quinta-feira, 14 de abril de 2016

Como fazer o registro civil na Austrália

Eu estava hoje discutindo esse assunto no grupo de mães daqui e achei interessante para um post. Quando vc mora fora do Brasil, na imensa maioria dos casos a cidadania brasileira é mantida. E se vc ainda é cidadão brasileiro tem que cumprir com os tramites de registro civil (isso sem contar a transferência de registro eleitoral e a declaração de saída fiscal que também são obrigatórias para brasileiros residentes no exterior). Como tudo no Brasil a burocracia é sempre um empecilho chato.

A transferência de registro eleitoral foi relativamente simples, fizemos no Consulado do Brasil em Sydney mediante a apresentação de uma série de documentos (que eles listam no site) e não pagamos nada. Só o Thiago que teve mais problema porque o certificado de reservista original ele tinha deixado no Brasil e não dá pra tirar segunda via pela internet (um inferno esse maldito certificado, e se vc perde faz o que? Dá um tiro na cabeça pelo visto, porque a via crúcis pra tirar segunda via é de matar). Demorou uma eternidade pro nosso novo título de eleitor ficar pronto (tipo, mais de 6 meses) e como fizemos no ano anterior as ultimas eleições, fiquei até com medo de que não ficasse pronto a tempo. Mas ficou e votamos já nas últimas eleições pra presidente. Pra quem não sabe, brasileiros no exterior só podem votar para presidente, e o local de votação varia de país pra país, aqui em Sydney é no Consulado. O bom é que não precisamos mais justificar voto pras eleições municipais e estaduais, o ruim é que não posso votar pra deputado federal e senador, que são quem efetivamente governam o Brasil. Ah, e aqui vc também pode ser convocado pra trabalhar de mesário nas eleições, e segue a mesma regra lenda que no Brasil: normalmente os convocados são aqueles que tiraram o título nos meses anteriores a eleição, é como se o governo “lembrasse” de vc quando vc tira o título ou muda endereço de votação. rs Eu não cheguei a ser convocada oficialmente, mas quando fui pegar meu título me perguntaram se eu não queria ser mesária (como se alguém quisesse ser por livre e espontânea pressão vontade) mas eu estava grávida do Lucas e na data das eleições estaria com quase 8 meses de gravidez. Pior foi eu explicar isso pra pessoa do Consulado (como se a minha visível barriga já enorme não fosse suficiente) e ela me responder: “ah, mas vc pode trazer o bebe com vc” (oi?!?!?!?!). Ah, a transferência de registro eleitoral foi milagrosamente gratuita.
A declaração de saída fiscal fizemos pelo site da Receita mesmo, baixando o aplicativo deles e foi o menos burocrático de todos. Eu não vou me aprofundar nesse item porque tem milhares de variantes dependendo da situação fiscal de cada um.

Já o registro de nascimento do Lucas foi uma dor de cabeça e gastos sem fim. Primeiro ressalto que, talvez por ser advogada, recomendo a todos regularizarem essas questões envolvendo registro civil o quanto antes, senão mais na frente a dor de cabeça é triplicada, acreditem. Esses textos aqui e aqui falam um pouco sobre isso. Aí vcs podem perguntar: mas e se eu nunca mais voltar a residir no Brasil? Ainda preciso fazer isso? SIM! Nunca se sabe o dia de amanha, né? Vc ainda tem família e amigos no Brasil, fora que seus filhos crescendo podem optar por morar no Brasil, estudar lá, e se eles não forem registrados por lá a dor de cabeça pra regularizar a situação tardiamente é enorme e pode envolver ter que ajuizar uma ação judicial, o que fica ainda mais caro e trabalhoso.

Enfim, eu sou “certinha” e faço tudo o quanto antes. Esse texto aqui tem ótimas informações sobre documentação de filhos de brasileiros residentes no exterior. Vou falar então sobre como foram os procedimentos que adotei na prática ano passado, quando o Lucas nasceu, e os custos envolvidos.

Se a criança nasce na Austrália mas é filha de brasileiros, ela é automaticamente brasileira (ou melhor, tem direito ao registro de nascimento no Brasil), mas não é automaticamente australiana. Para ser australiana, a criança tem que: 1) ter um dos pais australiano; 2) ter um dos pais como residente permanente na Austrália. Assim, se a criança nascer aqui e os pais tiverem algum visto temporário (como o de estudante) ela não será australiana, podendo fazer o registro apenas no Brasil. No nosso caso, como eu e Thiago temos residência permanente aqui, pudemos fazer o registro no Lucas tanto no Brasil quando na Austrália.

Qual se faz primeiro? O registro na Austrália, porque vc vai precisar dele pra fazer o registro no Consulado Brasileiro. Na prática funciona assim: ainda na maternidade vão te dar os documentos necessários pra fazer o registro da criança. Vc preenche a papelada, junta os documentos ali solicitados e dá entrada no Birth Certificate (a certidão de nascimento australiana) pelo correio (em NSW) pagando a taxa de AUD$51 (a não ser que vc queira a certidão cheia de frescura comemorativa, que é mais cara. Advinha o que nós, pais de primeira viagem, fizemos? Pois é, pais de primeira viagem adoram gastar dinheiro que não tem. O segundo filho só vai viver de coisa usada, pode anotar aí. rs). Depois de umas semanas (ou meses, dependendo do caso) vc recebe a certidão de nascimento pelo correio.
Com a certidão de nascimento em mãos vc pode dar entrada no passaporte australiano da criança. Daí surge um problema: a nacionalidade australiana não consta da certidão de nascimento, ela precisa ser comprovada mediante a apresentação de prova de que os pais eram residentes ou cidadãos australianos no momento do nascimento da criança. Essa prova vc faz quando der entrada no passaporte mediante a apresentação do visto de um dos pais. Eu achava que isso era suficiente, se o Lucas tinha passaporte australiano é óbvio que ele é australiano. Mas aí o Thiago encasquetou que isso não era suficiente, porque se um dia o Lucas perdesse o passaporte e tivesse que dar entrada num novo, ele teria sempre que provar que os pais eram residentes quando ele nasceu, o que convenhamos é um saco. Daí o Thiago me convenceu a dar entrada numa certidão de Proof of Citizenship (passo a passo aqui), o que fizemos preenchendo o Form 119 e pagando a taxa de AUD$190. É bem chatinho porque vc precisa de um cidadão australiano que tenha uma das profissões listadas pelo governo (no Form 119 tem a lista de profissões) pra assinar o “proof of identity” da criança. Nós fizemos junto com o processo para a nossa cidadania (que vou falar em outro post), então um amigo nosso australiano e advogado assinou de uma vez os papéis do Lucas e os nossos.

