso pra eles quando ligaram no dia anterior para confirmar o procedimento. Eu estava já esperando ela me pedir cópia do pagamento, ou ligar para o plano pra confirmar, mas não! A resposta dela foi pedir desculpas e refazer meu boleto sem qualquer valor extra a pagar. Eu ainda argumentei que tinha falado com o plano dias antes e eles sabiam que eu tinha pago a franquia (não sei porque ainda estava me explicando! haha) no que ela respondeu: “no worries, deve ter sido um delay no processamento deles, se vc diz que pagou então ta pago”. E eu mais uma vez me surpreendi...
Vou ter que parar por aqui pois minha mesa de trabalho já está empilhada de coisas. Vou tentar voltar ainda essa semana.
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