O que eu achei mais revoltante é que quando demos entrada na nossa cidadania australiana, se vc listar seu filho lá ele é incluído gratuitamente no seu processo de cidadania. Só que não podíamos incluir o Lucas porque teoricamente ele já é cidadão australiano por nascimento. Mas ainda assim ele não tem um documento que ateste isso, então tivemos que dar entrada na certidão de cidadania pra ele e pagar mais AUD$190. E eu que achava que só o Brasil tinha burrocracia burocracia…

A certidão de cidadania australiana também fizemos pelo correio e chegou rápido, acho que em umas 2 semanas. Agora o Lucas tá com a documentação australiana toda certinha – certidão de nascimento + prova de cidadania + passaporte australiano.

Como esse post já está ficando muito longo, amanha continuo a falar sobre o calvário do registro no Brasil.


Atualizando: semana passada eu fiquei sabendo que os documentos exigidos pra dar entrada no passaporte australiano de uma criança mudaram! Quando eu fiz pro Lucas bastava a certidão de nascimento dele e o visto de um dos pais mostrando que são residentes. Agora vc tem juntar a Proof of Citizenship da criança, o que significa dizer que o tal do Form 119 que mencionei no texto tem que ser preenchido antes de dar entrada no passaporte, enviado pelo correio, e só quando vc receber a Certidão de Cidadania da criança é que vc pode aplicar pro passaporte dela. Faz todo sentido porque vai ficar mais fácil pro órgão que emite o passaporte analisar a documentação, já que ele não vai mais precisar analisar o visto dos pais da criança (isso será feito quando do pedido da Certidão de Cidadania). Só vai aumentar os custos pros paisaplicarem pro passaporte australiano, fora que tem que fazer com maior antecedência pra dar tempo da Certidão de Cidadania ser emitida. Nesse site aqui tem o passo a passo pra confirmar a cidadania australiana.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Custo de vida em Sydney – parte II

Há quase 3 anos atrás eu fiz um post sobre o custo de vida em Sydney e esse é um assunto que até hoje me perguntam bastante, então acho que vale a pena dar uma atualizada nos valores.

Agora nossa realidade é outra, temos um novo membro na família e com isso vcs vão notar que os gastos reduziram em alguns pontos e aumentaram em outros. Vamos as minhas considerações atuais (em itálico como era em 2013 e em negrito como é agora):

1) Aluguel: nos bairros próximos do Centro vc não consegue um apto de 1 quarto por menos de $450-$500 por semana. Nós continuamos nessa mesma faixa de aluguel porque nos mudamos para longe do Centro, então pagamos o mesmo por um apto bem maior.

2) Luz: a conta é trimestral e normalmente fica entre $200-$300 para um casal que trabalha integral durante a semana. Esse valor varia e é mais alto, por exemplo, no inverno se vc usar um aquecedor. Continuamos mais ou menos nessa média, talvez um pouquinho a mais porque agora temos 2 quartos (o nosso e o do Lucas) para ventilar/aquecer.

3) Gás: a conta também é trimestral e fica em torno de $100-$200 nas mesmas condições acima. Continuamos mais ou menos nessa média, talvez um pouquinho a mais porque agora cozinhamos bem mais em casa.

4) Plano de saúde privado: muita gente não faz e fica só com o Medicare gratuitamente fornecido pelo governo. Eu não recomendo, veja minhas experiências aqui. O nosso plano está mais caro porque aumentamos a cobertura, e além disso contratamos um seguro de vida para cada um de nós (essencial na minha opinião quando se tem filhos). Já fiz um post explicando sobre os tipos de cobertura dos planos aqui e se vc quiser comparar os diversos planos existentes é só ir nesse site aqui.

5) Seguro do carro: o valor mínimo mensal fica em torno de $100, mas leve em consideração que uma vez ao ano vc terá que fazer a revisão e pagar um outro seguro exigido pelo governo. A nossa revisão desse ano girou em torno de $800. Nosso seguro ficou até mais barato depois de anos com a mesma empresa sem nenhum sinistro.

6) Combustível: é caro (+/- $1.47 por litro) e o baixo valor que eu contabilizei leva em conta usar o carro só no final de semana. O valor do combustível está mais barato atualmente, variando entre $0.90 e $1.30 (toda semana aumenta e diminui), mas o quanto vc vai gastar depende do seu estilo de vida. Nós agora vamos de carro pro trabalho, então gastamos bem mais de combustível.

7) Pedágio + estacionamento: existem vários pedágios espalhados pela cidade, pra atravessar a ponte para o norte de Sydney, p.ex., paga-se até $4.00. Tem que ficar ligado também que não existe caixa para recolher dinheiro no pedágio, vc tem que ter um “electronic tag or casual user pass” (um dia faço um post sobre isso). Estacionamento também é pago nas principais ruas de movimento, e tem várias regras e preços (também falo disso um dia, me cobrem. rs). Como nos fins de semana costumamos sair de carro, passear pela cidade, parar em algum restaurante, bar, cinema, etc, esse valor entra na nossa planilha mensal. De novo, nesse item gastamos bem mais porque vamos de carro pro trabalho (com isso passamos diariamente no pedágio da M1 – grande rodovia que vai pro centro. Até tentamos evitar esse pedágio fazendo um trajeto alternativo, mas estava aumentando em até 30 minutos nosso percurso por conta de engarrafamentos diários, aí não rola) e temos que parar na City. Até que nós conseguimos estacionamento barato, por $12 por dia, o que é exceção das exceções no centro da cidade. Duas opções bastante em conta na City são o estacionamento do Opera House para dias de semana ($14 por dia se vc reservar pela internet no early bird – entrando entre 6-10 am e saindo entre 3-7:30 pm) e no fim de semana do Domain ($10 o dia todo) ou Darling Harbour ($13 o dia todo se reservar pela internet). Fora esses vc ainda acha algumas pérolas escondidas na City, como o que o Thiago achou recentemente perto do trabalho dele que custa apenas $12 a diária.

8) Transporte público: Esse valor leva em conta um comprando o ticket só de ônibus (my bus 2) e outro o de trem + ônibus (my bus 2), como acontece no nosso caso. Esse valor pode aumentar ou diminuir dependendo do meio de transporte e distancia percorrida. Atualmente onde moramos não andamos mais de ônibus, só trem. E como estamos indo de carro pro trabalho, o gasto com transporte público reduziu bastante.

9) Celular: contabilizei o pacote que usamos da Vodafone, que engloba $750 minutos mensais de ligação + 1.5Gb de dados + $5.00 mensais pelo iphone. Again, esse preço pode ficar mais barato/caro dependendo do provedor (opções mais comuns: Vodafone, Optus, Telstra) ou plano escolhido. O nosso plano teve um upgrade nos últimos anos porque gastamos mais em dados e trocamos por aparelhos mais novos, com isso pagamos um pouco mais.

10) Internet: no nosso caso optamos pela TPG que foi a única que achamos com internet ilimitada por $59.99 mensais (e ainda vem de bônus a linha de telefone fixo). Curiosamente esse valor não sofreu absolutamente nenhum reajuste nos últimos 3 anos.

11) Supermercado: quando chegamos aqui só comprávamos no Aldi, o mercado mais barato, e só os produtos genéricos (tipo Regal ao invés de Coca-Cola... haha). Atualmente fizemos um upgrade pro Coles (que me parece que é o segundo mais barato - seguido pelo Woolworths e por ultimo o IGA) por pura preguiça. Coloquei uma estimativa por baixo de $400, levando em conta um casal que cozinha em casa para pelo menos 6 dias na semana, café/almoço/jantar. Esse valor pode variar pra cima ou pra baixo (e muito) dependendo das opções pessoais. Se vc estiver na duvida, faca uma simulação no site dos supermercados, se não me engano o Coles e o Woolworths tem essa ferramenta. Esse item é meu calcanhar de aquiles ultimamente porque nossos gastos aumentaram muitíssimo. Em parte porque com o Lucas cozinhamos muito mais em casa, além de cozinharmos de forma mais saudável. Não dá mais pra passar dias a base de pão e manteiga quando precisamos dar o exemplo de uma alimentação saudável. Também gasto muito com frutas e legumes semanalmente, e me falta tempo e disposição pra pesquisar preços então acabo comprando no primeiro hortifruti que vejo. Se tem uma coisa cara em Sydney é fruta, e ainda tem o gasto extra com fralda, lenço humedecido (que gastamos loucamente), etc.

12) Academia: pagamos $75 mensais cada um numa academia perto de casa que é a mais em conta que vi até hoje por aqui pelo custo beneficio, pois engloba aparelhos de musculação + aulas de fitness em geral + piscina aquecida. As mais comuns aqui em Sydney são a Fitness First e Jetts (mais um assunto que está na minha lista de posts futuros...). Nossos gastos são similares, mas agora pagamos um clube perto de casa porque aí além da academia temos acesso a piscina gigante de criança pra levar o Lucas.

13) Refeições: estimei $100 semanais por casal, o que não é muito pois comer fora custa caro em Sydney. Claro que varia muito pelo tipo de comida, bairro, etc. Em pubs, p.ex., vc consegue comer por $10 por pessoa + bebida. Em restaurantes normais, um almoço pra casal não sai por menos de $50. Nesse quesito eu tenho a impressão que as coisas ficaram bem mais caras por aqui. Ou então fomos nós que ficamos mais exigentes e não conseguimos mais ir em qualquer pub da vida, fora que ainda adicionamos mais uma boca na equação e o bichinho apesar de não ter nem 2 anos come como gente grande (ai meu bolso).

14) Entretenimento: estipulei só $50 por semana, o que, believe me, é pouco. Uma cerveja custa entre $5-9 dólares, então pra quem bebe os gastos aumentam e muito. Cinema varia de $11-30 por pessoa, depende do tipo de cinema, dia da semana, se é 3D, etc. Entretenimento com filhos? No máximo um playcentre nos dias chuvosos pra gastar a energia do coelhinho duracel. rs Cerveja, o que é isso mesmo? rs Mas o que não gastamos em entretenimento adulto gastamos no infantil, itens de bb de forma geral, etc.

15) Viagem anual pro Brasil: contabilizei $2000 de passagem por pessoa, mais $800 pra gastar na viagem (o que, again, me parece pouco). Esse é o preço normal da passagem, mas claro que sempre tem desconto, a nossa desse ano pagamos $1400 por pessoa. Contabilizo isso dividido por 12 meses, pra dar uma média que tem que ser reservada no orçamento mensal pra essas viagens anuais. Esse é nosso outro calcanhar de aquiles. Aliás acho que nunca vamos conseguir juntar dinheiro pra comprar um apto porque não abrimos mão de viajar. Ano passado foram 3 viagens internacionais, e esse ano vamos passar 5 semanas viajando para Londres, Franca e Rio. Bem assim:



Itens a serem adicionados quando se tem filhos:

1) creche – como já contei nesse post, é muito caro (entre $90-170 por dia). Estamos tentando baratear achando uma creche mais perto de casa, mas tá difícil conciliar o horário do trabalho.

2) faxineira e/ou babá – em torno de $20-30 a hora.

3) gastos extras com médico/remédio/exames – caso vc seja como eu que estou numa maré de azar horrorosa e vivo doente, praticamente todo mês tem um gasto extra nesse quesito.

Acho que em resumo é isso. Lembrando novamente que esses valores variam bastante de família pra família dependendo das suas prioridades. Mas acho difícil uma família com filhos gastar muito menos que isso.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Cinema ao ar livre

Syney não cansa de me surpreender. Sydney na primavera/verão/outono é um poço de eventos interessantes e gratuitos. já o inverno é depressão total

Quando éramos só eu e Thiago, íamos sempre nos mil eventos que a cidade tem a oferecer, como o Sculptures by theSea, Open Air Cinema, Sydney Festival, Vivid, etc. Achei que quando tivéssemos filhos íamos ficar impossibilitados por um tempo de curtir esses eventos por causa da logística com criança pequena, muvuca, e tal. Mal sabia eu que um mundo de novas oportunidades ia se abrir para nós.

No fim de semana que passou eu descobri no facebook um evento chamado “Cinema under the stars”. A coisa era simples: uma escola pública de um bairro perto lá de casa estava montando uma sessão de cinema infantil ao ar livre pra angariar fundos. Funcionava assim: na entrada vc doava uma “gold coin” (como são chamadas as moedas de $1 e $2 dólares) para fofas crianças da escola que estavam lá “trabalhando” no evento. Aí no gramado da escola (onde é o “pátio” das crianças brincarem no intervalo) eles montaram umas 5 barraquinhas de comida e face paiting (aquelas pinturas no rosto para crianças), um grande projetor de filme e pronto! Um super evento estava montado.

Os portões abriram as 6pm e o filme começaria assim que escurecesse, o que no último dia do horário de verão significava umas 7:15pm. Chegamos lá assim que abriu porque já tava na hora de dar o jantar do Lucas. Passamos antes num restaurante japonês, compramos comida para nós 3 (sendo que como sempre o Lucas comeu como gente grande, ai meu bolso…) e fizemos um piquenique lá no gramado com o nosso inseparável picnic rug (uma toalha fofinha com polyester embaixo pra não molhar e que dobrada vira uma bolsa super fácil de carregar – foto abaixo).
Depois de encher o bucho nosso pequeno super ativo foi se esbaldar no parquinho da escola, com direito a escorrega, balanço, piscina de areia, etc. Quando escureceu e o filme começou, já era mais ou menos a hora do Lucas dormir, então ele já estava com a pilha baixa e só por isso ficou sentado assistindo o filme. Ah, o filme era O Rei Leão e a imagem era muito boa, fiquei impressionada com a qualidade da projeção. Como a noite a temperatura caiu um pouco, eu tinha levado um cobertor e ficamos todos abraçadinhos debaixo do cobertor vendo o filme, uma delícia.

Infelizmente não conseguimos ficar até o final porque eu estava atacadíssima de alergia e não parava de espirrar, e o sereno tava tornando tudo mais insuportável então umas 8 da noite rumamos pra casa.
Mas valeu super a pena e fica a dica: sempre entrem no site do seu bairro pra ver a programação de eventos locais, vc vai se surpreender com a quantidade de coisa legal.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Kindergym

Que aqui tem muita atração e atividade pras crianças eu já contei aqui no blog. Toda semana, nos dias que não trabalho, fico numa peregrinação pra cansar o meu super ativo toddler (como são chamadas aqui as crianças entre 12 e 24-36 meses). Normalmente vamos pra playgroups, piscina no clube, parques mil correr atrás dos pássaros, ou se está muito frio ou muito quente vamos no shopping que sempre tem espaço infantil com brinquedos pra crianças. Mas semana passada descobri uma atividade ideal para o meu canguruzinho: kindergym, ou ginástica para crianças.

Funciona assim: é um grande ginásio com diversos equipamentos típicos de ginástica olímpica, mas adaptados para as crianças pequenas (muitos aceitam crianças de 18 meses a 5 anos, esse que eu fui o bebe pode ir assim que começar a andar). Como dizem aqui, o Lucas “had a blast” (ou, em bom português, ficou que nem pinto no lixo) com tanta opção pra ele escalar, se equilibrar, correr, pular.
Esse que eu fui tem aulas estruturadas que duram 1 hora, e são divididas por idade: 12 a 24 meses, 24 a 36 meses, 3 a 4 anos e 4 a 5 anos. Os primeiros 15 minutos são livres pra criança explorar (free play), depois eles começam as atividades que envolvem música, seguir um percurso, brincar com tecido/instrumentos musicais/madeira, e brincadeiras simples pras crianças seguirem. Crianças muito pequenas (caso do Lucas que só tem 15 meses) costumam ser mais dispersas e não focar nessa estrutura, principalmente no inicio quando eles ainda estão deslumbrados com o ambiente. Mas aos poucos eles vão se acostumando e participando mais (isso foi o que me disse a instrutora lá, quero só ver se o meu super ativo toddler vai ser assim mesmo). Na aula experimental que eu fui o Lucas ficou pulando de um equipamento pro outro, tentando imitar as crianças maiores pulando no trampolim, se equilibrando nas tábuas suspensas (pra me matar do coração, como sempre), e ainda foi especial da Páscoa então eles pintaram todas as crianças de coelhinho, uma fofura só. Claro que já fiz minha inscrição (custa $140 pelo termo com 10 aulas) e agora bateremos ponto lá toda sexta-feira de manhã.

Não achei foto específica desse que eu fui, mas é parecido com esses aqui:



 

É ou não é o máximo? Até eu queria voltar a ser criança só pra poder ir…

terça-feira, 29 de março de 2016

Balanço final pós Páscoa


Depois de 4 dias de descanso feriado e uma overdose de chocolate, eis o nosso balanço da Páscoa:

1) Compramos o hot cross bun (explicação do que é nesse post) da Lindt achando que seria a garantia de uma maravilha. Não era! Pra mim que nunca tinha comido pareceu um panetone, sendo que eu detesto panetone. haha  Como foi superfaturado caro, me obriguei a comer aquilo todos os dias do feriado no café da manha. Quentinho e com manteiga ficou menos pior bom.
2) Meu filho definitivamente ama a praia. Fomos levá-lo num parque em Cronulla que tem muito verde e uma parte com vários brinquedos de criança. Ele brincou um pouco, correu atrás dos pássaros na grama, mas logo avistou a praia que ficava ao longe (bem ao longe - vide foto abaixo). Aí saiu desembestado correndo pela grama com os braços pra cima e gritando “dáááá” (ele ainda fala apenas klingon, super avançada essa criança, inglês e/ou português e pros fracos), cruzou a calçada atropelando os pedestres, se jogou desceu na areia, atravessou pelo menos 20 metros de areia correndo até a beira d`água e nesse ponto eu pensei: “a água tá bem gelada, ele vai se assustar e voltar”. Ledo engano! Ele seguiu adentro até que veio uma onda que parecia super rasa e não era, deu um banho de água gelada nele de roupa e tudo e claro que em mim idem (afinal vcs não achavam que eu era a mãe desnaturada despreocupada que deixei o filho correndo sozinho pro mar, né?) Balanço da ida ao parque: criança ensopada até a cintura e mãe com a saia (longa!) ensopada até o joelho e Thiago reclamando do tanto de areia que tinha grudado em nós 2 e como íamos limpar o Lucas se sequer tínhamos uma toalha (afinal, o tempo estava nublado e não nos programamos pra ir pra praia, aliás a ideia era passar longe da praia e ficar no parque). Claro que respondi ao Thiago que ele estava reclamando de barriga cheia, pois eu passo muito mais perrengue que isso quando saio sozinha com o Lucas. Vide o dia que fui levar ele pra brincar na areia (erro 1: achar que ele ia ficar quieto na areia), e ele desembestou de correr pro mar de roupa e tudo, tropeçou na beira da água (erro 2: deixar ele entrar no mar) e caiu de cara na areia ensopando a roupa toda e quando eu fui trocar a roupa e a fralda vi que ele tinha feito um mega coco (erro 3: não checar a fralda antes de levar a criança pra areia) que nessa altura estava ensopado de água salgada e areia. Sabe quando vc olha a situação e não sabe nem por onde começar? Dá vontade de fechar a fralda suja mesmo, enrolar a criança numa toalha e levar pra casa assim mesmo pra colocar debaixo do chuveiro direto. Claro que estando eu a 30 minutos de trem de casa, com um tempo nublado e fazendo 20 graus e uma criança gelada e a ponto de tirar a soneca da tarde isso não era uma opção. E lá fui eu trocar fralda e roupa em cima da grama com um toddler estrebuchando e tentando rolar/levantar/correr.

O parque com a fatidica praia ao fundo

3) Num dia chuvoso do feriado fomos no Wild Life e foi aprovadíssimo! Arrisco a dizer que o Lucas gostou até mais do que o Aquarium, talvez porque tinha mais vidros com bichos da altura dele no chão. Ele ficava horas estatelado nos vidros vendo os bichinhos e amou a parte de dar comida pros pássaros.





 
4) Fomos no Easter Show de Cronulla, mas era bem pequeno. A parte que podia interagir com os animais eu achei bem cruel, com bichinhos pintados e crianças manuseando eles de qualquer forma. Não curti. Depois teve corrida de porco, achei que o Lucas ia gostar porque ele adora porco, e acho até que ele curtiu até começar a gritaria em volta. Como ele detesta gente gritando perto dele, abriu o berreiro e tivemos que sair dali. rs

5) Na segunda fomos assistir a Zootopia, o novo desenho da Disney. Claro que como o Lucas ainda é muito pequeno sabíamos que o filme era mesmo mais pra nós (e nós adoramos desenho), então fomos numa sessão que coincide com a soneca dele. Como o nosso canguruzinho é muito do contra, apesar de em casa ele dormir 2.5hrs na soneca, no cinema ele cisma de dormir no máximo 1hr, 1.5hrs, e acorda no meio pro final do filme. Só que no caso de Zootopia a parte final é nada apropriada pra crianças pequenas porque envolve muitos bichos aterrorizantes e uma perseguição “policial” com direito a muito susto. Até achei que o Lucas fosse chorar de tanto que o bichinho tomava susto com o filme. Como eu estava precavida, levamos comida e ele se entreteu com ela por um tempo, e o resto foi o de sempre: eu correndo agachada atrás dele na parte da frente do cinema. Aliás esse é outro motivo para só irmos em filme infantil: há mais tolerância a uma criança correndo e eventualmente gritando falando do que se fosse um filme adulto.
Ou seja, o balanço do feriado foi: diversão 10 X descanso 0. Mas também quem pode esperar relaxar tranquilo com um toddler em casa, né? Pelo menos as muitas risadas e chamegos compensam qualquer cansaço. ;)

domingo, 27 de março de 2016

Aquarium, Wild Life e Madame Tussauds

Semana passada fomos ao Aquarium, pela segunda vez.  É aquele tipo de atracão que vale a pena vc visitar se tiver de passagem por Sydney (o que fizemos 5 anos atrás), ou se vem morar aqui vale a pena ir, mas vc só vai uma vez. Primeiro porque é caro, segundo porque não tem tanta graça assim pra ficar indo várias vezes. Aí vc tem filhos, e a coisa muda de figura. Qualquer passeio que envolva bichinhos, natureza, começa a entrar no seu calendário mensal de programas.

Até então nós estávamos esperando o Lucas crescer mais pois achávamos que com menos de um ano ele não iria aproveitar esses lugares. Agora com ele andando correndo saltando escalando achamos que ele iria curtir uma visita ao aquário. Bingo! O bichinho ficou que nem pinto no lixo, literalmente, não sabia pra onde apontar, queria escalar o vidro dos aquários, tocar nos peixes, meter a mão na água.
Como eu disse a atracão é cara, o ticket pra adulto custa $40 ($28 se vc comprar pela internet), mas vc pode fazer combos com outras atracões para baratear. No site deles existem várias opções de combo, que incluem o Wild Life, Sydney Tower, Manly Sea Life Sanctuary, etc. Vc pode também comprar tickets com desconto pra família de mais de 3 pagantes (só criança acima de 4 anos paga), além da opção de anuidade. Eu estava decidida a não fazer a anuidade porque achei que ia sair muito caro. Mas eis que chegamos lá e o single ticket ficava em $120 pra eu e Thiago (porque incluía o Wild Life e Aquarium), mas enquanto eu estava pagando notei numa placa no balcão que a mensalidade custaria $160 pros dois com direito a ir quantas vezes quiséssemos em 11 atracões! Muito mais em conta, né? A menina do caixa tentou dificultar dizendo que já tinha impresso os nossos tickets, mas eu educadamente disse que não interessava, eu queria o que era mais barato e ela devia ter me informado da possibilidade de fazer a anuidade. Enfim, ela chamou o gerente e deu tudo certo, saímos de lá com nossas carteirinhas de membros por 1 ano.

O Aquarium fica em Darling Harbour e não é muito grande, mas até que tem um tamanho considerável pra se gastar pelo menos 1-2 horas lá dentro. No final tem a tradicional lojinha de souvenirs e uma pequena praça de alimentação. Nesse dia não deu tempo de irmos ao Wild Life ou Madame Tussauds (que ficam do lado do Aquarium), mas com certeza vamos voltar lá muitas vezes ainda no próximo ano.
Abaixo algumas fotos no nosso canguruzinho explorador:







Essa parte é muito legal: a criança pinta num papel que tem os peixes já desenhados, aí vc leva o desenho numa máquina que fica ali mesmo pra escanear e o desenho escaneado sai nesse telão em frente! How coo lis that?? Claro que o Lucas ainda é muito pequeno e está mais preocupado em tentar comer o lápis de cor do que desenhar propriamente dito, então ele só ficou por alguns segundos minutos sentado ali tentando comer o lapis desenhar.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Páscoa e Easter Show

Com a Páscoa se aproximando, não tem como fugir desse tema pra um post hoje, né?

Aqui na Austrália o feriado da Páscoa é sempre de sexta a segunda (isso porque o domingo de Páscoa é transferido pra segunda, como é a regra aqui quando um feriado cai no fim de semana). A sexta-feira da paixão (Good Friday) esse ano cai dia 25 de março, como vcs devem saber, e é o dia em que a maioria do comércio está fechado na Austrália. Então é bom se programar e estocar comida em casa, pois é muito difícil achar supermercado ou restaurante abertos na sexta. Nos demais dias do feriado (ou long weekend como chamado aqui) a maioria do comércio abre, ainda que com horários especiais de funcionamento.

Particularmente é meu feriado favorito por 2 motivos: 1) é o mais longo feriado seguido na Austrália; 2) envolve chocolate. :)
Eu e Thiago somos ateus, então não saberia dizer como são os costumes religiosos aqui apesar que eu acredito que por ser um feriado cristão sejam os mesmos costumes em qualquer país que segue o cristianismo. Nós sempre comemos normal no feriado (ainda que com um adicional de chocolate da minha parte), mas acredito que aqui também tenha a questão de não comer a carne tal no dia tal (foi mal, mas realmente não conheço essas tradições cristas).

Aqui os ovos de chocolate não são tão tradicionais como no Brasil, apesar de venderem nas lojas (mas não tem de sabores de chocolate em barra como no Brasil, aqui normalmente os ovos são de chocolate mesmo e ocos por dentro). O popular aqui mesmo são os hot cross bun, tipo um pão doce (foto abaixo).
 
Eu nunca comi (sacrilégio!) mas esse ano o Thiago está incumbido de comprar os hot cross bun na Lindt hoje. Vc acha eles em absolutamente todo lugar nessa época do ano (supermercados, padarias, cafés), mas apesar de nunca ter me interessado ontem quando passei na Lindt fiquei com água na boca – eles simplesmente adicionaram pasta de avelã no meio e gotas de chocolate aos pãezinhos. Ai, ai…
Outra tradição em down under são os Easter Show. O maior de todos é o Sydney Royal Easter Show que vai de 17 a 30 de março e acontece no Olympic Park. Achei bem interessante a definição do evento no site deles:

“First held in 1823, the Show is now Australia's largest annual event, attracting over 800,000 people every year. Revenue generated by it allows the RAS (Royal Agricultural Society) to invest in agricultural programs, competitions, education, youth and rural NSW. In all, the RAS invests almost $7 million annually in these activities which are designed to promote agricultural excellence and keep our rural communities strong. The Sydney Royal Easter Show is a celebration of Australian culture, from our rural traditions to our modern day lifestyles, providing unique experiences for everyone. Every Easter, the country and city join together at Sydney Showground, Sydney Olympic Park, for fourteen days of agricultural competitions, animal experiences, live entertainment, carnival fun, shopping and much more.”

Os ingressos custam entre $37 e $148, dependendo do que está incluído.
Eu nunca fui no Easter Show (vergonha, vergonha, daqui a pouco cassam meu pedido de cidadania) e nem devo ir esse ano porque o Lucas ainda é muito pequeno pra tanta muvuca (o evento normalmente envolve muita gente, transito, filas, aquele pacote completo de grandes eventos). Mas deixo aqui algumas fotinhos junto com curiosidades sobre o que rola no evento:

Ride & Play – parque de diversões com carrossel, montanha-russa, carrinho bate-bate, etc. Com detalhe para um parque especial para as crianças menores. 
 

 


See & Do – entretenimento a noite (rodeio, música country, show de fogos), Grand Parade (“Three parades will showcase Sydney Royal Competition winners including animals, producers and champion woodchoppers, in a celebration of Australian agriculture”), Alpaca Promenade (pelo que entendi, levar uma alpaca pelo curso de obstáculos), exibição de arte e craft, passeio de pónei, e mais dezenas de bizarrices coisas que vc pode descobrir no site do evento.


 
Eat & Shop – dezenas de restaurantes e barraquinhas vendendo desde ostras, donuts, comida indiana, meet pie (a tradição australiana), sanduíches, etc, até todo tipo de bebida alcoólica. Além de barracas vendendo frutas e legumes frescos.

 

Learn & Grow – atividades pra ensinar as crianças sobre alimentação saudável, tosa de ovelha, como tirar leite de vaca, aula de bordado, entre outras.

 
Animals – competição de cachorros, show de pássaros, competição de aves domésticas (galinhas, pombos (!?!)), competição de ovelhas, etc.
 
Showbags – trata-se de uma invenção australiana que consiste em vender sacolas com um certo número de produtos (normalmente guloseimas e brinquedos) por um preço reduzido. São centenas de opcoes a venda, a maioria voltada ao público infanto-juvenil, mas tem também itens para os adultos. Exemplos de showbags desse ano são:




Como vcs podem ver, é um evento gigantesco e diversificado que assim que o Lucas estiver maior nós vamos conhecer e voltamos pra contar e o blog ainda existir até lá.
Além desse Easter Show maior, existem vários menores espalhados pela cidade. Num bairro pertinho de nós tem o Cronulla Easter Show, cuja entrada é gratuita e nada mais é do que um evento primordialmente voltado para as crianças com fazendinha, passeio de pónei, visita do coelho da Páscoa, carrossel, e as tradicionais showbags. Nesse nós vamos certamente, depois volto com as fotos.

 
Bom feriado a todos!

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Imigrar ou não pra Austrália, eis a questão

Essa semana li 2 ótimos posts sobre o mesmo assunto: imigrar para outro país é pra vc?

Concordo em sua maior parte com ambos (vc pode lê-los aqui e aqui) e alguns emails que respondi nas últimas semanas me fizeram vir escrever esse post.

Eu já tinha feito um post rabugento em 2014 (aqui) sobre algumas pessoas sem noção que me escrevem, e mesmo passados 2 anos é impressionante como nada mudou. Vira e mexe recebo emails exatamente como os que listei naquele post. Existem ainda os assuntos que se repetem nos emails que recebo. Os principais tipos de email que recebi no último mês podem ser divididos em 5 tipos:

1) Pedido de informação que consta no blog

Uma das coisas que mais me chama atenção é quem escreve pedindo informações que tem no blog, bastava apenas uma simples leitura pra descobrir. Tem muita gente que acha o blog na internet, lê um post aleatório e me escreve perguntando se eu trabalho na área jurídica, como foi o processo de validação do diploma do Thiago, como ele aplicou pro visto, etc. Pelamor, isso tá tudo explicadinho no blog! Basta ler desde o começo ou, se vc não tem paciência (ou acha o blog chato, ou tem pressa), vai na lupinha que tem no canto superior esquerdo e filtra o que vc quer. Agora o que não dá é me escrever perguntando isso, porque eu não tenho como responder a mesmíssima coisa trocentas vezes pra pessoas distintas. O máximo que vc vai conseguir de resposta com um email assim é eu dizer educadamente pra vc ler os posts antigos do blog.
 
Desse ponto vai uma dica: se vc quiser imigrar pra outro país e ser bem sucedido vc vai ter que correr atrás, pesquisar muito, ler muito, não espere receber tudo mastigado. Quem quer ficar sentado na cadeira e receber um visto de mão beijada, um emprego que cai do céu, etc, pode esquecer a ideia de imigrar pra Austrália.

Nesse quesito eu fiz no post de 2014 um parágrafo mor de rabugencice que continua válido (haha): "Não escreva uma mensagem no blog dizendo: “Queria saber algumas informações, vc pode me mandar um email?” Desculpe, não, não posso. Meu email está super acessível no blog, tanto que bastante gente me escreve. Então vamos parar com a preguiça mor e pesquisar um pouquinho. Até porque se não teve sequer a curiosidade/interesse de achar meu email no blog, começou muito mal..."

 
2) Pedido de informação sobre tipos de visto

Outro tipo de email que eu SEMPRE recebo é perguntando: minha profissão é x, do/a meu/minha marido/esposa (namorado/a) é y e queremos saber pra que visto podemos aplicar. Ou ainda: tenho a idade x, a experiência profissional y, posso aplicar? Gente, eu não sou agente de imigração, não sei NADA atualizado sobre o assunto, tudo que sei e posto são as nossas experiências e algumas informações sobre a área jurídica que fui coletando no decorrer dos anos. E nem adianta vc ficar bravo comigo e mandar email pra outro blogueiro, porque só quem pode passar informação confiável é um bom agente de imigração. Eu até aconselharia vc a obter opinião de mais de um agente, além de LER de cabo a rabo o site da imigração australiana e checar as informações que receber.
 

3) Como faz pra imigrar com filho menor de idade

Talvez porque agora tenhamos um filho, tenho recebido muito email também de pais perguntando como é vir pra cá com crianças, o sistema de ensino, etc. Vc pode obter todas as informações sobre o sistema de ensino em NSW, preços de escolas para estudantes internacionais, etc, nesse site aqui. Existe também um grupo no facebook chamado “Mães brasileiras na Austrália” que tem muita informação sobre esse assunto. Só por favor quando entrar lá vai na lupa fazer uma pesquisa pra ver se o que vc quer saber já foi abordado, porque tem muita pergunta já respondida um milhão de vezes.

Ah, e tem os posts também que eu já fiz sobre creche, serviço se saúde, etc, que vc acha aqui no blog. Lembrando que meu filho tem apenas 1 ano, então ainda não cheguei na fase de escola, sistema de ensino, e tal, e por mais que eu já tenha algumas informações sobre isso coletadas a partir de alguma pesquisa e conversas com outras mães, ainda não tenho nada concreto para falar ou opinar. Quando o Lucas chegar na idade escolar e se esse blog ainda existir, prometo que escrevo contando o meu lado desse mundo. :)
 

4) Como vir se vc é estudante/formado em Direito

Eu sei que não tem muito blog por aí de advogados que imigraram pra Australia (se é que tem algum, porque eu até hoje não conheci) e por isso eu recebo muitos emails de advogados/estudantes de direito. Só que TODAS as informações que eu tenho estão no blog, e infelizmente eu não sei nada além disso. Recentemente obtive algumas informações novas que publico em um próximo post.
 

5) Vale a pena imigrar? O que vc acha da minha situação?

Eu entendo que bate uma insegurança enorme em mudar de país largando tudo (família, emprego, estabilidade, amigos) pra trás, mas vamos combinar que essa questão de “valer a pena” é muito pessoal né. Que a qualidade de vida na Austrália é sensacional (em termos de segurança, serviço público, baixa desigualdade social) ninguém tem dúvidas, mas essa questão de “qualidade de vida” também pode ter uma conotação bem pessoal. Pra muitos qualidade de vida é estar junto da família, e se vc não abre mão disso, imigrar pra Austrália não é pra vc. E por aí vai. Não tem como eu analisar a sua vida e saber ou opinar se imigrar é o ideal ou não pra vc, concorda? E mesmo que vc decida por morar fora, pode ser que daqui a 1-2 anos vc se arrependa, ou descubra que algo que vc nunca deu valor no Brasil agora é artigo de primeira necessidade, e então vc volta pro Brasil. Isso tudo só vc vai poder analisar e decidir.

A única opinião que eu dou (e opinião vcs sabem o ditado, é que nem c.. e cada um tem o seu) é não vir com visto de estudante se a sua intenção é fixar residência na Austrália. Por que eu digo isso? Porque EU não largaria minha vida estável no Brasil pra vir pra cá num visto temporário que só permite trabalhar 20hrs semanais. Tem muita gente que vem? Tem. Tem muitos que são bem sucedidos e conseguem posteriormente um visto permanente? Tem. Mas também tem muitos (se duvidar a maioria) que não consegue porque é MUITO difícil.

O que mais me frustra é ver gente que tem plenas condições de aplicar pra um visto de residência cogitar vir como estudante porque tem pressa de sair do Brasil. Só que essa pressa, no meu ponto de vista, não compensa, porque vc vai gastar uma grana pro visto de estudante, vai gastar uma grana pra se bancar aqui, vai ralar pra conseguir um emprego na sua área (isso se conseguir) e ainda corre o risco de quando vc conseguir aplicar pra residência a sua profissão ter saído da lista de demanda, ou vc ter passado da idade, ou vc não poder mais usar da sua experiência no Brasil (ou parte dela) pra contar na aplicação por conta do tempo decorrido.

Fora que o que eu sempre digo é: em via de regra, se vc vier com um visto de residente o prazo é de 1 ano pra vc conseguir um emprego na sua área e começar a viver no saldo positivo (ou seja, ganhando em dólar mais do que vc gasta e parando de usar o dinheiro que trouxe do Brasil). Daí pra frente é ladeira acima pra grande maioria dos imigrantes qualificados. Por outro lado, se vc vem com um visto de estudante, esse prazo vai pra no mínimo dos mínimos 3 anos, sendo que a maioria dos casos que escuto é de pessoas que levaram de 5-10 anos pra conseguir converter o visto de estudante em permanente e se estabilizar. Nesse meio tempo ralaram muito, trabalharam horrores pra pagar o visto de estudante e eventualmente outro curso de qualificação que permita aplicar pra um visto de residência. Ou seja, a pressa não compensa e sai bem cara.

Então, acredite: imigrar com sucesso na maioria dos casos envolve um longo processo que requer muita paciência e tenacidade.

Ainda nesse quesito, uma dica final: se vc tem uma boa condição financeira no Brasil e não quer abrir mão do seu conforto (leia-se: empregada, babá, motorista), ou ainda se tem uma carreira consolidada e não está disposto a recomeçar do zero (ou pelo menos dar um bom passo atrás na carreira), melhor nem sair do Brasil mesmo. Porque imigrar significa sair da sua zona de conforto, recomeçar do zero, passar perrengue (principalmente no começo) e sem nenhuma garantia de se e quando vc vai ter a estabilidade financeira que almeja.

 
Resumindo: a vida de imigrante pode ser recompensadora, mas envolve muitos percalços que vc tem que estar disposto a encarar. No mais, pode me mandar email que tenho um baita prazer em ajudar todos que desejam descobrir as dores e as delicias de ser um imigrante na Austrália. :)

 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Novas informações para advogados – como validar o diploma de direito na Austrália

Já fiz muitos posts sobre a área jurídica aqui na Austrália (pra facilitar, todos os links estão consolidados nesse post aqui). Mas sempre que recebo uma informação nova gosto de compartilhar com quem busca esse caminho tão árduo.

Essa semana encontrei uma advogada brasileira que está fazendo o processo de validação do diploma aqui em Sydney e me conheceu a partir do blog. Nos encontramos pra um almoço e no fim acho que mais perguntei do que respondi. haha É que até hoje ainda não havia conversado com ninguém que veio como estudante e estivesse efetivamente fazendo o processo de validação do diploma, então aproveitei pra me atualizar nas informações sobre o assunto. (Mariana, se vc estiver lendo esse post, obrigada pelas informações! Tenho certeza que vc tem tudo pra alcançar seus objetivos e ser uma excelente advogada aqui em down under!)

Aproveitei também que eu mesma tenho pensado ultimamente em começar o processo de validação do meu diploma, e um obstáculo que me corroía era pensar em ter que traduzir todas as ementas da faculdade, gastando algumas centenas de dólares nisso.

Bom, juntando as informações que a Mariana me passou e uma pesquisa que fiz no site da Legal ProfessionAdmission Board, cheguei no seguinte passo a passo para advogados em NSW:



Algumas observações/explicações sobre o passo a passo acima:

1) Primeiramente, vale a pena começar lendo integralmente o “Guide for applicants for admission as a lawyer in NSW”. Na seção 5 desse guia tem o passo a passo para um advogado estrangeiro. Os documentos solicitados para um advogado estrangeiro são:

·         “original or notarised transcript of academic record in law;

·         original or notarised transcript of practical training course;

·         evidence of your admission as a lawyer (an original certificate from the admitting authority;

·         a copy of your up-to-date curriculum vitae, including details of your practice as a lawyer.”

Ou seja, as ementas não estão entre os documentos necessários. Eu acho que vale a pena acrescentar também o histórico de qualquer pós graduação e/ou mestrado feito, pois vai que alguma matéria desse curso conta.

2) Com tudo em mãos vc preenche o Form 16, anexa a documentação acima e paga a taxa (atualmente AUD$260).

No meu caso, eu acho que tentaria também aplicar pra exemption do PLT (prática jurídica) usando o Form 17, pois primeiro que tenho mais de 5 anos de experiência como advogada no Brasil, segundo que já trabalho como paralegal aqui na Austrália e, segundo uma colega paralegal no meu escritório que se formou agora, ela conseguiu a e exemption usando a experiência aqui no escritório.

De todo modo, ainda que sua experiência seja apenas no Brasil, acho que vale a pena conversar com a LPAB pra ver se seu caso se aplicaria a essa exemption.

3) Segundo a Mariana, a LPAB deu a ela 3 opções de instituições para fazer as matérias complementares (13 matérias no caso dela): University of Sydney, UTS (University of Technology, Sydney) e a própria LPAB.

Aí tem uma pegadinha: se vc é advogado e vem pra cá sozinho, precisa de um visto válido pra fazer esse processo de validação, certo? Nesse caso o único visto viável seria o de estudante. Ocorre que a LPAB não tem o registro necessário para conceder visto de estudante, então por ela vc não conseguiria o visto. Assim, as opções seriam University of Sydney e a UTS. Ambas possuem um curso (Juris Doctor) moldado justamente para estudantes internacionais que buscam a validação do diploma junto a LPAB. Assim esse curso irá conter basicamente apenas as matérias que a LPAB mandou vc estudar. Segundo o site da UTS, esse curso tem duração de 3 anos full time e depois o estudante deverá ainda fazer o PLT. Quanto ao preço do curso, para estudantes internacionais fica em torno de AUD$30.000 por ano.

Lembrando que esses valores são para o visto de estudante. Se vc tem o visto de residência, esses valores caem e muito! Fora que com o visto de residência vc pode fazer essas matérias diretamente através da LPAB, sendo que pela tabela de taxas do site deles eu entendi que cada matéria custaria AUD$748.

4) Para requerer a admissão como advogado, tem que preencher o Form 11 e pagar a taxa correspondente (AUD$900). Detalhe importante - para essa etapa vc precisa provar proficiência em inglês com as seguintes notas mínimas no IELTS:

Listening 7.0 / Reading 7.0 / Writing 8.0 / Speaking 7.5 / Aggregate 8.0

Nesse formulário vc tem que juntar também diversos certificados solicitados de antecedentes criminais e boas condutas, responder um questionário e anexar 2 referências de caráter por escrito.

Pelo que eu entendi, essa admissão como advogado já te qualificaria como solicitor em NSW. Se vc quiser ser barrister (que atua em tribunais), vc terá que prosseguir com estudos junto a NSW Bar Association.

5) Esse “Practising Certificate” é solicitado junto a Law Society.

Para quem está com o visto de estudante, a Mariana me comentou que após esse curso da UTS ou da Universidade de Sydney vc tem o prazo de 2 anos pra conseguir um emprego que te dê sponsor (pelo que entendi esse curso seria equivalente a um Master), que futuramente poderia ser convertido em um visto de residência. Ou seja, para advogados brasileiros o caminho teria que passar pela “sorte” de conseguir um sponsor. Isso porque apesar de solicitor e barrister estar na lista de demanda, vc não consegue aplicar pro skilled visa sem ser admitido na profissão e ter experiencia profissional, o que me parece inviável para advogados estrangeiros como já falei nesse outro post aqui.

 

Ou seja, o caminho é árduo e o futuro incerto para advogados que pretendem validar o diploma aqui e não tem condições de vir com outro visto que não o de estudante. Se vc tem outro visto (como de partner ou residente), o caminho não deixa de ser longo e árduo, mas ao menos o futuro será mais certo. ;)

Se alguém tiver informações adicionais ou já tiver terminado esse processo de validação do diploma de advogado, pode me mandar um relato que ficaria muito feliz em ler e publicar aqui no blog.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Home doctor (atendimento médico a domicílio)


Sempre me perguntam sobre o sistema de saúde daqui, que é bem diferente do Brasil. Já fiz vários posts sobre isso (aqui e aqui com link para mais postsantigos) e em um desses posts eu mencionei o home doctor, mas não expliquei melhor do que se trata.
Há alguns meses usamos o serviço pela primeira vez com o Lucas, então vou contar como foi a minha experiencia.

Começando do principio: o home doctor é um serviço de atendimento médico a domicílio em horário não comercial (dia de semana a noite – de 6pm a 8am –, fim de semana e feriados – o dia todo). No site deles tem as cidades atendidas pelo serviço, dentre elas Sydney e Melbourne. O serviço é bulk billed, ou seja, vc não paga a visita pois a cobrança vai direto pro Medicare (pra quem tem) ou pro seguro privado Allianz, Medibank ou Bupa se for estudante internacional (se não se enquadrar nessas hipóteses vc pode pagar com cartão, mas tem que ligar pra eles pra saber o valor). Segundo o site deles, em 80% dos casos o médico chega na sua casa num prazo de 3 horas da ligação solicitando-o.
Funciona assim: vc liga diretamente pra eles (o número é 13 SICK, ou seja, 13 7425) ou faz a solicitação pelo app. Eu fiz pelo app, mas aí em seguida alguém do call center deles me ligou pra pegar mais detalhes e confirmar o agendamento. No meu caso liguei porque era um domingo de tarde e o Lucas estava com umas bolinhas pelo corpo, sendo que 2 dias antes ele tinha tido febre e vomito. Como no dia da febre melhorou em seguida, não cheguei a levar no médico, mas daí domingo apareceram essas bolinhas e eu não queria levar ele pra creche no dia seguinte sem saber se era algo contagioso, mas ao mesmo tempo ele estava bem, não era caso de hospital.

Aliás esse é um detalhe que eles avisam no site: esse serviço é pra casos em que não haja uma emergência séria, ou necessidade de exames, pois nesse caso melhor levar no hospital mesmo. Mas também não é como no Brasil que se vc está com uma dor de garganta aguda no domingo vc vai no hospital, aqui vc pode chamar esse médico em casa ou ir num medical centre que funcione nos fins de semana (nesse dia eu até podia levar o Lucas num medical centre desses, mas estávamos voltando de um longo dia e tudo que eu queria era chegar em casa). Eu nunca tive que ir com o Lucas pro hospital, todas as infecções que ele já teve (incluindo febre alta, otite, amigdalite, eczema, etc) tratamos no GP ou no medical centre ou com esse home doctor.
Voltando a história: fiz a solicitação do serviço e eles me deram uma previsão de 2 horas para a chegada do médico. Quando estava perto dessa previsão vencer, recebi uma ligação do próprio médico avisando que ele estava um pouco atrasado mas chegaria em 30 minutos. Ele chegou, examinou o Lucas (ouvido, garganta, nariz), viu a rash, eu contei dos sintomas que ele teve antes e ele deu o diagnóstico (nada grave, só uma infecção viral). Ainda pedi a ele um certificado constando que o Lucas não poderia ir na creche pro Thiago poder apresentar no trabalho dele pra faltar no dia seguinte (o que acabou não precisando porque a rash sumiu no dia seguinte e o Lucas foi pra creche normalmente). Ah, e no final ele pede o número do cartão do Medicare pra cobrar diretamente deles, eu não tive que pagar nada.

No geral fiquei bem satisfeita com o serviço, o médico (um clínico geral, o GP como chamado aqui) era bem atencioso, examinou o Lucas sem pressa e achei que não ficou devendo nada a uma visita ao meu GP usual. Claro que eu sempre vou preferir o meu GP de confiança (na verdade tenho 2, o usual e outro pra quando o usual não está disponível), mas numa emergência não tão grave vale a pena chamar usar esse serviço.